Biocombustíveis: cana-de-açúcar vs. milho

Foto de Hulagway via Flickr.
Este é o terceiro post de uma série.
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No último post desta série, falei um pouco sobre as diferenças entre etanol de milho e de cana-de-açúcar. No entanto, escrevi, dispersei-me e não coloquei dados. Vou fazer uma pequena digressão para detalhar mais as diferenças práticas entre o álcool de milho e o álcool de cana.
Um dos problemas mais óbvios é que a produção de álcool de milho contribui diretamente com o aumento mundial do preço dos alimentos (que ainda conta com a crise dos EUA, aumento de mundial no consumo, preço do petróleo, que influi no preço dos fertilizantes, etc.) enquanto o uso da cana para se fazer álcool ainda não interferiu significativamente no preço do açúcar.
Vou começar citando alguns dados do World Watch Institute que publicou um relatório em 2006 que,apesar de conter dados menos atualizados que outrosrelatórios, contou com menos interferências políticas do que os relatórios atuais.
1. Em 2006, o custo para se fazer álcool combustível a partir de cana-de-açúcar que fosse equivalente, em termos energéticos, a um litro de gasolina foi de U$ 0,25 a U$ 0,30 enquanto o mesmo custo para álcool a partir de milho era U$ 0,40 a U$ 0,60; muito parecido com o preço da gasolina (isso em 2006, agora os custos da gasolina estão muuuuuito maiores). O etanol celulósico, com a tecnologia da época, custava cerca de U$ 0,80 a U$ 1,20.
2. Em termos de ganhos energéticos, quando você investiu a energia equivalente a 1 litro de gasolina na linha de produção em 2006, você produziu o equivalente a 9 litros de gasolina a partir do álcool de cana-de-açúcar; 1.5 litros de gasolina a partir de álcool de milho e 0.8 litros de gasolina (sim, extrair, refinar e transportar gasolina não vale a pena em termos energéticos).
3. Estima-se que, em 2006, cada hectare de cana-de-açúcar produziu 6000 litros de álcool enquanto um hectare de milho produziu somente 3000 litros.
Um outro estudo, publicado pelo Ecen, no final de 2006, também favorece o etanol de cana em relação ao milho:
1. Em outra metodologia, para se produzir 1 kcal de energia de etanol de milho, usa-se 1,29 kcal de energia ou seja, o balanço energético é negativo. No caso da cana, 1 kcal de energia gastos gera 3,24 kcal de energia.
2. Este estudo diz que é possível produzir 3 vezes mais álcool a partir da mesma área plantada de cana-de-açúcar do que milho (o estudo anterior estimou apenas 2 vezes).
3. Bastante importante: estima-se que a redução de gases do efeito estufa foi de 66% no caso do etanol de cana-de-açúcar e apenas 12% no caso do etanol do milho.
4. O estudo conclui que a indústria do etanol de milho apenas prospera nos EUA por causa dos subsídeos à prática, que atingiram U$ 4,1 bilhões em 2006.
É claro que isso não é só maravilhas, muitos estudos apontam para os impactos ambientais e sociais da utilização do etanol de cana ou de milho. Discutirei isso com mais detalhes depois, mas já adianto que eles nunca comparam estes custos com os grandes vilões da história: os combustíveis fósseis.

Posts anteriores:
Biocombustíveis: a cana-de-açúcar e o milho
Biocombustíveis: uma introdução
O Biocombustível 2.0

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Discussão - 3 comentários

  1. João Carlos disse:

    Pergunta de um desatualizado: e o que aconteceu com o metanol que os americanos fabricavam a partir de sobras de madeira?… Não dá para misturar metanol e etanol em um único combustível? (Afinal a gasolina não é feita só de octano…)

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