Magenta… e todas as outras cores da massa cinzenta

EM_spectrums

Acima você confere o espectro de luz visível, que pode ser entendido como ondas eletromagnéticas simplesmente variando em freqüência, da mais baixa à direita à mais alta na esquerda. Vá mais baixo e você adentra o infravermelho, o microondas e o rádio, vá mais acima e você avança sobre o ultravioleta, raios-X e raios gama.

Vemos o espectro de luz visível em todo lugar, e de forma especialmente bela nas cores do arco-íris. É comum pensar que deve conter todas as cores, tanto que a expressão “todas as cores do arco-íris” tem 12.300 resultados no Google, quase sempre referindo-se a todas as cores existentes.

magentacircle

Agora ache a cor magenta no espectro. Ela não está lá. Todas as cores no arco-íris não incluem o magenta. Como podemos enxergá-la? Seria uma freqüência mágica que não existe realmente? Flicts?

Segundo Liz Elliot, sim. Em uma nota onde diz que magenta não é uma cor, Elliot explica que o magenta é uma mistura dos dois extremos do espectro, violeta e vermelho. E o cérebro ao invés de somar as duas frequências e enxergar algo em seu meio – que seria o verde – faz um malabarismo e inventa uma cor completamente nova entre o vermelho e o violeta. Magenta seria uma grande mentira, uma ilusão.

Soa inacreditável. Provavelmente porque não é realmente verdade. E a verdade pode ser ainda mais impressionante.

DIAGRAMA ERRADO

Em Yes, Virginia, there is a magenta, Chris Foreman corrige as atrocidades que Elliot cometeu em sua nota. Foreman exibe logo de cara um diagrama de espaço de cores CIE:

cie_color_bag

E, bem, você vai encontrar o magenta aí. O que o espaço de cores CIE representa é exatamente a percepção humana de cores. Criado através de experimentos em 1931 pela Comissão Internacional sobre Iluminação (CIE), o diagrama leva em conta como nós percebemos as cores, e aqui está a resposta mais simples para o erro de Elliot. Ela simplesmente se valeu de uma conceituação e uma representação errada para o que são as cores.

As cores que percebemos não são determinadas apenas por sua frequência no espectro eletromagnético, e sim em como estimulam nossa retina, sensível a três cores primárias. Não temos um sensor ótico capaz de medir a frequência exata da luz que entra em nossos globos oculares, e sim três tipos de células sensíveis a cor que reagem apenas a três pequenas fatias desse espectro, localizadas aproximadamente em sua metade e dois extremos. Nós literalmente interpolamos a medida de um amplo espectro contínuo a partir de três sensores de sensibilidade bem limitada.

No espaço de cores acima, o espectro de luz visível compõe os contornos curvos da “ferradura”. O comprimento das ondas eletromagnéticas visíveis estão nessa linha contínua, indo de em torno de 380 a 700 nanômetros. Agora, todas as cores dentro da ferradura, incluindo o magenta, “não existem”, não são frequências eletromagnéticas definidas. São construídas em nosso cérebro combinando os diferentes estímulos captados por nossos três tipos de células cromáticas.

E é assim que o rosa-choque, o marrom e uma infinidade de outros tons dentro da ferradura do espaço de cores CIE se juntam ao magenta, e não existem como um comprimento de onda eletromagnética definido. São diferentes frequências estimulando simultaneamente diferentes células sensíveis a cor em nossos olhos. E não para aí. O espaço de cores representado acima não é completo, não apenas porque seu monitor é incapaz de representá-lo de forma perfeita – como nenhum monitor no mundo é capaz.

O espaço de cores precisa de mais um eixo para representar a intensidade da cor, indo do preto ao branco, e todos os tons de cinza entre eles. Imagine essa ferradura estendendo-se tridimensionalmente, variando seu brilho. Porque, se você ainda não notou, nem o preto, o branco ou nenhum tom de cinza surge no espectro de luz visível. Também não existem? Claro que existem.

t500-1222263584

Como deve estar claro, não é que essas não sejam realmente cores, ou mesmo cores “de verdade”. É que a definição de cores como determinados comprimentos de onda é simplesmente incorreta; é impossível definir as cores sem fazer referência a como nós as percebemos.

UM MAGENTA ESPECIAL, AFINAL

Entender como percebemos as cores e apresentar o espaço de cores derivado de tal, no entanto, sim ilustra algo interessante. O magenta sim é especial. Lembre-se de que todo o contorno curvo da “ferradura” de cores compõe o espectro de luz visível, são comprimentos de onda eletromagnética definidos.

