Sexo Selvagem com Animal em Extinção

Dificilmente poderia imaginar que algum dia publicaria uma nota intitulada “sexo selvagem com animal em extinção”. O título pode sugerir uma espécie das mais doentias de perversão, mas o que é ainda mais inesperado é que o título descreva acuradamente uma cena de verdadeiro amor e respeito aos animais. Como? Basta assistir ao trecho acima do programa da BBC, “Last Chance to See”.

Na série de documentários britânica, o humorista Stephen Fry e o zoologista Mark Carradine viajam pelos confins do planeta em busca de animais no limiar da extinção – daí o nome da série, grosso modo “Última Chance de Ver”. Foi na Nova Zelândia que se encontraram com o peculiar Kakapo, que significa papagaio noturno em Maori, ou como Douglas Adams o descreveu, “o maior, mais gordo e menos capaz de voar papagaio do mundo”. É realmente muito gordo, pesando até três quilogramas, e suas asas realmente não servem para o vôo. É também uma espécie em risco crítico de extinção: há hoje pouco mais de 100 Kakapos vivos, há vinte anos a população chegou a menos da metade disto. Em todo o planeta.

O Kakapo em especial com que se encontraram era macho, e como Fry brinca, só pensa assim em uma coisa. Ele rapidamente tenta acasalar com o zoologista Mark Carradine. “É a coisa mais engraçada que já vi na vida… você está sendo currado por um papagaio raríssimo”, ri o tempo todo Fry durante a técnica peculiar de cópula do pássaro. Alusões a Monty Python e papagaios mortos, sendo esta a BBC, ainda ficam implícitas.

Ao final vemos como Carradine se machucou um tanto com a brincadeira iniciada espontaneamente pelo raríssimo bicho, mas a primeira coisa que pergunta quando tiram o papagaio de seu pescoço é se ele está bem. Por certo, Carradine pode ter alguns arranhões no pescoço e um pouco menos de dignidade, mas os arranhões saram e a dignidade, brincadeiras à parte, só é maior pelo respeito ao valor de um dos pouco mais de 100 representantes da espécie. Por mais gorda e incapaz de voar que seja, é uma espécie única, e este indivíduo em particular forneceu alguns dos momentos mais divertidos em documentários sobre a natureza em um bom tempo.

A “perversão” do Kakapo é engraçada, mas a GrrlScientist nota que o comportamento não é incomum em pássaros criados em cativeiro, e especialmente entre papagaios. Há assim um lado triste aqui. “Depois de assistir ao vídeo, me pergunto de quantos filhotes este indivíduo já foi pai, porque ele pode nem mesmo ver outros pássaros como parceiros”, pondera a ornitologista. Isto é, como foi provavelmente criado em cativeiro, o estranho amor que expressou por humanos pode ser uma indicação de sua incapacidade de perpetuar a espécie. Um tanto agridoce. [via 3QD]

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Discussão - 2 comentários

  1. Paula disse:

    Muito boa a ponderação da Grrl (obrigada por trazê-la para cá, Kentaro) – realmente não tinha sequer pensado nessa hipótese e o hilário ficou um pouco mais triste.

  2. Claudia Chow disse:

    Essa parte triste me fez lembrar do Mundo é o que vc Come, a autora relata coisa parecida com as peruas (se nao me engano) q se ensinuavam para o marido dela! É bem triste isso.

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