O Terrorismo Culto à Carga

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Às 8:46 da manhã daquele dia 11 de setembro de 2001, o vôo American Airlines 11 atingiu a torre norte do World Trade Center. Menos de vinte minutos depois, com todas as câmeras do mundo voltadas ao local, o vôo United Airlines 175 atingiu a torre sul.

Não foi mero acidente, e naquele momento todos perceberam isso. Havia sido planejado. Mil e uma câmeras registraram de todos os ângulos a segunda colisão. Naquela manhã, apenas 19 terroristas, patrocinados pela pequena fortuna de um dos herdeiros de uma família saudita, mataram quase 3.000 pessoas, ferindo mais de 6.000. E mudaram o mundo, para muito pior.

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Embora os terroristas sejam mais comumente associados a pilotos Kamikazes da Segunda Guerra Mundial, há uma certa diferença. Kamikazes voavam em aviões de guerra. Os terroristas do 11/9 raptaram aviões de passageiros e os transformaram em armas de guerra.

Neste uso inusitado dos aviões comerciais eles podem ser comparados às tribos que praticavam o Culto à Carga.

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Sem entender por que os visitantes longínquos recebiam dos pássaros de metal todo tipo de iguarias, a Carga, os nativos passaram a imitar algo do que viam como invocação mágica. O Culto à Carga.

As origens do Culto à Carga são em verdade um tanto mais complicadas (aqui, um bom texto), assim como os terroristas do 11/9 não eram selvagens que desconheciam os aviões que pilotavam ou mesmo o mundo em que viviam.

Mas no uso selvagem da tecnologia para fins diversos dos quais foi criada, os terroristas praticaram a mais abominável forma de Culto à Carga. Em suas versões mais brandas, este é o culto daqueles que usam computadores para criticar os avanços da ciência, que comem tomates indignados com os progressos da biotecnologia, que não se lembram de ter visto alguém vítima de paralisia infantil mas não vacinam seus filhos.

São aqueles a quem a ciência e tecnologia não são compreendidas nem apreciadas, são apenas rituais, como pressionar um botão vermelho, que devem ser realizados para obter os mágicos resultados.

São os “novos selvagens”.

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Discussão - 7 comentários

  1. Kamikazes eram terroristas?

    Escolha infeliz de palavras heim.

  2. D disse:

    Que eu me lembre, os terroristas da Al-Quaeda não tem nada contra a tecnologia em sí. Ou ao menos não tinham.

    Eles tem contra a tecnologia na mão dos EUA, que ajuda a solapar a influência política deles no Oriente Médio.

    Dizer que os atos terroristas são fruto de culto e religião não é diferente de ignorar todos os contextos de todas as guerras européias da Idade Média.

    A religião não matou ninguém. O avião não matou ninguém. O culto não matou ninguém.

    Gente exercendo domínio religioso para bens materiais, gente pilotando aviões de passageiros de forma suicida e gente focando seus esforços em matar mataram todas essas pessoas.

    E essa gente faria a mesma coisa, se não tivesse religião mas tivesse muita ciência e muita tecnologia.

    Sem religião talvez fosse mais difícil fazer a barbárie que foi feita. Mas sem ciência (que contrói aviões, gera fortunas e permite comunicação trans-oceânica praticamente instantânea) seria impossível. Então, antes de rebaixarmos os atentados terroristas a querelas entre a visão de mundo defendida por aqueles que usam dos métodos científicos e de pesquisa vs a visão de mundo daqueles que acreditam em uma religião, seria melhor seguirmos a frase do próprio Kentaro : “qualquer informação só é relevante no contexto de outras”.

  3. Rodrigo Aguiar disse:

    O âmago do ser humano releva a igualdade existente entre todos, quase um código de identidade exclusivamente humana, no qual todos buscam uma forma de afirmação do que são, ou de qual é o seu papel no mundo, quiçá no universo.

    A foto remonta a tese do antigo astronauta, na qual existe a adoração a tudo que é desconhecido, inclusive com a reprodução do “objeto celeste”, conforme demonstram alguns estudos da “antropologia” e da “arqueologia”.

    O texto, quando cita as guerras, o terrorismo, a infeliz escolha do homem em querer ser Deus, demonstram que embora a ciência tenha avançado indistinta e indiscriminadamente, o homem ainda não sabe quem é, e nem a sua posição no mundo, quiçá no universo.

    O homem ainda não se descobriu, e não será o avanço da ciência que acabará com a “tal selvageria”, ao contrário, poderá ocasionar atos de barbárie cada vez mais violentos e capazes de dizimar milhões de pessoas, de uma única vez.

  4. Gustavo disse:

    Concordo com o texto e também acho que foi uma escolha bem infeliz de palavras Kentaro.

    Eu acho que seu otimismo radical na ciência simplifica demais seus textos quando você aborda alguns fatos da sociedade: é como se tudo fosse apenas um conflito entre “ciência” e “não-ciência”, “razão” ou “não-razão” e ignora uma série de outros elementos que agem na relação entre os indivíduos e os grupos, que são tão determinantes quanto a ciência.

    A ciência é sim fascinante, mas não podemos simplificar nossos julgamentos com ela.

    • Gustavo disse:

      Na verdade, concordo com o texto de D. Ocorreu um erro no envio do comentário.

    • 100nexos disse:

      Em nenhum momento o texto fala de religião. Em nenhum momento o texto pretendeu explicar o terrorismo. Ele apenas traçou um ponto comum entre terroristas e nativos polinésios no uso pragmático (e supersticioso) da tecnologia, ignorando seu suporte científico, e como eles são extremos do espectro anti-científico que começa nos “novos selvagens”, que também se valem da alta tecnologia de forma pragmática e supersticiosa sem apreciar sua fundamentação.

  5. Gustavo disse:

    Nesse “apenas” existe uma série de conclusões e opiniões não reveladas que foram justamente o ponto que eu critiquei e é justamente, também, por criar esse tal “espectro” onde se opõem apenas os usos científicos e não-científicos, que são as utilizações que vocês mesmos fornecem, que eu critiquei.

    E o uso da tecnologia, não seria sempre pragmático, seja aqui seja na polinésia ou seja pelos terroristas? Ou o objetivo da realização tecnológica, não seria na maior parte das vezes o uso pragmático?

    Me parece também que esse termo de “novos selvagens” é produto da posição ou representação que vocês tem da ciência (conhecem seus fundamentos) em relação àqueles que desconhecem seus fundamentos (e que na verdade nem são obrigados a terem).

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