FELIZ DIA DO SACI!

Que Dia das Bruxas que nada! Com o saci, você tem gostosuras E travessuras o ano inteiro! E aí? Você já falou com o seu hoje?

E não se esqueça de ler o Guto e Dadá de Dia das bruxas!

Viva Lamarck!

Entre nós biólogos, Jean-Baptiste Lamarck muitas vezes é lembrado como “o cara que errou”. Isso é uma injustiça tremenda com o grande cientista francês. Para começar, Lamarck foi um dos primeiros a utilizar o termo biologia para designar esta bela Ciência da Vida. Depois, comparar Lamarck com Darwin é sacanagem uma vez que eles fazem parte de gerações de cientistas distintos e, portanto, viveram sob climas acadêmicos distintos. Por último, Lamarck nunca utilizou a péssima história da evolução das girafas como exemplo, esta foi introduzida e aumentada por outros autores anos depois de sua morte.

Lamarck começou a sua vida como botânico em Paris, publicando uma flora da França, ajudando na montagem do Jardin des Plantes e tudo mais. Quando o museu de História Natural parisiense foi fundado, Lamrck foi contratado para a cátedra de zoologia, especializando-se na biologia dos invertebrados. Foram seus estudos que o levaram a concluir que as espécies não são entidades imutáveis e que deveriam ter ocorrido mudanças nos organismos ao longo do tempo geológico. Essas idéias culminaram na primeira teoria formal da evolução dos organismos, a que todos lembram como a “lei do uso e desuso”.

O que poucos professores de Biologia se esquecem de mencionar é o contexto da biologia na época na qual o Lamarck propôs a sua teoria. Lamarck propôs a evolução dos organismos contra Cuvier, outro grande naturalista francês, que acreditava no Fixismo, a idéia de que os organismos são imutáveis. Neste contexto, Lamarck foi o cara que acertou! O grande Stephen Jay Gould chamava Lamarck de “o primeiro teórico da evolução” pois a sua teoria deu a estrutura e o tom das discussões que levaram à Darwin.

É claro que tudo isso não quer dizer que a teoria de Lamarck era perfeita, ele acreditava que a evolução levava ao aumento da complexidade dos organismos em busca da perfeição. Além do mais, apesar de sua teoria ser considerada uma das primeiras teorias formais da evolução, ela foi uma compilação de idéias já existentes na época. Por último, Lamarck não fez uma extensa compilação de dados suportando as suas idéias, como fez Darwin na Origem.

Enfim, Lamarck e Darwin não estiveram em dois lados ideologicamente opostos. A teoria do Darwin trouxe inúmeros avanços em relação à de Lamarck mas também estava incompleta e continha idéias errôneas (pergunte à Darwin sobre Genética, por exemplo). Na verdade ambos estiveram no mesmo lado, contra os seguidores do fixismo, criacionismo e somente religiosos.

Fontes: Wikipedia e este texto.

PS: para alegrar o seu dia, clique na figura do Lamarck…

PS2: depois de escrever este post, descobri que há um excelente texto de título semelhante na Ciência Hoje…

O mini-cérebro

Alguns fatos sobre o nosso corpo são pouco conhecidos. Uns são tão surpreendentes que até parece que não são divulgados de propósito. O meu exemplo predileto é o Sistema Nervoso Entérico (SNE).

O SNE é o conjunto de neurônios associados ao nosso sistema gastrointestinal (e, possivelmente a nossa bexiga), cobrindo principalmente as paredes externas de nossos intestinos. A quantidade de neurônios desse sistema é animalesca (cerca de 1 bilhão deles)! Só para comparar, o cérebro tem até 100 bilhões de neurônios e a nossa espinha dorsal tem cerca de 14 milhões. O SNE ainda possui células gliais e inúmeras conexões, de ambas direções, com o cérebro. Mais surpreendente é saber que, se as conexões com o cérebro forem cortadas, o SNE continua funcionando livre, leve e solto!

Mas… qual é a função do SNE, mesmo? A não tão simples tarefa fazer o seu intestino funcionar direito! O SNE controla os músculos responsáveis pelos movimentos peristálticos do intestino, as secreções de enzimas e muco, a absorção de água e nutrientes, o estado da vasculatura sangüínea que irriga o intestino e coleta a água e nutrientes além do controle de processos imunológicos e inflamatórios na região. Ele responde a fatores como composição de nutrientes aborvidos e quantidade.

As comunicações entre o SNE e o cérebro também explica porque muita gente tem problemas intestinais quando ficam nervosas ou estressadas. O interessante é que os nerônios do SNE têm as mesmas características que os do sistema nervoso central. Isso que dizer que doenças neurodegenerativas também devem afetar o SNE. que drogas que afetam o cérebro, também afetam o nosso intestino. Aposto que você nunca imaginou que o intestino tinha barato e ressaca, não é?

Fontes: Wikipedia, FANZCA, Flinders Medical Centre.

Frase da semana

“Procrastination is sometimes confused with its cousin … laziness, but they are different.”

“Às vezes a procrastinação é confundida com preguiça mas elas são coisas diferentes”

Jorge Cham

Segunda passada o Jorge Cham, das ótimas PhD comics, deu uma palestra da boa e velha Cambridge (só agora…). Na palestra, entitulada: The Power of Procrastination (O poder da procrastinação), ele defenda a dita cuja como um meio do estudante de pós-graduação manter a integridade mental.

Se você não conhece a PhD comics e vive no mundo acadêmico, não perca um instante e comece a ler aqui.

Se você acredita no poder da procrastinação, venha aqui.

O dia das bruxas do Dadá

O próximo dia 31 é o dia das bruxas. Já pensou na sua fantasia? O Guto e o Dadá foram convidados para uma festa. Do que será que eles irão vestidos?

Leia mais abaixo:


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Seu Antônio lia tranqüilamente o seu jornal quando Dadá entrou na sala carregando quatro rolos de papel higiênico.

- O que é isso filhão? Está com dor de barriga? – perguntou seu Antônio assustado.

- Não pai! Hoje vai ter uma festa do dia das bruxas na vizinha. Eu decidi vestir-me de múmia! – respondeu Dadá, começando a enrolar um pedaço de papel higiênico em torno da perna – Me ajuda?

- Espera aí, assim você vai fazer a maior sujeira aqui em casa e lá na festa. Por que você não escolhe uma outra fantasia? – interrompeu o pai, preocupado com o desperdício de papel – O que seu irmão vai vestir?

De repente, uma voz abafada entra na sala:

- Frankensteeein! – respondeu Guto, irmão mais velho do Dadá, vestindo uma máscara verde horrível.

- Mas vocês, hein? Só fantasias de monstros importados! Porque vocês não tentam algo mais brasileiro? – sugeriu seu Antônio.

- Brasileiro como o leão do Imposto de Renda e o dragão da inflação? – brincou Guto, já sem a máscara que o deixava suado.

- Não, existem vários monstros brasileiros que vocês poderiam fantasiar-se. Quando eu era pequeno, o bisavô de vocês contava um monte de histórias sobre eles para mim e para os seus tios. A gente ficava com tanto medo que nem dormia direito! Tinha o saci-pererê, a cuca, o curupira, o boitatá… – lembrou-se o pai, com saudades da época em que dragões da inflação não eram uma preocupação para ele.

- Então vocês se fantasiavam desses bichos nos dias das bruxas? – perguntou Dadá, que sempre achava engraçado pensar que o seu pai também fora garoto.

- Quando eu era garoto não se comemorava dia das bruxas aqui no Brasil. – respondeu o pai que, já sabendo o que os garotos iam falar, continuou – E antes que vocês comecem a me chamar de velho, não se comemorava isso por aqui nem quando Guto era criança.

- Mas o Guto também é velho né pai? – respondeu Dadá para quem os 19 anos do irmão eram uma eternidade comparados com seus 6 aninhos.

- O dia das bruxas é uma versão moderna de festas que os celtas faziam em homenagem aos espíritos na época das colheitas. Esta data é bastante celebrada nos Estados Unidos. Aqui no Brasil tudo começou com as escolas de inglês, que colocaram a festa no dia 31 de outubro. Como brasileiro gosta de uma festa, o dia das bruxas pegou. – explicou o pai – Eu achava que a gente devia ter é um dia do saci!

- Pai, conta uma das histórias que você ouvia do bisa! – pediu Dadá.

O seu Antônio, que adorava contar uma história, se ajeitou na poltrona e, fazendo voz de mistério, começou:

- O curupira, que a minha avó chamava de caipora, é um espírito protetor da floresta que ataca quem a maltrata. Ele tem o corpo coberto de pêlos, cabelo vermelho que nem fogo e dentes verdes afiadíssimos. Às vezes ele é visto montando um porco do mato. Os seus pés são virados para trás, assim, quem tentar seguir seus rastros, acaba perdido! Lá na fazenda tinha um velhinho cujo irmão era um caçador valentão que um dia resolveu caçar o curupira. Dizem que ele entrou na mata, com a espingarda na mão, e desapareceu. Só o encontraram mais de uma semana depois! O cabelo dele estava branquinho e os olhos, esbugalhados. Nunca mais foi o mesmo e tinha medo até de lagartixa. O povo dizia que ele teve sorte: quem mexe com o curupira nunca mais volta!

- Nossa! Conta mais, conta mais! – pediu o Dadá, todo arrepiado.

- O boitatá também é um guardião da floresta. – continuou o pai – Ele é uma cobra de fogo gigante que corre atrás de quem maltra a natureza. A mula-sem-cabeça assombra quem viaja sozinho de noite. A iara, ou mãe-das-águas, é uma sereia que atrai os moços para rios e lagos para afogá-los. Já o boto-rosa vira homem de noite e vai de festa em festa conquistando moças e engravidando-as.

- Poxa pai, pelo menos parece mais real que os monstros dos filmes! – comentou Guto.

- E era, imagina só que não tinha luz elétrica na fazenda então, de noite, era uma escuridão só. Era só a gente, o lampião, a noite e a nossa imaginação. Sempre que a gente via uma sombra mais estranha, ou um ruído desconhecido, a gente achava que era algum desses monstrengos. O meu predileto era o saci.

- Eu conheço o saci! É um negrinho que pula numa perna só. Ele sempre aparece no Sítio do Pica Pau Amarelo! – gritou o Dadá.

- Sim, esse mesmo! Ele sempre está vestido com um capuz vermelho e fumando um cachimbo. Apesar de ter uma perna só, ele é bastante rápido porque ele pode montar em rodamoinhos. O saci aprontava um monte lá na fazenda! – contou o seu Antônio, dando risada – Ele dava nó na crina dos cavalos, quebrava as cercas, assustava as galinhas e machucava os bois! O bom é que sempre que a turma aprontava alguma, a gente podia botar a culpa no saci. Você acredita que, uma vez, eu e seu tio mais velho tentamos pegar um saci? Nós ficamos três dias em uma encruzilhada caçando redemoinhos! Três dias!

Vendo que o Dadá estava impressionado com as suas histórias, seu Antônio resolveu tranqüilizá-lo:

- Não pensem que só existem histórias de monstros, tem também aqueles que nos ajudam. Dizem que o curupira ajuda quem se perde na floresta e não faz mal à natureza. E tem também o negrinho do pastoreio. Ele era um garoto escravo que foi maltratado até a morte pelo seu dono por ter perdido, e não ter encontrado, um cavalo. Sempre que a gente tem um problema ou perde alguma coisa, é só acender uma vela para o negrinho do pastoreio que ele nos ajudará.

De repente os olhinhos do Dadá ficaram arregalados e ele disse, pulando de alegria:

- Tive uma idéia, pai! Não vou mais vestir-me de múmia, quero fantasiar-me de saci! Afinal eu sou o melhor pulador de uma perna só da turma! Você me ajuda a fazer a fantasia?

- Claro filhão! Bagunceiro você já é! E você vai ver como a sua fantasia vai ser diferente. Brasileira e original! – entusiasmou-se o pai. – Vamos ver se sua mãe tem tecido vermelho!

- Guto, você também vai querer um gorro de saci? – perguntou o seu Antônio.

- Não, já sei do que vou me fantasiar. – respondeu Guto.

- De que? – perguntou Dadá.

- Eu vou de boto-rosa para conquistar todas as meninas da festa! – respondeu Guto, sério.

- Xiiiii, filhão! Aproveita então para acender uma vela pro negrinho do pastoreio! – riu o pai.

- É melhor ele acender o pacote inteiro porque o caso é sério! – gargalhou o irmão.

Carlos Takeshi Hotta
Paula Signorini
Eduardo Bessa

Leia mais sobre o Guto e Dadá aqui.

Mais um Ignobel para o Dr. Moeliker?

Deixo minha aposta desde já: o Dr. Moeliker (aquele da necrofilia sexual em patos) vai ser a segunda pessoa a ganhar mais de um IgNobel – a primeira pessoa foi o Dr. Jacques Benveniste, pelas suas irreprodutíveis experiências provando que a homeopatia funciona (e que podem ser gravadas em disquetes).

O Dr. Moeliker é um sério condidato ao prêmio IgNobel de Conservação. O curador do Museu de Zoologia de Roterdã tem alertado para redução das populações de piolhos pubianos (os chatos). Ele atenta para o fato de poucos espécimes terem sido catalogados em seu museu nos últimos anos e pede para que pessoas mandem espécimes para ele! O Dr. Moeliker foi alertado para a periclitante situação dos piolhos pubianos por um comentário publicado na revista científica STI Journal.

No comentário, dois médicos de Leeds, Inglaterra, atentam para o fato de que a ocorrência de piolhos pubianos vêm diminuindo rapidamente nos últimos 5 anos enquanto a ocorrência de outras doenças sexualmente transmissíveis como a gonorréia e a Chlamydia tem estado relativamente constante. A causa para essa diminuição, de acordo com os médicos, pode ser a popularização da depilação por cera total ou quase total das partes baixas femininas (também conhecida como “Brazilian bikini wax” ou só “Brazilian”).
Os brasileiros, portanto, estariam associados a mais um evento de extinção pois não é novidade de que o desmatamento leva à redução de habitats que leva à extinção, seja de pandas ou de piolhos pubianos.

O Dr. Moeliker que coletar o maior número de espécimes de piolhos pubianos antes que eles sumam, a exemplo dos pardais urbanos holandeses. Os museus de zoologia coletam espécimes de inúmeros animais para acompanhar mudanças ao longo do tempo e do espaço, como os pardais eram abundantes ninguém os coletava. Agora que eles sumiram, não há espécimes suficientes para estudá-los.

Fontes: OMedI, Improbable Research e o STI Journal

Coiosidades V – Dispersando Dadá

Curiosidades do texto dos carrapichos:

- este é o primeiro texto do guto e Dadá com três autores: eu, o Bessa e a Paula, minha esposa.

- o título publicado é: “Carrapichos: quando a melhor estratégia é o grude”, que eu gosto muito mas vai contra a minha idéia de sempre ter um personagem no título.

- o final foi mudado por sugestão do assessor científico: o Dadá ia tentar jogar todos os carrapíchos pela janela e eles iriam voar todos na cara dele e o Guto iria dizer que não fazia mal porque a carrapicheira fazia frutos o suficiente para garantir a sua sobrevivência. O assessor não gostou muito deste final porque ele achava que fazia mal sim perder as semente de carrapicheira. Discordo.

- minha esposa tem dois vôs Ângelos. Na história, o vô Ângelo é pai do seu Antônio. Ele comprou um sítio após ter se aposentado.

- a idéia inicial foi do Bessa, que queria que os carrapichos viessem grudados no kimono do Dadá. Como eu já tinha feito o Dadá fazer natação, eu achei que judô seria um pouco demais (não concordo com as mães que enchem seus filhos de atividades). O final do primeiro rascunho fazia o Dadá limpar o seu kimono no quintal da casa dos Ramos de Oliveira e, meses depois, o jardim estaria cheio de carrapicheiras.

Chocolate, bactérias, correlações e causalidade

Para mim, uma das manchetes mais explosivas da semana foi a seguinte: “Vontade de comer chocolate determinada por bactérias” (dois exemplos: aqui e aqui). Imagine só, bactérias controlando os humores de seres humanos? Bom demais apra ser verdade. Investigando o artigo original (na verdade só o resumo dele pois não tenho o acesso à tudo por aqui) descobri o que o artigo realmente descobriu: há uma correlação entre o desejo de se comer chocolates com a composição das bactérias no intestino e outros componentes do metabolismo. Os jornalistas que leram a notícia confundiram correlação com causalidade, chegando à brilhante manchete. Qual é a diferença entre as duas?

Oras, digamos que a gente descubra que sempre que A acontece, B também acontece. Podemos dizer que há uma correlação entre o evento A e o evento B. No entanto não podemos dizer, somente com base na correlação se: 1) A causa B, 2) B causa A, 3) A e B são controlados por C ou 4) isso tudo é uma coincidência só. Exemplo hipotético: sempre que vou para a praia (A), eu pego congestionamento (B). Conclusão 1: eu causo congestionamentos quando vou para a praia. Conclusão 2: o congestionamento me faz querer ir para a praia. Conclusão 3: Eu vou para praia nos feriados (C), quando tem muito congestionamento. Conclusão 4: Eu tenho o maior azar e Murphy gosta de mim.

No caso das bactérias e dos chocolates, uma explicação mais plausível seria que a composição de sua dieta muda as suas bactérias intestinais e os componentes do seu metabolismo. Para ser justo, os autores do artigo não fizeram nenhuma relação de causalidade a partir de suas correlações, apesar deles considerarem que hipótese das bactérias controlarem as nossas dietas é uma possibilidade.

Este post foi inspirado pelo post do divertido blog Desertores da Escada e pela discussão gerada em seus comentários.

Mais sobre chocolates e bactérias

E se a manchete fosse verdade? Na boa discussão sobre o post dos chocolates e bactérias no blog Desertores da escada, NeLas especula sobre a possibilidade da manchete dos jornais estar certa:

Não tem nada a ver, mas um caso parecido é daqueles crustáceos parasitas chamados Rizocéfalos. Estes parasitam outros crustáceos, como os caranguejos. As fêmeas de caranguejos carregam sua desova no abdômen e têm um comportamento específico de cuidado parental. Quando o rizocélafo invade seu hospedeiro ele cresce dentro do corpo do caranguejo até formar suas estruturas reprodutivas. As estruturas reprodutivas do rizocéfalo, são posicionadas justamente no abdômen dos caranguejos. Assim as caranguejas cuidam da prole dos rizocéfalos como se fosse a sua prole (comportamento, etc..).

Mas o que isso tem a ver com chocolate e bactérias? Nada, mas quando os rizocéfalos invadem caranguejos machos (que não tem comportamento de cuidado parental algum), eles induzem, provavelmente com um complexo processo hormonal, a feminização do macho. A conseqüencia? machos exibindo comportamento de fêmeas cuidando da prole dos rizocéfalos!

Eu acho que um processo que faria sentido seria este: você tem um certo tipo de bactéria X nos intestinos. Esta bactéria X cresce bem quando você come chocolate. Com o aumento da população de X, aumenta a produção do elemento Y. O elemento Y é absorvido pelo nosso instestino e causa uma sensação de bem-estar no nosso organismo que fica condicionado a comer mais chocolate. Pavlov aplicado pelas bactérias!

Inclusive, o chocolate tem substâncias viciantes do tipo fenil-etilaminas, que, em grandes quantidades pode fucnionar como neurotransmissor ou neuromodulador. Os cientistas acham que a quantidade presente no chocolate não seria o suficiente para nos afetar, uma vez que as fenil-etilaminas são rapidamente metabilizadas. No entanto, elas poderiam afetar o mini-cérebro que existe no nosso intestino (não, não estou brincando, existe mesmo). Para fechar, a fenil-etilaminas presentes no chocolates vêm da… fermentação microbiana!!!! Logo, não ficarei surpreso se as bactérias realmente controlarem nossa dieta…

Strippers dos óvulos de ouros

Da última vez que você foi para uma boate de “danças exóticas”, você deu uma gorjeta mais alta para uma das dançarinas e não sabe porquê? Eis a resposta:

Um estudo publicado na revista científica Evolution and Human Behaviour deste mês, mostrou que strippers ovulando conseguem mais dinheiro por turno do que strippers na fase pós-ovulatória ou na menstruação.

Os cientistas recrutaram 18 strippers que anotaram os seus ganhos durante 60 dias. As dançarinas exóticas ganhavam em média de US$ 185 durante a menstruação por turno de 5 horas, US$ 260 durante o período pós-ovulatório e US$ 335 durante os dias em que estavam ovulando, cerca de 80% a mais do que quando estavam menstruadas!!!

Curiosamente, as strippers que tomavam pílulas anti-concepcionais e, portanto, não ovulavam, não apresentaram estas diferenças marcantes. Este estudo mostra evidência de estrus em seres humanos modernos. Estrus é um período no qual as fêmeas de uma espécie estão mais receptivas sexualmente. Em algumas espécies o estrus é indicado por mudanças físicas, como o inchaço das partes baixas em babuínos fêmeas.

Fontes: Scientific American e Evolution and Human Behaviour.

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