Essa curva contrasta com a linha reta entre o violeta e o vermelho. Que inclui o magenta em seu meio. Todos os pontos nessa linha, a “linha de púrpuras”, são extremos mas não existem como comprimentos de onda definidos. É fácil entender o porquê.

magentanoneczistec

O espectro de luz é linear, começa em um ponto e termina em outro. Já a percepção de cores combinando três tipos de células cromáticas produz um espaço de cores circular, onde você pode começar em um ponto e percorrer os outros em um mesmo sentido até voltar aonde começou. A linha reta entre o violeta e o vermelho é a linha “imaginária” que completa esse círculo, transformando o espectro linear em algo circular.

E o magenta está lá em seu meio. Assim, há mesmo algo especial no magenta e todas as cores na linha de púrpuras: são cores completamente saturadas, mas nenhuma frequência única de luz pode produzi-las. Se vivêssemos em um Universo com leis físicas e axiomas matemáticos completamente diferentes, onde o espectro eletromagnético fosse circular, talvez esses púrpuras tivessem uma frequência determinada e fossem parte das cores do arco-íris. Arco-íris que seriam sempre circulares, imagino.

(Em verdade existem halos solares e lunares, grosso modo “arco-íris” circulares, mas adivinhe em que sentido se distribuem suas cores. Não, não é como no círculo de cores acima. A natureza teima em ser coerente).

halosolar
[De Calovi no Flickr]

Claro que mesmo neste Universo Bizarro com arco-íris como círculos de cores, todas as infinitas outras cores dentro da ferradura continuariam não existindo no espectro. E como vimos, ainda assim seriam cores, que enfim, não são simplesmente parte do espectro de luz.

QUALIA, MOLHO ESPECIAL E RETINEX

Soam como nomes de produtos, mas são apenas alguns dos outros conceitos envolvidos aqui. Vimos, literalmente, como as cores dependem da forma como as percebemos fisiologicamente, o que envolve detalhes sobre nossa retina. As coisas são em verdade ainda mais complicadas. E proporcionalmente curiosas.

Talvez você tenha achado estranho que nos diagramas acima se tenha misturado uma ferradura com um círculo. O círculo é apenas uma representação gráfica mais simples, de fato uma das primeiras teorias de cores desenvolvidas por Newton. A ferradura CIE é uma representação mais precisa de nossa percepção de cores criada no século passado.

Ainda assim, você também pode ter se perguntado por que a ferradura tem um aspecto assimétrico. Não poderia ser um triângulo mais bem ajeitado? Poderia, se nossas células sensíveis a cor reagissem da mesma forma aos comprimentos de onda que buscam captar, fossem distribuídas uniformemente na retina, e se os comprimentos de onda captados também se distribuíssem igualmente ao longo do espectro de luz. Na vida real, as coisas não são bem assim, e o triângulo ideal se transforma em uma ferradura.

conesens1

Nossa sensibilidade a diferentes comprimentos varia bastante, e os cones sensíveis ao verde e vermelho em verdade sobrepõem-se, e muito. Mesmo quando você vê uma placa perfeitamente vermelha, os cones sensíveis ao verde também estão sendo estimulados – só um pouco menos. Como vemos as diferenças entre verde e vermelho tão claramente nos semáforos?

Aqui entra o nosso cérebro. Que tenhamos um espaço perceptual de cores que se aproxime de um triângulo com uma enorme gama de tons se deve ao fato de que o cérebro lida com todas estas limitações de nossa retina. O conjunto completo do sistema visual é fruto de milhões de anos de evolução de todos os seus componentes, incluindo aí o cérebro. Ao investigar o conjunto de perto, descobrimos uma série de gambiarras, e por assim dizer o que não foi implementado em hardware é corrigido em software. Ao final, o importante é que ele funciona incrivelmente bem dadas as condições. Não temos a melhor visão no mundo animal, mas enxergamos milhões e milhões de cores.

Se o hardware tem severas limitações na captação bruta de cores primárias (devido a adaptações que favoreceram a nitidez da visão) o software que nós temos consegue fazer milagres com o que recebe dele. Se olharmos ainda mais de perto, descobriremos que as cores não são apenas combinações determinadas de estímulos dos três tipos de sensores cromáticos. O sistema visual calcula a percepção de cores de forma extremamente sofisticada levando em conta diversos pontos do campo de visão, para – sempre usando analogias da tecnologia moderna – aplicar um balanço de cores automático. É a extremamente importante constância de cores.

Veja o hambúrguer abaixo. Consegue ver o alface verdade, o pão bege, o queijo amarelo e a carne marrom?

hamb

Parabéns, você viu as cores em seu cérebro. A imagem tem apenas tons de vermelho e cinza. As outras cores foram vistas porque, apesar de sua retina ter captado apenas tons de vermelho, seu cérebro processou a informação adicional codificada nos tons de cinza intercalados. Escrevi uma coluna a respeito há algum tempo: “Molho especial”. Essa nova teoria de cores incluindo como nosso cérebro processa os dados algoritmicamente foi proposta e desenvolvida há apenas trinta anos atrás por Edwin Land, inventor da câmera Polaroid.

Se você continuar se aprofundando no tema, acabará entrando mesmo em questões como até que ponto a percepção de cores também é cultural (você sabia que para os japoneses verde e azul são a mesma cor?) e conceitos filosóficos como o qualia e a consciência, que o RicBit (que foi como me inteirei por toda essa polêmica) já começou a abordar no BrainDump: There Is No Magenta (mesmo?)

Tudo isso porque o magenta não está no arco-íris. Mas então, mesmo as cores que vemos no arco-íris não passam de construções peculiares de nosso sistema visual, combinando nossos olhos e cérebro. Embora parte das cores que percebamos tenha correspondentes no espectro em um arco-íris e todas as cores sejam derivadas de estímulos físicos reais captados por nossa retina, as cores em si mesmas, incluindo as espectrais, são a rigor todas construções mentais. Como não poderia deixar de ser, não há algo como uma “vermelhidão” saindo de um tomate e entrando diretamente em seu cérebro.

O arco-íris em si mesmo se estende muito além do que vemos como cores, em frequências de infravermelho e ultravioleta, que por sua vez são apenas parte do vasto espectro eletromagnético inundando todo o espaço de ondas de rádio de quilômetros de tamanho a radiações extremamente curtas como raios-x ou gama. O fascinante é que, através da ciência, outra criação de nosso cérebro, também podemos enxergá-los.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Discussão - 42 comentários

  1. Patola disse:

    Matéria fantástica. Responde a dúvidas que eu expressei há muitos anos tanto para um professor de física quanto a um professor de computação gráfica da faculdade.

  2. Parabéns! Um assunto intrigante.
    Já havia procurado sobre o maldito magenta há algum tempo. Mas organizado assim ficou muito coerente!
    Espetacular!

  3. Felipe Demetrio disse:

    Ótimo texto.
    Interessante é como outros animais vêem outras faixas do espectro. Até infra vermelho na faixa térmica.
    Assim como daltônicos tem deficiência, e nem conseguimos imaginar como é nunca conhecer uma cor.
    Muitos sabões em pó usam um tal de ‘branqueador ótico’ que colore as roupas na faixa ultravioleta, deixando um branco brilhante.
    Uma experiência (des)agradável recente que passei involuntariamente foi meu monitor que estragou o ‘flyback’ e as cores se desligavam. Aproveitei e passei meses usando computador com uma cor a menos. As vezes vermelho, as vezes azul ou verde.
    Navegar pela internet assim foi uma experiência única. Ainda dá pra simular isso mexendo nas configurações de vídeo.

  4. Leonardo disse:

    E fúcsia, existe??
    Brincadeira. Excelente texto.

  5. Também achei bárbaro, esse texto. Agora, sobrou-me uma dúvida. Misturas de ondas perfeitamente senoidais, mas com freqüências diferentes, em geral dão uma onda com outra freqüência, mas não-senoidal. É o que em acústica chama-se “timbre” – a diferença entre dois timbres com a mesma freqüência (altura) é a forma da onda. Assim, também, ondas luminosas com a mesma freqüência podem dar diferentes cores se as formas das ondas forem diferentes. As cores do espectro do arco-íris são todas freqüências perfeitamente senoidais. As ondas não-senoidais, portanto, não aparecem no arco-íris, mas existem da mesma forma – sem precisar de intervir nenhum cérebro humano para interpretar. O que não significa que o cérebro humano não interprete da forma como foi brilhantemente exposto no texto. Ele interpreta, haja vista o modo como completa o círculo do espectro. Acho que as duas coisas acontecem.
    Outra coisa: acho interessante que o final do espectro visível tem freqüência quase exatamente o dobro do que seu começo: 385 Hz e 770 Hz. Fico pensando se isso pode não ser coincidência. Na acústica, percebemos nítida semelhança entre dons distantes uma oitava (na verdade, eu percebo mais semelhança ainda quando há duas oitavas de distância). E pular uma oitava significa dobrar a freqüência. Pode não ser coincidência o fato de que o vermelho nos parece combinar tão bem com a cor com o dobro de sua freqüência, o violeta, a ponto de conseguirmos passar continuamente de um para o outro (não dá para fazer isso do verde – no meio do espectro – para o vermelho). É tentador especular se a razão de vermos quase exatamente uma oitava não seria essa: inconveniente ver mais, senão borra a “linha inventada” entre o violeta e o vermelho. Mas há animais que vêem extensões diferentes do especto, de modo que não sei, não.
    Outra coisa: não consegui encontrar indicação do autor do texto acima.

