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Quando criança, eu sonhava estudar dinossauros. Hoje em dia tenho outros sonhos mas ainda tenho brontossauros no meu jardim. Por Carlos Hotta.
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Esta obra é de autoria de Carlos Hotta e está sob os termos da licença Creative Commons by-nc-sa.

março 11, 2010

O ataque dos artrópodes assassinos

Category: vida maravilhosa

A scibling GrrlScientist colocou em seu blog um vídeo impressionante de um louva-deus atacando um beija-flor perto de uma destas garrafinhas de água com açúcar.

Como é possível ver no vídeo, o pequeno louva-deus consegue segurar um beija-flor que conseguiu escapar no final. O vídeo tem feito muito sucesso, chegou a ser mencionado no überblog Boing Boing.

Apesar da bizarrice da situação, aparentemente ataques de louva-deuses a beija-flores não é um evento tão raro assim. Só no Google há mais de 6o mil menções a histórias semelhantes. Em algumas delas, o louva-deus é bem sucedido.

Na continuação do texto, há fotos chocantes de um louva-deus comendo um beija-flor além de outros relatos de artrópodes atacando vertebrados.

março 8, 2010

Spam pela Vacinação!

Category: Gripe Suína

Tenho recebido emails de correntes e comentários por aí falando das razões para não se vacinar. Coisas que mencionam o "genocídio programado" e as conspirações da Big Pharma.

Eu sou a favor da vacinação contra o H1N1 e, agora que refleti sobre isso, sou a favor da vacinação anual contra a gripe.

Se você concorda comigo e quer informar seus colegas e parentes sobre a vacinação, principalmente os que demonstram ser contra, por favor mande este texto por email:


Esse é um texto informativo sobre as razões de se tomar a vacina. Por favor mande para todos os seus conhecidos.

Por que tomar a vacina?

Antes de decidir não tomar a vacina contra a gripe H1N1, considere o seguinte:

1. como se trata de uma variedade nova, é muito fácil pegar o H1N1 se vc entrar em contato com alguém doente;

2. um número alto de pessoas menores de 65 anos são hospitalizadas devido à piora dos sintomas;

3. você pode até sobreviver à H1N1 mas vc poderá contaminará outras pessoas que não terão esta sorte.

Ao imunizar-se com a vacina H1N1, você não só evita ficar gripado mas também ajuda a proteger as pessoas que você conhece. Ao não tomar a vacina, você arrisca contaminar alguém sensível ao H1N1! 

Quem é sensível ao H1N1? Grávidas, crianças e pessoas com doenças crônicas. Conhece alguém que se encaixe nestas categorias? Conhece alguém que conhece alguém que se encaixe nestas categorias? As chances de uma família inteira pegar o H1N1 se UMA pessoa pegar a doença são altíssimas!

VACINE-SE: ao SE proteger, você protege quem você AMA.

Grávidas infectadas com o H1N1 têm DEZ vezes mais chances de ser hospitalizadas que uma pessoa normal.

Se você pensa que não deve ser vacinado porque a H1N1 "não mata mais o que a gripe normal", pense de outra forma: talvez devêssemos nos vacinar contra a gripe normal também. Certamente o número de vítimas seria menor.

EFEITOS COLATERAIS

É possível que você sofra efeitos colaterais leves após receber a vacina, como dores musculares, febre ou reações alérgicas. Também é possível que você acabe respirando com a ajuda de aparelhos ou até morrer após se infectar com o H1N1. 

O risco de efeitos colaterais não é ZERO. É possível que ocorram efeitos na ordem de um em um milhão. Atualmente acredita-se que estas vacinas são tão seguras quanto as vacinas de gripe que usamos ano a ano. Lembrem-se NÃO estamos mais em 1976, os adjuvantes usados nas vacinas NÃO são tóxicos nas quantidades utilizadas. Além disso, estas vacinas já foram usadas no Hemisfério Norte sem fortes evidências de toxicidade.

PESE os riscos antes e tomar uma decisão.

