Picnogônida – A criptozoologia que existe

Uma aranha marinha de até 90 centímetros, juro que existe! (Foto: Steve Childs; CC BY 2.0)

Um tipo de aranha marinha de até 90 centímetros, juro que existe! (Foto: Steve Childs; CC BY 2.0)

Já fui mergulhar em vários lugares nos quais ficava aliviado de ir para a água para me livrar de animais terrestres indesejáveis, especialmente mosquitos. Isso não valeria para “aranhas”, já que existem “aranhas” marinhas bem assustadores. É o caso dos picnogônidas, ou pantópodas. A maioria das 1300 espécies desse animal é bastante pequena, mas existem espécies antárticas que podem alcançar 90 cm. Isso mesmo! Uma “aranha” de 90 cm.

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Vestimentífera – A criptozoologia que existe

Esses bizarros vermes marinhos recebem o nome popular de batom do mar, pelo menos numa tradução do Inglês. São vermes tubulares vermelhos que entram e saem de um tubo protetor branco mais ou menos como a ponta de um batom aparece e some quando rodamos a base. Ao contrário de outros animais obscuros dessa série, os vestimentíferos não são minúsculos, eles podem passar dos 70 cm.

Outra esquisitice do grupo está em habitar regiões muito profundas, até cerca de 10 mil metros de profundidade. Ali a luz solar nunca chega devido à filtragem feita pela água, portanto, não temos plantas para produzir energia e servir de alimento aos vestimentíferos. Isso também não é um grande problema, já que nossos personagens de hoje nem boca ou tubo digestório têm. Como eles se nutrem então? Sua energia é derivada de bactérias quimiotróficas que processam sulfeto ou metano derivado de atividade vulcânica, por isso os vestimentíferos sempre ficam próximos a chaminés submarinas chamadas de fontes hidrotermais.

Na época da minha graduação, esses animais me foram apresentados como um filo aparte chamado pogonófora. Hoje, graças a dados moleculares e ao trabalho inestimável dos taxonomistas, os classificamos entre os poliquetos, um grupo de vermes marinhos aparentados às minhocas e sangue-sugas. É bem verdade que os poliquetos ainda precisam de um extenso estudo para confirmarmos se eles têm uma história evolutiva em comum, tendo todos um único ancestral (é bem provável que não). Apesar disso, hoje acredita-se que classificar os vestimentífera como anelídios poliquetos é mais próximo à verdade evolutiva do que agrupá-los num filo aparte.

Placozoa – A criptozoologia que existe

Placozoa, o animal mais solitário do mundo (Foto: Hunadam; CC BY-SA 3.0)

Placozoa, o animal mais solitário do mundo (Foto: Hunadam; CC BY-SA 3.0)

Os placozoa são provavelmente os mais solitários animais do universo. Eles são um filo inteiro que só contém uma única espécie: Trichoplax adhaerens. Foram descobertos em 1883 em um aquário marinho na Áustria e desde então foram raramente coletados. Apenas na década de 1970 foram aceitos como um novo filo de animais, mas sua relação de parentesco é obscura. Nenhum dos outros grupos de animais se parece com os placozoa, que podem ter se simplificado de um animal mais complexo ou nunca terem desenvolvido tais novidades evolutivas. Em termos biológicos, isso significa que nenhum dos outros animais assume ser parente próximo dos placozoa, aumentando sua solidão.

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Priapúlida – A criptozoologia que existe

Esta bizarra criatura habita o fundo dos mares, passa sua vida chafurdando na lama ou entre os grãos de areia. Acreditava-se que eles só viviam nos mares frios e profundos, mas, para desespero de todos, mais e mais pessoas têm relatado encontros com priapúlidos em águas rasas por todo o mundo.

Priapúlida, o bicho-piroca dos mares profundos (imagem: Shunkina Ksenia)

Seu estranho nome tem uma origem ainda mais assustadora. Priapus era o deus grego do pênis, uma referência direta a sua anatomia peculiar. De fato, vários humanos que já encontraram priapúlidos relatam que sua visão causou gritos e reações que oscilaram da euforia ao pavor em decorrência do corpo alongado, roliço e dotado de uma probóscide entumescente com uma abertura única (a boca) que explica a analogia entre os animais deste falo, digo, Filo e um órgão masculino. Para completar, diversas espécies (como a da foto) ainda têm filamentos semelhantes a pelinhos na extremidade posterior. Outra bizarrice é que esses animais vagam entre nós quase despercebidos desde o Cambriano médio, muito antes dos dinossauros, e permanecem até hoje quase idênticos ao que foram 400 milhões de anos atrás.

