Gagasaurus rex

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Lembro de ter lido quando criança como nunca saberíamos quais seriam as verdadeiras cores dos dinossauros. Como outras declarações sobre os limites da ciência, esta não durou muito: cada tipo das principais formas de pigmentação por melanina é contida em organelas de forma diferente. E elas se fossilizam! Analisando assim estruturas celulares fossilizadas, uma boa indicação das cores de pelo menos alguns dinossauros de até 125 milhões de anos já foram realizadas. Por sua vez, elas também dão maior suporte à tese de que dinossauros possuíam penas. Penas coloridas.

Esta é a ciência, é bem verdade, e os métodos para estimar as cores e mesmo as penas de dinossauros não são ainda universalmente aceitas, embora já sejam hoje amplamente consideradas. É uma revolução paleontológica em pleno andamento. Tão recentemente quanto em Jurassic Park (1994), os velociraptors eram retratados como terríveis répteis, mas descobertas em anos recentes evidenciam como estes répteis estão entre aqueles que também deviam possuir penas.

Ainda deviam ser terríveis, mas com penas. Multicoloridas.

Foi brincando com isso que o artista Gerson Witte criou essa nova ilustração (clique para ampliá-la), onde também explora com humor a ideia de que dinossauros teriam pêlos. Que seriam “proto-penas”.

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Cores, penas, pêlos, tudo outra vez segundo novas teorias e evidências paleontológicas, que vêm revisando inclusive a ideia de que seriam criaturas de sangue frio, ou que várias espécies famosas de dinossauros seriam em verdade formas diferentes de uma mesma espécie.

Curiosamente, outras técnicas de microscopia e análise também indicam que esculturas gregas clássicas não eram formas totalmente brancas e sóbrias do mármore puro, como as obras da Renascença as imaginaram. Essa aparência seria em verdade o resultado de mais de um milênio de cores desbotando. Eram originalmente estátuas repletas de cores gritantes, e você confere abaixo, uma reconstrução da estátua de um arqueiro no Templo de Afaia na ilha grega de Aegina, 490 A.C.:

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Apesar do que filmes e livros em preto e branco nos fizeram pensar, a antiguidade, mesmo aquela de milhões de anos, era inundada de cores.

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[Gerson Witte também havia ilustrada Manadas de Homo Sapiens. O Gagasaurus rex foi criado por estudantes do Instituto de Arte de Pittsburgh]

O Sistema Solar em 30 Megapixels

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O artista francês Licoti criou uma embasbacante ilustração do sistema solar com 30.000 pixels de largura. Acima, você confere um minúsculo trecho, clique para baixar o arquivo completo de 18Mb na Wikimedia, ou navegue pelo infinito e além através do vídeo abaixo.

[via Byte que eu gosto]

A Garota Afegã em 3D

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A Garota Afegã é uma das mais famosas e celebradas fotografias modernas, capturada pelo fotógrafo Steve McCurry em junho de 1984 em um campo de refugiados, enquanto o Afeganistão era ocupado por forças soviéticas. Como capa da revista National Geographic e a imagem mais reconhecida da história de mais de 100 anos da publicação, a menina só foi identificada por nome e localizada quase vinte anos depois como Sharbat Gula, já uma mulher de 30 anos vivendo sob o regime fundamentalista Talebã.

Nesta bela imagem de enorme contexto histórico, o detalhe é que o que vemos aqui não é uma fotografia. É uma recriação digital realizada por computação gráfica pelo artista Hyun Kyung Up. Ele utilizou os programas Z-Brush, 3D Max e Photoshop para “expressar as singulares obras de arte [de McCurry]”, que vem fazendo um tour e passou inclusive pelo Brasil.

Abaixo, algumas capturas de tela do processo de modelagem:

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A recriação é imensamente bela e quase perfeitamente acurada, mas admirei ainda mais o relance parcial de seu rosto visto de frente – ainda que sem os poderosos olhos verdes. Esta outra visão de Sharbat Gula tem grande significado porque, como se descobriu, Gula só foi fotografada três vezes em toda sua vida. A primeira justamente aos doze anos, no que se tornou o registro icônico. Apenas ao redor de 2002 a busca por ela pôde ser empreendida, e como parte da procura ela foi fotografada uma segunda vez, identificada, para então ser finalmente clicada novamente por McCurry. Ela mesma só viu seu famoso retrato em 2003.

