Chocolate, bactérias, correlações e causalidade
Para mim, uma das manchetes mais explosivas da semana foi a seguinte: “Vontade de comer chocolate determinada por bactérias” (dois exemplos: aqui e aqui). Imagine só, bactérias controlando os humores de seres humanos? Bom demais apra ser verdade. Investigando o artigo original (na verdade só o resumo dele pois não tenho o acesso à tudo por aqui) descobri o que o artigo realmente descobriu: há uma correlação entre o desejo de se comer chocolates com a composição das bactérias no intestino e outros componentes do metabolismo. Os jornalistas que leram a notícia confundiram correlação com causalidade, chegando à brilhante manchete. Qual é a diferença entre as duas?
Oras, digamos que a gente descubra que sempre que A acontece, B também acontece. Podemos dizer que há uma correlação entre o evento A e o evento B. No entanto não podemos dizer, somente com base na correlação se: 1) A causa B, 2) B causa A, 3) A e B são controlados por C ou 4) isso tudo é uma coincidência só. Exemplo hipotético: sempre que vou para a praia (A), eu pego congestionamento (B). Conclusão 1: eu causo congestionamentos quando vou para a praia. Conclusão 2: o congestionamento me faz querer ir para a praia. Conclusão 3: Eu vou para praia nos feriados (C), quando tem muito congestionamento. Conclusão 4: Eu tenho o maior azar e Murphy gosta de mim.
No caso das bactérias e dos chocolates, uma explicação mais plausível seria que a composição de sua dieta muda as suas bactérias intestinais e os componentes do seu metabolismo. Para ser justo, os autores do artigo não fizeram nenhuma relação de causalidade a partir de suas correlações, apesar deles considerarem que hipótese das bactérias controlarem as nossas dietas é uma possibilidade.
Este post foi inspirado pelo post do divertido blog Desertores da Escada e pela discussão gerada em seus comentários.



Discussão - 4 comentários
Pelo menos eles colocaram as partes interessadas na pesquisa bem à mostra. Tenho medo dos pesquisadores que não fazem isto…
Quanto às conclusões que você apresenta no penúltimo parágrafo, eu sempre disse que muitas pessoas usavam, como enfeite do radiador, uma vitória alada ou uma estrela de três pontas; eu sempre usei um engarrafamento…
Por falar na tal pesquisa, eu fui verificar o resumo e me deparei, logo no primeiro parágrafo, com os autores da pesquisa: “Sunil Kochhar e colaboradores no Centro de Pesquisas Nestlé (Suíça) e no Imperial College de Londres”. Bastante isenta a pesquisa, né?…
Por quê vc acha que são diplodocus? Por causa das espinhas dorsais? Mande-me mais detalhes! Eu tb achei meio estranho mas o artista (Raúl Martins) chamou a obra de Apatossauros… Aparentemente não se sabe ainda se as espinhas dorsais são uma característica própria dos Dipldocus ou de todos saurídeos.
Sensacional esse blógue! Parabéns!tecnicamente, os bichos no alto são Diplodocus, não apatossauros, mas e daí? Já está nos meus favoritos.