Os priapúlidos possuem uma simatria corporal bilateral como a nossa, o que demonstra um parentesco muito antigo com os humanos. O ancestral comum entre nós e eles provavelmente era um verme de corpo achatado semelhante a um platelminto. Apesar do baixo metabolismo, os priapúlidos são grandes o suficiente para precisar de um sistema circulatório e até de um pigmento de transporte de oxigênio, a hemeritrina. Os órgãos estão arranjados numa cavidade corporal que se assemelha à nossa cavidade abdominal, mas tem uma origem embrionária muito diferente, sendo um resquício da fase embrionária de blástula. Esses animais alimentam-se de matéria orgânica em meio ao sedimento ou predam outros invertebrados lentos. Por sua vez, servem de alimento para peixes. A despeito de todas as comparações entre priapúlidos e pênis, a maioria dos animais desse grupo não ultrapassa os 3 cm, embora alguns poucos afortunados possam chegar a quase 40 cm.

A criptozoologia que existe

Criptozoologia é, supostamente, a “ciência” que estuda animais fantásticos. É ela a responsável pelas “pesquisas” sobre o pé-grande, a mula sem cabeça, o monstro do lago Ness e outras criaturas fantásticas derivadas de mentes criativas, desocupadas e carentes de atenção.
No entanto, existe toda uma série de animais que existem, mas que são muito pouco estudados, quase desconhecidos e ignorados pela maioria da humanidade. Nos próximos meses conheceremos a criptozoologia que existe, animais quase inacreditáveis, mas reais, e saberemos mais sobre o que eles têm a ver com você e comigo. Não percam, aqui, no Ciência à Bessa!

A imaginação gera obras maravilhosas, mas que fique claro que são imaginativas! (Imagem: Walmor Corrêa)

Nomenclatura binomial

Vídeo novo do Ciência à Bessa. Em tempos de guerra ao mosquito quem morreu foi o Lineu!

Celacanto, a volta dos que não foram

A partir de hoje o Ciência à Bessa irá experimentar uma nova mídia que está bombando na Internet. Está no ar o primeiro vídeo da série. Espero que vocês gostem! Começamos com a história de como um peixe que se acreditava extinto desde o mesozóico apareceu em 1932 num museu da África do Sul graças ao trabalho de uma jovem e dedicada naturalista.

Brasil Ameaçado – Tubarão Lagarto

O tubarão lagarto está extinto no Brasil, parte disso se deve ao fluxo de grandes navios. (Imagem: Elasmolab)

O tubarão lagarto é uma espécie considerada extinta no Brasil. Esse tubarão alimenta-se prioritariamente de crustáceos e habita águas de 10 a mais de 300 m. São fortemente dimórficos, sendo que os machos são esguios e as fêmeas mais pesadas; os machos também têm dentes maiores. Medem cerca de 70 cm, sendo uma espécie pequena de tubarão. O declínio dessa espécie foi atribuído a modificações das áreas reprodutivas devido ao tráfego naval. Dessa forma, preferir produtos nacionais a importados pode ser uma forma de estimular a economia do Brasil e ainda ajudar espécies em condições semelhantes à do tubarão lagarto.

Brasil Ameaçado – Sauím de Coleira

Este lindo primata está ameaçado pela fragmentação de nossa maior floresta. (Imagem: Udo Schröter)

O sauím de coleira é um pequeno primata que vive próximo à cidade de Manaus. Como é comum entre os primatas, rios servem de barreira geográfica e isolam populações. O sauím de coleira está isolado ao norte do Amazonas, leste do Negro e sul do Cuieiras. Uma espécie aparentada, Saguinus midas cerca o sauím de coleira e parece estar excluindo nosso personagem de hoje por competição. O sauím de coleira vive em grupos de cerca de dez indivíduos, apenas uma fêmea do grupo se reproduz e dá à luz dois filhotes no início e no fim do ano. Mesmo assim sua população vem declinando nos últimos anos, o que deixou essa espécie criticamente ameaçada de extinção. Isso se deve principalmente à fragmentação do habitat na periferia de Manaus. O controle de natalidade é uma saída para o crescimento populacional humano que ameaça essa espécie, assim como para a maioria das que apresentei nessa série.

Brasil Ameaçado – Proceratophrys sanctaritae

Esse sapo folha é vítima do uso irracional da água, mas também do chocolate. (Imagem: Rafael Abreu)

Esse sapo folha é vítima do uso irracional da água, mas também do chocolate. (Imagem: Rafael Abreu)

Essa espécie de sapo-folha habita a Serra do Timbó, Bahia. São sapos diurnos que vocalizam em coro nos dias chuvosos para atrair parceiras. Acasalam em poças rasas onde seus girinos irão se desenvolver. Vivem quase o tempo todo no chão do interior de matas densas. Habita a floresta tropical semi-decidua em altitudes de 800 a 900 m acima do nível do mar. A principal ameaça à espécie é o desenvolvimento de culturas como a banana e o cacau, que ocupam as matas onde esses animais vivem. Secundariamente, as nascentes da Serra do Timbó estão secando devido à exploração exagerada nas cidades que cercam a unidade de conservação. Dessa forma, usar água com mais consciência é uma medida simples e que pode ajudar espécies como esse sapo-folha.

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