Biocombustíveis: Brasil, o país do etanol?

O Brasil não é o maior produtor de etanol (=álcool) a partir de biomassa no mundo. Alguns anos atrás, os EUA nos ultrapassaram em produção por litro. A diferença é que aqui a gente lucra com esse mercado. Lá só se sobrevive com altos subsídios do governo.
A cana-de-açúcar é misturada à gasolina brasileira desde 1929. Depois da explosão fomenatda pelo programa pró-álcool nos anos 70s e 80s, o uso de álcool deu uma estagnada até o lançamento de carros Flex. Atualmente, 90% dos veículos novos possuem esta tecnologia. Na verdade, mesmo os veículos que usam apenas gasolina acabam queimando álcool que está misturado na gasolina (cerca de 25%).
Dentro do Brasil, em particular, o Estado de São Paulo é um dos grandes produtores de cana-de-açúcar do mundo. Com uma produção de 11 bilhões de litros em 2006 e 62% do etanol brasileiro, o Estado de São Paulo pode ser considerado o terceiro maior produtor de etanol no mundo, atrás dos EUA e Brasil.
Outras regiões onde a cana-de-açúcar é plantada incluem Minas Gerais, a região Centro-Oeste e o Nordeste.
A pergunta que muitos fazem é: seria o etanol da cana-de-açúcar o responsável pelo aumento do preço dos alimentos e pelo desmatamento na Amazônia? A minha resposta pessoal para a primeira pergunta é não, para a segunda pergunta, eu responderia: talvez mas provavelmente não.
O aumento do uso do etanol de cana-de-açúcar não deve estar aumentando o preço dos alimentos porque ele ainda é uma gotinha no oceano agriculturável brasileiro. Ele ocupa cerca de 2% das terras aráveis no Brasil. Para se ter uma idéia, a soja ocupa quase 10% das terras aráveis do Brasil e 49% delas são usadas para PASTOS!!!! Levando em conta esta estatística, junto com o aumento do consumo mundial de carne, temos que quem desmata é o consumo de carne (grande parte da soja é usada para fazer ração no exterior). Além disso, o preço do açúcar, que concorre diretamente com o etanol pela matéria prima não disparou como o preço dos outros alimentos, ou seja, não há falta de matéria-prima.
Este é o quarto post de uma série. Se vc quiser ler a série, clique aqui.
Posts anteriores:
Biocombustíveis: a cana-de-açúcar vs. o milho
Biocombustíveis: a cana-de-açúcar e o milho
Biocombustíveis: uma introdução
O Biocombustível 2.0

As lesmas que comiam luz

Utilizar energia luminosa para sustentar o próprio corpo não é exclusividade de plantas, humanos iluminados e bactérias.
Algumas lesmas do mar (do grupo Sacoglossa) chupam células de algas a fim de incorporar os cloroplastos destas algas em suas células. Desta forma, estas lesmas adquirem das algas a capacidade de fazer fotossíntese e se sustentar de luz! Sem contar que, cheias de cloroplastos, estas lesmas se mesclam perfeitamente no meio das algas.
Os cloroplastos podem manter as lesmas vivas sem se alimentar de algas por meses, além de fornecer outros compostos químicos que atuam na defesa das lesmas do mar contra predadores.
O uso da fotossíntese de algas para se sustentar não é incomum entre os animais. Corais e cnidários interagem com zooxantelas para se aproveitar de sua capacidade fotossintética. O que impressiona nestas lesmas-do-mar é a incorporação dos cloroplastos em suas células! No caso da Elysia chlorotica, que se alimenta da alga Vaucheria litorea, os cloroplastos continuam ativos por até 9 meses!
Fonte: Sea Slug Forum e Plant physiology.

Oxynoe olivacea

Oxynoe olivacea, uma lesma iluminada

Bem-vindos ao novo Jardim!


Às vezes um sonho se realiza.
Acabamos de estreiar o Lablogatórios, o primeiro condomínio de blogs científicos do Brasil. Neste site, teremos 15 blogs no condomínio (mais ou menos 2) cujos temas variam de Psicologia até Astronomia.
A lista de blogs atuais é:
100nexos
42
Caapora
Chi vó non pó
Ciência e Psicologia
Ecodesenvolvimento
Este ou aquele?
Marco Evolutivo
Massa Crítica
n-Dimensional
Rainha Vermelha
RNAmensageiro
Incríveis aventuras das Supercordas
Tubo de Ensaios
Universo Físico
Se você quer saber quem somos, clique aqui. Se você quer saber da história do Lablogatórios, clique aqui.
Por favor, visitem todos os blogs, comentem e disperse o site!

O calor das pimentas

Todos já tiveram a sensação de comer aquela comida que “não está tão apimentada” e foi punido com uma sensação horrivelmente boa de ardência. Esta sensação é causada pela interação de uma molécula presente em volta das semnetes das pimentas, a capsaicina, com os nossos receptores sensoriais. Os sensores ativados pela capsaicina, no caso, são os responsáveis por codificar sensações de queimaduras e abrasão, explicando a nossa reação em resposta à ingestão de pimentas.

Além disso, uma pesquisa publicada recentemente no Journal of Biological Chemistry, sugere que, além do efeito sensorial, a capsaicina induz a geração de calor por músculos. Ela faz com que proteínas quebrem moléculas de energéticas, os ATPs, sem gerar trabalho, somente calor. Este efeito deve contribuir com as sensações causadas pela pimenta.

O engraçado é que as aves não são afetadas pela capsaicina, apenas mamíferos. Isso pode ser uma estratégia para evitar que as sementes das pimentas sejam ingeridas por mamíferos. Por que seria favorável às pimentas serem ingeridas apenas por aves? Simples: o sistema digestório dos mamíferos destrói as sementes das pimentas, enquanto o sistema digestório das aves as mantêm intactas!

Uma última curiosidade: a capsaicina não dilui bem na água, por isso tomar leite, que possui um teor mais alto de gorduras, deve ajudar a combater a ardência de certas comidas. Se você for vítima de spray de pimenta, que usa altas quantidades de capsaicina, tente remover a molécula com óleos ou sabões (mas cuidados com o que for botar nos olhos!).

Por fim, uma pergunta para discussão: por que pessoas que moram em regiões quentes (México, Índia, e baianos) gostam de comida apimentada? Será apenas coincidência?

Fontes: Science Daily, Wikipedia e Molecule of the Day.
Foto: Ian Ramsley

Luta de girafas

Duas girafas, uma savana: só uma sai viva! Um vídeo impressionante de duas girafas brigando. Eu diria que eram duas girafas sedentárias, pois o fôlego das duas nem é tão grande assim…

Via Blog Around the Clock

Tem mais vídeos do gênero no YouTube:

Há um burburinho no ar…

… de que a Phoenix descobriu algo mais excitante do que água nos solos marcianos. Aparentemente não é prova de vida alienígena, ainda. Mas é algo tão excitanet que eles estão rechecando todos os dados e informando os acessores do Bush… o que seria?

Fonte: Astroengine e Universe Today

Biocombustíveis: cana-de-açúcar vs. milho

Foto de Hulagway via Flickr.
Este é o terceiro post de uma série.
===============================
No último post desta série, falei um pouco sobre as diferenças entre etanol de milho e de cana-de-açúcar. No entanto, escrevi, dispersei-me e não coloquei dados. Vou fazer uma pequena digressão para detalhar mais as diferenças práticas entre o álcool de milho e o álcool de cana.
Um dos problemas mais óbvios é que a produção de álcool de milho contribui diretamente com o aumento mundial do preço dos alimentos (que ainda conta com a crise dos EUA, aumento de mundial no consumo, preço do petróleo, que influi no preço dos fertilizantes, etc.) enquanto o uso da cana para se fazer álcool ainda não interferiu significativamente no preço do açúcar.
Vou começar citando alguns dados do World Watch Institute que publicou um relatório em 2006 que,apesar de conter dados menos atualizados que outrosrelatórios, contou com menos interferências políticas do que os relatórios atuais.
1. Em 2006, o custo para se fazer álcool combustível a partir de cana-de-açúcar que fosse equivalente, em termos energéticos, a um litro de gasolina foi de U$ 0,25 a U$ 0,30 enquanto o mesmo custo para álcool a partir de milho era U$ 0,40 a U$ 0,60; muito parecido com o preço da gasolina (isso em 2006, agora os custos da gasolina estão muuuuuito maiores). O etanol celulósico, com a tecnologia da época, custava cerca de U$ 0,80 a U$ 1,20.
2. Em termos de ganhos energéticos, quando você investiu a energia equivalente a 1 litro de gasolina na linha de produção em 2006, você produziu o equivalente a 9 litros de gasolina a partir do álcool de cana-de-açúcar; 1.5 litros de gasolina a partir de álcool de milho e 0.8 litros de gasolina (sim, extrair, refinar e transportar gasolina não vale a pena em termos energéticos).
3. Estima-se que, em 2006, cada hectare de cana-de-açúcar produziu 6000 litros de álcool enquanto um hectare de milho produziu somente 3000 litros.
Um outro estudo, publicado pelo Ecen, no final de 2006, também favorece o etanol de cana em relação ao milho:
1. Em outra metodologia, para se produzir 1 kcal de energia de etanol de milho, usa-se 1,29 kcal de energia ou seja, o balanço energético é negativo. No caso da cana, 1 kcal de energia gastos gera 3,24 kcal de energia.
2. Este estudo diz que é possível produzir 3 vezes mais álcool a partir da mesma área plantada de cana-de-açúcar do que milho (o estudo anterior estimou apenas 2 vezes).
3. Bastante importante: estima-se que a redução de gases do efeito estufa foi de 66% no caso do etanol de cana-de-açúcar e apenas 12% no caso do etanol do milho.
4. O estudo conclui que a indústria do etanol de milho apenas prospera nos EUA por causa dos subsídeos à prática, que atingiram U$ 4,1 bilhões em 2006.
É claro que isso não é só maravilhas, muitos estudos apontam para os impactos ambientais e sociais da utilização do etanol de cana ou de milho. Discutirei isso com mais detalhes depois, mas já adianto que eles nunca comparam estes custos com os grandes vilões da história: os combustíveis fósseis.

Posts anteriores:
Biocombustíveis: a cana-de-açúcar e o milho
Biocombustíveis: uma introdução
O Biocombustível 2.0

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM