Benjamin Redentor

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“E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura. E diziam: Salve, Rei dos Judeus”. – João 19:2-3

Com quase 40 metros de altura, o Cristo Redentor no Rio também usa uma coroa de espinhos, mas uma que é raramente vista e não faz exatamente parte do projeto artístico do monumento religioso, porque é parte do sistema de pára-raios que o protege contra descargas elétricas. Na fotografia acima, de Ricardo Zerrenner (clique para ampliá-la), pode-se ver a “coroa” e o sistema que se estende também pelos braços da estátua.

A proteção dos pára-raios é muito necessária, uma vez que como o periódico O Dia não deixou de notar, “proteção divina não foi suficiente para preservar uma das Sete Novas Maravilhas do mundo”. Parte do dedo da mão direita e pedaços da testa foram danificados em 2007, e autoridades eclesiásticas alertaram que a proteção tecnológica dos pára-raios estava danificada e inefetiva.

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Reformas recentes restauraram também o sistema de proteção redentora, pára-raios inventados por Benjamin Franklin em 1749.

O curioso aqui, além da ironia do monumento religioso portar uma coroa de espinhos derivada da ciência da eletricidade, é que o famoso experimento de Franklin ao empinar uma pipa em meio a uma tempestade é em si mesmo uma anedota científica. Embora a imagem icônica do cientista americano de óculos (bifocais, que ele também inventou) empinando uma pipa em meio a relâmpagos seja bem conhecida, fato é que Ben Franklin apenas propôs o experimento e há sérias dúvidas de que alguma vez o tenha realmente conduzido.

Outros cientistas sim levaram o experimento a cabo, mas alguns deles encontraram como consequência um triste fim. Empinar pipas em meio a uma tempestade é um grande risco, como o próprio Franklin sabia muito bem. Como boas histórias acabam logo se tornando “História”, a exemplo de anedotas religiosas, a do cientista com peruca branca empinando pipas na tempestade continua sendo recontada. Se a ciência salva o Cristo Redentor, o faz através de conhecimento que também se conta por anedotas. Em dois mil anos é provável que se Franklin ainda for lembrado, o seja por um experimento que nunca realizou.

Por que falar subitamente do Cristo Redentor e pára-raios? Os nexos foram motivados por uma notícia recente indicada pelo professor José Ildefonso. Uma outra estátua com quase vinte metros de altura de Jesus em Ohio, EUA, foi atingida por um raio nesta segunda-feira.

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Ao contrário de nosso Cristo Redentor, devidamente protegido por um pára-raios, a obra construída por uma vertente cristã local era feita de plástico, fibra de vidro e uma estrutura de aço… sem pára-raios. Era um convite ao desastre, ou talvez fé demais em uma proteção divina. Erguida em 2004, é mesmo notável que tenha durado tanto – embora dificilmente seja um milagre. Após o raio que cedo ou tarde cairia, pouco restou do monumento religioso:

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A religião precisa se curvar à ciência? Todo Jesus precisa de uma coroa de espinhos de Ben Franklin? A imagem das labaredas acima lembra um anjo com asas abertas? Deixamos as interpretações e lições de moral destes contos sem fadas, mas com Messias, aos leitores, e encerramos com mais um nexo curioso.

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As estátuas monolíticas da ilha de Páscoa seriam resultado da mitologia dos nativos, e de certa forma, podem ser monumentos religiosos mais sofisticados que o de Ohio, e mesmo o Cristo Redentor com sua coroa de pára-raios. É a fabulosa teoria defendida pelo professor Francisco Soares, da Universidade Federal do Maranhão, segundo a qual os Moai seriam em si mesmos grandes pára-raios.

Distribuídas ao redor da Ilha, as estátuas com até dez metros ofereceriam proteção a áreas habitadas ao atrair descargas em tempestades. Os chapéus de rocha vermelha porosa que ostentavam seriam capazes de dissipar as descargas elétricas, e os olhos de rocha branca chegariam a brilhar quando atingidos. Deveria ser uma visão magnífica. Os raios não seriam um inconveniente natural ao qual seria necessário uma coroa de espinhos de metal, e sim um fenômeno controlado e apreciado em si mesmo através de grandes monumentos combinando superstição e tecnologia.

Uma história fantástica, com o pequeno detalhe que talvez não seja verdadeira. Não pude encontrar referência a avaliações independentes à teoria de Soares, e a crítica mais elementar que se pode fazer é por que as estátuas não parecem funcionar mais como pára-raios, o que se presume que deveriam continuar agindo como se ainda estão de pé. O microclima na ilha de Páscoa já foi bem diferente, principalmente no ápice da cultura Rapa Nui que erigiu os Moai, e talvez a ilha fosse palco para constantes tempestades elétricas, e talvez os Moais desempenhassem a função proposta. Mas a arqueologia mainstream não parece dar muita atenção à ideia.

Seja qual for a resposta, esta viagem pelos muitos nexos entre religião, superstição, raios, história e tecnologia já está de bom tamanho. Que um raio caia na minha cabeça se estiver mentindo.

Divulgando ciência “errada” do jeito certo

“O Sol é uma Massa de Gás Incandescente” pode soar como mais um daqueles “fatos científicos” de um monótono livro. Mas em sua versão em inglês já permite perceber a rima que pode formar mesmo um refrão: “The Sun is a Mass of Incandescent Gas” – repita três vezes, ou assista ao fantástico clipe da música acima cantada pelos They Might Be Giants, todo legendado para vocês.

Já havíamos destacado as excelentes canções de divulgação científica da banda TMBG no ano passado, mas um detalhe passou despercebido. A música acima é a nona faixa do CD e DVD, intitulada “Por que o Sol Brilha?”. Ela é seguida pela última faixa, “Por que Realmente o Sol Brilha?”. Porque, muito simplesmente, a divertida música original de divulgação científica estava errada.

Confira a próxima faixa, também legendada, “Por que Realmente o Sol Brilha?”:

O refrão é agora “O Sol é um Miasma de Plasma Incandescente”, ou na rima em inglês, “The Sun is a Miasma of Incandescent Plasma”. Não é realmente feito de gás, e sim de plasma, “nem gás, nem líquido, nem sólido”, o quarto estado da matéria.

É sensacional apresentar duas músicas bacanas, uma após a outra, em que a segunda contraria a primeira. Alguns estranhariam, mas esta é a própria natureza do processo científico, e pode ser bem entendida porque a música original ensinando que o Sol é uma massa de gás foi originalmente escrita da década de 1950, baseada em um livro de divulgação de 1951.

A série original de discos de vinil de onde a banda TMBG tirou a música sobre o Sol foi produzida há mais de meio século por Hy Zaret e Lou Singer, e algo fortuitamente curioso é que Zaret também escreveu a letra de “Unchained Melody”, uma das mais tocadas músicas de todos os tempos, conhecida mesmo das gerações atuais como “a música do filme Ghost”. Da próxima vez que escutar o refrão “oooohhhh my love”, você pode se lembrar que o mesmo compositor ensinava que “the sun is a mass of incandescent gas”. e tantas outras lições que ao contrário desta continuam válidas – mas podem se mostrar não tão válidas em mais alguns anos.

Em tempos de Internet, Jef Poskanzer converteu todos os discos da série original “Baladas para a Era da Ciência” ao formato digital e disponibiliza as músicas para download, são imperdíveis. Clique para conferir:

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Imperdíveis, ainda que algumas contenham conhecimento datado, e que de fato, já era datado na década de 1950. A divulgação científica não raro caminho com um pouco de atraso em relação aos avanços da ciência, e antigamente isso era ainda mais verdade. Mais importante que uma coleção de “fatos”, seja o sol gás ou plasma, é entender que a ciência envolve o método científico através do qual o conhecimento é constantemente atualizado.

O caso das músicas lembra outro episódio de letras de música com referência à ciência sendo corrigidas, como “Nine Million Bicycles” de Katie Melua, que já foi blogado por aqui em 2008. Você também pode conferir Michael Shermer comentando o caso no final de sua apresentação TED em 2006 (pouco depois dos 11 minutos), clique em “view subtitles” para legendas.

Cientistas ou mesmo divulgadores de ciência não são seres perfeitos. Além dos erros, há fraudes e há mau caráter como em todo empreendimento onde houver seres humanos. Mas em nenhum outro empreendimento humano a busca, exposição e reconhecimento de erros e enganos é um dos mecanismos centrais e essenciais como é na ciência, e é fabuloso que esta capacidade de reconhecer e lidar com erros se transmita mesmo na forma como divulgadores de ciência possam lidar com suas próprias trapalhadas. Quem dera outras instituições e figuras tratassem suas próprias limitações com tanta naturalidade.

Como bem resumiu Shermer, “quão sensacional não é isto?”.

[Dica inestimável do @uoleo, scibling do 42]

Prêmio Bê Neviani

Porque não basta divulgar, tem que dispersar!

Depois do recente anúncio feito pela vetusta Biblioteca do Congresso (Library of Congress), comunicando que arquivará todas as mensagens públicas postadas no Twitter desde o início do serviço de microblog, não restam dúvidas de que esta mídia social veio para ficar.

Segundo os cofundadores Bizz Stone e Evan Williams, hoje o Twitter tem 105 milhões de usuários registrados, e 300 mil novos usuários ingressam no serviço a cada dia. Seu crescimento médio foi de 1.500% por ano, desde a fundação da "Twitter Inc" em março de 2006. O serviço atende a 19 bilhões de buscas por mês. Apenas comparando, o Google atende a 90 bilhões no mesmo período.

Não se pode negar – o Twitter é uma ferramenta 2.0 por excelência: seu conteúdo é gerado e compartilhado pelos próprios usuários. A dinâmica do microblog funda-se primordialmente na atuação dos tuiteiros, que seguindo e sendo seguidos, dispersam conteúdos virtuais.

A ação de tuiteiros que dispersam conteúdos relevantes no universo tuitiano merece destaque e deve ser aplaudida. Foi essa premissa que inspirou a criação do Prêmio Bê Neviani, reconhecendo a incrível capacidade de dispersão de tuítes com conteúdo diversificado, como cultura, ciência, tecnologia, notícias e muito mais, do perfil @Be_neviani.


Hoje, dia 22 de abril de 2010, estamos lançando o Prêmio Bê Neviani: porque não basta divulgar, tem que dispersar

Regulamento:

– O Prêmio Bê Neviani é aberto a todos os tuiteiros que tenham blogues de conteúdo informativo: ciências, cultura (literatura, cinema, artes, fotografia, música, etc), filosofia, notícias, dicas e assemelhados.

– Os blogues participantes da campanha tuitarão, no período de 23 de abril de 2010 a 23 de maio de 2010 links para seus posts, publicados em qualquer data e com qualquer temática, obrigatoriamente usando a hashtag #PremioBeNeviani e o encurtador de links Bit.ly.

– No período de vigência da campanha, os retuítes (RTs) que os links desses posts receberem serão computados para a apuração de dois ganhadores, um em cada uma das duas seguintes categorias:

Categoria 1: blogueiros – o vencedor será o blogueiro cujo post recebeu mais RTs. O prêmio dessa categoria será o livro "Criação Imperfeita", de Marcelo Gleiser.

Categoria 2: tuiteiros – o vencedor será o tuiteiro que deu RTs em qualquer dos tuítes postados durante a vigência da campanha. Essa categoria terá sua apuração por sorteio. O prêmio para essa categoria será o livro "Além de Darwin", de Reinaldo José Lopes.

O anúncio do prêmio será em 30 de maio de 2010, pelo Twitter.

Para participar, envie um tuíte para as administradoras @sibelefausto ou @dra_luluzita, ou então comente aqui, que entraremos em contato.

Abaixo, segue a relação dos blogues e tuiteiros participantes. À medida que mais blogueiros aderirem a essa campanha, essa listagem será atualizada.