Hyun Kyung Up pode ter recriado outra visão de uma beleza jovem e também perturbadora que estaria do contrário perdida para sempre.

Vinte e seis anos depois, tanto mudou, e no entanto, tão pouco. No ocidente, especialmente nos EUA, onde antes uma beleza perturbadora chamou atenção ao sofrimento de refugiados por todo o mundo durante uma ocupação soviética, agora uma outra revista publica em sua capa um retrato chocante de outra bela jovem afegã, mas desta vez, horrivelmente desfigurada. Desta vez são os próprios EUA que ocupam o Afeganistão, e a mensagem que se pretendeu transmitir foi bastante diferente.

Não é minha intenção afirmar aqui qualquer posicionamento político simples sobre a ocupação do Afeganistão, os EUA, ou mesmo a URSS e o Talebã. Se 26 anos depois tanto mudou, mas tão pouco mudou, é porque as questões não são nada simples. Mas ao partilhar esta reinterpretação fabulosa de uma fotografia belíssima e repleta de significado precisava mencionar ao menos alguns dos nexos políticos que esta arte pode inspirar. Até porque o título deste post pode soar como uma versão superficial e de puro entretenimento para uma fotografia tão séria.

“A Garota Afegã em 3D” e a arte digital, como arte, podem e devem provocar reflexão. Com ZBrush, Max e Photoshop.

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[Sugestão de Paulo Dias na Ciencialist. Arte apresentada no fórum ZBrushCentral]

Tributo a Escher: Escadas Interativas

Nico Roig criou este fascinante panorama interativo baseado na obras “Stairs” de M.C. Escher. Clique para apreciar em tela cheia, usando a scrollwheel do mouse para zooms. [via cgr 2.0]

O Apocalipse Inevitável (parte VI)

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Pintado em 1893, “O Grito” de Edvard Munch é uma das representações mais icônicas da agonia e desespero, mas quem estaria gritando? Contrariando a interpretação mais óbvia da figura ensandecida com as mãos à cabeça (que inspirou uma famosa máscara usada em uma série de filmes), o título original da obra em alemão era “O Grito da Natureza”. Munch anotou em seu diário qual teria sido sua inspiração:

“Eu estava andando por um caminho com dois amigos, o Sol estava se pondo, e subitamente o céu ficou vermelho como sangue. Eu parei, sentindo-me exausto, e apoiei-me na cerca. Havia sangue e línguas de fogo sobre o fjord azul-escuro e a cidade. Meus amigos continuaram caminhando, e eu fiquei parado lá tremendo de ansiedade, sentindo um grito infinito passando pela natureza”.

“O Grito” retrata a agonia da natureza em um céu de “sangue e línguas de fogo”. O desespero da figura humana é inspirado pelo grito da própria natureza. E o mais surpreendente é que é possível que a agonia que Munch presenciou não fosse simplesmente uma metáfora, já que naquele mesmo ano a natureza rugiu com a erupção do vulcão na ilha de Krakatoa, Indonésia, uma das mais potentes na história humana. Ela quase varreu a ilha do mapa, sendo literalmente ouvida a mais de 5.000 km de distância, com efeitos globais. Com alcance muito maior do que o som, a fumaça lançada pelo vulcão chegou à Ásia, EUA e Europa, tingindo o céu de vermelho especialmente ao pôr-do-Sol. E quem primeiro associou a possibilidade de que “O Grito” possa ter sido inspirado pelos efeitos climáticos de erupções vulcãnicas, em um literal grito da natureza, foi Alan Robock, um dos pesquisadores recentes do Inverno Nuclear. Esta é mais uma peça na série sobre o Apocalipse Inevitável.

Prometemos no texto anterior abordar a ciência do Inverno Nuclear, mas fazemos este desvio pela arte porque ela pode ser um registro histórico fascinante e especialmente relevante. “O Grito” não é o único exemplo emblemático: outra obra-prima e icônica relevante aqui é nada menos que “Frankenstein”, de Mary Shelley, romance publicado originalmente em 1818, mas escrito durante o verão de 1816 quando a jovem escritora tinha apenas 18 anos. O que poderia tê-la inspirado?

Rumores de experimentos fantásticos e tenebrosos na “reanimação” de cadáveres com eletricidade e as pernas de rãs de Galvani foram influências diretas, mas o verão de 1816 também desempenhou sua parte, porque 1816 foi o “Ano Sem Verão”, com mudanças climáticas globais e inesperadas principalmente no hemisfério Norte, provocando fome e doenças que mataram centenas de milhares de vítimas. A narrativa de “Frankenstein” começa e termina em meio à escuridão e o gelo, espelhando algo do clima em que Mary Shelley estava confinada. O clima frio e chuvoso afetou inclusive a vila próxima do Lago Genebra onde Shelley se hospedou, inspirando não só a jovem como também John Polidori, abrigado – e confinado com as chuvas – na mesma cabana. Polidori escreveria “O Vampiro”, primeiro romance moderno com a temática de sugadores de sangue e por sua vez inspiração para o posterior “Drácula” de Bram Stoker. Na mesma vila, e inspirado pelo mesmo clima lúgubre, Lord Byron também escreveria o poema “Escuridão”, que você confere mais abaixo.

O Ano sem Verão foi resultado de uma série de fatores, desde uma menor atividade solar até uma série de grandes erupções vulcânicas que, como o Krakatoa, lançaram poeira na atmosfera. E entre estas grandes erupções, a que deu o golpe derradeiro foi a maior erupção em mais de 1.600 anos, a do Monte Tambora em abril de 1815, um evento super-colossal que lançou grandes quantidades de material na estratosfera.

Um outro grito da natureza, causando agonia e mortes à humanidade, que reagiu produzindo obras de arte que nos assombram até hoje – ainda que pelo visto, tenhamos tragicamente esquecido, e alguns jamais tenham entendido, a inspiração natural desta angústia. Apenas mais de 100 anos depois de Frankenstein de Shelley e exatos 90 depois do Grito da Natureza de Munch, cientistas finalmente associariam as consequências climáticas naturais do mais próximo que a Humanidade pôde chegar do poder de erupções vulcânicas. Tanto erupções colossais quanto ogivas nucleares têm sua potência comparada em megatons de TNT.

O poema “Escuridão” de Lord Byron é uma visão perturbadora de um Inverno Nuclear, mais de um século antes que um Apocalipse desta natureza pudesse ser criado por mãos – ou mesmo um dedo em um botão – humanas.

“Sonhei e não era propriamente um sonho.
O sol se apagara, as estrelas vagavam opacas no espaço eterno.
(Perdidas, não cintilavam mais)

A Terra, gélida e cega, oscilava obscura no firmamento sem luar;
Lampejos abriam as trevas, mas o dia não retornava.
Apavorados seres humanos abandonavam suas paixões.

Naquela devastação e percorridos por calafrios, desunidos corações,
– em egoística prece – clamavam pela claridade.
Súditos e reis ocupavam o mesmo lugar,
Palácios e choupanas crepitavam em imensa fogueira;
Cidades inteiras foram destruídas.”
[ESCURIDÃO (adaptação do poema Darkness, de George Gordon – Lord – Byron)]

O caminho que Sagan e a equipe TTAPS tomou para descobrir o Inverno Nuclear, como vimos, não foi inspirado na arte, e sim em Marte e na ciência atmosférica, que incluía a camada de ozônio. Foram trabalhos recentes, como o de Robock, que finalmente restabeleceram a ligação, como parte da resposta aos questionamentos da ciência do Inverno Nuclear. No próximo texto. [com agradecimentos a Fabiane Lima, Anderson Fernandes e Beto Santana da lista CA]

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Releia toda a série:

A Evolução do Homem – e da Mulher

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Em uma das variações do ícone “Marcha do Progresso”, original que todos conhecem mas não pelo nome, o artista Tom Rhodes criou “A Evolução do Homem e da Mulher”, explorando com uma boa licença artística o gênero Homo, do habilis até o neanderthalensis e o sapiens, vulgo “é nóis”. Clique na imagem para a versão completa e sem censura.

