Vencedor do Quiz

Uma das aulas mais marcantes de todo semestre na minha disciplina de Zoologia dos Vertebrados é a de Diversidade e Ecologia de Lepidossauria. Esse grupo de ‘répteis’ (assim entre aspas porque não é um agrupamento natural) inclui as serpentes, lagartos e anfisbenas, familiares a todos os alunos. O grupo inclui ainda os tuatara, Rhynchocephalia ou Sphenodontidae.

Display demonstrando as diferenças entre o crânio de um tuatara e o de um lagarto

Display demonstrando as diferenças entre o crânio de um tuatara e o de um lagarto

O Tuatara é um réptil exclusivo da Nova Zelândia. Apesar da aparência, não é considerado um lagarto. São características desses aniamais a presença de dentes fundidos à maxila (eles não podem extrair um dente, seria arrancar um pedaço do osso, ao contrário dos nossos dentes que só se inserem no maxilar), um terceiro olho funcional capaz de divisar claro e escuro através da pele do alto da cabeça usando uma estrutura conhecida como glândula pineal. Por outro lado, os lagartos, serpentes e anfisbenas compartilham o sumiço de um osso chamado quadradojugal, que continua presente nos tuatara.

Durante o Mesozóico os tuatara formavam um grupo diversificado de répteis, tendo se extinguido em todo o mundo, exceto algumas ilhas costeiras da Nova Zelândia. São animais de cerca de 35 cm que se alimentam de insetos e pequenos vertebrados e têm temperatura corporal em atividade de até 6° C, bem mais baixa do que nos lagartos.

Eu e o Tuatara no zoológico de Auckland

Eu e o Tuatara no zoológico de Auckland

Tive a chance de conhecer essa no Zoológico de Auckland recentemente. Ela é uma fêmea usada para educação ambiental ali. Agradeço tremendamente a atenção da Elena Dray-Hogg que me oportunizou essa experiência única de interagir com um animal tão enigmático e ímpar na história evolutiva dos vertebrados.

Sem mais delongas, o ganhador do brinde foi o Roberto Takata no tempo récorde de 28 minutos e não dando chance nenhuma para os outros candidatos. Entrarei em contato contigo pelo e-mail para descobrir para onde enviar seu presente, outro ícone dessa ilha de bizarrices, a Nova Zelândia.

Takata, você ganha de brinde um chaveiro de kiwi

Takata, você ganha de brinde um chaveiro de kiwi

Quiz: Que animal é esse?

Está lançado o desafio. Quem sabe que animal é esse?

Que animal é esse?

Que animal é esse? Responda nos comentários e concorra a um brinde.

Respondam nos comentários, que só publicarei no dia da entrega do resultado, 2 de agosto. O primeiro leitor que acertar ganha de presente um brinde. Não deixem de preencher o e-mail no comentário para eu voltar a entrar em contato para enviar o prêmio. Dia 2 solto um post sobre esse animal e o vencedor do quis.

Um 3x4 ajuda?

Um 3×4 ajuda?

Bicho Bizarro: Peixes anuais

Rivulus scalaris. Foto de Wilson Costa em Costa, W.E. 2005. Seven new species of the killifish genus Rivulus (Cyprinodontiformes: Rivulidae) from the Paraná, Paraguay and upperAraguaia river basins, central Brazil. Neotr. Ichthyol. 3(1)

É início da estação chuvosa no sertão e grandes poças começam a se formar onde antes havia um solo rachado pela secura e pelo calor. O homem simples do semiárido nordestino se agacha para encher de água uma moringa e dentro da poça recém-formada percebe um monte de peixinhos coloridos, a conclusão é óbvia: caíram das nuvens com a chuva. Na realidade os ovos dos peixes anuais, ou killifishes como dizem os aquaristas, ficam em meio ao solo e resistem ao período seco. Com a chegada da chuva os peixinhos nascem, crescem rapidamente, os machos disputam ferozmente por parceiras, daí sua coloração vistosa, acasalam e depositam um novo lote de ovos antes que a poça volte a secar.  Os peixes anuais são animais belíssimos, têm um colorido tão chamativo que passam muitas vezes por espécies marinhas. Por isso aquaristas do mundo inteiro cobiçam esses peixes que, muitas vezes, são objeto de tráfico de animais ou biopirataria. A pressão é tamanha que Wilson Costa, maior especialista do grupo no Brasil, ocasionalmente evita dar detalhes da distribuição desses animais nos artigos que descrevem espécie novas para não atrair traficantes.

