Pegadas na areia

Buracos causados pela chuva?

Buracos causados pela chuva?


Quando eu fazia caminhadas por esse Brasil afora, era muito emocionante se deparar com um pedaço de terra com pegadas de animais. Às vezes identificávamos veados, antas, lobos-guarás e muitos outros grandes animais somente olhando suas impressões. Imaginem agora a emoção de se deparar com pegadas feitas milhões de anos atrás?
É o que devem ter sentido os geólogos Marjorie Chan e Winston Seiler ao perceber que os buracos no chão presentes em uma plataforma rochosa não eram feitos pela chuva mas sim por dinossauros que cruzavam dunas arenosas mais de 190 milhões de anos atrás, no começo do período Jurássico.
O que fazia muitas pessoas pensar que os buracos eram formados pela chuva é a sua densidade e quantidade, incomuns para serem pegadas fossilizadas. No entanto, os geólogos notaram que os buracos só apareciam naquele plano rochoso e não nos arredores. Uma análise mais de perto revelou marcas de dedos e que se repetiam de forma regular.
Não parece um buraco feito pela chuva...

Não parece um buraco feito pela chuva...


Winston Seiler estimou que há cerca de 12 pegadas por metro quadrado, totalizando milhares de impressões na rocha! Acredita-se que as pegadas foram feitas em um oásis no meio de um deserto maior do que o Saara, que existia na região de Utah (EUA), o que explicaria a quantidade de pegadas no local. As impressões fossilizadas teriam sido feitas em areia molhada e preservadas até hoje. Além das pegadas, existem marcas de caudas no chão, algo incomum de se encontrar uma vez que dinossauros não arrastavam suas caudas pelo chão.
Winston identificou pelo menos quatro tipos diferentes de pegadas: animais bípedes grandes, como os T-Rex; animais bípedes pequenos; dinossauros com menos de um metro de altura e saurópodes, os meus prediletos, como os Brontossauros.
Análises posteriores poderão revelar algo sobre o comportamento destes animai. É possível estimar o tamanho dos dinossauros pelo tamanho das pegadas, o seu peso, pela profundidade, a direção que os animais percorriam e até a sua velocidade. É assim que acabamos descobrindo muitas coisas sobre estes bizarros animais, que deixaram uma calçada da fama disfarçados de buracos feitos pela chuva.
Imagens e fonte: EurekAlert!
Dica do Luiz Bento, do excelente Discutindo Ecologia.

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Começa hoje, meio silenciosamente, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. A Semana vai até o dia 26 de outubro e conta com inúmeros eventos que visam mobilizar a população em torno de atividades científicas.
É possível ver as atividades cadastradas para a sua cidade, apesar de ser um pouco deorganizado.

1o. Brontaniversário!

Primeira casa dos Brontossauros.

Primeira casa dos Brontossauros.


Este blog orgulhosamente comemora o seu primeiro aniversário. Um ano atrás eu estreiava este blog no blogspot, inspirado pelo blog da minha esposa e o Guto e Dadá. Desde então foram 216 textos publicados (!!!) sobre diversos aspectos da Vida, Universo e Tudo mais.
Com certeza, a melhor coisa que colhi deste blog foram as pessoas que conheci e as portas que se abriram. Para mencionar alguns, cito o Atila Iamarino, Lucia Malla, Claudia Chow, Maria Guimarães além de reencontrar o Igor Zolnerkevic.
Não posso deixar de destacar o lançamento do Lablogatórios. Um projeto que se construiu rápido e não era nem um sonho um ano atrás. Mal posso esperar para ver os sonhos que ainda não tenho e que se realizarão daqui a um ano.
Parabéns! Foto de roland, no FLICKR.

Parabéns! Foto de roland, no FLICKR.

