Spore: mexendo nos picuás do debate evolutivo

Spore foi lançado semana passada. Infelizmente não vou jogá-lo no futuro próximo mas venho acompanhado todo o hype com interesse. Este jogo possui uma mecânica revolucionária onde você cria uma civilização inteira a partir de uma só célula.
O jogo muda sua lógica diversas vezes no seu curso: do controle de um organismo unicelular, você controla organismos maiores, de indivíduos para uma tribo, de uma tribo para uma civilização e da civilização para a colonização de outros planetas. A cada passo, o jogo te da controle sobre o design do seu personagem, que pode ganahr membros, garras, espinhos, etc. a cada rodada.
Spore tem sido vendido como um simulador de Evolução. Isso tem gerado muito debate na área.
O problema é que as pessoas se esquecem que Spore é só UM JOGO. Assim como não vamos virar terroristas jogando Counter-Strike; não ficaremos viciados em pílulas, trabalharemos em lugares apertados ouvindo música repetitiva jogando Pac-man (ops!) nem queimaremos carros na rua jogando GTA!
O mais engraçado é ver evolucionistas metendo o apu no jogo porque a “evolução” de lá é dirigida e defende o design inteligente e ver os criacionistas metendo o pau no jogo porque ele estpa difundindo a idéia de “evolução” nas cabeças das pessoas. O lablother RNAm discute mais detalhadamente alguns pontos do jogo.
Will Wright, o deus design do jogo, também fez Sim City e Civilization, jogos fenomenais que colocaram muita coisa na minha cabeça sobre história e admnistração de cidades. Não, senhores mal-humarados, evolucionistas ou não, não acredito que os Aztecas lutaram com os Japoneses usando marines nem que seja possível criar uma cidade só usando linhas do trem. Jovem e crianças,a o contrário de vocês, sabem a diferença entre jogo e realidade!
O que vocês têm que fazer é aproveitar os esporos da curiosidade que o jogo pôs nestas mentes incautas e transformá-los em conhecimento formal. Mostrar que a evolução não tem direção, que “design” realmente tem a ver com função e que mudanças drásticas na forma do corpo nem são tão comuns assim. Quem sabe, desta forma, os jogadores não percebam que a realidade pode ser ainda mais elegante do que um jogo?
UPDATE: Como notaram nos comentários, Will Wright não fez o Civilization! Ele fez o Sims. O argumento se sustenta mesmo assim…



Discussão - 8 comentários
Carlos, mais uma vez, um post seu me dá boas idéias para escrever um meu
Bom, só para começar: por que é que não podemos aprender com um negócio errado? Eu (e a torcida do Flamengo) sabemos que matar pessoas é errado, mas eu curto muito Counter-Strike e mato vários oponentes com prazer! E não é por isso que eu estou matando as pessoas ao meu redor (tudo bem, às vezes a gente considera a idéia, mas isso mesmo não jogando Counter-Strike)…
Enfim, foi só uma idéia mesmo
Putz, estou morto de vontade de jogar mas não tenho tempo e desconfio que minha placa de vídeo não agüenta!
Esse vai ser o tema do próximo Tubo de Ensaios?
Se Spore pode ser culpado de algo é matar minha produtividade. O jogo é lindo, é um tributo à Ciência.
Quando seu cérebro atinge o limiar da inteligência proto-humana (ou proto o que quer que você tenha evoluído) a cena é de 2001, com direito ao tema de Zaratustra, a criatura experimentando com o graveto, jogando pro alto… é lindo.
Spoiler da minha resenha: “Carl merecia ter visto esse jogo”
Falou tudo Carlos. Jogos são simulações homólogas a modelos, mas não são modelos. O que vale a pena em jogos como estes (Spore, Sim City e outros) é a matriz de pensamento sobre a qual eles estão construídos. Para jogar Spore você deve raciocinar estrategicamente a partir da idéia de que suas decisões locais possuem implicações globais nem sempre previsíveis no espaço e no tempo. É neste sentido que o \mundo\ do jogo é mais parecido com o nosso e pode ser pensado como \evolucionário\. Isso sem falar nos elementos estéticos e morais que os jogos põem para funcionar a partir de suas premissas narrativas.
Ups, certíssima observação.
Só uma correção, quem criou Civilization foi Sid Meyer.
E eu já cansei de gente que acha que jogos são armas pra influenciar criancinhas só porque são interativos… não adianta discutir com tais antas, já achei várias por aí e os resultados sempre são desastrosos.