Você não acredita em nanopartículas porque não pode vê-las? Agora, você pode….

Na semana passada participei de dois eventos muito bacanas no Rio: o ICAM 2009 e o II EWCliPo – para quem é leitor assíduo, já está careca de saber. Mas o fato é que congressos sempre tem as festas-do-congresso (Mariana e demais pessoas da CH…olha aí que fantástica cobertura vocês perderam para o primeiro número daquela nova revista bolada na mesa de bar em Arraial).

Como não poderia deixar de ser, lá fui eu para a festa do ICAM 2009, no Rio Scenarium (legal, bonito, mas pra turista ver). De vez em quando eu finjo que danço forró – e me divirto pra caramba! Nessa festa no Rio Scenarium, me tiraram pra dançar… samba! Lógico que eu me perdi toda, pois não sei os passos (e samba é bem mais difícil que forró, convenhamos) – mas me diverti mais ainda e fiquei com vontade de aprender!

No nano(bio)mundo também há uma modalidade de dança de salão. Duvida? Ela se chama movimento browniano, em homenagem ao biólogo Robert Brown, que foi quem primeiro descreveu esse movimento em 1827 (embora, na época, ele tenha erroneamente achado que as partículas eram vivas***). Esse movimento acontece com partículas na escala nano e micro quando elas estão imersas em um fluido (p. ex., um líquido) por causa dos choques das moléculas desse fluido nas partículas. É em parte por causa do movimento browniano que podemos determinar o tamanho de nanopartículas (para saber mais, veja o post explicativo).

Até aí, tudo certo. Mas quem garante que as nanopartículas realmente existem, se não as vemos? Sem entrar em detalhes sobre método científico e deduções lógicas, hoje tenho como provar para qualquer São Tomé de plantão (do tipo que só acredita vendo) que nanopartículas existem! Tudo isso, graças a um novo equipamento muuuuuito legal adquirido pelo laboratório onde faço doutorado (valeu, profs!) chamado NanoSight. Nesse equipamento, um feixe de laser incide sobre a amostra de nanopartículas e várias fotos são tiradas em sequência. O resultado é um vídeo como esse aí abaixo, onde é possível vê-las se movimentando caoticamente (com uma trajetória que descreve um fractal).

E então, qual será o melhor ritmo de música para essa dança?

UPDATE 02/10/09: O equipamento NanoSight faz parte do laboratório K204 do Instituto de Química da UFRGS, e foi adquirido com recursos do CNPq.
UPDATE 06/10/09: Erro crasso! Esqueci de agradecer ao “dono” da amostra de nanopartículas pelo filme acima… Valeu, Edu!
***OBSERVAÇÃO/CORREÇÃO (28/12/2009): Brown chegou a achar que o pólen estivesse vivo, mas mudou de ideia em seguida, porque o efeito era o mesmo com pó de granito e de vidro. Ele também não foi o primeiro a observar tal movimento – outros pesquisadores, como Leeuwenhoek, já haviam feito essa observação. A diferença é que ele foi o primeiro a considerar que não havia qualquer “energia vital” atuando no fenômeno. Einstein calculou a massa e o tamanho de átomos a partir do movimento browniano. Sua fórmula foi confirmada anos depois por Perrin.
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Discussão - 4 comentários

  1. Adorei seu post já faz um tempo, mas agora resolvi dizer com qual música eu acho que se parece: TRANCE (também) ahahahaha
    Isso é Fantástico mesmo!

  2. Anonymous disse:

    Trance? Elas podem muito bem estarem sambando também.. hehehe
    Fe, nesse video vocês não pegaram nenhuma bactéria nadando! Que sem graça! hehehe
    Beijos
    Lila

  3. Puxa! Trance! É mesmo! As nanopartículas estão dançando trance…

  4. Hora! disse:

    Bah! No exato momento que vi esse post estava escutando trance! acho q esse eh o ritmo! n q eu goste!rs…

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