Destruindo o relógio

Vaga-lume por SantaRosa OLD SKOOL, FLICKR
Antes de 1995 sabia-se que as plantas possuíam relógios biológicos mas não se tinha idéia de como ele funcionava. Sabia-se, por exemplo, que a quantidade de clorofila – pigmento verde essencial para a fotossíntese – nas folhas variava ao longo dos dias. Junto com a quantidade de clorofila, também sabia-se que a quantidade de uma proteína chamada CAB2, que se liga à clorofila, também variava durante o dia. A quantidade de proteína CAB2 depende da expressão do gene CAB2.
Após 1995 passamos a saber que o relógio biológico dependia da ação de genes. O primeiro deles, chamado TOC1 foi descoberto de uma maneira extremamente engenhosa.
Alguns anos antes, em 1992, Steve Kay e seu aluno, Andrew Millar, tiveram a idéia de construir um gene que é expresso do mesmo jeito que o gene CAB2 mas que, ao invés de fazer proteínas CAB2, faz LUCIFERASE, a proteína que produz luz em vaga-lumes. Desta forma, sempre que CAB2 é feito, também é feita LUCIFERASE. Se conseguirmos medir a quantidade de luz produzida pela LUCIFERASE, usando uma câmera ultra-sensível por exemplo, sabemos quanto CAB2 existe. Se a a quantidade de CAB2 varia ao longo do dia, também irá variar a quantidade de LUCIFERASE e, consequentemente, a quantidade de luz pr0duzida por ela.
As plantas que possuíam este gene, portanto, brilham e seu brilho varia durante o dia. Abaixo, podemos ver uam animação mostrando o brilho da planta variando ao longo do dia (fonte). A animação mostra a variação de luz liberada pela planta ao longo do dia.
Plantas que brilham!
Bem, tais plantinhas-vagalumes são interessantes por si só mas a coisa é mais embaixo: Millar e Kay usaram-nas para se medir a função do relógio biológico. E mais: foram atrás de plantas que possuíam defeitos no relógio. Para isso, eles pegaram uma população imensa de plantas e provocaram mutações. Após checarem os ritmos de luz em milhares de indivíduos, eles identificaram um que tinha defeitos no relógio biológico: o período de seu brilho era de 21 h e não 24 h. Eles deram a este mutante o nome de toc1-1.
A descoberta do toc1-1 trouxe o estudo de relógios biológicos para a modernidade. Hoje sabemos que este mutante possui a proteína TOC1 defeituosa e este defeito faz com que o relógio corra mais rápido. Após a identificação de TOC1, vieram outros, CCA1, LHY, etc. Hoje em dia sabemos quase tudo sobre o relógio de plantas. Graças à plantas que sabem brilhar.
Fonte: Millar A.J., Straume M., Chory J., Chua N.-H. and Kay S.A. (1995) The regulation of circadian period by phototransduction pathways in Arabidopsis. Science, 267, 1163-1166.
Este post faz parte da Blogagem Coletiva: Descobertas Científicas e foi escrito com MUITO sono. Me perdoem qq coisa….

Brontossauros na Revista FAPESP

Na verdade, seu alter-ego.
Na Revista Pesquisa FAPESP deste mês tem uma reportagenzinha legal, “Engrenagens do tempo” sobre o meu trabalho de doutorado, feito em Cambridge (Inglaterra).
É muito legal ter seu trabalho divulgado desta maneira.

“Já sabíamos que a ADPRc era responsável por ativar parte dos mecanismos de proteção da planta, entre eles o fechamento de pequenos poros existentes nas folhas para evitar a perda de água”, diz Hotta, que teve papel fundamental no planejamento, na condução e na análise dos resultados da pesquisa realizada durante seu doutorado em Cambridge entre 2003 e 2007. “Agora vimos que a ADPRc também pode incorporar informações sobre mudanças ambientais ao relógio biológico que regula a fisiologia das plantas”, afirma o biólogo, que faz pós-doutorado no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), um dos autores do artigo que descreveu o achado em dezembro passado na Science.

De lado 22: razões para não namorar um T-rex

9 razões para não namorar um tiranossauro. Hilário!

Blogagem Coletiva: descobertas científicas

Não se esqueçam da Blogagem Coletiva de terça-feira (o dia em que os ETs nos visitarão).
Escreva um texto sobre uma (ou mais) Grande Descoberta Científica. Pode ser sobre qualquer área da Ciência e coloque um comentário no Raio-X.
Dois livros “As 100 maiores descobertas científicas de todos os tempos”, de Kendall Haven, sorteados para dois blogueiros que participarem do Carnaval Científico.

Blogagem Coletiva - Descobertas Científicas

Blogagem Coletiva - Descobertas Científicas

De lado 21: desenvolvimento do paulistinha.

No Desertores da escada tem um vídeo mostrando o desenvolvimento de um ovo de paulistinha, aquele peixe listradinho (zebrafish, em inglês).
No vídeo, que tem uma visão “por cima” e “por baixo” (termos que não fazem sentido em uma esfera). Dá para ver o ovo cheio de células (os pontinhos brancos são os núcleos) que começam a se migrar para uma região do ovo, formando um anel. Este anel é o corpo do peixe, que abraça as substância nutritivas da gema do ovo. Depois é possível ver a formação da cabeça na esquerda (com dois olhões) e das vértebras, na direita.
Veja lá o vídeo, depois compare com este de baixo, que tem a visão lateral.