  6. Ricardo D. Kossatz disse:

    Muito bom o texto. Parabéns.
    Uma curiosidade é a origem do nome desta cor:
    “Magenta: em uma localidade italiana, onde ocorreu uma cruenta (sic) batalha entre franceses e italianos contra os austríacos em 1859, “magenta” passa a designar a cor resultante do sangue dos soldados mortos, misturado à neve e sob o reflexo do sol.” (http://newdoor.com.br/?p=24)

  7. NelmaGuerra disse:

    Mt bom o texto…parabéns!

  8. No geral, apreciei deveras o texto do amigo Kentaro; o que não constitui novidade em todas suas publicações. É um blog com “100%denexos”!
    O tema é empolgante, uma vez que parte do fato de que “cor não é um conceito físico”. Para o físico a luz é caracterizada pela sua repartição de intensidade espectral I(l). A função I(l) de uma dada luz é determinada decompondo-se espectralmente a luz e medindo-se a energia contida em cada intervalo dl de comprimento de onda (Por exemplo, por meio de um termoelemento).
    Nossa sensibilidade à luz não é, porém, do tipo de uma análise de Fourier: A ´aparência´ de uma luz não indica nada sobre sua composição espectral. A luz de uma lâmpada de mercúrio tem o mesmo ´aspecto´ da luz emitida por uma lâmpada de arco através de um determinado vidro colorido; os espectros dessas luzes são, entretanto, completamente diferentes. Por outro lado, duas luzes (cores) são percebidas identicamente quando coincidem em tonalidade, saturação e brilho.
    Apreciei, também, o comentário do amigo Belisário e as dúvidas levantadas. Mas, é perigoso fazer analogias entre sons e luzes. O simples fato de serem de tipos diferentes (longitudinais/transversais), já trás complexidades em suas superposições. Timbre é característico de som (superposição de fundamental e seus harmônicos, cada qual com sua particular amplitude), gerando não uma onda senoidal, porém ´harmônica´ (pode ser decomposta via Fourier!). Não há ´timbre luminoso´!
    Todavia, é realmente curioso, o problemas das ´oitavas´. Também é curioso o fato de nosso sistema visual ser tão limitado; sem dúvida uma gambiarra a ser evoluída.
    Será que no futuro o ser humano ´enxergará´ além do espéctro visível; poderemos ver ´temperaturas´ (infravermelho) ou os ossos da mulher amada (raios-X moles)?
    Parabéns Kentaro!

  9. Veio a calhar o comentário do Luiz. É verdade, timbre é um conceito usado só para acústica e é normalmente associado a superposição de harmônicos (freqüências múltiplas), provavelmente porque a maior parte das fontes sonoras musicais emite som na forma de superposição de harmônicos. Duas freqüências não-múltiplas superpostas podem não se fundir na nossa percepção e causar dissonância.
    (Porém, não é o caso de um barulho comum. Em geral, ele tem um espectro contínuo e a oscilação é aperiódica. E, mesmo assim, percebemos diferenças claras nos tipos de sons de diferentes barulhos.)
    No caso da luz, a gente só enxerga uma “oitava”, de modo que acrescentar harmônicos não adianta muito (acho), pois caem fora da parte visível… Mas a superposição de ondas com freqüências diferentes dentro da parte visível produz ondas não-senoidais (e, em geral, aperiódicas, a não ser que haja, entre as duas freqüências, uma relação de fração de números inteiros). Para mim não é óbvio que não tenhamos a capacidade de “fundir” essas ondas superpostas na percepção, de forma a percebermos uma cor diferente (claro que, junto a isso, há o efeito da interpretação de que fala o textão acima). Por isso eu comentei a hipótese de a percepção de cor diferente ser também devida a essa mistura. Mas é só uma especulação. Nada sei sobre percepções.
    Apesar da natureza das ondas sonoras e luminosas ser bem diferente, os efeitos da superposição das ondas discutidos acima podem ser semelhantes nos dois casos.

  10. Atila disse:

    Nada como o 100nexos pra destruir as explicações meia-boca!

  11. É um prazer retornar, frente a um ´adversário´ tipo Belisário, cujos comentários dão mais sabor ao tema.
    Comecemos do final, pois está mais fresco na memória, citando Belisário: “Apesar da natureza das ondas sonoras e luminosas ser bem diferente, os efeitos da superposição das ondas discutidos acima podem ser semelhantes nos dois casos.”. Os ´efeitos´ da superposição de uma são percebidos pela audição e de outra pela visão. Não se pode evidenciar que houve ´semelhança´ para receptores tão distintos!
    Indo agora, ao começo, lê-se: “É verdade, timbre é um conceito usado só para acústica e é normalmente associado a superposição de harmônicos (freqüências múltiplas), …”. Eu não disse isto, mesmo porque timbre não é o resultado da superposição dos harmônicos (frequências múltiplas); se assim o fosse jamais poderíamos a partir dele reconhecer a ´mesma nota´ (fundamental) emitida por instrumentos diferentes. Repito, timbre é resultados da superposição dos fundamentais com alguns dos harmônicos e, cada um, com suas particulares amplitudes. O timbre é harmônico. O ruído é um timbre degenerado!
    Se a orelha é o receptor, tem razão o Belisário, não se pode esperar ´certezas demais´; medidas subjetivas são instáveis, irregulares, raramente comparáveis entre si.
    O mesmo se diga se o receptor é o olho. E, o primeiro problema, no tema das cores, é a própria ´luz branca´. Esta é formada pelas radiações visíveis do Sol (a atmosfera absorve certas radiações, mas considera-se como branca a luz recebida na superfície da Terra). Nas experiências para reproduzir a luz branca, via de regra, emprega-se o arco voltáico (temperatura da ordem dos 5 kK, como na superfície do Sol). Outrossim, para uma intensidade dada, os indivíduos não apresentam todos a mesma sensibilidade às cores. Não se pode senão dar resultados médios, por isso os limites da luz branca são assaz arbitrários. Será que todos, ou pelo menos a maioria, enxerga o magenta? Acredito que sim, caso contrário não seria alvo de discussão :-)).
    O comentário que mais me intrigou foi este: “No caso da luz, a gente só enxerga uma “oitava”, de modo que acrescentar harmônicos não adianta muito (acho), pois caem fora da parte visível…”. Apesar do (acho), eu cá tenho duas dúvidas, a saber: (a) existe harmônico para, por exemplo, o verde monocromático? (b) Se existir, matematicamente, somar harmônicos, gera alguma coisa com frequência fora da gama visível?
    Em outras palavras, se a gama visível engloba uma “oitava” (3,75.10^14 Hz a 7,50.10^14 Hz), a superposição de uma delas (verde, seguindo o exemplo) com seus ´possíveis´ harmônicos, forma uma onda eletromagnética que se possa “localizar fora da gama visível”? Os harmônicos do ´verde´ estariam dentro da ´oitava´ luminosa? Ou lá fora, depois do ultravioleta?
    Esta percepção do Magenta não seria devido à interferência de cores monocromáticas sobre cones e bastonetes? Vai saber! No fundo … acho que a interferência está fora da jogada …

  12. Kentaro Mori disse:

    Caramba, agradeço imensamente todos os comentários, é claro a maior satisfação de um blogueiro acidental.
    Sobre os curiosíssimos comentários do Belisário sobre harmônios, arrisco um pitaco, meio na linha do professor Luiz, que talvez devesse ter colocado no texto.
    Algo importante são os metâmeros, isto é, somas de frequências de luz completamente diferentes mas que produzem os mesmos estímulos nas células cromáticas do olho. Eles ocupam o mesmo ponto no espaço de cores CIE, mas é possível estimular esse ponto somando diferentes frequências espectrais.
    Nessa página, os seis espectros produzem exatamente a mesma percepção de cor:
    http://www.visualmill.com/
    O que faz com que digam que somos de certa forma todos daltônicos.
    De forma que, e reforçando, nosso sistema visual não é nada bom em detectar qual seria a frequência espectral exata de um determinado objeto, tornando, creio eu, as considerações sobre harmônicos interessantíssima mas não a como a percepção de cores funciona.
    Ao invés de tentar estimar corretamente comprimentos de onda, nossa percepção de cores se esforça sim em diferenciar, através em sua maior parte de cores que não existem realmente no espectro, as diferentes formas pelas quais objetos emitem e refletem luz. E nisto, a prioridade é fazê-lo também com constância de cor (independente da cor da iluminação, como o Luiz comentou).
    Em um link no texto sobre por que nossas células sensíveis ao vermelho e verde estão tão próximas em sensbilidade se explica o motivo, que também explica por que as células sensíveis ao azul são muito escassas. É uma adaptação evolutiva para lidar com a… aberração cromática! Nosso sistema visual fez concessões na acuidade da percepção de cores em favor da nitidez de contornos.
    É, em todos seus detalhes, um tema fascinante mesmo… Ah, e tinha que ser o Kossatz para indicar a etimologia de magenta, vou incluir isso na versão em inglês dessa nota :-)