LEMBRE-SE ainda que vacinado, ainda há um risco de se infectar com o H1N1!

março 3, 2010

A origem da Cobra

Category: Conto

O conto abaixo foi inspirado pela descoberta de um fóssil de uma cobra atacando um ninho de saurópodes.

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Todo mundo sabe como a Cobra convenceu dois hominídeos a comer o fruto da ciência que lhes deu um telencéfalo desenvolvido, polegares opositores e chakras. No entanto, pouco se fala sobre como a Cobra chegou lá. A razão deste desconhecimento recai sobre a relutância dos religiosos de aceitar o fato incoveniente de que o Cientista fez mais de um Jardim. Todo experimento precisa de réplicas, Ele explicaria com um sorriso lógico.

A verdade é que o Cientista populou cada Jardim com seres diferentes: havia o Jardim Ediacara, o Jardim Burgess Shale, o Jardim Cambriano, etc. E havia seu Jardim predileto, onde ele colocou criaturas feitas à sua imagem e semelhança: os dinossauros. O parque dos dinossauros era espetacular: velociraptors mostravam suas plumas, estegossauros balançavam suas placas e tiranossauros lutavam com macacos gigantes. Sim, no Jardim predileto havia mais do que dinossauros: pterossauros cruzavam o ar, dimetrodons aqueciam suas velas e piratas dançavam com ninjas. Havia também a Cobra.

A Cobra se ressentia do Cientista. Não pela ausência de pernas, isso ela até curtia. O problema foi Ele ter criado a hérnia de disco. O ressentimento da Cobra era tanto que ele se materializava na forma de veneno, que ela usava para capturar as suas presas. A Cobra se alimentava de pequenos animais como sapos, Smurfs e camundongos mas ela queria mais. A Cobra queria vingança.

cobra_brontossauros.jpg

Um dia, quando o Cientista se virou para lidar com um problema no Jardim dos unicórnios, a Cobra decidiu atacar o ninho dos seres mais iluminados do Jardim: saurópodes. E foi na hora do ataque que o Cientista voltou: sua fúria foi tão grande com tal sacrilégio que o momento ficou marcado em pedra. Como punição, o Cientista baniu a Cobra para o Jarim do Éden e a escultura infame foi escondida em um canto empoeirado do descarte do Cientista.

A sede de vingança da Cobra ainda não havia sido saciada e ela abriu um sorriso quando ficou sabendo da árvore da sabedoria...

cobra_brontossauros4.jpg

fevereiro 9, 2010

As mentiras que as estatísticas contam

Category: mau humor

O ex-presidente FHC escreveu um artigo comparando os dados de seu governo com os do seu sucessor. Em um dado momento, ele compara os aumentos acumulados do salário mínimo em sua gestão e na do Lula:

A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%.

O argumento do FHC era de que seu governo investiu no social de forma equivalente ao do Lula. O aumento real acumulado do salário mínimo, por exemplo, foi apenas 2,1% menor (uma diferença de menos de 5%).

O detalhe é que FHC somou 8 anos de aumento de salário mínimo para chegar ao seu valor (1995 a 2002) e apenas 7 anos para o Lula (2003 a 2009)! Se considerarmos o aumento real por ano, FHC tem 5,93% por ano e Lula tem 7,07%, uma diferença de quase 20%! A manipulação dos números, neste caso grosseira, é uma amostra de como políticos - de forma geral - conseguem distorcer estatísticas reais para se encaixar em seu ponto de vista.

Ainda veremos um texto do Lula dizendo que FHC precisaria de 6 anos para dar o aumento que ele deu em 5.

janeiro 30, 2010

Debate no Campus Party e Sorteio!

rhinovirus.jpg

Daqui a pouco vai começar o painel dos blogs de Ciência na Campus Party. Vou sortear um rinovírus de pelúcia para a plateia! Para concorrer, twitte uma mensagem sobre o sorteio que manarei do meu Twitter.

DIA 5 (Sábado - 30/01/2010)

PAINEL 1 - 10:30 ~ 12:00
Blogs de ciência


-
A consolidação do uso da blogosfera na divulgação científica e o
fomento de debates sobre questões como sustentabilidade, aquecimento
global e doenças epidêmicas.

MODERADOR:
Carlos Hotta

PAINELISTAS:
Isis Nóbile Diniz
Atila Iamarino
Reinaldo Lopes
Tatiana Nahas

Se vc ainda não conhece meu blog, recomendo que vc visite esta seleção de posts.

janeiro 28, 2010

Espermatozóides: um por todos e todos por um!

Category: vida maravilhosa

ResearchBlogging.orgA cena é clássica: espermatozóides competindo entre si para apenas um ter o privilégio de fecundar o óvulo. No entanto, o clichê cada-um-por-si encontrado nos documentários de educação sexual nem sempre é verdadeiro: em algumas espécies de animais os espermatozóides formam agregados para nadar em galera! Estes flashmobs haplóides têm a vantagem de tender a ser mais rápidos do que espermatozóides individuais, o que lhes ajuda a atravessar o inóspito ambiente do aparelho reprodutor fenimino. Uma pergunta que sempre intrigou os cientistas foi: será que estas vantagem seriam suficientes para impulsionar a seleção de tal comportamento?

espermatozoides01.jpg

Um estudo publicado na Nature desta semana, mostra que a chave para o aparecimento de um comportamento cooperativo entre os espermatozóides pode estar na competição entre espermas. A competição entre espermas acontece em espécies cujas fêmeas são promíscuas, como no caso das fêmeas dos camundongos Peromyscus maniculatus que podem ter múltiplos parceiros e poucos minutos. Nestes casos, os espermatozóides não só competem com seus meio-irmãos para chegar ao óvulo mas também com espermatozóides de outros camundongos. Quando isso acontece, um fenômeno inusitado é observado: os espermatozóides formam agrupamentos somente com espermatozóides gerados por um mesmo indivíduo.

Como os pesquisadores descobriram isso? Simples! Eles pegaram um tanto de espermatozóides e os marcam com uma substância fluorescente verde depois eles pegam outro tanto de espermatozóides e os marcam com uma substância fluorescente vermelha. Assim, ao misturar ambas populações de espermatozóides, eles podem contar quantos agrupamentos de uma só cor e quantos de múltiplas cores são formados.

espermatozoides02.jpg

A primeira coisa que eles mediram é o que acontece quando você mistura dois grupos de espermatozóides vindos do mesmo indivíduo mas marcados com cores diferentes (barras brancas na figura abaixo). Este experimento serve como controle: este é o resultado esperado se a formação de agrupamentos for aleatória. Ao misturar espermas de duas espécies diferentes: os de P. maniculatus (os da direita na figura abixo) com os de uma espécia semelhane - P. polionotus (os da esquerda) - mais de 75% dos agrupamentos era de uma só cor (barra escura indicada por Heteroespecifics, na Figura mais abaixo). O mesmo acontece se misturarmos espermas de P. maniculatus não-aparentados (unrelated P. maniculatus).

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O mais impressionante é que o mecanismo de identificação de espermatozóies semelhantes ainda funciona se misturarmos espermas de P. maniculatus aparentados (related P. maniculatus), cuja porcentagem de agregados de uma só cor é uns 72%, não muito diferente dos exemplos anteriores. Agora vem a parte intrigante: quando espermatozóides de P. polionotus não aparentados eram misturados, uma grande porcentagem de agrupamentos multi-coloridos eram encontrados (unrelated P. polionotus). Qual a diferença entre P. maniculatos e P. polionotus? Uma interessantíssima: os P. polionotos são monogânicos, a ponto dos pesquisadores não encontrarem evidência de múltipla paternidade após procurar em 220 indivíduos. Como em espécies realmente monogânicas não há competição entre espermas, não há pressão seletiva que favoreça espermatozóides discriminativos.

