O que Toy Story me ensinou sobre a Ciência

Poucos percebem isso mas a trilogia Toy Story é uma grande alegoria sobre a vida do cientista, basta ver como os membros do laboratório do Andy aprontam as maiores bagunças quando ele não está mas ficam calados e obedientes na sua presença.

Vc é um brinquedo!

Vc é um brinquedo!!

Em Toy Story 1, o posdoc Woody tem que aprender a lidar com a chegada do novo posdoc: Buzz Lightyear. Woody está acostumado a ser a estrela do laboratório, o Golden Boy do Andy. Buzz chega com uma auto-confiança incrível, provavelmente por ter trabalhado em terras distantes mas conquista a todos, inclusive o chefe Andy. Ao longo do filme vemos o Buzz percebendo sua realidade e o Woody deixando seu ciúme de lado aprendendo a trabalhar com o Buzz, tudo pelo Andy.

Moral da história 1: melhor do que brigar com o outro posdoc do lab é trabalhar com ele para o sucesso de seu chefe.
Moral da história 2: vc pode se achar o máximo, mas no fundo, no fundo, VC É UM BRINQUEDO!

Em Toy Story 2, Woody está ansioso para ir a um congresso com Andy mas quebra o braço e fica para trás. Enquanto se recupera, ele conhece Jessie, Bala-na-Agulha e o Mineiro que o bajulam por adorar uma séries de artigos que Woody publicou antes de trabalhar com Andy. Aos poucos os três convencem o Woody a ir trabalhar na startup do Al, apesar deles estarem se mudando para o Japão. No fim, Woody muda de ideia e ainda convence a Jessie e o Bala-na-agulha a irem trabalhar com o Andy sem antes sofrer chantagem do Mineiro, que nunca se ressente dos outros por nunca ter publicado um artigo. Al termina falido sem conseguir fechar o contrato dele no Japão.

Moral da história 3: ao abrir a sua startup de biotecnologia, tome cuidado com headhunters de outros labs
Moral da história 4: desconfie de pesquisadores sêniors que nunca publicaram um artigo.
Moral da história 5: se o dono da startup se veste de galinha, é furada!

Lotso coopta Buzz por um tempo

Lotso coopta Buzz por um tempo

Em Toy Story 3, Andy vai se aposentar e Woody, Buzz e os demais brinquedos veem seu futuro ficar incerto. Eles tentam ir para um laboratório maior, Sunnyside, comandado pelo posdoc sênior Lotso. Tudo parece Ok, até Lotso se mostrar um manipulador sacana e bota os novatos treinando os estudantes de graduação. Ficamos sabendo que Lotso era bem tratado pelo seu antigo chefe até ser abandonado repentinamente, deixando-o amargo. No final, Woody consegue encontrar um novo laboratório, com um pesquisador iniciante, para ele e seus colegas.

Moral da história 6: seu laboratório pode ser excelente mas não é o único bom de se trabalhar
Moral da história 7: cuidado com os estudantes de graduação.

Cuidado com os ICs!

Cuidado com os ICs!

Adote um micróbio: Aeromonas hydrophilia

Eu sou A. hydrophilia.

Você já conheceu meus amigos Vibrios.

Somos todas fermentadoras Gram negativas e oxidase positivas e adoramos água.

Eu gosto de água doce e esgotos.

Quando entro em feridas, posso causar celulite.

Às vezes eu provoco diarréia.
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Texto original de Emma Lurie.

Esta é uma série de textos traduzidos sobre os diferentes microorganismos que conhecemos. Conheça os demais!

Adote um micróbio: Vibrio vulnificus

vibrio_vulnificus.jpgAlô! Sou o V. vulnificus.
Sou uma bactéria fermentadora, Gram negativa, oxidase positiva.
Sou o mais virulento dos Vibrio não-coléricos.
Assim como meus primos, vivo no oceano.
Eu posso entrar em você por frutos-do-mar contaminados, quando atravesso seu intestino e chego na sua corrente sanguínea.
Daí eu posso causar sepse e úlceras necróticas dentro de você, com 50% de mortalidade!
Mas não se preocupe, a não se se você for imunocomprometido ou tiver uma doença do fígado.
Se o seu sistema imune for saudável, eu ainda posso entrar por ferimentos marinhos.
Eu causo infecções e necrose da pele.
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Texto original de Emma Lurie.

Esta é uma série de textos traduzidos sobre os diferentes microorganismos que conhecemos. Conheça os demais!

Adote um micróbio: Vibrio parahaemolyticus

vibrio_parahaemolyticus.jpgAlô galera!
Me chame de V. parahaemolyticus, parte do gênero Vibrio.
Sou uma bactéria fermentadora, Gram negativa, oxidase positiva.
Vivo na água salgada e você pode me pegar comendo frutos do mar contaminados.
Eu causo gastroenterite com diarréia aquosa, cólicas e febre.
Na maior parte do tempo minha infecção é auto limtante.
Eu até apareci em quadrinhos!
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Texto original de Emma Lurie.

Esta é uma série de textos traduzidos sobre os diferentes microorganismos que conhecemos. Conheça os demais!

Adote um micróbio: Vibrio alginolyticus

vibrio_alginolyticus.jpgMeu nome é V. algionolyticus.
Assim como meu primo V. c, sou uma bactéria fermentadora, Gram negativa e oxidase positiva.
No entanto não tenho a toxina da cólera.
Alguns de meus primos e eu vivem na água. Especialmente nos oceanos.
Eu entro em você através de pequenos cortes que você faz enquanto nada.
Eu posso causar infecções na pele e tecidos de seus ferimentos marinhos.
Nós amamos surfistas então, se você ama a água, venha e me leve para casa.
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Texto original de Emma Lurie. Esta é uma série de textos traduzidos sobre os diferentes microorganismos que conhecemos. Conheça os demais!

Resenha: The Windup Girl

Ouvi outro dia um livro de ficção científica diferente, uma distopia passada na Ásia na qual seres vivos, e não máquinas eletrônicas, são a base da tecnologia.

Na distopia biotecnológica de The Windup Girl, Paolo Bacigalupi descreve um mundo quase sem petróleo que tenta sobreviver utilizando-se organismos extremamente modificados. Um dos problemas deste mundo é a obtenção de energia que possa ser transportável: atualmente subestimamos a nossa dependência de baterias e combustíveis. Uma das soluções é usar máquinas que transformam energia de nossos movimentos em energia elétrica: computadores movidos a pedais, por exemplo. Outra solução é gerar bobinas orgânicas que guardem energia em si até serem desenroladas. A solução até existe na natureza: muitas plantas armazenam energias em suas sementes e frutos a fim de propulsionar seus gametas e sementes além de seu corpo. A maria-sem-vergonha, por exemplo, tem um mecanismo que faz seus frutos explodirem, espalhando as sementes para longe.

O livro conta a história de diversos personagens que tentam sobreviver na bioparanóica Tailândia, um oásis em um mundo onde megacorporações de biotecnologia praticam atos de terrorismo a fim de garantir acesso à genes novos. Há um espião disfarçado de executivo, um admnistrador corrupto, um oficial de justiça incorruptível, um biohacker e a Windup Girl, um ser humanóide geneticamente modificado para obedecer os desejos dos humanos. Tão interessante quanto o enredo é o mundo criado por Paolo Bacigalupi, um local onde a engenharia genética saiu do controle, com consequências um tanto assustadoras.  Eu confesso que ouvir o livro me deixava perdido às vezes, principamente por causa da riqueza de detalhes e nomes tailandeses, não sei se aconteceria o mesmo se estivesse lendo.

Adote um micróbio: Vibrio cholerae

vibrio_cholera.jpgOi, eu sou a V. cholerae.
Sou uma bactéria fermentadora, Gram negativa e oxidase positiva.
Muitas das minhas cepas causam cólera, um tipo grave de diarréia.
Eu posso ser epidêmica ou pandêmica e eu amo os países em desenvolviemnto.
Eu tenho uma alta fatalidade em populações mal-nutridas pois as pessoas ficam muito desidratadas.
Para causar diarréia grave, minhas cepas precisam fazer a toxina da cólera.
Eu tenho muitas cepas!
A maior parte das minhas cepas que causam epidemias são do tipo-01 mas também existem 139 cepas que não são tipo-01.
Você pode me classificar em sorotipo Inaba, Ogawa e Hikojima, se você quiser, ou nos biotipos clássicos ou El Tor (apesar de não se ver muito do tipo El Tor por aí).
Espero que você me escolha!
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Texto original de Emma Lurie

Esta é uma série de textos traduzidos sobre os diferentes microorganismos que conhecemos. Conheça os demais!

Snorkeling no Jurássico

Um artigo que saiu na Sauropoda de hoje sugere uma teoria interessante sobre a função dos pescoços dos brontossauros: fugir da poluição.

A lógica é simples: os brontossauros, assim como as vacas, eram herbívoros. Da mesma forma que as vacas, eles produziam enormes quantidades de gases, que deveriam ser soltos em enormes flatulências. Só que os brontossauros são muito maiores que as vacas ou seja, a quantidade de gases tóxicos que liberavam, como metano e gás sulfídrico, era gigantesca!

A partir da quantidade de gases produzida pelas vacas, os cientistas da Universidade de Westeros verificaram que os gases produzidos por um rebanho de dinossauros chegavam a ser tóxicos para a fauna local. Entenda: estes gases são mais pesados que o ar então deveriam se acumular ao redor dos dinossauros. Daí que viria a função evolutiva dos pescoços dos brontossauros: erguer-se acima da nuvem tóxica que os rodeava. “É possível que a nuvem tóxica dos brontossauros fornecia proteção extra contra predadores” diz Dr. Phart, um dos autores principais.

Este dado é corroborado pela descoberta recente de que ovos de brontossauros eram mantidos em árvores altas e que os brontossauros filhotes eram carragedos nas costas de suas mães, que também deveriam ser mais altas que os gases.

As próximas pesquisas do grupo tentarão associar os efeitos das nuvens de gás tóxico com a extinçaõ dos dinossauros.

Ajudem estudantes a ir a uma competição de Biologia Sintética

Biologia Sintética é uma área que combinar diferentes disciplinas, como Biologia Molecular e Engenharia, a fim de usar organismos vivos como ferramentas tecnológicas. A Biologia Sintética já gerou microorganismos capazes de detectar toxinas, de sintetizar novas drogas e até prospectar cobre!

Mais ou menos um ano atrás, alguns estudantes de graduação e pós-graduação tiveram a iniciativa de formar um clube de Biologia Sintética aqui na USP. Agora eles tentam levantar fundos para participar de uma competição de Biologia Sintética, o iGEM. O iGEM lembra muito aquelas competições onde estudantes de engenharia levam seus robôs para lutar ou jogar futebol. Só que, neste caso, levamos projetos que propõe soluções tecnológicas usando Biologia Sintética.

Os estudantes vão usar os recursos de alguns laboratórios para seus experimentos (inclusive o meu). Eles devem conseguir passagens e diárias com a Universidade. Só não conseguiram recursos para pagar a inscrição (cerca de U$2700). É aqui que você pode ajudá-los!

O time brasileiro do iGEM organizou uma campanha de levantamento de fundos no RocketHub. O site só aceita cartão de crédito internacional, se você não tem acesso a um mas quer ajudar, me escreva nos comentários. Eles já levantaram cerca de um terço da quantia (obrigado IDT!) mas isto ainda não é o suficiente. Nós ficaríamos muito agradecido se você pudesse contribuir com qualquer quantia para este projeto. Além dos estudantes se divertirem um tanto, estamos formando os recursos humanos em uma área estratégica para a biotecnologia brasileira.

E tem um vídeo fenomenal feito pelos alunos!

Help Brazilian students go to a Synthetic Biology Competition

Synthetic Biology is one of the emerging fields in Science that tries to combine a lot of different fields like Molecular Biology and Engineering in order to use living organisms as technological tools. Synthetic Biology has generated bacteria that can sense toxins, that can synthesize new drugs or even mine for copper.

About a year ago, a few undergraduate and graduate students got together and started Synthetic Biology Club here in the University of São Paulo (by their own initiative). Today, they are trying to raise funds to go to a Synthetic Biology competition, iGEM.

The students will use the labs resources of a few research groups for their experiments (mine included). University will probably pay for them to go to the competition, a Regional in Colombia and – if they are selected – the main event in USA. What they lack is the money for the registration (about U$2700). And that´s how you can help them.

The Brazilian iGEM team has organized a crowdfunding project in RocketHub in order to raise the money for registration. They are about 33% on their way (thanks IDT!), which is very good but still not enough. We would be very glad if you could donate any sum of money for their project. Not only would it be a blast for them but you would also be helping Brazil to create the human resources necessary to many Synthetic Biology relevant in Brazil.

And they also have a funky video in their RocketHub page.

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