Abaixo-assinado em apoio ao Ministro da Educação Fernando Haddad
O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) surgiu como uma ferramenta para “democratizar as oportunidades de acesso às vagas federais de ensino superior, possibilitar a mobilidade acadêmica e induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio“. Já estava mesmo na hora de algo assim surgir no Brasil. O ENEM foi criado em 1998, e de lá para cá sofreu várias modificações e o número de inscritos aumentou de forma significativa. Na edição de 2010, foram mais de 4 milhões de inscritos e, como o leitor já deve ter visto na mídia, problemas ocorreram nas provas de cerca de 1800 estudantes. Os prejudicados estão sendo identificados e poderão realizar nova prova, se assim desejarem.
O acontecimento mais triste nesse episódio foi a sua escandalização oportunista como forma de fragilizar a figura do Ministro da Educação Fernando Haddad, um dos mais bem avaliados ministros do atual governo. Recebi há pouco por email um link para um abaixo-assinado online em apoio ao ministro Haddad. Neste, os signatários afirmam sua confiança na capacidade de gestão do ministro. Eu já assinei (#850). Se você pensa da mesma forma, por favor assine-o também.
clique aqui para assinar o abaixo-assinado – basta informar seu nome e email.
Sobre o IX Encontro da SBPMat e o ouro colonial
Redigido em 28/10/2010, a uns 10 000 pés de altitude
“No momento em que estou escrevendo essas linhas, caro leitor, estou saindo de um mergulho ao passado. Mais exatamente, à Vila Rica das Minas Gerais do séc. XVIII. Acabei de embarcar em um avião que partiu de Belo Horizonte, com destino a Porto Alegre. Nesses últimos dias, participei do IX Encontro da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat), que ocorreu em Ouro Preto/MG. Nunca tinha estado em Minas, e fiquei encantada com o que vi. As cidades são lindas, o povo é absurdamente amável e o estado todo guarda um valioso patrimônio histórico. Sem contar que o sotaque mineiro é delicioso de ouvir (como já mencionei no twitter, eu não tenho sotaque, quem tem sotaque são os outros….). No entanto, embora eu tenha mergulhado ao passado, a palavra que ressoou nos últimos dias nesse lugar foi inovação.
Como diria Kentaro Mori, quais seriam os nexos?
Quem já esteve em Ouro Preto há de concordar que é impossível não se maravilhar com as belezas locais. E também é impossível não se sentir arrasado ao tomar consciência do trabalho escravo envolvido na construção do que foi um dos grandes pólos econômicos do Brasil colonial. O ouro brasileiro sustentou Portugal, que por sua vez, financiou o desenvolvimento e crescimento da manufatura em larga escala na Inglaterra, e com isso, o advento da Revolução Industrial. E essa mudança na lógica socioeconômica foi fundamental para o estabelecimento do capitalismo moderno.
Neste nosso séc. XXI, como uma das consequências desse processo, estamos inseridos num mundo onde é preciso inovar para fazer a economia girar. Nesse contexto, a riqueza das nações é medida em grande parte pelo seu domínio de tecnologias estratégicas. É por isso que conhecimento é valor e quem inova sai na frente. Nesse contexto, a nanotecnologia é área portadora de futuro pelo seu grande potencial em soluções inovadoras nos campos da medicina, agronomia, computação, entre outros. Neste congresso (um dos maiores do país sobre pesquisa de materiais), não pude deixar de notar o alto número de trabalhos de nanociência e nanotecnologia envolvendo prata e carbono inorgânico. O crescente interesse científico e tecnológico por tais materiais pode ser um indicativo de que o Brasil não está perdendo o bonde da história. E por falar em história, é curioso pensar como o ouro brasileiro extraído há mais de 200 anos pelos escravos, indiretamente, acabou contribuindo para o estabelecimento da cultura da inovação que tomou conta do mundo. Inovar e sair na frente, meus caros compatriotas, não é só questão de estratégia, é uma dívida histórica.”
Participe da discussão sobre os rumos da regulamentação brasileira sobre nanotecnologia
Se você tem algo a contribuir a respeito desse assunto, seja com sugestões, seja com críticas, não perca a oportunidade de excercer sua cidadania. Nas palavras de Thiago de Oliveira Ribeiro, do Departamento de Tecnologias Inovadoras (MDIC), “não é preciso ressaltar que é de grande importância que os mais diversos setores e entidades interassados manifestem sua opinião para que os próximos passos sejam definidos”.
Para se inscrever, acesse o endereço acima citado e siga o procedimento habitual do moodle para inscrição. Você receberá um link para confirmar o cadastramento. Depois de clicar nesse link confirmando sua inscrição, envie um email para [email protected] pedindo ingresso no GT de interesse.
Marcos regulatórios para produtos nanotecnológicos: o que há de novo no front brasileiro
Pois bem, recentemente foi publicada a proposta do GT Marco Regulatório, que sistematizou todas as informações levantadas nas reuniões deste grupo. Neste documento, encontram-se definições e respostas a questionamentos relevantes, como o que é nanotecnologia, qual o cenário brasileiro e mundial para regulação de produtos nanotecnológicos, quais os desafios e gargalos para definir marcos regulatórios específicos para a nanotecnologia, entre outros. No final, está a parte que considero mais interessante: uma proposta de algoritmo para classificar produtos nanotecnológicos. Como já havia sido comentado nesse blog, é preciso considerar não só o tamanho e a composição, mas também as novas propriedades dos nanomateriais para tornar mais claro o seu grau de risco. Este algoritmo proposto pelo GT Marco Regulatório segue exatamente essa premissa, e coloca o Brasil na vanguarda do tema.
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PS.: às vezes recebo questionamentos sobre o fato de que proteínas e material genético são nanométricos e por isso deveriam ser considerados nanotecnológicos. Nesse contexto, reproduzo aqui um trecho do relatório (pg. 8/14) que determina a diferença entre nanomaterial e material com dimensões nanométricas (sim, há diferença!)
Cabe salientar a diferença de conceitos entre um nanomaterial e um material nanoscópico (ou material nanométrico). O algoritmo apresentado se refere à classificação de um nanomaterial e não de materiais nanométricos. Um nanomaterial deve seguir o conceito apresentado acima (ISO TC229). Por outro lado, um material nanométrico é aquele que se encaixa em dimensão na faixa de 1 a 1000 nm, mas não apresenta novas propriedades ou aplicações quando comparados com a substância na sua forma molecular ou bulk (uma porção da matéria).
Nem sempre ser nanométrico significa ser nanotecnológico……….
Dot
Nas palavras do Kentaro, “não chega a ser nano, mas é mili… talvez micro”. Lindinho, né?
crédito: SumoScience e Aardman.
originalmente visto no Design You Trust.
Uma longa viagem….
Devo desculpas ao leitor pela longa ausência. Muitas coisas ocorreram nesse último mês, e o pobre Bala Mágica ficou um tanto quanto abandonado. Aliás, gostaria de agradecer aos leitores que, nesse período, escreveram-me perguntando sobre novos posts, enviando palavras de estímulo e apreço, pedindo-me para não desistir. Foi muito bom receber esse feedback, inesperado e gratificante demais. Saibam que este blog, que sempre acaba me surpreendendo, é “indesistível”!![]()
Para que serve fazer ciência? E por que o cientista acaba seguindo esse caminho?
A dúvida é justa, e pode ser motivo de angústia durante certos períodos da trajetória de um cientista, pois a dedicação necessária para trabalhar com pesquisa científica é alta e algo para toda a vida. Nesse processo, muitas vezes é preciso abdicar de certas coisas muito mais do que se gostaria…. Pode até mesmo ser preciso ir para bem longe, do outro lado do globo, deixando sua cultura, sua língua e pessoas queridas para encontrar novos horizontes. E o pesquisador vai em frente, mesmo assim. Que compensação paga tudo isso? O que o move de forma tão profunda?
Um desejo imenso de mudar o mundo? Basta começar nesse caminho para saber que mesmo um único paradigma científico é dificílimo de mudar, que se dirá o mundo! Para encontrar formas de melhorar o dia-a-dia das pessoas? Pode ser, mas nem sempre a ciência é transformada em desenvolvimento tecnológico (e nem todo desenvolvimento tecnológico é oriundo da ciência).