A mensagem a ser levada para casa é: cooperação é um comportamento que pode surgir diante da competição. Do ponto de vista evolutivo, um espermatozóide que não entrou no óvulo tem em média 50% de seu material genético semelhante ao espermatozóide-irmão que entrou, mais do que se nenhum espermatozóide entrar ou um espermatozóide de outro indivíduo entrar no óvulo. Duas perguntas que não querem calar: 1) quando a wave chega no óvulo, como os espermatozóides decidem quem vai entar? 2) será que os pesquisadores explicam com o que trabalham para estranhos?

Fonte: Fisher, H., & Hoekstra, H. (2010). Competition drives cooperation among closely related sperm of deer mice Nature DOI: 10.1038/nature08736

Imagens: Nature e Wikipedia (camundongo 1 e 2)

janeiro 26, 2010

Clima: transparência é preciso, cientistas não são precisos

Category: aquecimento global

O aquecimento global causado pela ação humana é um consenso entre cientistas. As evidências que indicam isso não são poucas, vêm de inúmeros centros de pesquisa e utilizam-se múltiplas metodologias. Mesmo assim, como visto nos casos dos e-mail roubados, cientistas são seres humanos e são tão capazes e cometer erros quanto o cidadão comum. Agora precisamos avisar o cidadão comum disso.

Uma das maiores dificuldades ao se divulgar Ciência é mostrar aos civis que um consenso científico não é igual a certeza científica. A tendência dos cientistas é dar a impressão de que sabemos tudo sobre aquecimento global. Isso acontece porque os céticos do clima usam as incertezas atuais para dar a ideia de que não se sabe bulhufas sobre o assunto. Da mesma forma, os céticos utilizam dados contraditórios para dizer que o "castelo de cartas" do aquecimento desmoronou. Obviamente é um tanto vil utilizar a má percepção da Ciência pelo público para sustentar a sua ideia, no entanto esta foi uma brecha criada por nós. A solução? Transparência.

Um bom começo é o IPCC admitir que nunca deveria ter publicado uma informação - que as geleiras do Himalaia iriam desaparecer em algumas décadas - sem ter checado suas fontes. Agora que sabemos que o dado veio de uma entrevista dada por um cientista para o magazine New Scientist e replicada em um relatório da WWF, ou seja, não passou por peer-review. Para o público parece ser um sinal que todas informações do relatório do IPCC tiveram origens em fontes não-confiáveis - o que está longe de ser verdade. Se fôssemos claros com o público que as informações no relatório mostram o que sabemos sobre o aquecimento global e suas consequências e que algumas destas informações podem ser revisadas, creio que a reação aos dados do Himalaia fossem menos exagerada. A propósito, a própria informação de que o Himalaia está perdendo gelo é verdadeira, como pode ser visto na foto abaixo.

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Mostrar que o consenso científico não é completo e infalível pode trazer problemas na hora de enfrentar as certezas dos céticos do clima, no entanto a transparência nos protege de situações como os emails roubados ou erros encontrados no relatório. Custava mostrar que os dados dos anéis de árvores mostrava um decréscimo nas temperaturas da última década ao mesmo tempo que todas as demais reconstruções mostram um aquecimento? Custa divulgar a lista de mais de 300 itens de incertezas que temos sobre o clima? É pano para manga para os céticos do clima? Talvez, mas mostrar que há um consenso sobre o aquecimento global, apesar de todas as imperfeições em nosso conhecimento é mais vantajoso ao longo prazo. Não só para o caso do aquecimento global mas para a Ciência como um todo.

PS: a revista Nature da semana passada deu um grande passo na direção da transparência ao selecionar quatro grandes incertezas que temos atualmente - como a dinâmica das chuvas, a influência dos aerosóis no clima, o clima escalas territoriais pequenas e as reconstruções de temperatura baseados em dados paleoclimáticos.

PS2: a foto veio do Real Climate

janeiro 18, 2010

Fotossíntese: uma introdução I

Category: fotossintese

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Seres vivos precisam de energia para permanecerem vivos. Grande parte desta energia vem primariamente do Sol, após ser transformada em ligação químicas pela via metabólica conhecida por fotossíntese. Há exceções, claro: pode-se argumentar que o transporte de água pelo xilema das plantas usa energia solar sem depender da fotossíntese e existem os fascinantes ecossistemas que dependem da energia liberada por fossas termais e até bactérias capazes de converter a energia liberada por elementos radiotivos para sobreviver. Mesmo assim, estas exceções não me impede de afirmar que a fotossíntese é certamente a via metabólica mais importante para os seres vivos presentes no planeta.

A fotossíntese acontece em plantas, algas e algumas bactérias. No caso das plantas e algas, este processo acontece nos cloroplastos, organelas descendentes de uma inesperada simbiose entre uma bactéria fotosintetizante e seu predador. De qualquer forma, é possível dividir a fotossíntese em alguns passos: a captação da energia solar, conversão desta energia em energia química na forma de ATP e agentes redutores e a utilização desta energia química para se formar moléculas mais complexas, processo que geralmente culmina na fixação de dióxido de carbono. Curiosamente, a liberação de oxigênio, essencial para a nossa sobrevivência, não é obrigatório para todo o processo.

Na figura abaixo podemos ver a distribuição da fotossíntese no planeta. A fotossíntese nos continenetes está representada de forma diferente do que nos corpos de água: em terra, podemos ver a distribuição da vegetação (quanto mais verde, amis vegetação) e, nos corpos de água, uma medida da concentração de clorofila (quanto mais quente a cor, mais clorofila). É digno de nota que a quantidade de fotossíntese que ocorre no mar, feito principalmente por algas unicelulares, é muitas vezes maior do que a quantidade de fotossíntese que ocorre em terra.

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Nos próximos textos, pretendo detalhar mais como as reações da fotossíntese acontecem nas plantas, além de discutir algumas variações da fotossíntese e suas implicações ecológicas.

Fotos: Wikipedia e S John Davey (FLICKR)

janeiro 8, 2010

Resenha: "Além de Darwin"

Category: resenha

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Um dos maiores autores de Ciência atualmente é Carl Zimmer. Não é preciso ler mais do que alguns parágrafos de um texto seu para perceber isso. Aos que defendem que cientistas devem ser os responsáveis pela divulgação científica, uma surpresa: Carl Zimmer não tem formação científica mas sim em letras e jornalismo. Seus textos são obras de arte não só de conteúdo mas também em forma. Zimmer é um artesão da linguagem e isso o diferencia dos demais escritores de Ciência.

Sei que é engraçado começar uma resenha falando de um escritor que não é o autor do livro mas "Além de Darwin" (Editora Globo), do jornalista Reinaldo J. Lopes, também nos lembra que não é só o conteúdo que importa ao se divulgar Ciências. O livro é escrito de forma belíssima, o que somente ressalta o espetáculo do conteúdo científico. Particularmente, Reinaldo é bastante hábil ao misturar referências históricas e literárias em seus textos, algo raro em textos escritos por cientistas.

Um problema que tenho em livros sobre evolução é que todos tentam explicara s teorias vigentes da mesma forma, tornando-os maçantes. "Além de Darwin" começa explicando a história da Vida na Terra em apenas algumas páginas. Depois, o livro se divide em tópicos como Parceiros, Elos, Mentes e Peças, cada um reunindo uma série de textos sobre cada tema. Gosto particularmente dos parágrafos iniciais de cada texto, que conseguem preparar o leitor para o seu conteúdo científico. Ao fim do livro, temos uma das mais habilidosas discussões sobre fé e razão que já li e de como ambas não são tão incompartíveis assim.

Carl Zimmer e Reinaldo J. Lopes são dois exemplos de como escritores por ofício são essenciais para se transmitir ao público geral as belezas escondidas de nosso universo que somente as lentes da CIência nos permite enxergar. Como disse Dra. Ellie Arroway, - em Contato, de Carl Sagan - ao testemunhar um evento cósmico: "So beautiful... They should've sent a poet."

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DISCLAIMER: Reinaldo tem um blog no ScienceBlogs Brasil e tem relações de amizade com o autor desta resenha.

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