De lado 13: ciência vs. religião

Um post interessante no ótimo De Rerum Natura discutindo se há um conflito real entre religião e ciência. Ele identifica quatro fontes interessantes de tensão.

Resenha: Cheiro de Ciência

Toda vez que pego um livro novo, sigo o mesmo ritual: antes de começar a lê-lo, abro-o no meio e encho os meus pulmões: adoro cheiro de livro novo, aquele cheiro de possibilidades que me lembra de todos os outros livros que li e das horas de prazer que me proporcionaram.
Ontem ganhei o livro “O cheiro das coisas”[bb] (Ed. Vieira & Lent) para escrever uma resenha. O livro tem um cheiro mais-que-novo, pois só será lançado na semana que vem (convite abaixo). A autora é a Dra. Bettina Malnic, uma cientista do Instituto que trabalho que estuda os mecanismos por trás do olfato.
Acho que não valorizamos muito o olfato, no entanto, tente imaginar como conseguimos identificar milhares de cheiros diferentes, lembre-se como é comer com nariz entupido por causa de uma gripe ou note quantas memórias um simples cheiro pode trazer.
Quando cheirei este livro na primeira vez que o abri, moléculas se desgrudaram de suas páginas. As mesmas foram carregadas para dentro do meu nariz e lá identifiquei o seu cheiro. O que me levou a identificar o cheiro e me lembrar dos livros que já li é o tema central do “O cheiro das coisas”[bb].
Os primeiros capítulos do livro passam rápidos. O jeito de escrever da autora, leve e interessante, aliado ao meu interesse no assunto, explicam. Mas é a partir do Capítulo 5 que o livro me conquistou de vez: Bettina dá um toque mais pessoal ao assunto ao descrever um pouco da pesquisa que desenvolveu em seu pós-doutorado em Harvard. É neste momento, assim como um perfume, que mais um tom se revela: passamos a acompanhar como se deu a pesquisa que resultou em importantes descobertas sobre o olfato.
O capítulo 6 é tão emocionante como o anterior: ele começa com uma ligação telefônica no meio da noite e chega em Estocolmo, na entrega do prêmio Nobel de 2006, quando as pesquisas sobre o olfato foram premiadas. A perspectiva da autora é única, e este capítulo apenas vale o preço do livro.
Aos poucos fica claro que o “O cheiro das coisas”[bb] não fala somente sobre o olfato mas também sobre a Ciência e como ela é feita. Aos poucos o texto te envolve, mostrando as pesquisas que estão acontecendo agora na área, os grandes mistérios e os resultados que devem ser obtidos nos próximos anos.
Acabo o livro pensando que ele deveria ser reescrito todos os anos: sempre acrescentando-se as novas descobertas, as novas teorias e as surpresas. Esse é um de seus méritos. É um livro sobre o olfato que deixa um gostinho de quero mais.
Não se esqueçam de ir ao lançamento! Dia 17 de Setembro, 19hs, na livraria Cultura do Villa Lobos (Sampa).

De Lado 12: a melhor charge sobre o fim do mundo.

Ou do começo do mundo…

Retângulo: 13.8 bilhões de anos atrás, alguns segundos antes da criação do nosso Universo…
Balão: Tudo certo. Vamos ligar o LHC e ver o que acontece!

Dica do Graveheart via Twitter.

Spore: mexendo nos picuás do debate evolutivo


Spore[bb] foi lançado semana passada. Infelizmente não vou jogá-lo no futuro próximo mas venho acompanhado todo o hype com interesse. Este jogo possui uma mecânica revolucionária onde você cria uma civilização inteira a partir de uma só célula.
O jogo muda sua lógica diversas vezes no seu curso: do controle de um organismo unicelular, você controla organismos maiores, de indivíduos para uma tribo, de uma tribo para uma civilização e da civilização para a colonização de outros planetas. A cada passo, o jogo te da controle sobre o design do seu personagem, que pode ganahr membros, garras, espinhos, etc. a cada rodada.
Spore[bb] tem sido vendido como um simulador de Evolução. Isso tem gerado muito debate na área.
O problema é que as pessoas se esquecem que Spore[bb] é só UM JOGO. Assim como não vamos virar terroristas jogando Counter-Strike; não ficaremos viciados em pílulas, trabalharemos em lugares apertados ouvindo música repetitiva jogando Pac-man (ops!) nem queimaremos carros na rua jogando GTA!
O mais engraçado é ver evolucionistas metendo o apu no jogo porque a “evolução” de lá é dirigida e defende o design inteligente e ver os criacionistas metendo o pau no jogo porque ele estpa difundindo a idéia de “evolução” nas cabeças das pessoas. O lablother RNAm discute mais detalhadamente alguns pontos do jogo.
Will Wright, o deus design do jogo, também fez Sim City e Civilization, jogos fenomenais que colocaram muita coisa na minha cabeça sobre história e admnistração de cidades. Não, senhores mal-humarados, evolucionistas ou não, não acredito que os Aztecas lutaram com os Japoneses usando marines nem que seja possível criar uma cidade só usando linhas do trem. Jovem e crianças,a o contrário de vocês, sabem a diferença entre jogo e realidade!
O que vocês têm que fazer é aproveitar os esporos da curiosidade que o jogo pôs nestas mentes incautas e transformá-los em conhecimento formal. Mostrar que a evolução não tem direção, que “design” realmente tem a ver com função e que mudanças drásticas na forma do corpo nem são tão comuns assim. Quem sabe, desta forma, os jogadores não percebam que a realidade pode ser ainda mais elegante do que um jogo?
UPDATE: Como notaram nos comentários, Will Wright não fez o Civilization! Ele fez o Sims. O argumento se sustenta mesmo assim…

De lado 11: e o fim do mundo?