Blog – Blogueiro-tuiteiro

100nexos @kenmori

Amiga Jane @lacybarca

Bala Mágica @balamagica

Blog Bastos @bastoslab

CeticismoAberto @kenmori

Chapéu, Chicote e Carbono 14 @reinaldojlopes

Ciência ao Natural @CienAoNatural

Ciência na Mídia @ciencianamidia

Diário de um Gordo @Edgard_

Discutindo Ecologia @brenoalves e @luizbento

Dicas Caseiras para quem mora só @uoleo

Ecce Medicus @Karl_Ecce_Med

Efeito Azaron @efeitoazaron

Ideias de Fora @IdeiasdeFora

Joey Salgado… mas bem temperado @joeysalgado

Karapanã @alesscar

Maquiagem Baratinha @aninhaarantes

Meio de Cultura @samir_elian

Minha Literatura Agora @jamespenido

O Amigo de Wigner @LFelipeB

O divã de Einsten @aninhaarantes

O que todo mundo quer @desireelaa

Psiquiatria e Sociedade @danielmbarros

Química Viva @quiprona

Quiprona @quiprona

Rabiscos @skrol

Tage des Glücks @nataliadorr

Tateando Amarras @eltonvalente

Terreno Baldio @lacybarca

The Strange Loop @josegallucci

Toda Cultura à Nossa Volta @fabiocequinel

Tuka Scaletti @TukaScaletti

Twiterrorismo @aninhaarantes

Uma Malla pelo Mundo @luciamalla

Uôleo @uoleo

XisXis @isisrnd

Majestosa Imperfeição

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A primeira religião monoteísta da história humana, há mais de 3.000 anos, louvava o Sol – Aton – reconhecido como poder supremo e fonte última que alimentava a vida. Não é descabido imaginar que mesmo antes disto, as primeiras reverências de nossos ancestrais proto-humanos já reconhecessem a importância do astro-rei, e mais do que sua importância: a sua perfeição.

Dia após dia, no que por quase toda nossa história foi a própria definição de “dia”, lá surgia pontualmente o disco solar trazendo luz e calor tão essenciais para que sobrevivêssemos. Fácil compreender assim que os raros eventos de eclipses, estas aparentes anomalias na perfeição solar, fossem vistos como maus presságios por culturas isoladas em quase todo o planeta.

Com o tempo, e principalmente, em nossa cultura ocidental, o Sol visto como deus foi deixado um pouco de lado. Heresia, inclusive. Curiosamente, seria então o renascimento da ciência, com observações e argumentações racionais, que viria a ressaltar novamente o que mesmo nossos ancestrais já percebiam como óbvio.

Continue lendo mais uma coluna Dúvida Razoável no blog Sedentário&Hiperativo.

O Guia Mangá de Física

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A Física tira você do sério?

Já no prólogo o Guia Mangá de Física Mecânica Clássica (Novatec, 2010) faz a pergunta que a maioria dos estudantes nem precisaria responder: bastaria uma olhada em sua expressão talvez idêntica ao desenho acima. É uma das matérias mais odiadas por alunos em todo o planeta, do Japão ao Brasil. Poderia bem ser uma lei da natureza considerar a Física simplesmente “difícil”, mas essa dificuldade é em grande parte devida à falta de contato com os conceitos e ferramentas usados.

capa_ampliada9788575221969 Aqui entra o Guia Mangá de Física, que pode familiarizar o público com os principais conceitos de Física Mecânica, das Leis de Newton à Conservação de Energia, seguindo o modelo popular no Japão de usar quadrinhos para explicar de tudo. Já resenhamos aqui o Guia Mangá de Eletricidade, e o guia de física é ainda melhor.

Talvez mais condizente com o currículo escolar brasileiro, e também por abordar apenas uma das áreas da física, os conceitos são explorados com mais calma. São quatro capítulos: Lei da Ação e Reação; Força e Movimento; Momento Linear e então Energia, abordados enquanto Megumi aprende a matéria com seu colega Ryota. No melhor estilo Mangá, eles logo se tornam mais do que amigos, tudo começando com uma partida de tênis. Afinal é física!

Como nos outros livros da série Guia Mangá, a história é o fio que une uma grande densidade de informação em cada página, com exemplos práticos e ilustrações sensacionais, complementados por textos mais técnicos expondo por exemplo as temidas fórmulas entre cada capítulo. As principais equações, no entanto, como F=ma, são abordadas nos próprios quadrinhos. E, se você reparar bem, a presilha que Megumi usa no cabelo é um sinal de igual, “=”.

São detalhes assim que tornam este guia mangá algo que me pareceu que crianças podem realmente acabar gostando. Não é um livro mágico: se o pimpolho não gostar de ler, se já tiver aversão por física, talvez acabe odiando ainda mais a matéria. Mas para crianças que possam apreciar primeiro a história do mangá enquanto têm um contato com idéias fundamentais na física apresentadas de forma divertida – com conceitos mais complexos separados nos textos que elas poderão pular e conferir depois – talvez… acabem até gostando de física?

Veja como o guia mangá ilustra o conceito da conservação da energia:

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É ou não sensacional? O autor e o desenhista não perdem a oportunidade de brincar depois com a idéia da energia como um sujeito todo musculoso de sunga. Há várias outras ilustrações cheias de imaginação e humor para conceitos físicos que em livros didáticos comuns são apenas palavras ou quando muito fotos.