Talvez a resposta seja, no fundo, simplesmente sede de conhecimento. Estranho ler isso? Ora, o avanço do conhecimento por si só é algo de valor inestimável. É por causa disso que hoje podemos dizer com convicção que relâmpagos não são divindades, mas sim descargas de energia elétrica. É por causa do avanço do conhecimento que sabemos que o planeta Terra é só mais um entre infinitos outros, num universo gigantesco. E que estarmos neste pálido ponto azul divagando sobre tais coisas é um milagre na acepção mais esplêndida dessa palavra. Carl Sagan dizia: Nós somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo. Nada mais lúcido, nada mais simples, nada mais belo. Patrimônio da humanidade não é só arte e cultura. Ciência também é. E, justamente por isso, sempre valerá a pena construí-la.
(Para Fabiano, que fará uma longa viagem…)
Alguns dias entre físicos no Rio
Antes de discorrer sobre a mesa-redonda, cabem parênteses sobre dois momentos prévios que achei marcantes. O primeiro foi a entrega do Prêmio CBPF de Física de 2010 ao prof. Vanderlei Bagnato durante a cerimônia de abertura da Escola. Os primeiros minutos da fala do professor não foram sobre o tema de seu trabalho (turbulências quânticas em condensados de bose-einstein), mas sim sobre a relevância da pesquisa científica para o crescimento e o desenvolvimento de um país. De acordo com o prof. Bagnato, uma nação competitiva é aquela que estimula a prática científica. Ouvi-lo foi emocionante. (UPDATE 02/08/2010: o vídeo pode ser conferido aqui). O segundo momento foi assistir à palestra do prof. Dulcídio para a turma do PROFCEM (Programa de Formação Continuada de Professores do Ensino Médio), onde ele demonstrou como o blog pode ser uma extensão da sala de aula com muito sucesso. Ouvir o prof. Dulcídio fez com que eu percebesse que a física pode mesmo ser pop – e que isso ocorre quando o estudante é estimulado a pensar.
Ambos os momentos, na minha concepção, estão relacionados a
Pê-esses…
P.S.1: Uma pena que o espaço aqui não tenha o tamanho das cerca de 2h de discussão, para poder transcrevê-la em detalhes… quando o vídeo da mesa-redonda estiver no ar, informarei o link. As impressões dos demais debatedores podem ser encontradas aqui (D.B.) e aqui (L.T.).
P.S.2: Merece destaque o fato de que o CBPF foi agraciado com o Prêmio José Reis de Divulgação Científica de 2006 (modalidade instituição), pelo “envolvimento e o interesse da instituição na divulgação de temas científicos para sensibilização da sociedade, (..) o histórico da instituição, [e] a qualidade e a penetração do material produzido.” Recebi gentilmente materiais interessantíssimos produzidos e/ou promovidos pelo CBPF nessa linha de divulgação, que merecem um post à parte.
P.S.3: Um bônus dessa viagem foi conhecer a redação da Ciência Hoje, rever o pessoal de lá que é bacaníssimo, e conhecer o físico e jornalista Cássio Leite Vieira (que talvez não saiba, mas me ensinou quase tudo que sei sobre textos de divulgação científica através de seu pequeno [grande] manual).
P.S.4: Ter convivido nesses poucos dias com pessoas cujo trabalho admiro, tais como o prof. Alberto Passos Guimarães Filho, não tem preço.
Blogs de ciência podem estimular o engajamento público em temas de C&T?
Antes do século XVII, não havia uma distinção clara entre ciência e filosofia. A partir do século XVII, alguns pensadores, como o italiano Galileu Galilei (1564-1642), o francês René Descartes (1596-1650) e o inglês Isaac Newton (1642-1727), quebraram paradigmas ao defender o uso da experimentação, do método, da matemática e a exclusão do misticismo para entender os fenômenos naturais. Não é a toa que os historiadores chamam esse período de Revolução Científica. Logicamente, o ambiente social daquela época propiciou tal revolução. Dentre os acontecimentos que favoreceram a Revolução Científica cabe destacar a invenção da prensa móvel pelo alemão Johannes Gutenberg (1398-1468), que por si só já iniciou outra revolução, a da Imprensa. Eis a primeira reflexão: comunicação sempre foi uma peça-chave para o estabelecimento e a propagação da ciência.
