Esta semana foi particularmente excitante para paleontólogos e fã de dinossauros em geral (na verdade nenhum dos fósseis são de dinossauros, mas...). Eu até queria ter tempo de comentar todos as descobertas científicas desta semana mas vou ter que me contentar em apenas indicar os textos:
1- baleias 47.5 milhões de anos atrás: Descreveram um fóssil de baleia ancestral com um bebê baleia pronto para nascer. Fósseis em boas condições de fetos são incrivelmente difíceis de achar e as características dos animais permitem concluir que este espécime dava a luz em terra! O tamanho de um macho adulto encontrado também revelou que ele não deveria ser muito maior que as fêmeas, sugerindo que ele não deveria manter haréns ou mantinham territórios. Mais detalhes e fotos aqui e aqui e, em inglês, aqui.
2- cobras 65 milhões de anos atrás: Um fóssil de cobra de 13 m foi encontrado na Colômbia. O interessante é que os pesquisadores podem usar o tamanho da cobra para estimar a temperatura do ambiente no qual a mega-cobra vivia: répteis de tamanho muito avantajado não conseguem viver em locais muito frios. Logicamente, esta estimativa depende da cobra ancestral ter uma fisiologia comparável às cobras modernas. Mais aqui ou em inglês aqui.
3- artrópodes 400 milhões de anos atrás: Um fóssil em excelente condições de um artrópode com boca radial e dois mega-apêndices. Fósseis semelhantes foram associados à faunas do Cambriano, cerca de 500 milhões de anos atrás. A importância do fóssil não é mostrar quão antigos estes animais são mas sim que eles diraram pelo menos 100 milhões de anos! Toma puny humans (2 milhões de anos)!
4 -esponjas 635 milhões de anos atrás???? Um mistério paleontológico é que os primeiros fósseis de animais a surgirem já apresentavam inúmeras características complexas. Onde estariam as formas de transição entre coisas disformes e desorganizadas para os animais? Uma técnica ninja pode ajudar a desvendar este capítulo da história: ao invés de procurar registros como impressões do corpo, esqueletos, etc., os cientistas começaram a procurar por pedaços menores de animais e tentaram extrair substâncias orgânicas deles. O mais impressionante é que funcionou! Eles isolaram moléculas de um tipo de colesterol encontrado na membrana celular de certas esponjas modernas. Eles utilizaram esta evidência para sugerir que esponjas já existiam tanto tempo atrás. É claro que deve-se ter muito cuidado com estas conclusões, mesmo assim esta técnica promete revolucionar o modo que a paleontologia de tanto tempo atrás busca evidências! Mais informações aqui e, em inglês, aqui.
Quando criança, eu sonhava estudar dinossauros. Hoje em dia tenho
outros sonhos mas ainda tenho brontossauros no meu jardim. Por 


Commentários (9)
Dois comentários:
"A importância do fóssil não é mostrar quão antigos estes animais são mas sim que eles diraram pelo menos 100 milhões de anos". Não entendi isso. O quê durou 100 milhões? Os artrópodes? Claro que não... esse bicho parece um Anomalocaris + Opabinia, provavelmente posicionado entre os Lobopodomorpha. Esse grupo inclusive têm representantes atuais...
"Um mistério paleontológico é que os primeiros fósseis de animais a surgirem já apresentavam inúmeras características complexas"... hum, acho que não. Há uma série de fósseis de prováveis animais bastante simples - a fauna de Ediacara é um exemplo - que remontam datam de 560-600 milhões atrás. Vernanimalcula, apesar dos possíveis três folhetos embrionários, também não era lá tão complexo e seus fósseis têm cerca de 600 milhões de anos. Na literatura, há muitas evidências de fósseis de esponjas quase tão antigas quanto as novas inferências, com base em possíveis espículas fossilizadas. A nova descoberta é interessante mas não é tão revolucionária assim...
Escrito por: Charles Morphy | fevereiro 6, 2009 4:45 PM