O Guia Mangá de Física Mecânica Clássica não irá, contudo, substituir um livro didático da matéria com centenas de páginas e exercícios não tão divertidos, mas necessários, para fixação. No entanto, aborda sim todos os principais conceitos da física mecânica que um estudante verá até o final do ensino médio, em uma linguagem realmente divertida e acessível para todos. Mesmo para adultos que tenham esquecido do que viram no ginásio, é uma leitura rápida e divertida com novos exemplos para as idéias. Altamente recomendado.

Você pode conferir o sumário e baixar um trecho (incluindo os homens-energia acima) no site da editora, que enviou um exemplar para resenha por este que escreve aqui. E eu irei sortear esse exemplar para vocês! Acompanhe o 100nexos para mais detalhes em breve.

Sem depender de sorte, o desconto de 20% no site da editora Novatec continua valendo até o dia 30/04/2010! Basta utilizar o código promocional “100NEXO” no carrinho de compras.

Overdose de Fofura – e um experimento bizarro

Bebê lemure

Entre os lêmures estão os menores primatas do mundo (valeu, Takata!), e Tahina, nascida no ano retrasado no zôo Besancon na França bem pode ser um dos mais “uóóó´” no planeta. É um dos únicos 17 lêmures Propithecus coronatus vivendo em cativeiro, tratada com todo o cuidado pela equipe de veterinários. Confira mais fotos adoráveis desta coisa esquisita no Mail.

A imagem irresistível de Tahina abraçando o urso de pelúcia lembra o estudo clássico de Harry Harlow com macaquinhos e mães de pelúcia, explicado pelo scibling Luis Azevedo no Ciência Ao Natural, em A Natureza do Amor:

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A Cérebro e Mente também tem uma boa página com mais fotos (coloridas) explicando o experimento de Harlow: As Necessidades Vitais dos Bebês.

E, sendo este o admirável mundo novo da internet, é claro que você pode conferir filmes dos experimentos no SeuTubo, apresentados pelo próprio:

Depois de conhecer o experimento, ele pode soar meio cruel, mas há meio século o sofrimento de alguns macaquinhos permitiu descobertas que em parte garantem que a pequena Tahina ganhe um ursinho de pelúcia para abraçar: é cientificamente demonstrado que lhe faz um bem danado. [foto via pya]

A dança das estrelas vagantes

Mais conhecidas como planetas. O professor David Colarusso oferece uma simulação da dança do Sol e cinco planetas pelo céu, uma visão clara que permite perceber Mercúrio girando freneticamente ao redor do astro-rei ou os movimentos retrógrados, que motivaram os epiciclos Ptolemaicos (de Homer Simpson?). E há muito, muito mais que pode ser descoberto a partir dessa simulação.

Colarusso promove a ferramenta como um instrumento pedagógico, através do qual você, pai, professor, educador, poderá criar um sistema solar personalizado para que cada aluno acompanhe de um a cinco planetas ao longo de suas trajetórias. “Será que postularão um universo heliocêntrico, ou descobrirão a lei das elipses? Trabalhando com dados hipotéticos do sistema solar, você pode garantir que seus estudantes não tomem nenhum ‘atalho’ para terminar sua lição de casa”, sugere o professor, que ainda explica como solucionar as equações de Kepler.

Com algum esforço, cada aluno poderá dar por si mesmo os gigantescos saltos intelectuais que permitiram descobrir nossa posição no Universo. [via cgr v2.0]

A Escala do Universo: do yocto ou yotta

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Do menor comprimento físico observável, o comprimento de Planck, medindo 0,00000000000000000000000000000000001 metros; ao maior tamanho, o tamanho do próprio Universo estimado em 930.000.000.000.000.000.000.000.000 metros: são muitos zeros em uma diferença de magnitude difícil de compreender.

Ou talvez nem tanto. Em uma fantástica animação interativa em Flash, você pode viajar por todas as escalas do Universo, começando da espuma quântica na escala de frações de yoctometros, passando por átomos, moléculas, vírus, células, seres vivos, planetas, estrelas, nebulosas, galáxias, aglomerados, o agrupamento local, o universo observável e o próprio Universo, com tamanho medido em yottametros.

De 10^-35 a 10^26, é uma longa viagem, e você pode arrastar a barra com o mouse para navegar ou usar as teclas de direção do teclado se desejar mais precisão.