Bicho Bizarro: Aardvark

Mas é tão lindo, não precisa mudar

O que é o que é, que tem focinho de porco, orelha de coelho...

Mais um da série ‘cruzamentos estranhos’. O aardvark parece uma combinação de pedaços díspares de outros animais. As orelhas lembram a de um coelho, o focinho o de um porco, a cauda a de um tamanduá e no final o aardvark não tem parentesco com nenhum deles. Ele é o único representante de toda uma ordem de mamíferos, os Tubulidentata. Apesar de suas adaptações morfológicas para a vida se enterrando e comendo formigas e cupins, esse mamífero africano de cerca de 50 kg é geneticamente pouco modificado comparado aos primeiros mamíferos com placenta. Os aardvarks frequentemente habitam áreas agriculturáveis e acabam sendo afetados pelo uso excessivo de agrotóxicos, seja por envenenamento direto, seja pela perda dos insetos de que se alimentam.

ARKive video - Aardvark digging burrow and foraging

Bicho Bizarro: Cobra de vidro

ARKive video - Slow worm giving birth to live young

Fêmea de cobra de vidro dando à luz um filhote.

Fonte: arkive.org

Nem cobra, nem de vidro. O bicho bizarro de hoje é um lagarto que vive sob o folhiço nas matas e, por isso, perdeu as patas ficando com a aparência de uma serpente. Ele possui pálpebras e lingua não bifurcada, ao contrário das serpentes (veja no vídeo). Já o vidro deve-se a outra peculiaridade, a autotomia caudal, hábito de perder a cauda quando perturbada. Devido a isso reza a lenda que uma cobra de vidro partida em cem pedacinhos, mas remontada, cicatriza a ponto de ninguém dizer que foi cortada. O pavor infundado humano das serpentes tem resultado na morte de muitos desses lagartos que são eficientes predadores de pragas de hortas e jardins.

Bicho Bizarro: Sapo de Darwin

O pequenino sapo de Darwin numa "floresta" de musgos. Fonte: www.savedarwinsfrogs.org

 Aquela versão de que os anfíbios se reproduzem fazendo um amplexo (abraço) e colocando ovinhos numa lagoa que não serão cuidados, para mim, é a versão zoológica da lenda da cegonha. De verdade a vida sexual dos sapos é muito mais divertida do que nos contam na escola. Um exemplo disso é o bicho bizarro da semana. Sabe aquela bolsa que o sapo enche de ar na hora de cantar, os sacos vocais? Pois os sapos de Darwin, depois de seduzir uma parceira, a usam para proteger os filhotes. Os ovos que a fêmea coloca e o macho fecunda se desenvolvem nas folhas no chão da mata, mas girinos não vivem no seco. Exatamente por isso os machos não saem de perto desses ovos que, assim que eclodem, são “engolidos” por ele (lembrando que eles não vão para o estômago) e se desenvolvem nos sacos vocais. Ao se metamorfosearam o pai abre a boca e lá de dentro saem saltitando sapinhos de Darwin miniaturas. O sapo de Darwin, que tem esse nome por ter sido descoberto pelo naturalista na Argentina em sua viagem no Beagle, está vulnerável à extinção graças ao desmatamento e às mudanças climáticas.

ARKive video - Darwin's frog carrying tadpole in mouthGirino entrendo na boca do pai. A saída é bem mais dramática.

Fonte: www.arkive.org

Bicho Bizarro: Linguado

 

Cadê o linguado?

Linguados ganham de longe dos camaleões em troca de cor graças à migração de cromatóforos

Os linguados são um grupo grande de peixes marinhos com raros representantes em águas doces. Sua maior bizarrice reside na total assimetria entre os dois lados do bicho. O linguado eclode do ovo um peixe normal e simétrico, só que durante seu crescimento um lado cresce mais e mais rápido do que o outro, tornando-o assimétrico. Esse peixe vive encostado ao fundo com seu lado mais desenvolvido e pálido para baixo, do outro lado ficam os dois olhos do animal. Linguados são predadores bastante vorazes que se camuflam muito bem no fundo do mar, pegando as presas de surpresa com uma bocarra que se expande absurdamente (hiostilia, primeira questão da prova de hoje para os meus alunos!). Devido à sobrexploração pesqueira estes predadores tiveram sua população reduzida a possivelmente 10% do original, levando a organização Seafood Watch a recomendar os consumidores a evitá-los.

Migração do olho do linguado, vídeo em stop-motion excelente do Jobediah, um anatomista americano

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