O que o comportamento animal tem a dizer sobre delações?

Conta tudo, mas tudo mesmo, Marcelo! (Foto: Worldsteel; CC BY-SA)

Conta tudo, mas tudo mesmo, Marcelo! (Foto: Worldsteel; CC BY-SA)

Será que o comportamento animal pode nos dizer algo sobre a operação Lava Jato? Outro dia conversava com o colega Ricardo Machado sobre como a Biologia pode nos ajudar a compreender diversos fenômenos. Um exemplo é a delação premiada dos executivos da Odebrecht, que me lembrou um assunto comum no estudo da socialidade, o dilema do prisioneiro.

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A fêmea no poder V

Ao chegarmos ao final da primeira semana de fêmea no poder do Brasil não poderia deixar de falar da sociedade matriarcal do bonobo, Pan paniscus. Na árvore da vida o ramo que dá origem a Homo sapiens se separou mais recentemente de um ramo que originou duas espécies: os chimpanzés (Pan troglodytes) e os bonobos. Ambos não poderiam ser mais diferentes entre si em termos da lida com o poder. No entanto, são igualmente aparentados a nós. Aparentemente o surgimento do Rio Congo na África há 1,5 milhão de anos separou duas populações do ancestral Pan, originando ao norte do rio os chimpanzés e ao sul os bonobos. Surpreendente é saber que estes nossos primos tão próximos estão altamente ameaçados de extinção pela caça e desmatamento.

 

Nossos parentes mais próximos

Fonte: utdallas.edu

A maior sumidade mundial em comportamento de bonobos é o primatologista Frans de Waal. Ele afirmou em seu livro “Eu, primata”, embora não sem uma enxurrada de críticas, que bonobos são altruístas, pacientes, gentis, sensíveis, têm empatia e compaixão. As críticas vêm da dificuldade de imprimir sentimentos humanos a espécies não-humanas, entre outras. Fato é que bonobos nunca foram vistos agredindo seus iguais até a morte, comportamento comum entre os chimpanzés segundo as décadas de observação cuidadosa de Jane Goodall nesta espécie. A falta de trabalhos sobre bonobos em seu habitat natural pode fazer com que agressões letais ainda sejam descritas, mas sua natureza mais pacífica é evidente.

Analisando-se a árvore de nossos parentes viventes mais próximos temos uma gama de opções as quais só me resta desejar que a presidenta Dilma convirja com o primo bonobo. Orangotangos são profundamente solitários, já dizia Drummond, e machos adultos são frequentemente reconhecidos pelo conjunto de cicatrizes faciais que têm em decorrência de seus inúmeros combates. Gorilas formam haréns e intimidam rivais com o tradicional tamborilar dos punhos no peito, à fêmea não resta muita expressão senão cuidar da prole e satisfazer o macho durante o cio. Chimpanzés matam indivíduos solitários que invadam seu território e até filhotes de fêmeas inferiores na hierarquia podem ser mortos. Já o bonobo resolve seus conflitos com sexo! Um indivíduo passa um longo tempo longe? Na volta todos o recebem com sexo. Dois irmãos brigam? As pazes se fazem com sexo. Um intruso aparece? Seu reconhecimento pelo bando é feito através de sexo. Uma orgia, mas uma orgia pacífica bem ao estilo flower power dos anos 60.

 

Me lembrou a célebre fotografia de Alfred Eisenstaedt ao fim da 2a guerra

Fonte: http://www.dlwaldron.com/bonobos.html

Antropomorfismo e romantismo que seja. A série toda foi cheia de romantismos. Mas é esse altruísmo, gentileza, paciência, sensibilidade, compaixão e afeto que eu espero da líder que o Brasil elegeu e deu poder.

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