Como Phil “Bad Astronomer” Plait comentou, “minha parte favorita está no extremo menor, quando você precisa passar por várias potências de dez com nada acontecendo até o comprimento de Planck, a menor escala no Universo. É uma noção um tanto aterradora”.

Será mera casualidade que a maior parte dos objetos que ilustram as escalas do Universo se concentre nas escalas ao redor de nosso próprio tamanho? Teorias físicas sugerem que pode haver uma incrível complexidade em escalas próximas do comprimento de Planck, bem como resta quase literalmente um Universo a descobrir em escalas estelares, galácticas, de grande agrupamentos. São quase 60 potências de dez do mundo bem real em que vivemos disponíveis para exploração científica.

Como dizia Sagan, nós mal começamos a explorar as margens do oceano cósmico, que se estende tanto pelas estrelas quanto pelo interior dos átomos.

[Share do RicBit, confira outra viagem pelo Universo conhecido aqui, e uma de um grão de café a um átomo de carbono aqui]

Aprenda com Mangás – e 20% de desconto!

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Aprender conceitos científicos dos mais básicos aos mais avançados – de nível superior – através de histórias em quadrinhos pode parecer uma idéia tão estranha que só pode ter vindo do Japão. Mas se veio do Japão, e continuando nos estereótipos, também funciona muito bem! Na terra do mangá há uma tradição de desenhos ensinando de tudo com aventuras infantis, incluindo o sempre presente recurso do mascote cômico e piadas engraçadinhas. A Novatec editora está lançando agora uma série destes guias mangá no país, abordando desde Bancos de Dados, passando por Estatística e através do nosso ScienceBlogs Brasil e por cortesia da editora, recebi o Guia Mangá de Eletricidade para avaliar.

Começando do mais elementar, com exemplos práticos, fartas ilustrações (claro!) e mesmo um pouco de história da ciência, os quadrinhos avançam rápido e com uma densidade de informação que faz com que em 200 páginas o mangá apresente mais informações do que muitos livros didáticos tradicionais… sem nenhum desenho! E todo mundo adora desenhos.

Todo esse material de eletricidade estática a circuitos, campos magnéticos, usinas nucleares (!) e mais faz parte do currículo japonês até o ensino médio, mas no Brasil, parte destes conceitos só são apresentados aos alunos na faculdade… em um curso que abranja a área de eletricidade! Há bastante nestes quadrinhos que mesmo aqueles graduados (ou até pós, de outras áreas) poderão aprender, incluindo um pouco da física de semicondutores que faz seu computador funcionar. Tudo isso com um mascote cômico e piadas engraçadinhas.

Se há uma ressalva que pode ser feita ao guia mangá, talvez seja justamente sua quantidade de informação, já que uma criança dificilmente entenderá a tudo, ainda que ilustrado. Mas então, crianças sempre podem nos surpreender, e o guia mangá pode ser uma introdução e referência futura para consulta. A beleza dos quadrinhos é que qualquer criança entenderá a historinha de fundo, aprenderá algo dos conceitos básicos, e terá sido apresentada a belos exemplos e analogias para idéias mais complexas que estarão lá em algum canto de seu cérebro até o dia em que a ficha finalmente caia. Não há como perder, ainda mais porque o mangá não se dirige apenas a crianças.

A editora oferece amostras com várias páginas para que você confira o tom e qualidade do trabalho – confira para Eletricidade e Bancos de Dados –, e promete lançar ainda guias mangás sobre Cálculo, Biologia Molecular e Física.

Gostou? Através do código promocional “100NEXO” a editora Novatec oferece ainda 20% de desconto nos títulos até o dia 30/04/2010. Basta informá-lo no carrinho de compras.

Talvez o tom desta resenha tenha parecido muito empolgado, e o desconto especial oferecido desperte alguma suspeita, mas esclareço que além do exemplar do livro recebido para resenha, este post não foi nem é patrocinado de qualquer forma, e a opinião expressa reflete unicamente a avaliação livre deste blogueiro, que já criticou duramente o que não gostou. O entusiasmo aqui é porque este blogueiro gostou muito.

O guia mangá é ótimo e altamente recomendado. Compre djá!

O Código da Pizza

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Tome o raio da pizza, digamos, z; sua altura como a; para obter seu volume basta multiplicar pi * z^2 * a.

Ou pi.z.z.a.

De nada. [via FYM, @samirsalimjr]

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