Restart, Justin Bieber e a Pirâmide Etária

geagingworld 

Em 2050, mais de dois bilhões de pessoas terão 60 anos ou mais, e para destacar as tendências que “desafiarão as sociedades no futuro”, a GE produziu uma interessante visualização interativa, “Our Aging World” (Nosso Mundo em Envelhecimento), que você confere clicando na imagem acima.

Ela representa e compara a distribuição etária das populações de oito países industrializados ao longo do tempo, sempre na mesma proporção relativa. Você pode escolher dois países e então arrastar a barra cinza na parte inferior – ou clicar no botão play na parte esquerda – para assistir à evolução da pirâmide populacional de 1950 até 2050.

franca1950

Em 100 anos, 60 deles de história e 40 deles de projeções, podemos enxergar os efeitos de guerras e epidemias, por exemplo: em 1950, as pirâmides demográficas de França, Alemanha e Itália exibem uma queda súbita na faixa etária de 30-34 anos. Faça as contas, e são as pessoas que nasceram ao redor do fim da Primeira Guerra Mundial e em pleno pico da Gripe Espanhola.

1950-2050

Nas projeções, constatamos como o mundo realmente está envelhecendo, e em todos os países não só as pirâmides demográficas de 1950 (esquerda) se transformam em retângulos populacionais (direita), com uma quantidade aproximadamente igual de diferentes faixas etárias. Alguns países como o Japão e a Coréia do Sul se aproximam de uma nova pirâmide populacional, invertida, com mais idosos do que jovens!

Se o mundo está envelhecendo, por que este texto menciona fenômenos jovens como a banda Restart ou Justin Bieber? Porque um, paradoxalmente, explica o outro.

1920s-restart

A justaposição destas duas imagens talvez choque, e é justamente esta a ideia. São crianças, são jovens, com expressões não muito diferentes, mas vindas de condições completamente díspares. Um grupo viveu na época em que as pirâmides etárias eram extremamente acentuadas, o outro, de quase um século depois, onde as pirâmides dão lugar a retângulos, onde aqueles que nascem têm muito mais chances de viver, e aqueles que vivem, passam por muito menos riscos de morrer.

O primeiro impulso que a comparação entre as crianças pobres, trabalhadoras do início do século 20, e uma banda moderna fazendo pose pode causar é de insatisfação e crítica “à juventude hoje”. Mas deveria ser motivo de celebração. Aquelas crianças em preto e branco não possuíam direitos, e suas roupas eram roupas de adultos em miniatura. As taxas de natalidade eram altíssimas, mas as taxas de mortalidade eram igualmente altas. A pirâmide etária refletia a vulnerabilidade da vida humana, e consequentemente, o pouco valor de cada indivíduo, especialmente naquela faixa etária mais abundante: as crianças, os jovens. Apenas aqueles que sobrevivessem até a vida adulta teriam algum valor.

Foi valorizando a vida, através de revoluções culturais, tecnológicas e médicas, permitindo que crianças fossem crianças, que a pirâmide demográfica se transformou em um retângulo. E se antes esta era uma medida de investimento no futuro, hoje o valor que se dá à cultura infantil, jovem, talvez seja simplesmente reflexo do fato de que a relevância de cada indivíduo jovem, de cada criança, é maior do que nunca. Se a juventude colorida de hoje parece “perdida”, é porque esquecemos tão rapidamente os horrores da juventude em preto e branco de ontem.

As consequências sociais de todas estas transformações, inéditas na história humana, ainda estão se desenvolvendo. Restart e Justin Bieber são apenas um pequeno indicador – e, em 2050, serão eles mesmos tão ou mais velhos do que você ou eu somos hoje. [visualização via FlowingData]

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Discussão - 12 comentários

  1. A juventudade colorida de hoje parece “perdida” porque associam, através de processos arracionais, qualidades comportamentais negativas à esse grupo. Por exemplo, eles se vestem colorido, tem letras neutras, românticas e simples. Parecem representar a homossexualidade e todo comportamento potencialmente raso do ponto de vista intelectual-artístico. Mas, pensando bem, quem acha a homossexulidade negativa é homofóbico. Pensando mais, qual porção da sociedade é o epítomo da intelectualidade e dos bons costumes, se é que estes existem?
    Se a juventude colorida de hoje parece “perdida”, é porque esquecemos tão rapidamente os horrores da juventude em preto e branco de ontem.
    Se a juventude de hoje parece perdida é porque essa é uma falsa impressão: nunca houve juventude exemplo. Não se perdeu e nem se ganhou nada. Aqueles que não são coloridos ou são mais velhos são tão ridículos quanto aqueles que são coloridos.
    A futilidade que observam emplacada na juventudade atual é a mesma que esquecem de observar nos próprios grupos de jovens adultos. Só que os jovens adultos se acham mais gente só porque, raramente, terminaram uma faculdade ou bebem no final de semana. Por isso me dá nojo ver gerações mais velhas se achando superiores à gerações mais novas, quando na verdade todos são podres.