Como explica no processo de criação, Rhodes pentelhou um tanto os antropólogos da Universidade de Calgary, com várias contribuições da dra. Anne Katezenberg, que sugeriu o detalhe mais interessante na arte: retratar também uma mulher. Por incrível que pareça em retrospecto, todas as representações derivadas da Marcha do Progresso são da evolução do gênero masculino. É ainda mais incrível dado que a evolução não aconteceria se homem e mulher não fizessem o que homens e mulheres podem fazer.

Como Tim Dean nota, contudo, a ilustração também tem seus problemas, como o que parece uma tendência à cor da pele ir clareando, algo que de forma alguma é sugerido pela evidência, que indica em verdade o contrário. Os primeiros indivíduos de nossa espécie deviam ser negros. Mesmo outras tendências aparentes, como o aumento de estatura, não são tão claras assim – até porque, ao contrário do que a imagem parece indicar, até onde se sabe Neandertais não foram nossos antepassados.

Mas, ei, não é uma ilustração científica, é uma ilustração de algo científico”, perdoa Dean. É mesmo uma divertida ilustração dos últimos milhões de anos.

Cajun Crawler: O Patinete de Theo Jansen

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As esculturas cinéticas do artista holandês Theo Jansen já apareceram até em comerciais, e claro, aqui em 100nexos.

Pois, inspirados por Jansen, um grupo de estudantes da Universidade de Louisiana criou um scooter com o mesmo mecanismo de pernas:

Avance o vídeo para 1 minuto para ir direto às cenas do que parece um caranguejo por controle remoto. Com doze patas. De alumínio. Em um patinete.

Jansen em certo momento de megalomania, como comentou o Bessa, compara suas criações à reinvenção da roda. Só um tanto exagerado, mas para quem sonhou em andar sobre caranguejos mecânicos, o futuro já chegou. [via MAKEzine]

A Escala do Universo: do yocto ou yotta

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Do menor comprimento físico observável, o comprimento de Planck, medindo 0,00000000000000000000000000000000001 metros; ao maior tamanho, o tamanho do próprio Universo estimado em 930.000.000.000.000.000.000.000.000 metros: são muitos zeros em uma diferença de magnitude difícil de compreender.

Ou talvez nem tanto. Em uma fantástica animação interativa em Flash, você pode viajar por todas as escalas do Universo, começando da espuma quântica na escala de frações de yoctometros, passando por átomos, moléculas, vírus, células, seres vivos, planetas, estrelas, nebulosas, galáxias, aglomerados, o agrupamento local, o universo observável e o próprio Universo, com tamanho medido em yottametros.

De 10^-35 a 10^26, é uma longa viagem, e você pode arrastar a barra com o mouse para navegar ou usar as teclas de direção do teclado se desejar mais precisão.

Como Phil “Bad Astronomer” Plait comentou, “minha parte favorita está no extremo menor, quando você precisa passar por várias potências de dez com nada acontecendo até o comprimento de Planck, a menor escala no Universo. É uma noção um tanto aterradora”.

Será mera casualidade que a maior parte dos objetos que ilustram as escalas do Universo se concentre nas escalas ao redor de nosso próprio tamanho? Teorias físicas sugerem que pode haver uma incrível complexidade em escalas próximas do comprimento de Planck, bem como resta quase literalmente um Universo a descobrir em escalas estelares, galácticas, de grande agrupamentos. São quase 60 potências de dez do mundo bem real em que vivemos disponíveis para exploração científica.

Como dizia Sagan, nós mal começamos a explorar as margens do oceano cósmico, que se estende tanto pelas estrelas quanto pelo interior dos átomos.