Ligaram o LHC, até que enfim. Os 9000 cientistas que estavam lá presentes estão analisando os dados para ver se o mundo acabou ou não.

De lado 10: o LHC é caro?

6 bilhões de doletas. Se ele entregar só uma parte do que promete, já justifica a grana. Se ele entregar chaves para se unificar as teorias da Física, foi uma pechincha. No Glúon há uma comparação do preço do LHC com outras estruturas construídas pelo homem.

Kefir e a comunidade do iogurte.

 
 
Existem algumas coisas que fazem a sua cabeça explodir. Lesmas que fazem fotossíntese é uma delas. Outra explosão memorável na minha vida foi quando eu descobri sobre os kefir.
O kefir é uma bebida fermentada de leite típica dos Cáucasos (tradução: um tipo de iogurte). Assim como iogurtes, é necessário incubar leite de cabra, vaca ou ovelha junto com os microorganismos que irão fermentá-los durante a noite e transformar o leite em kefir. O resultado é uma bebida azeda, levemente gaseificada e alcóolica com propriedades nutritivas.
Os microorganismos que fazem o kefir se organizam em grãos brancos e viscosos de mais ou menos 1 cm de diâmetro. Ao deixar os kefir (os grânulos têm o mesmo nome da bebida) incubando no leite, eles começam a se multiplicar: um vira dois, dois viram quatro, etc.
O incrível é saber que os grãos de kefir são compostos de microorganismos de inúmeras espécies de bactérias e fungos! Ou seja: os kefir não são colônias de um só organismo mas sim uma comunidade! Até onde eu vi, já foram descritos mais de 9 espécies de leveduras (os fungos) e mais de 6 espécies de lactobactérias. O incrível é que a composição de microorganismos se mantêm quase que inalterada de kefir para kefir. O que mantêm os microorganismos juntos é uma matriz de proteínas e polímeros de açúcar produzida pelos próprios.

Fungos:
Candida kefir, Candida holmii
Saccharomyces cerevisiae (essa é a levedura que usamos no pão, cerveja e outros), Saccharomyces delbrueckii, Saccharomyces unisporus,Saccharomyces lipolytica
Bactérias:
Lactobacillus brevis, Lb. viridescens, Lb. casei (essa é a do Yakult), Lb. kefir, Lb. kefiranofaciens, Lb. kefirgranum, Lb. parakefir
Leuconostoc spp.
Lactococcus lactis

Quando as condições de crescimento dos kefir fogem das ideais, os grânulos se desfazem e um forte cheiro começa a ser exalado: o delicado equilíbrio é desfeito e os microorganismos crescem de forma desordenada, “estragando” a bebida.
É interessante pensar que a composição do kefir é o fruto da seleção artificial de centenas de anos. Os nativos do Cáucaso multiplicavam os kefir que resultavam em um kefir mais gostoso (dar o mesmo nome para a bebida e para os grãos não é bom para o andamento do texto).
Coisas como estas me fazem pensar nos primórdios da vida multicelular: como indivíduos semelhantes começaram a se organizar em seres com mais de uma célula? Será que o segredo de tal transformação pode ser encontrada em um iogurte?
Fontes: Wikipedia, Journal of Dairy Research e o livro “As coisas são assim” (Companhia das letras).

De lado 09: Divisores de prateleiras.

Alguém sabe se existe algo parecido para comprar por aqui? Preguiça de fazer…

Vida de Cientista: Excesso de dados…

Estávamos conversando com os viajantes conscientes do Vida de Viajante sobre como as coisas mudaram rápido do final dos anos 80 para cá, principalmente no que se refere à manipulação de informações (mais especificamente nas áreas Biológicas).
Uns 20 anos atrás, era comum os Departamentos de Pesquisa terem um pesquisador especialista em análise de dados. Os outros laboratórios chegavam no pesquisador, que cuidava de toda análise de dados, tratamento estatístico, etc. este pesquisador tinha um caríssimo terminal de computadores, onde ele usava sua complicadíssima planilha do Lotus 1-2-3 para chegar à conclusões que os outros não conseguirriam sozinhos.
Com a popularização dos computadores, Windows, Excel, etc. os cientistas começaram a assumir cada vez maiso trabalho de analisar seus próprios dados. Os PCs permitiam a rápida análise de uma quantidade imensa de dados.
Hoje estamos nos direcionando para uma nova era: novamente a aquisição de dados supera a nossa capacidade de analisá-los. De novo, temos pesquisadores especialistas em analisar dados de outros (agora os chamamos de bioinformatas).  Aproveitem os últimos anos nos quais um cientista consegue obter e analisar todos os seus dados pois entraremos na era dos bioinformatas e programadores. 
Isto é, pelo menos até todo mundo aprender a progarmar antes mesmo de saber escrever… daí o pêndulo talvez mude novamente.

De lado 08: Aranha de estimação

Uma aranha virtual para quem gosta e quer brincar com uma aranha virtual ou para quem não gosta e quer começar a perder o medo.

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