  2. Peraê, então no começo do século passado a Banda Restart provavelmente estaria morta antes de ser formada? Hmmmm, maldita tecnologia médico-sanitária. rere.
    Pequeno preço a se pagar por um mundo melhor.
    []s,
    Roberto Takata

  3. Patola disse:

    Isso me fez lembrar o livro “O Demônio de Mendel” e a afirmação de Mark Ridley de que, justamente por diminuirmos nossa percentagem de mortes, o DNA humano estar lentamente se “degradando”, perdendo informação pois a seleção natural passa a agir mais devagar do que o acúmulo de erros no genoma. Esse é um problema que só poderíamos resolver com uma forma de eugenia, mas essa palavra evoca terrores na sociedade…

  4. Cícero Lourenço disse:

    @Roberto Takata,
    que maldade!!
    Kentaro, nao sei se era sua intenção mas depois do texto estou até mais tolerante ao publico do restart-bieber.
    Penso: “tadinhos, sao só crianças perdidas. Pelo menos hoje estao vivas e vazias, no passado estariam mortas ou encardidas, mas ainda sim seriam vazias.” kkkk

  5. Marcelo Hirosse disse:

    @Roberto Takata
    Disse tudo!
    @Cícero Lourenço
    Você diz isso por não ter que conviver com o seguidores do Restart todos os dias dentro de uma sala de aula. Acredite, é pior do que parece.

  6. enjolras disse:

    Todo mundo fala desses fraldinhas de hoje (eu inclusive), mas o engraçado é que, nós que odiamos esses pequenos acéfalos, gostamos de ouvir Beatles, que na época, eram tidos como jovens transviados. É difícil deixar o orgulho de lado, agora tenho certeza, estou ficando velho, shit :P

  7. Reptiliano Rebelde disse:

    Sugestão de documentário sobre o tema:
    http://www.youtube.com/watch?v=d5DOI1xBP5w

  8. Como sempre tem algum Joselito paraquedista, bom deixar claro que *não* desejo a morte dos integrantes do Restart.
    []s,
    Roberto Takata

  9. @enjolras
    Só por imaginar algum tipo de comparação entre Beatles e Restart você devia ser queimado na foqgueira!
    @Takata
    Se eu já considerava você um gênio, agora virou meu mestre supremo com essa última declaração!
    @Kentaro
    O que me assusta, sempre, são expressões do tipo “o pouco valor de cada indivíduo”: antes, as crianças tinham valor como mão-de-obra barata para os capitalistas, e hoje há coisas como Restart e Justin Bieber porque se percebeu o valor comercial, como consumidores, dos indivíduos infantis e infantilizados de uma massa pseudo-alfabetizada… Triste mundo que muda sem mudar de fato.
    Um abraço!

  10. enjolras disse:

    @Stephen Dedalus
    a comparação nao foi entre Beatles e Restart. O que eu quis dizer foi que, na época dos Beatles os “adultos” olhavam para eles e diziam “essa juventude está perdida”. Hoje, estamos fazendo a mesma coisa dizendo “esses viadinhos coloridos que fazem cara de mal fazendo biquinho, pensam que tocam alguma coisa”. Sim, eu tbm pensava dessa forma intolerante, mas depois de ler o artigo do Mori, passei a enxergar de outra forma. Como disse o cara lá do primeiro post: a juventude nunca foi exemplo de nada. Tbm nao estou defendendo o restart, apenas mudei de postura: ignorá-los, um dia vão crescer tbm :D.

  11. otubo disse:

    Não sei se há exatamente um motivo para a comemoração. É bem óbvio dizer que nossa geração de crianças é melhor que a geração da década de 20. Na mesma medida que nossos meios de comunicação e nossa expectativa de vida também são melhores. É natural que nossa geração seja melhor que as anteriores e muitos aspectos. Não da pra fazer comparações nivelando por baixo.
    @enjoiras, entendi sua comparação de Restart com Beattles – levando em conta as respectivas gerações velhas. Mas convenhamos, John, Paul, George e Ringo não eram pivetes que faziam músicas ruins e isso é indiscutível. Então, a diferença cabal entre aquela geração de velhos e nós é que eles não tinham razão e nós sim :-)
    Abraço,

  12. Camila Gobbi. disse:

    Justin Bieber, muito melho ! :)

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