O advento da imprensa tirou as amarras impostas por um conjunto de clérigos sobre o que é a Verdade, já que a produção de material escrito não era mais privilégio de alguns sacerdotes enclausurados em seus mosteiros. Estava dada a largada para a disseminação do livre-pensamento. Pelo menos na teoria e pelo menos para os “incluídos”, capazes de ler. Desde então, o número de alfabetizados aumentou, e o custo para adquirir livros, revistas, jornais, etc foi se tornando mais acessível. De lá para cá, a ciência evoluiu e, com ela, cresceram as esperanças de que as descobertas científicas contribuiriam para tornar o mundo um lugar melhor. Começou a surgir a noção de que era preciso “educar o povo” nas coisas de ciência, por meio da transmissão do conhecimento do especialista para o leigo, de forma verticalizada. No entanto, o acúmulo de informação não significa a compreensão dessa informação. E a informação fora de um contexto socioeconômico raramente desperta interesse público. Isso é particularmente importante no caso de assuntos científicos, porque a ciência gera muito mais perguntas que respostas, e jamais será capaz de oferecer uma Verdade, mas apenas modelos e aproximações. Essa ideia de transmissão verticalizada da informação passou a ser questionada, e estratégias dialógicas foram (e ainda são) propostas para substituí-la. Passou-se a falar em dar uma chance ao diálogo entre cientistas e leigos. E um diálogo é feito de perguntas e respostas. Eis a segunda reflexão: talvez a comunicação científica deva cada vez mais incluir as perguntas, e não só oferecer as respostas. A comunicação de ciência não pode mais ser uma via de mão única. Afinal, cabe à sociedade debater quais perguntas são mais importantes/urgentes, pois é esta sociedade quem sentirá as implicações dos avanços da C&T. Mais que informar sobre as últimas novidades dos periódicos científicos, a divulgação científica deve fomentar o exercício da cidadania.
Será que a internet, com seu efeito de rede e alto poder de disseminação de informações, pode fazer diferença nesse processo? Quais seriam as consequências disso e os desafios a serrem enfrentados, hoje e no futuro? Essas perguntas suscitaram mais reflexões, que reservo para o debate com os professores Dulcidio Braz Júnior (do blog Física na Veia!) e Leandro Tessler (IFGW/UNICAMP, do blog Cultura Científica), com moderação do professor Marcelo Knobel (IFGW/UNICAMP), nessa terça-feira (20/07), que ocorrerá às 18h30min no CBPF.
Da arte clássica à arte quântica
Pois bem, essa digressão feroz foi só uma digressão, mesmo. O que queria mostrar a você hoje é o uso não-falacioso do termo quântico ligado a algo que enleva o espírito: a arte. Sim, arte quântica. Em 2007, Ee Jin Teo (National University of Singapore) criou uma réplica fotoluminescente 500 x 500 micrometros do quadro “The Ancient of Days”, de William Blake. A “tela” consistiu de silício poroso, e o “pincel” foi um feixe de helio, com subsequente impressão eletroquímica em ácido fluorídrico. Devido ao efeito de confinamento quântico, emissão de luz visível é observada a partir do esqueleto de silício de dimensão nanométrica criado após a impressão. A pré-irradiação com um feixe de hélio é capaz de mudar a resistividade local do silício e o comprimento de onda de emissão da luz do silício poroso formado. Quanto maior a dose do feixe, mais para o vermelho o comprimento de onda da fotoluminescência é deslocado dentro do espectro de luz (que na faixa do visível vai do azul arroxeado, passando pelo verde, amarelo, laranja, até o vermelho). Altíssimas doses deslocam tanto o comprimento de onda que ele sai da faixa do visível, resultando nas partes da imagem que percebemos como preto. A obra de arte quântica rendeu a Teo o primeiro lugar no prêmio de 2007 “Science as Art”, da MRS, empatado com outras obras também sensacionais (uma delas já apresentada aqui).
outro PS.: 500 micrometros é o mesmo que meio milímetro.
Para que Bala Mágica? Use logo uma ARMA mágica, oras!
