O menor filme do mundo (até agora)

O marketing é involuntário, mas achei tão bacana que não pude evitar compartilhar aqui. A IBM lançou um filme construído a partir de cerca de 200 imagens em sequência de algumas dúzias de moléculas de monóxido de carbono em diferentes posições sobre um suporte de cobre (é um efeito semelhante ao utilizado para produzir animações feitas com massa de modelar, a famosa técnica de stop-motion animation do filme “A fuga das galinhas”). As imagens das moléculas de monóxido de carbono (cujo “aumento” é de cem milhões de vezes) e sua movimentação foram possíveis através de uma técnica chamada microscopia de tunelamento com varredura. Por causa do desenvolvimento dessa técnica, cientistas da IBM ganharam o prêmio Nobel de física de 1986.

Com pesquisas nessa área, a IBM busca soluções inovadoras para armazenar maiores quantidades de informação nos menores espaços possíveis. Em 2012, a IBM demonstrou como armazenar 1 bit de informação empregando apenas 12 átomos! O computador que você está usando para ler esse texto precisa de uns vários milhões de átomos para fazer a mesma coisa. O filme em si não é nada de absolutamente novo no campo da ciência, mas dá um toque divertido para o tema (um tanto quanto árido em termos técnicos) e, quem sabe, tenha arrancado um sorriso seu nesse final de feriado em homenagem ao dia do trabalho.

P.S.: Mais legal que o vídeo é o making of, vale assistir! Os 90 segundos de filme foram feitos pelos funcionários da IBM em 2 semanas, trabalhando-se 18 h por dia ….

 

 

Morcegos, mosquitos, braços e a infecção pelo vírus da AIDS

ResearchBlogging.org

Típica noite de verão. Calor, muito calor. Aí você escancara a janela, na esperança de refrescar o ambiente, e resolve se atirar no sofá pra descansar um pouco. Eis que subitamente entra um morcego, sobrevoa a sala toda e vai na sua direção. O que fazer, pequeno gafanhoto? Antes de pensar se corre ou se fica, é quase instantâneo agitar os braços para afastar o animal e proteger o rosto. Agora troque o morcego por um minúsculo mosquito. A reação de agitar os braços para afastá-lo pode até ocorrer, mas não vai adiantar muito. O mosquito vai ultrapassar esse bloqueio facilmente porque, convenhamos, é bem menor que um morcego.

Foi uma sacada simples como essa que um grupo de pesquisadores nos Estados Unidos usou para construir nanopartículas que podem ser capazes de reduzir bastante a chance de uma pessoa ser infectada pelo vírus da AIDS no futuro. As nanopartículas em questão têm um núcleo constituído por material inerte (ou seja, que não interfere em nosso organismo e nem é destruído por ele). Esse núcleo é revestido por uma membrana de fosfolipídeos (moléculas presentes também na membrana de nossas células) e melitina. A melitina é uma toxina presente no veneno de abelhas, capaz de criar poros nas membranas celulares. Esses poros causam vazamento das células, levando-as à morte. Isso vale tanto para as nossas células quanto para a capa de lipídio e glicoproteínas que envolve o material genético do vírus da AIDS. Sem ela, o vírus fica vulnerável ao meio externo e perde a capacidade de se ligar às nossas células e iniciar o processo de infecção. Aí você pergunta: mas então essas nanopartículas não vão acabar também com as MINHAS células? E o que tem a ver esse papo de morcego, braços e mosquitos aí em cima? Eu respondo: Tudo a ver. Além da membrana de fosfolipídeos e melitina, as nanopartículas apresentam “braços” (na figura abaixo está indicado como PEG, que é um polímero já mencionado em outros carnavais aqui no Bala Mágica).

hood et al 2012(Figura retirada do artigo original)

Esses braços de PEG são capazes de afastar nossas células (que são grandes o suficiente para não ultrapassar esse bloqueio), mas não afastam os vírus (suficientemente pequenos). Por causa disso, apenas os vírus entram em contato direto com a melitina na superfície da nanopartícula. É nesse momento que ocorre a destruição da capa do vírus, impedindo-o de se fundir às nossas células e iniciar o ciclo infeccioso. O potencial da ideia é futuramente aplicar essas nanopartículas em géis vaginais, como forma de prevenção da contaminação pelo HIV. Cabe salientar que essa não é uma cura (porque funciona no caso de vírus fora das nossas células, e não dentro delas) e que ainda é preciso percorrer um longo caminho para que algo assim chegue ao mercado. Embora ainda em estudos iniciais, essas nanopartículas podem vir a ser uma esperança para casais que desejam ter filhos, onde um é portador do vírus.

