O que o comportamento animal tem a dizer sobre delações?

Conta tudo, mas tudo mesmo, Marcelo! (Foto: Worldsteel; CC BY-SA)

Conta tudo, mas tudo mesmo, Marcelo! (Foto: Worldsteel; CC BY-SA)

Será que o comportamento animal pode nos dizer algo sobre a operação Lava Jato? Outro dia conversava com o colega Ricardo Machado sobre como a Biologia pode nos ajudar a compreender diversos fenômenos. Um exemplo é a delação premiada dos executivos da Odebrecht, que me lembrou um assunto comum no estudo da socialidade, o dilema do prisioneiro.

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A política é mais antiga que o homem

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Etologia de Alcova – Idolatria à castidade

Não largo, não largo, não largo! Alguns machos garantem a castidade de suas parceiras se agarrando bem a elas (Imagem: Rickard Ignell)

Engana-se quem pensa que a idolatria à castidade feminina é uma construção cultural humana, ou pelo menos apenas uma construção cultural nossa. Existem sim algumas influências biológicas nisso. Uma forma do macho de qualquer espécie garantir seu sucesso evolutivo é convencer uma fêmea a dar a ele alguns preciosos óvulos, já discutimos isso ao longo dessa série. Se, no entanto, aquele macho não tiver certeza se serão os seus espermatozoides a fecundarem os óvulos da fêmea, se eles competirem com o esperma de outros machos, então isso diminuirá o sucesso adaptativo daquele macho. Por isso, machos que consigam garantir a castidade de suas fêmeas tendem a deixar mais descendentes, uma medida de sucesso evolutivo.

Um exemplo de comportamento que ajuda a garantir a castidade da fêmea é a sua guarda. Machos de animais como a aranha papa-mosca ou o siri azul buscam fêmeas antes delas chegarem à idade adulta e ficam na cola delas até elas começarem a produzir óvulos. Assim que elas se tornam sexualmente maduras os machos copulam com essas fêmeas virgens. Ao serem os primeiros a copular, esses machos encherão a espermateca das fêmeas, uma espécie de reservatório de sêmen, e seus gametas poderão ser usados por muito tempo para fecundar os óvulos daquela parceira.

Em outras espécies, é mais importante para o macho evitar que sua parceira volte a acasalar. Nesses casos o tipo de guarda mais comum é a pós-cópula. Animais que vão de grilos a cervos não saem de perto de suas parceiras depois da cópula. Permanecem ali por um tempo equivalente àquele necessário para seu esperma fecundar os óvulos, evitando que qualquer concorrente se aproxime e reduza suas chances de ser pai. O problema dessa técnica é que ela toma tempo do macho, um tempo que poderia ser investido em localizar, cortejar e copular com outra parceira (em espécies nas quais o macho irá colaborar muito pouco no cuidado aos filhotes as fêmeas tendem a cobrar menos a fidelidade de seus parceiros).

Foi para evitar essa perda de tempo e de novas oportunidades reprodutivas que muitas espécies inventaram o cinto de castidade. É isso mesmo, a evolução favoreceu bizarrices que conhecemos como plugues sexuais. Parte do sêmen do macho se solidifica e obstrui a abertura genital da fêmea, impedindo-a de acasalar com outro macho. A tática é amplamente explorada, ocorrendo em moscas da fruta, primatas, borboletas, serpentes e aranhas, entre muitos outros. Um resultado interessante dessa guarda indireta de parceiras é que o macho não precisa ser grande e forte para defender a parceira se usar um plugue, então espécies que usam plugues não apresentam tanta diferença de tamanho entre machos e fêmeas.

A castidade feminina permeia nossa cultura fortemente, mas não são só os machos humanos que se preocupam com a castidade de suas parceiras.

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