Alguns dias entre físicos no Rio

Instigantes e agradabilíssimos. Assim foram meus dias no início dessa semana na cidade maravilhosa. Como o leitor já sabe, tive o privilégio de participar de uma mesa-redonda sobre “a prática da divulgação científica através de novas mídias” juntamente com os professores Leandro Tessler e Dulcídio Braz Jr., durante a VIII Escola do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCT). Gostaria de agradecer a todos do CBPF, em especial à Dayse Lima e ao prof. Luiz Sampaio, pela recepção calorosa e pela oportunidade de participar desse evento.
Antes de discorrer sobre a mesa-redonda, cabem parênteses sobre dois momentos prévios que achei marcantes. O primeiro foi a entrega do Prêmio CBPF de Física de 2010 ao prof. Vanderlei Bagnato durante a cerimônia de abertura da Escola. Os primeiros minutos da fala do professor não foram sobre o tema de seu trabalho (turbulências quânticas em condensados de bose-einstein), mas sim sobre a relevância da pesquisa científica para o crescimento e o desenvolvimento de um país. De acordo com o prof. Bagnato, uma nação competitiva é aquela que estimula a prática científica. Ouvi-lo foi emocionante. (UPDATE 02/08/2010: o vídeo pode ser conferido aqui). O segundo momento foi assistir à palestra do prof. Dulcídio para a turma do PROFCEM (Programa de Formação Continuada de Professores do Ensino Médio), onde ele demonstrou como o blog pode ser uma extensão da sala de aula com muito sucesso. Ouvir o prof. Dulcídio fez com que eu percebesse que a física pode mesmo ser pop – e que isso ocorre quando o estudante é estimulado a pensar.
Ambos os momentos, na minha concepção, estão relacionados a coisas muito próximas uma mesma coisa: a necessidade de valorização de uma cultura científica no nosso país. Interessante notar que, no fundo, nosso debate na mesa-redonda também acabou tendo essa mensagem. E para que a ciência faça parte da cultura, ela deve vencer algumas barreiras há muito levantadas. Urge desmistificar os temas de ciência (em especial aqueles mais polêmicos) e a figura do cientista. A web 2.0 pode ser uma ferramenta valiosa para isso por ser acessível, relativamente barata e permitir uma comunicação direta. Aproximar as pessoas das coisas da ciência deve ser um compromisso do cientista. Por outro lado, compreender o que é divulgado sobre CT&I e as implicações de seus avanços será um privilégio de poucos se a prática da educação científica não for estimulada desde a primeira infância. Pensar cientificamente não é coisa para poucos eleitos geniais, é algo que pode ser aprendido por qualquer um que tenha curiosidade sobre como o mundo funciona. E curiosidade é característica inerente ao ser humano.
Pê-esses…
P.S.1: Uma pena que o espaço aqui não tenha o tamanho das cerca de 2h de discussão, para poder transcrevê-la em detalhes… quando o vídeo da mesa-redonda estiver no ar, informarei o link. As impressões dos demais debatedores podem ser encontradas aqui (D.B.) e aqui (L.T.).
P.S.2: Merece destaque o fato de que o CBPF foi agraciado com o Prêmio José Reis de Divulgação Científica de 2006 (modalidade instituição), pelo “envolvimento e o interesse da instituição na divulgação de temas científicos para sensibilização da sociedade, (..) o histórico da instituição, [e] a qualidade e a penetração do material produzido.” Recebi gentilmente materiais interessantíssimos produzidos e/ou promovidos pelo CBPF nessa linha de divulgação, que merecem um post à parte.
P.S.3: Um bônus dessa viagem foi conhecer a redação da Ciência Hoje, rever o pessoal de lá que é bacaníssimo, e conhecer o físico e jornalista Cássio Leite Vieira (que talvez não saiba, mas me ensinou quase tudo que sei sobre textos de divulgação científica através de seu pequeno [grande] manual).
P.S.4: Ter convivido nesses poucos dias com pessoas cujo trabalho admiro, tais como o prof. Alberto Passos Guimarães Filho, não tem preço.
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Discussão - 6 comentários

  1. Poxa vieste até o rio e nem uma ligada p um chopp???

  2. Fernanda Poletto disse:

    Opa, estou dentro! o/
    Temos um grupo bem consistente aqui no RS, já está na hora mesmo de nos reunirmos para debates, seria sensacional.
    Abração,
    Fer

  3. L. Felipe B disse:

    Obrigado pela visita Fê, e parabéns pelas conversas surgidas na VIII Escola de Física, no RJ. garanto que coisas boas sairam e sairão disso… Ah esta na hora de sair alguma “conversa” aqui em porto né? ja estou mexendo pauzinhos com o Eli, do Evolucionismo.ning, e podemos chamar o pessoal do ácido acético tb, o que achas??

  4. Dulcidio disse:

    Obrigado pelo carinho Fernanda! 😉
    “Aproximar as pessoas das coisas da ciência deve ser um compromisso do cientista”. É isso mesmo! Mas vou mais longe. Como sempre digo, todo professor (que nem sempre é um cientista) é (ou deveria ser), antes de tudo, um divulgador da ciência que ensina. Eu tento! Exatamente porque “Pensar cientificamente não é coisa para poucos eleitos geniais, é algo que pode ser aprendido por qualquer um que tenha curiosidade sobre como o mundo funciona.”
    Abração

  5. Bentes disse:

    Interessante a pontuação dos palestrantes em aproximar as pessoas da ciência e que a ciência deva vencer algumas barreiras há muito levantadas.
    No entanto, quem levanta as barreiras são as próprias pessoas da ciência com sua austeridade, elitismo e a massificante divulgação de muitos conceitos céticos e ateus.
    Num mundo de 6.6 bilhões de humanos com uma gama incrível de mais de 2/3 de praticantes de uma ou outra escola espiritualista ou especificamente religiosa, desejar que as pessoas se aproximem da ciência da maneira como desejam os céticos é marchar na contramão de uma realidade universal.
    Não seria mais coerente e menos onírico a ciência deixar de lado o exibicionismo cético-ateísta e voltar-se ela mesma às pessoas? Mesmo por que as pessoas voltadas para Deus não são inimigas da ciência, visto a ciência ser a própria natureza que todos amam. E a ciência tecnológica, reconheçamos, é também um dos grandes verdugos da natureza que ajuda a destruí-la em escala assustadora e em muitos casos de maneira irreversível em alguns séculos.

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