Hood, J., Jallouk, A., Campbell, N., Ratner, L., & Wickline, S. (2012). Cytolytic nanoparticles attenuate HIV-1 infectivity Antiviral Therapy, 18 (1), 95-103 DOI: 10.3851/IMP2346

A onda branca

Atualmente é período de férias dos alunos de graduação aqui na Unicamp. O campus está calmo, sem o típico frenesi que acompanha o período de aulas e provas. Nesse clima de paz tibetana, eis que olho pela janela do laboratório, e vejo uma cena inusitada: um grupo grande de alunos de jaleco, andando ordeiramente pelo corredor. Devo ter feito a maior cara de espanto, porque meus colegas imediatamente tomaram a iniciativa de explicar o significado daquela “onda branca”. Ela era composta por 80 alunos do ensino médio de escolas públicas da região, previamente selecionados por meio de uma redação. Esses alunos estavam ali para vivenciar a química através de palestras e experimentos nos laboratórios do Instituto de Química da Unicamp, devido ao Projeto de Extensão Química em Ação (detalhes no link). Alguém do lab tinha uma das apostilas usadas pelos alunos, que prontamente li. Os experimentos em particular merecem destaque por serem muito interessantes, baratos, simples e próximos de vivências prévias dos alunos – os reagentes são coisas como chocolate, gelatina, sabão, água tônica, óleo de cozinha, entre outros. A partir disso, são explicados conceitos complicados, como fluorescência, tensão superficial, crioscopia e condutividade, aplicando o método científico. Nenhuma surpresa que o projeto seja o sucesso que é.

Logo que soube do que se tratava aquela movimentação toda, lembrei da minha própria experiência lecionando química em caráter voluntário no Projeto Educacional Alternativa Cidadã, em Porto Alegre. Foi quando pude perceber como a química no ensino médio está distante das vivências da maioria da população. Um conhecimento que está tão intrincado a tudo que nos permeia, e que guarda tanta beleza, acaba sendo tristemente reduzido a repetições de fórmulas e regras. A consequência disso é o despertar de aversão e até mesmo ódio pela química como disciplina. Contornar esse problema, para o professor, é uma arte e um desafio. Especialmente quando laboratórios não estão disponíveis (afinal, química é uma ciência experimental).

“É muito difícil fazer os alunos compartilharem os prazeres da observação e da experimentação, momentos fundamentais na atividade da ciência, sem contar com um laboratório no qual possam ver e sentir os fenômenos, sejam eles físicos, químicos ou da esfera da Biologia, por exemplo. O laboratório permite de maneira imediata a percepção do aspecto lúdico da atividade cientifica. Ao observar os fenômenos, ou ao medir propriedades quantitativas, por exemplo, os estudantes passam a compreender que ciência não é apenas aquilo que está nos livros, já pronto, mas sim é uma atividade que se constrói com a observação e a experimentação.” As palavras, de autoria do professor Alberto Passos Guimarães, pesquisador titular do CBPF e diretor-adjunto do Instituto Ciência Hoje, foram tiradas de uma entrevista recente que pode ser acessada aqui e vale ser lida na íntegra.  Eu não sabia, mas o Instituto Ciência Hoje (que completa seus 30 anos de existência) tem um projeto interessantíssimo conhecido como Programa Ciência Hoje de Educação Científica (PCHAE). Nas palavras do professor, “o Programa atua em vários municípios brasileiros, treinando e motivando professores de Ciências para o emprego de métodos mais atraentes de ensino, baseados no uso da publicação Ciência Hoje das Crianças”. Iniciativas como o PCHAE e o Química em Ação têm o poder de mudar concretamente realidades locais para melhor por meio do estímulo à busca e transmissão de conhecimento.

Alguns dos experimentos propostos na apostila do Química em Ação poderiam ter sido apresentados (com adaptações) aos meus alunos, tranquilamente, em sala de aula. Foi o primeiro pensamento que tive ao ler o material. Ok, seria algo de caráter demonstrativo, mas já seria uma quebra na rotina das aulas que poderia fazer a química ganhar alguns corações. E todo coração ganho vale ouro, especialmente com a carência de nosso país por profissionais com formação nas áreas de exatas. Em um mundo onde a inovação tecnológica dita a força das economias, isso faz toda a diferença.

Pedras pelo caminho

Hoje me acordei pensando em uma pedra numa rua de Calcutá. Numa determinada pedra numa rua de Calcutá. Solta. Sozinha. Quem repara nela? Só eu, que nunca fui lá. Só eu, deste lado do mundo, te mando agora esse pensamento… Minha pedra de Calcutá!

