Usina de carvão: o horror

Jeff Grewe capturou em lapso de tempo uma usina de energia movida a carvão no sul dos EUA. Com a trilha sonora saída do filme de terror “O Iluminado”, o resultado é talvez mais impactante do que os esforços de marketeiros e mesmo ex-presidentes por aí. Mas vale destrinchar um tanto do que estamos vendo.

Usinas de carvão emitem não apenas o tão comentado CO2, que é um gás invisível: você o está exalando neste exato momento. O que vemos como um gigantesco monstro branco é a poluição em aerosol, que tem consequências um tanto diferentes para o meio ambiente. Se o CO2 é um gás de efeito estufa que contribui para o aquecimento, os aerossóis têm efeito contrário, diminuindo a parcela de radiação solar que chega até o solo. Há algumas décadas, previsões alarmistas na mídia davam conta de que com o planeta tomado por fumaça viveríamos uma nova era glacial.

Isso não só não ocorreu como hoje os alardes são pelo efeito oposto, com o derretimento das calotas polares. Negadores das mudanças climáticas tomam esta aparente contradição como exemplo de que as previsões de cientistas alarmistas desta vez também irão se mostrar erradas: o que não contam é que mesmo enquanto a mídia dava voz a especulações sobre eras glaciais, os periódicos científicos de climatologia já apontavam que o contrário deveria ocorrer.

Isto ocorre porque enquanto os aerossóis têm um tempo de ação limitado, o CO2 tem um ciclo muito mais longo, produzindo um efeito cumulativo. Já são mais de 150 anos em que as emissões de carbono só vêm aumentando, e sua concentração na atmosfera também. Ainda que interrompêssemos todas as emissões hoje, levaria muito tempo até que sua presença na atmosfera voltasse a níveis pré-industriais. Se é que retornaria a tal.

É o mesmo motivo que faz com que as emissões de carbono acabem mais relevantes para o futuro do clima na Terra do que a atividade solar: enquanto o Sol, o evidente determinante principal do clima no planeta, pode aumentar ou diminuir a temperatura global a qualquer variação pequena de sua atividade, no longo prazo os aumentos tendem a compensar as diminuições. Já o CO2, de efeito menor, só aumenta. É um vilão invisível, silencioso e persistente. Caso queira rir, é algo como o assassino da colher.

O horror do monstro branco de fumaça da usina de carvão é assim uma das faces menos perigosas do que vemos. [via Nerdcore]

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Discussão - 1 comentário

  1. André disse:

    Bem, é complicado. Parte da “fumaça branca” (que não é bem fumaça), é vapor dágua. Fora isso, temos que carvão tem impurezas de enxofre, que qdo queimadas geram óxidos de enxofre. Estes óxidos são óxidos ácidos e, em presença do vapor dágua da atmosfera, formam ácidos e precipitam (chuva ácida). Parte tb é de monóxido de carbono, extremamente venenoso, mas inflamável. nas camadas superiores, a eletricidade estática faz com que o CO torne-se CO2. Sim, o CO2 é um problema maior do que fazem crer. Mas não se sabe AINDA até que ponto o efeito é extremado pela ação humana. Dve-se levar em conta também que há muitos depósitos de metano congelados nas camadas inferiores dos oceanos. E o metano tb é agente de efeito estufa e, qdo queimado fornece… CO2.
    Abraços.

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