  13. Olá, Luiz. Quando eu disse que superpor uma cor visível a um harmônico seu (isto é, a uma freqüência que lhe é múltipla) não “adianta nada”, foi justamente porque o harmônico em questão cai fora do espectro visível e, por isso, não o deveríamos perceber, de modo que deveríamos ver a mesma cor. O “acho” é porque nossa percepção não costuma ser linear, de modo que a soma dos estímulos não corresponde necessariamente à soma das percepções; por isso, não me é tão óbvio que a luz verde superposta com uma onda com o dobro da freqüência seria percebida como totalmente idêntica ao verde puro.
    Sobre a letra (a): o que quero dizer com “harmônico” para o verde visível são ondas com a freqüência do verde dobrada, triplicada, etc. (b) Somá-las não gerará freqüência diferente, apenas onda com forma diferente, com a mesma freqüência que o verde original – como acontece com qualquer superposição de ondas em um sistema linear. Isto, a e b, independe da diferença entre luz e som, é um raciocínio matemático – por isso eu disse que os “efeitos” podem ser semelhantes nos dois casos. Detalhe: “podem”, ou seja, há efeitos que não são (como as percepções).
    Quanto ao resto, nada a acrescentar…

  14. Claudio disse:

    Acho que o pessoal tá confundindo função de onda com as propriedades da partícula fóton.
    Pelo que sei, nossa visão (olho-cérebro) é um processo lento e singelo. Como dito no texto, nosso olhos não são sensores precisos e sensíveis.
    Para vermos um ponto num objeto, precisamos de MUITA luz durante MUITO tempo. Ou seja, Muitos fótons de frequências diferentes entram no nosso olho vindos daquele ponto da imagem, nossa retina capta o que em 0,1 segundos (isso é muito tempo) são 49% da frequencia “vermelha” que os olhos “vêem”, 49% de “azul”, e 2% de verde que na verdade são variáveis de acordo com o brilho/luz/escuridão.
    Nosso cérebro adapta tudo, assim como a íris a quantidade de luz e o cristalino o foco.
    Nossa retina é falha e imprecisa, temos que mover nossos olhos e capturar muita luz mesmo pra compor a imagem, um ponto na imagem. E não apenas 1 fóton vermelho e 1 azul, em frequencias exatas para compor “magenta”.
    Não é uma soma de ondas numa onda só, são quantidades imensas de 2 ondas distintas que não se tocam, não interagem uma com a outra.
    Acústica é algo totalmente diferente.

  15. Acho que o Cláudio falou e disse.

  16. Fabiano Belisário Diniz disse:

    Mudando um pouco de assunto: caso percebêssemos, digamos, duas oitavas ao invés de uma, será que teríamos mais cores primárias? Ainda teríamos magenta ao misturarmos vermelho com azul?
    Eu ficava me perguntando, também, o motivo da existência das cores primárias. Por que cores específicas não podem ser obtidas pela mistura de outras cores? Isso se deve ao fato de percebermos apenas 3 fatias estreitas do espectro, cujos centros são as primárias?

  17. Requerido disse:

    Da série:
    “Noticias que vão mudar o mundo”
    “Discursão nos coments de quem aprendeu mais física e cálculo no curso de engenharia”

  18. YakuzareD disse:

    Post muito interessante… =o
    Mas azul (ao) e verde (midori) não são necessariamente a mesma cor no japão. ‘-‘

  19. Gabriel Andery disse:

    Parabéns pelo texto! Já estudei bastante sobre percepção de cores, mas nunca havia pensado sobre o magenta. Mas o mais engraçado foi:
    “o que não foi implementado em hardware é corrigido em software”
    hahahaha… Realmente, muito bom!
    Agora, se no Japão verde e azul são a mesma cor, então eles devem ter um sério problema com o sistema RGB. hehehehe… Brincadeirinha ;)

  20. Maurício Braz disse:

    Caralho! Mto foda essa matéria!
    Parabéns!!!

  21. Marcão disse:

    Gabriel,
    “Mas o mais engraçado foi:
    “o que não foi implementado em hardware é corrigido em software””
    isso parece engraçado, mas o o mais engraçado é que aconteceu depois “milhões de anos de evolução”. Parece que o assunto projeto/projetista ainda não saiu da cabeça do Mori (subconsciente talvez?). Falou 15x de evolução e usa um exemplo projeto/projetista.
    Att.
    Marcão

  22. Kentaro Mori disse:

    Uma ***metáfora*** de projeto, Marcos. Se o olho teve um projetista, foi um bem pouco inteligente. Basta ler a coluna e acompanhar os links e referências para descobrir a extensão das “gambiarras” que constituem nossa visão. Eu até usei a palavra gambiarra no texto, pouco antes da metáfora de projeto, mas essa você não citou.

  23. Kentaro Mori disse:

    Ah sim, os japoneses não são todos daltônicos. Mas um mesmo termo “ao” ou “aoi” se refere tanto ao azul como verde, isto é, seriam apenas tons diferentes de uma mesma cor (!).
    “Midori”, bem como termos estrangeiros como Green ou Blue são usados hoje, também, mas ainda assim, se você perguntar a alguém qual é a cor do céu e qual a cor do semáforo oposta ao vermelho, receberá “aoi” como resposta nos dois casos.
    Incidentalmente, a escala musical oriental (original da China) também conta com apenas 5 notas.
    E se reforçam aqui os aspectos culturais disso que achamos que têm existência puramente concreta, como “cores” ou “notas musicais”. Se alguém daqui também tiver lido a TdC do amigo DelDebbio, também deve ter uma dúvida bem razoável sobre todas aquelas explicações sobre o número sete.
    Simplesmente, não é assim. Há culturas que enxergam mais, e outras que enxergam menos cores no arco-íris. Não há nada de muito místico nisso. Há de fato algo bem científico em tal (neurológico), que pode ser assunto para uma coluna qualquer dia desses.

  24. Anon disse:

    Mori, pode me explicar o que esse site que você passou (http://www.visualmill.com/) quer dizer? Eu não entendi. Ele está dizendo que os seis espectros são da mesma cor ou que o roxo está ali mas não vemos? Ou outra coisa?

  25. Kentaro Mori disse:

    Você entendeu, Anon, o site diz que os seis espectros são percebidos como exatamente a mesma cor, apesar de como está claro, sejam comspostos de frequências bem diferentes. São metâmeros.
    Procurei aqui um bom link em português sobre o assunto, e achei isto:
    http://www.abtg.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=252&Itemid=47
    Infelizmente está sem figuras, mas combine com as ilustrações do link em inglês no visualmill, e deve ficar mais fácil :-)

  26. REGINATO disse:

    NOITE
    FANTASTICO
    REGINATO

  27. Kentaro Mori disse:

    Maravilha, Cláudio. A diferença entre a interação não-linear de ondas acústicas com a não-interferência entre ondas eletromagnéticas deve ser uma resposta (ou mesmo _a_ resposta) a por que a soma de violeta e vermelho não é verde.
    Fótons, ao contrário de ondas sonoras, não se misturam.

  28. San disse:

    entao deve ser verdade que os esquimos conseguem enxergar uns 80(80 = um numero alto qualquer) tons de branco ?

  29. Senhor Kentaro, obrigado pela ótima matéria, está excelente! Sou estudante de artes, e essas informações serão muito úteis em meu TCC.
    Gostaria apenas de apontar um pequeno erro, que não desmerece em nada a qualidade das informações aqui contidas: O circulo cromático na verdade foi idealizado por Goethe, e não por Newton, este apenas se apropriou dele em um momento posterior.
    Vou passar a acompanhar este blog, parece ter assuntos muito interessantes.
    Um abraço!

  30. Renato disse:

    muito bom seu texto..
    além de ser interessante a linguagem esta ótima..
    até mais

  31. Silvana Aparecida barbosa disse:

    Oi, muito obrigada pelas informações que disponibilizou,saiba que ajudou a Íris da Paz (São João Dom Bosco).Paz e bem.

  32. Dirceu disse:

    eu gostei muito do artigo, explica muito bem alguns conceitos, mas a foto que exemplifica como o nosso cerebro monta as cores não está correta, ela tem sim as outras cores, basta salva-la no Photoshop e mandar ler os canais de cores para confirmar.
    Mas tirando isto o artigo é ótimo e muito interessante.

  33. D disse:

    Só não entendí qual a dúvida quanto à existência do marrom, do bege, da magenta….
    Não é porque não existe uma onda eletromagnética específica vinda do objeto que aparenta tê-los que a interpolação feita com a informação decorrente da informação das ondas, captada pelos olhos, manipulada, não dá orígem a uma nova cor que efetivamente existe.
    A impressão de que se está vivendo uma ilusão não é mais do que tomar como pressuposto a idéia de que aquilo que é criado e manipulado pelo corpo a partir de informações ambientais (como no caso, a “criação” da cor marrom do hamburguer a partir da união de informações decorrentes de ondas eletromagnéticas interpretadas como tons de vermelho e cinza) que a cor deixa de existir.
    Ela existe.
    Tem de passar por todo um processo, sendo refinada a partir do que se capta com os olhos, mas o resultado final da manipulação e interpolação dos tons de vermelho e cinza não é a simples mistura do vermelho e do cinza. São o marrom, o bege… produtos derivados de outros, mas essencialmente diferentes.
    Já quanto aos japoneses acharem que verde e azul são a mesma cor, isso é uma informação errada que você pegou Kentaro.
    Eles acreditam que o verde é um tipo de azul. Assim como existe azul-anil, existe uma espécie de “azul-verde”, o que não quer dizer que sejam ambos a mesma cor. (Pode-se ser purista e dizer que são a mesma cor, apenas em tons diferentes, mas não acho que você deixaria uma ambiguidade tão maliciosa, omitindo que eles enchergam e são perfeitamente capazes de dizer o que é verde e o que é azul, depois de todo um texto sobre como o cérebro é que é responsável por “criar” as cores e depois de uma nota de que a cultura influencia este processo…)
    Pode-se ver isso até pela existência de palavras específicas para cada um deles. Em uma tradução de Kanjis, “緑” (Midori), significa “verde”, enquanto “青” (Ao), significa “Azul”.
    (vindo de : Wikipédia -> http://pt.wikibooks.org/wiki/Japonês/Vocabulário/Cores)
    Uma explicação para o engano que você cometeu, suponho, deve ser porque “Midori” é muito pouco usado pelos japoneses. Assim como muitas vezes não falamos “azul-cielo”, mas apenas “azul”, eles também não falam “azul-verde”, apenas “azul”.
    Ou ao menos é esta explicação que conseguí em um tópico do fórum a seguir (que talvez seja, talvez não seja confiável) : http://forum.xisde.net/viewtopic.php?f=18&t=1502