(Mário Quintana)

“Nano Graveyard” – Steven Herron, Stanford University

Olhe bem para a imagem acima. Seriam mesmo pedras de Calcutá pelo caminho? Nem de Calcutá, e nem mesmo pedras… . São apenas singelas nanoestruturas cuja imagem foi obtida por uma técnica conhecida como microscopia eletrônica de varredura. As cores ficam por conta do gosto do “artista”, que as inseriu depois, empregando um programa de imagem.

Mais uma bela obra do concurso Science as Art (2011), promovido pela Materials Research Society.

Porto Alegre me faz tão sentimental …..

Porto Alegre, 30 de abril de 2012. 

(por volta das 19h15min)

Enquanto escrevo essas linhas, na zona de embarque do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, estou naquele estado de espírito insólito em que felicidade e tristeza convivem de forma estranhamente harmoniosa. São meus últimos momentos como moradora dessa cidade, após um período marcante que durou cerca de 10 anos. Citando o escritor romano Plutarco, navegar é preciso. Após minha defesa da tese, que contou com a avaliação de uma banca elegante, propositiva e exigente (me invejem, foi uma banca excelente), chegou o momento de agradecer, refletir, relembrar e … mudar.

Nasci numa cidade do norte do RS chamada Passo Fundo, e lá vivi até os 19 anos. Num belo dia, nasceu aquela vontade de ir por mares nunca antes navegados, e parti para Porto Alegre. Meus planos consistiam em terminar a faculdade de Farmácia e logo em seguida voar para mais longe. Porto Alegre, na minha visão de adolescente, era um lugar cinzento povoado por seres estranhos de sotaque metido a besta. Não fazia parte dos planos fazer grandes amizades ou criar vínculos duradouros, mas sim apenas atingir metas acadêmicas e ir embora. Era minha forma tosca de lidar com a experiência do desconhecido. Acontece que Porto Alegre me trucou. E bonito.

Lembro bem do dia da primeira matrícula na faculdade, e dos sentimentos de excitação e medo pelo que estava por vir. Lembro das primeiras vezes em que saí pelos bares da Cidade Baixa, ainda deslumbrada com um novo mundo que se abria. Da primeira vez em que passeei pela Redenção, impressionada com o fato de um parque daquele tamanho estar cravado no meio de tanta urbanidade. Lembro de quando comecei minha primeira iniciação científica na área de tecnologia farmacêutica e da minha primeira apresentação em um Salão de Iniciação Científica da UFRGS (que acabou definindo alguns rumos da minha vida, mas deixo essa pra contar em outro momento).

Lembro dos queridos amigos que fiz ao longo desses anos, das pequenas loucuras que vivemos juntos e da cumplicidade que tornou essas amizades tão especiais. Lembro da solidão e da saudade. Dos amores e das decepções. Das escolhas erradas e das superações. Lembro de um momento de profunda tristeza que vivi, e de tantos momentos de profunda alegria que guardarei com carinho. Lembro de quando minha irmã veio morar comigo, e foi um sol na minha vida (aqui pode agradecer também pelas cervejas, rsrsrsrs). Lembro dos meus pais, da minha família, das milhares de ausências minhas porque sempre havia algo no lab para fazer. E do quanto eles me apoiaram sempre.

Lembro de tudo o que aprendi durante o mestrado, a bolsa DTI e o doutorado. Do quanto sou grata às professoras Sílvia e Adriana, que me receberam em seu grupo e sempre acreditaram no meu trabalho. E lembro também dos colegas sensacionais desse grupo, que contribuíram para tornar tão ricas minhas vivências ali. E, claro, como esquecer daqueles que me fizeram enxergar mais longe, meus queridos colegas, alunos e amigos do PEAC? E do maravilhoso e inesperado “presente” que ganhei de tabela ao participar desse projeto? (né, Fabiano?)

Porto Alegre me dói … ainda mais agora, nesses minutos de despedida. Se estou chorando? Estou, embaraçosamente. Em Porto Alegre vivi, cresci, caí, me levantei. Estou indo a um novo lugar, para começar uma nova vida há muito ansiada. Não há como não ficar extremamente feliz. Mas ao mesmo tempo bate uma tristeza, sabe? É que Porto Alegre me tem / não leve a mal /Obrigada, cidade querida, por tudo. Estarás sempre no meu coração.

“- última chamada para o vôo AD 4062 …”

Ok, hora de enxugar as lágrimas e sorrir. Campinas, estou chegando … para contigo também construir uma linda história … .