O vídeo acima começa antes e está mais acelerado. Nele, é possível ver as células se proliferando e cobrindo toda a gema (círculo interno). Esse é o começo do vídeo que está nos Desertores. Daí é só comparar e ver o mesmo fenômeno acontecendo.
Este vídeo também saiu na Science de hoje, que está divertidíssima (momento Sheldon).

Artrópodes do Cambriano tinham comportamento coletivo

Parece um camarão...

Parece um camarão...


Saiu na Science desta semana um artigo que sugere que uma espécie de artrópode (invertebrados articulados, como insetos e crustáceos, foto acima) tinha um comportamento de viver em grupos já no Cambriano (só 525 milhões de anos atrás).
A grande pergunta é: como saber que estes organismos tinham um comportamento social analisando-se um registro fóssil[bb]? Não é como se você pegasse os pré-camarões jogando pôquer ou algo que o valha. No entanto, algumas evidência são difíceis de negar, como a foto dos demais fósseis encontrados:
Trenzinho de artrópodes

Trenzinho de artrópodes


A primeira foto deste texto mostra o único espécime encontrado sozinho. Os demais 22 registros fósseis chineses mostram os camarões Neanderthais formando trenzinhos de 2 a 20 indivíduos! Trenzinhos!
Este comportamento lembra algumas taturanas que seguem ficam uma seguindo o rastro da outra. Os cientistas responsáveis pela descrição do material até especulam que um indivíduo se agarrava no corpo do outro, assim como observado na figura abaixo:
Um artrópode atrás do outro

Um artrópode atrás do outro


Uma possibilidade é a de que estes organismos moravam em túneis compartilhados, no entanto, o material geológico ao redor do fóssil não sugere a existência de túneis. Ao contrário: ele sugere que os organismos nadavam desta forma!
O engraçado é que, em um trenzinho deste, somente o primeiro indivíduo pode comer, uma vez que a boca dos demais parece ser usada para se prender no corpo do anterior. Qual seria a lógica disto? Três possibilidades existem: sexo (para variar), migração ou defesa contra predadores. O que dificulta a análise é que este comportamento nunca foi observado em um artrópode adulto moderno.
Provavelmente nunca descobriremos a razão desta conexão. Acho que isso que me fascina na Paleontologia: tentar descobrir coisas somente através de fotografias borradas que ficaram enterradas no fundo do baú.
Fonte: Science
Evidência de comportamento social em cães

Evidência de comportamento social em cães

Nobel de Literatura e da Paz 2008

Eu nem falei do Nobel de Literatura 2008, que saiu ontem. Não é preconceito, é ignorância minha mesmo, que nem sabe o que o cara escreveu.
O prêmio Nobel de Literatura foi para o francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, que desconheço. Ele é descrito pela fundação Nobel como: “author of new departures, poetic adventure and sensual ecstasy, explorer of a humanity beyond and below the reigning civilization.” Se nem consigo entender a descrição dada pela Fundação, que o dirá a importância do prêmio…
Já o prêmio Nobel da Paz foi dado a Martti Ahtisaari, mediador de conflitos. Martti foi presidente da Finlândia e agora trabalha como mediador de conflitos internacionais. O trabalho de Martti consiste em reunir as partes em conflito e traçar meios de se terminar os conflitos. Minhas fontes dizem que a Paula está escrevendo um post mais detalhado.
Aproveito a oportunidade de lançar o Presidente Lula como mediador internacional depois de seu mandato. Gostem de suas políticas ou não, o presidente chegou onde chegou por suas habilidades na mediação de conflitos. Eu acho que o Lula demora para tomar decisões importantes talvez mesmo porque ele goste de ouvir muitos lados, porém a função do mediador não é tomar decisões, é orientar a quem as toma a decidir-se por opções que levem à resolução de conflitos e não à sua escalagem.
Acho que seria a aposentadoria perfeita para Lula, ainda mais em um continente que vira-e-mexe decide ficar explosivo. E seria ótimo ver o Lula se tornar um ganhador do Nobel. Conhecimento não se adquire apenas na escola e inteligência não é só a acadêmica.

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