[Share do RicBit, confira outra viagem pelo Universo conhecido aqui, e uma de um grão de café a um átomo de carbono aqui]

Mandelbulb: Uma visualização tridimensional do fractal de Mandelbrot

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Pode ter pouco mais de 30 anos, mas a representação do conjunto de Mandelbrot, lembrando uma espécie de coração (ou cardióide) cercada por infinitos detalhes já é uma das mais belas e celebradas imagens da matemática. A figura fractal inspirou desde paródias a visualizações com referências curiosamente religiosas. Seria possível explorar a imagem de outra forma?

“No final, é apenas bidimensional, plana, não há profundidade, sombras, perspectiva ou iluminação”, escreve Daniel White, que seguindo uma proposta original original de Marco Vernaglione está em busca da visualização definitiva do conjunto de Mandelbrot em três dimensões.

É uma tarefa difícil porque não existe um análogo verdadeiro do plano complexo em três dimensões, não há uma representação óbvia e ao mesmo tempo rica do conjunto a partir de sua definição. Essa tradução terá necessariamente que transformar características do conjunto de Mandelbrot em coordenadas tridimensionais através de alguma manipulação que permita que a riqueza de detalhes do fractal floresça nesta nova dimensão. Vernaglione, White e outros estão em busca dessa manipulação.

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A que encontraram até agora é a que gera o “Mandelbulb” visto acima. É um objeto fractal fabuloso, não deixe de clicar para uma viagem nos detalhes. Sem tanta surpresa, o objeto lembra organismos biológicos, e em particular as gravuras de Ernst Haeckel tão caras aos Sciblings do Discutindo Ecologia. [via girino]

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O Corpo como Máquina

Ou mais do que uma única máquina: o corpo humano como uma indústria, completa com inúmeros sistemas de controle, produção e… operários! Você com certeza já deve ter visto alguma ilustração gráfica utilizando a metáfora de máquinas e linhas de produção para explicar como nosso corpo funciona, e a animação acima, obra do artista alemão Henning Lederer deve ser a primeira versão animada em detalhes, com um toque especial.

No “entrelaçamento entre ciência, cultura, arte e tecnologia”, Lederer rendeu uma homenagem animando o pôster original de Fritz Kahn, “O Homem como um Palácio Industrial”, criado em 1927. Há quase um século, Kahn é a inspiração, senão a fonte direta, para todos os gráficos de homens gigantes com maquinário industrial que conhecemos. Você pode ver a ilustração original clicando na imagem abaixo.

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Kahn, médico berlinense, foi o escritor e ilustrador que popularizou ciência e em particular, descobertas das ciências médicas e biológicas através de livros maravilhosamente ilustrados, indo muito além de simplesmente reduzir a complexidade de sistemas biológicos ao que hoje podem parecer antiquados mecanismos. O caminho inverso também se aplicava, em uma época de extrema confiança no progresso tecnológico Kahn mostrava como diversas estruturas orgânicas incorporavam soluções de engenharia das mais sofisticadas.

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Ao que ainda veja este tipo de ilustração como “reducionista” ou “cartesiana”, deve ser curioso notar que esta arte tenha sido produzida na Alemanha no período entre-guerras. Ainda mais que Fritz Kahn fosse judeu. Seus livros foram banidos e queimados, e o médico, autor e artista fugiu até se abrigar nos EUA, com ajuda de Albert Einstein, em 1941. Inevitável que se associe a visão do corpo humano como máquina aos terrores da máquina genocida do nazismo.

Ao que relembro que Kahn era judeu. E médico. A metáfora do corpo humano como indústria não deve ser banida como um terror nazista. É valiosa justamente por seu entendimento simplificado e intuitivo, e os trabalhos originais de Kahn são de uma beleza incrível. Podem ser adoravelmente antiquados, com rádios-galena e linhas de produção que hoje mesmo poucas indústrias ainda possuem, mas não é que com um pouco de animação por computador até o original de 1927 não se torna divertido e novo para as crianças de hoje?

Descartar os trabalhos de Kahn, isso sim é obra de Hitler. [via Nerdcore]

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