Um campo de girassóis poético

(primeiro lugar do prêmio “Science as Art” de 2008, da MRS, de autoria de K. Hark, Chinese University of Hong Kong – “Field of Sunflowers”)

Linda foto de girassóis, não é mesmo?

Hummm, girassóis? Parece… mas não é !
Essa é mais uma daquelas imagens obtidas por microscopia eletrônica e colorizada depois com fins artísticos. Também há arte e poesia no nano(bio)mundo!

Nanofibras de óxidos de silício possuem a habilidade de se organizar de várias formas, inclusive como essa, que se assemelha de forma impressionante a girassóis. Gálio e ouro atuaram como catalisadores da reação entre silício e oxigênio que resultou nessas lindas nanofibras, cada uma com cerca de 10 nm de diâmetro.

Não acha a reação das nanofibras poética? Pois bem, para ninguém dizer que não há poesia nesse post, transcrevo abaixo um dos meus poetas favoritos, no seu melhor heterônimo (na minha humilde opinião):

“O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…”

(Alberto Caeiro)
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Discussão - 3 comentários

  1. tiago disse:

    Os girassóis se escondem, no entanto estão por todos os lado.
    T.

  2. Oi, Daniel!
    Escolhi essa poesia pela referência aos girassóis e, principalmente, por tratar de forma tão “certeira” (falta palavra melhor no momento) a mágica de olhar para algo de forma completamente nova – que é justamente o que senti quando vi a foto, que não é de girassóis mas sim de nanocoisas..
    Aliás, acho que quem trabalha com ciência acaba experimentando esse pasmo essencial sempre que descobre algo novo.Muito legal seu blog – temos em comum não só o gosto pelo Fernando Pessoa, mas também por Messiah de Händel 🙂
    Obrigada pela visita, volte mais vezes
    Abraços,
    Fernanda

  3. Pode ser só coincidência, mas segui um comment seu no blog do Karl e achei esta poesia do Alberto Caeiro. Pois o meu blog chama-se exatamente “pasmo essencial”. Dê uma olhada. Não tem quase nada em comum com o seu blog. Só a poesia. Mas eu gostei.

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