Novo episódio sobre Nanotecnologia no Fronteiras da Ciência

Foi ao ar essa semana o episódio II sobre Nanotecnologia do programa Fronteiras da Ciência - o qual pode ser ouvido semanalmente na Radio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1080 AM), ou a partir do arquivo em mp3 disponibilizado na página http://frontdaciencia.ufrgs.br/.
Nesse segundo episódio (informações sobre o primeiro episódio podem ser conferidas aqui), as discussões giram em torno dos aspectos toxicológicos, ambientais e regulatórios envolvidos no uso e produção de nanopartículas, nanofobia e atendados terroristas a nanocientistas (sim, isso tem acontecido….) e percepção pública do tema no Brasil e no mundo. A gravação pode ser acessada aqui. Clique, ouça, opine!

Rito de passagem

Eye of the tiger!

Eye of the tiger!

Fiquei ausente desse espaço do qual tanto gosto por um longo tempo. O motivo? Uma mistura de coisas. O blog começou como uma terapia para mim, como forma de (tentar) tornar útil um período onde fiquei “de molho” por conta de um problema de saúde, e também como válvula de escape para distrair o coração. Não precisei de pouco mais que meia dúzia de posts para me dar conta de que era muito, muito mais que isso. Era um resgate do meu gosto pela área de comunicação (uma carreira que quase trilhei) e uma maneira de expressar o quanto gosto de ciência e do que ela representa. E depois de mais alguns posts, descobri que havia também um grande bônus em blogar sobre ciência, que é poder trocar ideias e opiniões além das barreiras geográficas dos pampas, que foram minha casa desde sempre.

Já faz um bom tempo que o coração não precisa mais ser distraído. Estou feliz. Somou-se a isso o pânico do último “ano” – aquele em que o aluno de doutorado precisa fechar todas as pontas soltas da tese e trabalhar feito um condenado, caso não tenha tido a sorte de conduzir um projeto que tenha rendido bons frutos logo no início. Se fechei tudo? Fiz o melhor que pude, mas não posso lutar contra o fato de que nunca fechamos totalmente as pontas de uma ideia. Com as respostas, surgem novas perguntas. E essa talvez seja mais uma lição de humildade entre tantas que vivi como farmacêutica cursando doutorado em química.

Amanhã será minha defesa. E no meio do “ensaio” da minha apresentação, resolvi parar para escrever. Não porque precise de uma válvula de escape (como nos primeiros posts lá no longínquo 2009), ou porque ache a ciência apaixonante (eu acho, mas agora a razão não é essa). Resolvi parar para escrever porque simplesmente preciso registrar o quanto esse rito de passagem é marcante na vida de quem resolveu seguir o caminho acadêmico. Passamos a entrar no “mundo adulto científico”, com todas as benesses e agruras inerentes a essa condição. Um novo aprendizado, novas lições de humildade. E certamente, mais postagens, porque vou confessar: estava com uma saudade danada daqui.

Fronteiras da Ciência

“Numa atmosfera descontraída – como numa roda de mate – cientistas conversam sobre assuntos do momento e tentam preencher as lacunas deixadas pelo sistema educacional e pela desinformação dominante na mídia.”

Esse é o programa Fronteiras da Ciência, veiculado semanalmente na Radio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1080 AM). Uma iniciativa de um grupo de professores e alunos da comunidade acadêmica, com apoio do Instituto de Física, o Fronteiras da Ciência está ganhando cada vez mais ouvintes ávidos por temas tão variados quanto Exoplanetas e Machu Picchu, passando por discussões sobre pós-modernismo (viu, Karl?), origem da vida, inteligência artificial, entre tantas outras.

O tema do programa dessa semana é… adivinhe…. sim! Nanotecnologia. O que é nanotecnologia? O quão grande é um número como o mol? E o quão pequeno é algo nanométrico? Há produtos contendo nanotecnologia sendo comercializados hoje? E a questão da regulação desses produtos, como fica? O que tem sido feito nessa área no Brasil?

Tive o prazer de discutir sobre essas e outras questões com os professores Jeferson Arenzon e Naira Balzaretti, ambos do Instituto de Física da UFRGS, nesse Fronteiras que está imperdível. A gravação pode ser acessada aqui. Clique, ouça e opine!