  34. Kentaro Mori disse:

    Sim, o texto refuta justamente a alegação de que o marrom, bege, magenta não seriam cores. Obviamente são cores, apenas as cores não são definidas por uma frequência específica de luz, e sim pela percepção do sistema visual combinando a retina e o processamento cerebral.
    Já quanto a verde e azul serem a mesma cor, obviamente japoneses conseguem distinguir uma cor, ou tom, do outro. Não são todos daltônicos, a princípio percebem-se tantas cores quanto qualquer outra pessoa*. Mas a mesma palavra, “aoi”, pode se referir tanto a um azul intenso quanto a um verde intenso. São tons da mesma cor. Tradicionalmente, no idioma japonês só se identificam por nome cinco cores no arco-íris, o azul e verde denominados pelo mesmo nome. Apenas com a influência ocidental passaram-se a denominar por nome outras cores no espectro luminoso. E as infinitas outras cores em todo o espaço de cores.
    *Esta diferença cultural, em verdade, sim influencia a percepção efetiva de cores. Há pesquisas indicando que russos, por exemplo, aos quais dois tons de azul não são apenas tons diferentes, mas são denominados como cores diferentes, conseguem diferenciar melhor tais cores. A cultura, a linguagem, afeta a percepção visual. Um russo talvez argumentasse que nós, brasileiros, não consideramos realmente o azul-escuro e o azu-claro como a mesma cor “de verdade”, mas é apenas uma questão de definição, como você notou, “purismo”.
    Midori é sim bem usado, assim como “guriin” (engrish para green), “pinku”, ou mesmo “buruu”. Eu sou japonês e já morei no Japão. Não falo fluentemente, mas conheço a cultura e linguagem.

  35. Guilherme disse:

    Excelente texto!
    muito bom mesmo!
    parabéns!

  36. Ion Muscalu disse:

    Fantásticos, matéria e comentários. Isto apenas nos mostra porque cor é tão importante para o ser humano.

  37. Carine disse:

    Kentaro, desculpe minha ignorância mas muito me interessei pela sua matéria e como estudo um pouquinho de nada de neuro por cauda da PNL me veio uma dúvida e se puder, por favor me responde?
    Bem, mesmo que eu veja a cor “magenta” numa figura ou parede por exemplo, o meu cérebro é capaz de fazer dissociação das cores? Ao invés de ele assimilar magenta ele consegue ver o azul e o vermelho?
    Obrigada por além de tirar minha dúvida, contribuir para minha evolução.
    Carine

  38. Kentaro Mori disse:

    Olá Carine,
    A retina, seu olho, irá ser estimulado tanto nos “detectores” de azul e vermelho, para dizer assim. A partir deste estímulo o cérebro deve gerar a percepção do magenta, sem a dissociação das cores.
    Não penso que ele as dissociará não mais do que poderia dissociar o amarelo nas luzes verde e vermelha. A percepção que temos das cores é algo puramente mental, e quase inteiramente inconsciente: ocorre sem que possamos controlá-la — um dos motivos pelos quais somos vulneráveis a ilusões óticas de cor.
    Podemos saber que o magenta pode ser produzido misturando as cores azul e vermelha, mas perceber isso diretamente enquanto olhamos para uma luz magenta é algo que nosso cérebro não deve permitir.
    Só não digo que seja impossível porque sempre há diversidade de cérebros e retinas… há pessoas com sensibilidade a quatro faixas de espectro, tetrachromats, que podem perceber um mundo de cores e tons ainda mais diverso. Não sei bem como elas perceberiam o magenta…
    Somos todos ignorantes, não há o do que se desculpar enquanto todos tentamos corrigir isso :-)

  39. […] a leitura deste excelente post do 100nexos a título de introdução. Esse será um longo post e a tentarei fazê-lo menos árido, […]

  40. J N C disse:

    Gostei muito. Poucas vezes vi este tema abordado de forma tão didática e fácil de entender.

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. (*) Campos obrigatórios.

Arquivos

Páginas

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM