Cambridge, Inglaterra: a disneylândia científica.
Este post faz parte da primeira edição do blog carnival “Mundo de Cidades”, proposto pela Lucia Malla e hospedado no Goitacá.
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Para quem gosta de Ciências e vai visitar a Inglaterra (ainda mais na primavera) fica a dica: vá para Cambridge, que fica a menos de uma hora de trem saindo Londres.
Cambridge é uma cidadezinha pequena, tem menos de 150 mil habitantes. A Universidade é a vida da cidade. Minha impressão pessoal é que Cambridge é uma cidade cenográfica: muitos lugares bonitos e fotogênicos para se olhar, várias atrações (ainda mais se você curte Ciência) e a impressão de que ninguém que está na rua mora na cidade. Por estas razões, eu sempre chamo Cambridge de Disneylândia da Ciência.
A atração principal desta Disney é o rio. Se o dia estiver bom, alugue um barquinho para navegá-lo e admirar as belas pontes do rio Cam (Cam´s Bridges, sacou?). Os locais chamam os barquinhos de punts e, para impulsioná-los, usa-se uma vara para empurrar o fundo do rio. É possível alugar um guia para saber as curiosidades do rio mas dirigir um punt sozinho é uma experiência fantástica.
O rio ainda passa pelos jardins dos Colleges de Cambridge. Para entender o que são Colleges é preciso ter lido Harry Potter. Em Harry Potter, todos eram alunos de Hogwarts mas era da casas Grifinória e se especializou em Defesa contra as Artes das Trevas.
Exemplificando: eu era aluno da Cambridge University, do Churchill College e do Departamento de Ciências das Plantas (o paralelo óbvio seria: Tonks, Hogwarts, Lufa-Lufa e Herbologia). Os Colleges mais famosos de Cambridge são o Trinity College, o King´s College e o Saint John´s College e são os jardins destes que você consegue ver do seu barco.
Mas o que mais me excitava em Cambridge era o senso de história, principalmente o de história científica. Alguns pontos altos:
- Dizem que o seu mercado central é um dos mais antigos da Europa e era frequentado até por vikings!
- Newton foi estudante do Trinity College e calculou a velocidade do som em um dos corredores no qual nós andávamos.
- Darwin fingiu que estudava em Cambridge e conheceu lá seu mentor, Henslow (um dia conto esta história). Algumas coletas de Darwin, aliás, podiam ser encontradas no meu próprio departamento!
- Um dos pubs, o The Eagle, possuía assinaturas dos pilotos americanos e ingleses que lutaram na Segunda Guerra Mundial.
- Este mesmo pub foi frequentado por Watson e Crick que, no dia no qual deduziram a estrutura do DNA, entraram no pub exclamando: “Descobrimos o segredo da vida!”.
- Em um quarteirão perto de onde eu trabalhava, foi inventado o motor a jato, descoberto o nêutron e o elétron, foi deduzida a estrutura da hemoglobina e a do DNA!
E tudo isso em uma cidadezinha mínima onde todos andam de bicicletas e grande parte da população é feita de cientistas (vc pode esbarrar no Stephen Hawkin ou jantar com um Nobel e isso nem vai ser tão especial assim) que vivem andando pelas ruas de black-tie para frequentar jantares formais!
E não se esqueça de comprar uma lembrancinha na Gift Shop!




Discussão - 4 comentários
Tive o imenso prazer de conhecer e fiquei maravilhada. Que saudade!!!
Lucia, que Oxford? Ah… the old place…Atila, eu vou tentar explorar um pouco as outras cidades nos próximos carnavais.
acho que quase qualquer cidade da Europa tem muita história pra contar, mas poucos lugares tem essa riqueza de ciência….
Puxa, Carlos, não lembrava dessa história de Watson & Crick! Muito legal!
Cambridge e Oxford são a dupla dinâmica da ciência britânica, hehehe!