 

 

Um banco público para estimular a inovação no Brasil

O Brasil é um grande exportador de commodities, a ponto de já ter sido chamado de celeiro do mundo. No entanto, o mesmo não pode ser dito quando consideramos ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Obviamente, há setores que são exceção. Mas, num panorama geral, o que vemos é uma grande aversão do setor privado ao risco associado a investimentos em CT&I. A maioria das iniciativas nesse sentido ainda é realizada dentro dos muros das universidades. Além disso, há toda a burocracia e morosidade nacionais quando a questão envolve desenvolvimento tecnológico e patentes.
As empresas estão erradas em temer investimentos de risco? Ora, uma empresa visa prioritariamente o lucro. É por isso que o desenvolvimento estratégico do país passa pela criação de soluções que tornem investimentos em CT&I mais atraentes. Confesso que, quando soube que Aloizio Mercadante seria o novo Ministro de Ciência e Tecnologia, fiquei com um pé um pouco atrás. Porém, vejo com bons olhos uma novidade apresentada em Brasília na semana que passou: a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), uma agência de fomento ligada ao MCT, recebeu carta patente do Banco Central para se transformar em um banco público de fomento à inovação, nos moldes do BNDES. Isso ocorrerá em até 3 anos, e tornará possível uma maior liberdade na captação de recursos que aquela existente hoje, atrelada ao FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Essa mudança se traduz em ampliação de incentivos fiscais para inovação, criação de fundos setoriais, e um estímulo ao desenvolvimento de tecnologia de ponta no setor privado brasileiro. Sejamos exportadores de commodities, sim. Mas sem esquecer que o PIB de um país também está diretamente ligado ao acúmulo de conhecimento passível de ser aplicado em processos produtivos. E a detenção desse conhecimento não só é estratégica, como também pode significar uma maior soberania nacional.

Química e risadas em 140 caracteres

Estranhou o título?
Sim, é possível aliar química e risadas em 140 caracteres! E também física, matemática, biologia, informática …..
Ivan Baroni, Luiz Fernando Giolo e Paulo Pourrat são os responsáveis pelo perfil @PiadasNerds no microblog Twitter. Lá é possível encontrar piadinhas rápidas, hilárias, nerds. Eu sigo. E me divirto!
O perfil fez tanto sucesso (hoje tem mais de 82 mil seguidores!), que transformar a iniciativa em livro seria uma questão de tempo. Nesse glorioso primeiro de abril de 2011, as melhores livrarias do país passaram a comercializar o livro Piadas Nerds, o qual está organizado por capítulos (Matemática, Ciências Humanas, Química, Física, Biologia, Informática, Cultura Nerd e Séries). Cada capítulo tem uma breve apresentação, escrita por convidados muito especiais: Marcos Castro, Carol Zoccoli, adivinhem…. eu (hehehe), Dulcídio Braz Jr., Átila Iamarino, Henrique Fedorowicz e Fernando Caruso, com apresentação geral de Luis Brudna e ilustrações de Carlos Ruas.
Adorei participar, e me diverti demais escrevendo a apresentação do capítulo de química. Aí vai um trecho dela (se quiser ler tudo, amigo, compre o livro – custa menos de vinte mangos):

“Alguns dizem que para identificar um químico, é só reparar no indefectível jaleco sujo, manchado e furado. Outros afirmam que basta você observar se ele lava as mãos ANTES de ir ao banheiro. Bem, uma coisa é certa, o químico sempre tem programa para a sexta à noite: terminar aquele experimento importantíssimo no laboratório. No fundo, o químico é um ser incompreendido pela sociedade. Se, para o resto do mundo, o que está naquela folha que o químico chacoalha por aí cheio de orgulho são só umas linhas completamente sem sentido, para ele são o resultado da análise daquele experimento importantíssimo, que gerou sinais capazes de desnudar aos poucos a estrutura de qualquer molécula mais tímida, despi-la completamente e… conduzir ao êxtase! É, talvez seja muito tempo no laboratório, mesmo….
E como sobreviver a tanto tempo no laboratório sem perder completamente a sanidade? Ora, apelando para muito bom-humor. O humor químico é assim: vê trocadilhos em tudo. Às vezes, nem precisa do trocadilho… Convenhamos que quando você descobre que pode chamar o 4-(prop-1-en-1-il)fenol simplesmente de anol, a piadinha infame torna-se inevitável. É nesse espírito e para nosso deleite que a turma do Piadas Nerds reuniu neste capítulo o melhor do humor químico expresso em 140 caracteres – e é com muito orgulho que apresento-o ao caro leitor (é nox mano!).”

O lançamento oficial do livro acontecerá em Sampa, dia 16 de abril, às 16h na livraria Cultura (Loja Record) e em Campinas, dia 18 28 de abril, às 19h na FNAC do shopping Dom Pedro.

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