Lesmas verdes e transgênicas

Lesma fotossintetizante

Lesma fotossintetizante


O que mais parece o nome de um filme B é uma realidade. Um tempo atrás falei sobre uma lesma que comia algas e retia os cloroplastos em suas células para que eles fotossintetizassem para ela.
Uma coisa que me incomodava nesta história é que cloroplastos dependem de proteínas feitas pelas células vegetais para sobreviver. No entanto, os cloroplastos sobrevivem até 9 meses dentro das células das lesmas. Como isto acontecia? Seriam os cloroplastos desta alga mais independentes de suas “células hospedeiras”?
Um estudo publicado nesta semana na PNAS, mostra uma possível resposta: as lesmas incorporaram DNA de algas em seu genoma!!!! São, portanto, lesmas transgênicas (como todos nós)! Um dos pedaços de DNA, proveniente das algas das quais as lesmas se alimentam, codifica uma proteína que é feita pela célula lesmal e é exportado para os cloroplastos.
O mais impressionante é que a transferência horizontal de genes, que é o nome chique para a incorporação de DNA de outras espécies, sempre foi considerada um evento raro. Será que este processo é mais comum do que imaginamos? Outra coisa: se o DNA foi incorporado pela lesma, porque os cloroplastos ainda não foram totalmente incorporados à lesma? Será que é só uma questão de tempo (geológico)?
Fonte: PNAS, The Loom e um incentivo do Atila.

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Discussão - 4 comentários

  1. Luiz Bento disse:

    O caminho para isso acontecer é a cada vez mais comentada transmissão horizontal de genes. Segundo o próprio Carl Zimmer, com o avança da genética estão encontrando cada vez mais casos de transferência horizontal em organismos multicelulares. Quer dizer, sempre esteve lá, mas nós teimava-mos em achar que era só com “bactéria”.
    A pergunta interessante é porque outros organismos que também se alimentam de algas não seguiram o mesmo caminho evolutivo ? Coisas da seleção natural…

  2. Claudia Chow disse:

    Eu quero incorporar no meu DNA células fotossintetizantes #comofas?

  3. Patola disse:

    Provavelmente o maquinário metabólico e celular para fabricar os cloroplastos é muito específico, complexo e espalhado pelo genoma das algas e para ser incorporado ao genoma da lesma precisaria de um número talvez impraticável (até para a evolução) de tentativas e erros. O único caminho pelo qual eles seriam incorporados à lesma é se, digamos, um décimo dos genes necessários pra fazer um cloroplasto já tivessem alguma utilidade, 2/10 também fossem úteis, e daí por diante… O que configuraria um caminho evolutivo para a lenta incorporação da fabricação.
    Isso é bastante diferente de apenas fazer os cloroplastos sobreviverem. Um composto químico a mais, outro a menos… e temos salinidade, pH, ATP e outros elementos na dose certa para que o cloroplasto não capote em segundos. Certamente o caminho evolutivo que leva a isso depende de muito menos eventos simultâneos para acontecer.

  4. Biocientista disse:

    Hummm, não tenho uma fundamentação teórica para isso, mas eu creio que essas lesmas vem se alimentando dessa alga ha muito tempo. Pode ser que, justamente por causa desse tempo todo consumindo essa substância, pode ter levado à alterações no dna, ou à uma alteração genética induzida naturalmente. Excelente tema. :)
    Abs

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