Como e por que as bactérias se comunicam

Escrevi em um post, que uma das coisas que me fez escolher a área de minha pesquisa foi um texto da Scientic American, revista de divulgação científica americana. E não é que, esvaziando o meu quarto no apê dos meus pais, eu encontro o dito cujo?


A foto que não dá para ver é de uma lula, a Euprymna scolopes, que possui um órgão que produz luz que a esconde de predadores durante a noite (a luz faz a lula se confundir com a luminosidade vindo da lua, se você a vir de baixo para cima). O interessante é que a luz não é produzida pela lula mas sim por bactérias que vivem dentro do órgão luminescente deste cefalópodo. E tem mais: a luz só é produzida se as bactérias estiverem super agrupadas. A questão é: como as bactérias sabem quando estão agrupadas ou não? A resposta é tão simples quanto extraordinária: elas se comunicam entre si.

No caso das bactérias da lula, cada indivíduo produz uma substância sinalizadora. A partir de uma certa densidade populacional, a substância passa uma nível de concentração que faz com que as bactérias passem a produzir luz.

Mais complexo é o que acontece com a bactéria Myxococcus xanthus que, quando acabam-se os nutrientes disponíveis, começa a se auto-organizar em um corpo de frutificação visível a olho nu. Basicamente, cada bactéria produz uma substância ao detectar a falta de nutrientes e, depois que esta substância atinge um certo nível, as bactérias sinalizam umas às outras para se agregar. Isso revela a capacidade de auto-organização que eu considerava, na época, inconcebível em seres “simples” como bactérias. Basicamente a minha cabeça explodiu com estas informações.

As bactérias, portanto, são capazes de tomar decisões em conjunto, a partir de trocas intensas de sinais. Mal sabia eu que as bactérias ainda conseguem se comunicar e trabalhar em conjunto com plantas, como no caso das leguminosas (feijão, soja, etc.).

Finalizando, o texto da foto tem um significado especial para mim. Mais uma vez a Biologia pegava toda uma visão de mundo que eu tinha e virava tudo de cabeça para baixo. Depois ainda descobri que a sinalização entre células de animais, planats e fungos era ainda mais ineteressante. Mas aí eu já estava apaixonado pelo assunto e o primeiro amor, a gente nunca esquece.

Fonte: Why and how bacteria communicate, Losick e Kaise, Scientific American Fevereiro de 1997 (primeiro mês do curso de Biologia).

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Discussão - 2 comentários

  1. Carlos Hotta disse:

    Eu concordo!

  2. Lucia Malla disse:

    Interessantíssimo!

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