A proposta do nome Arma Mágica é recente, embora a ideia em si seja mais antiga. Seu argumento é baseado no fato de que o acúmulo do fármaco na região de vascularização do tumor em comparação com as demais regiões do corpo não significa necessariamente que ocorrerá uma distribuição eficiente do fármaco DENTRO do tumor. Note que esses conceitos realmente são diferentes. Lembra do efeito EPR? Se você tem fármaco encapsulado dentro de nanopartículas, e essas nanopartículas que circulam pelo sangue passam por uma região de tumor, elas se acumulam nesse local porque “escapam” da corrente sanguínea devido ao aumento dos espaços entre as células dos vasos da região tumoral – esse aumento localizado da permeabilidade dos vasos sanguíneos garante o acúmulo na superfície do tumor, mas não garante que as nanopartículas penetrarão profundamente nele.
É nesse ponto da história que entram peptídeos contendo a seqüência de aminoácidos arginina-glicina-aspartato. Tais peptídeos são capazes de se ligarem a integrinas (uma família de receptores celulares) presentes tanto no endotélio quanto no parênquima da região tumoral. Há dois tipos, o RGD e o iRGD. Cada letra corresponde a um aminoácido. O i do nome quer dizer que o peptídeo é quebrado depois de se ligar à integrina de um jeito tal que resulta na perda da sua afinidade com a dita integrina e ganho da afinidade por um outro receptor de membrana chamado neuropilina-1 (NRP-1). Quando uma molécula se liga à NRP-1, vai para dentro da célula. Nesse caso, a NRP-1 é como uma porta – para entrar é preciso se ligar a ela, ou melhor, girar a maçaneta. Dessa forma, o RGD pode ser usado para direcionar o fármaco para o local do tumor, mas o iRGD tem a vantagem de direcioná-lo E internalizá-lo.
Fármacos quimicamente ligados a peptídeos iRGD podem ser internalizados no tecido do tumor através desse um mecanismo ativo de endocitose, garantindo uma maior eficácia do tratamento (que ainda está em fase de estudo, não há tal tratamento disponível para a população ainda). Mas o mais interessante na minha humilde opinião é que o fármaco pode ser internalizado sem estar quimicamente ligado ao iRDG. Basta que ambos sejam administrados ao mesmo tempo. Isso é vantajoso porque às vezes modificações químicas na estrutura do fármaco podem comprometer sua atividade biológica. A co-administração do iRGD com nanopartículas contendo o fármaco também teve o mesmo efeito de aumento da eficácia biológica. O nanoencapsulamento se justifica no caso de fármacos com baixa afinidade pela água, pois pode reduzir efeitos adversos do tratamento por evitar o uso de co-solventes. Embora a ideia pareça realmente bastante promissora, ainda há muitas perguntas a serem respondidas quanto ao uso de seqüências iRGD para esse fim. Afinal, testes clínicos ainda não foram feitos, e o que vale para animais de laboratório pode não se repetir tão bem em humanos. É preciso verificar, a partir de estudos clínicos, se efeitos tóxicos não poderiam ser exacerbados pela ligação do iRGD a locais não-tumorais contendo integrinas. E isso não vale só para estudos envolvendo iRGD, mas para todos aqueles que utilizam a estratégia ligante-receptor (também conhecida como vetorização ativa).
Moral da história: renomear uma ideia que não é completamente nova com um nome chamativo e descolado dá o maior ibope.
OBS.: O tema foi dica do Takata
Feron, O. (2010). Tumor-Penetrating Peptides: A Shift from Magic Bullets to Magic Guns Science Translational Medicine, 2 (34), 34-34 DOI: 10.1126/scitranslmed.3001174
Sugahara, K., Teesalu, T., Karmali, P., Kotamraju, V., Agemy, L., Girard, O., Hanahan, D., Mattrey, R., & Ruoslahti, E. (2009). Tissue-Penetrating Delivery of Compounds and Nanoparticles into Tumors Cancer Cell, 16 (6), 510-520 DOI: 10.1016/j.ccr.2009.10.013
Sugahara, K., Teesalu, T., Karmali, P., Kotamraju, V., Agemy, L., Greenwald, D., & Ruoslahti, E. (2010). Coadministration of a Tumor-Penetrating Peptide Enhances the Efficacy of Cancer Drugs Science, 328 (5981), 1031-1035 DOI: 10.1126/science.1183057







