Desafio do Beakman!

Estou em um congresso em Búzios… vida de cientista é dura às vezes.
Como não sei se vou ter tempo para postar, deixo um desafio. Expliquem isso:
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A Hora do Planeta: uma outra forma de se ver

Critiquei a Hora do planeta, particularmente a forma isolada da ação e como ela pode fazer pessoas que não têm nada de ecológicas sentirem que fazem algo para o planeta. Segue um comentário muito bacana do Daniduc, cujas opiniões acompanho desde o Cybershark, sobre uma outra forma de se encarar a Hora do Planeta.

Credenciais? As minhas: desde 2007 não temos carro – 70% do meu transporte é feito por bicicleta, 20% de transporte público, 10% a pé. Cortamos o consumo de carne vermelha, não uso sacos de supermercado em não sei qto tempo (mochila Deuter é fiel companheira), consumimos frutas e vegetais frescos preferencialmente comprados de fazendeiros locais (boerenmarkt), economizanos luz, agua e aquecimento o qto podemos apesar destas contas serem pagas pela empresa e portanto teoricamente podermos gastar o qto quisermos.
E eu acho a Hora da Terra legal. E não me acho ecologicamente superior a ninguém.
Eu acho que a questão não é quem é ecologicamente superior, claro.
Há pessoas que vão apagar a luz e achar que está tudo pronto? Ahã, certamente. E há ainda mais um monte de gente que nem isso fará. E é por causa desse monte de gente que precisamos de um Hora da Terra. E acho que precisamos, porque ela oferece a oportunidade perfeita pra falar com as pessoas que acham que apagar as luzes por uma hora no ano é suficiente. Dizer, “ei, cara, legal que você participou. Já que você está interessado, porque não fazer outras horas da terra? Tipo, simples: pare de usar saquinho de supermercado e use uma mochila. Você já parou pra pensar quanta mata é posta abaixo pra alimentar gado? Vá mudando aos poucos a sua vida, acrescentando um tico a cada dia até todas as suas horas serem horas da terra.”
Porque a realidade é que só você vivendo certo ecologicamente não vai mudar nada. É preciso que esses caras que só desligam a luzinha uma vez por ano e acham que tá bom também façam isso. E os caras que nem isso fazem, também. E a hora da terra é um jeito, uma oportunidade pra começar a falar disso, e convencer estas pessoas, por imperfeito que seja. Dispensar a inciativa porque nem todo mundo que participará dela é 100% engajado, ou está nessa só pra ser cool e in e posar de descoladinho pros vizinhos, é jogar fora o bebê com a água do banho.
Ficar no seu canto pensando “*minha* parte eu faço, *eu* vivo ecologicamente certo o ano todo, então não tenho que participar de manifestação nenhuma” também não vai resolver nada. Em vez de atacar a iniciativa, eu prefiro usar ela como oportunidade pra espalhar a idéia pra o mais gente possível.

Definitivamente não critiquei quem já faz muito e ainda vai participar da Hora do planeta. Muito menos os que fizeram um esforço extra para propagar a mensagem durante o evento. Ainda acho que a WWF poderia ter explorado melhor a Hora do Planeta e que o protesto pode trazer prejuízos físicos (por causa dos picos de energia ao se desligar e ao ligar muitas luzes ao mesmo tempo).
Quem sabe não tentamos transformar a Hora do Planeta em um evento realmente efetivo nos próximos anos? Será que os prédios e monumentos que ficaram apagados por uma hora não poderiam ficar apagados sempre? Ou ficar acesos somente por uma hora durante a noite? Repito: ser ecológico não é apagar as luzes que iluminam três faces de seu prédio por uma hora, é parar com esta mania estúpida de chamar atenção para a sua sede.

Lagartas clicantes avisam quando vão vomitar

Alguns comportamentos dos animais são difíceis de se entender. Algumas lagartas, por exemplo, clicam. Isso mesmo, clicam. E o fazem múltiplas vezes, utilizando suas mandíbulas, em sequências de 50 a 55 cliques que duram mais de um minuto. Este estranho comportamento já é conhecido por décadas. No entanto, a sua função, se existente, é desconhecida.

lagartas03.jpgEm um trabalho de 2007, pesquisadores canadenses e americanos propuseram a hipótese de que os cliques servem de aviso para predadores. Como se as lagartas avisassem os demais que são faixa-preta de caratê, só que, ao invés de dar um ippon, as lagartas vomitam um líquido de gosto ruim (cada um com suas armas).

É muito comum encontrar animais com certos padrões de cores, como amarelo/preto e vermelho/preto, que servem para avisar predadores de seu gosto ruim ou conteúdo venenoso. Desta forma, predadores podem aprender a evitar (alguns já nascem sabendo) animais que possuem estes avisos. Ganha o predador, que evita passar mal, e ganha a presa, que evita virar janta. Estes padrões de aviso são chamados de aposematismo. No caso das lagartas, especula-se que este aposematismo seria baseado em sons ao invés de cores.

Para se testar se os cliques das lagartas podem funcionar como aposematismo, os pesquisadores fizeram as seguintes predições: 1) os cliques estarão associados ao ataque de predadores e, quanto mais ataques, mais cliques, 2) predadores conseguem ouvir os cliques, 3) os cliques precedem, na maior parte das vezes, a ação de se vomitar e 4) os predadores não gostam do vômito.

No primeiro caso, os pesquisadores notaram que, quanto mais eles pinçavam as lagartas, mais elas clicavam. Além disso, como pode ser visto abaixo, quanto mais pinçadas, maior as chances das lagartas vomitarem (68% das vezes, quando as lagartas eram importunadas 5 vezes). Já, se as lagartas eram atacadas por pintinhos galinhas, elas vomitavam 85% das vezes. Interessantemente, todas as lagartas – 16 delas – sobreviveram aos ataques dos terríveis pintinhos galináceos, que abandonavam a presa assim que os cliques começavam ou o vômito era lançado. Somente em três casos, os pintinhos as galinhas retornaram para bicar as lagartas após os vômitos (Retards, we all know one). Além disso, na maioria das vezes as lagartas clicavam antes de vomitar mas não depois.

lagartas01.jpgEm outro experimento, os pesquisadores cobriram larvas de besouros e ração com o vômito das lagartas e os ofereceram para formigas e camundongos. As formigas evitavam as larvas de besouro ao máximo, demorando 4 vezes mais tempo para atacá-las (figura abaixo) enquanto os camundongos comiam apenas 60% da quantidade ração geralmente ingerida.
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Estes experimentos mostram que o vômito das lagartas pode ser sim uma estratégia contra ataques de predadores e que os cliques podem ser usados pelos atacantes como aviso contra o vômito. A vantagem do uso de sons como aposematismo é que as lagartas podem se camuflar no ambiente e só usar o aviso quando forem encontradas.
Faltaram experimentos mostrando que os cliques são entendidos pelos predadores como sinal de aviso, apesar das frequências e intensidade dos sons serem audíveis pelos predadores.

Sarah G. Brown, George H. Boettner and Jayne E. Yack (2007) Clicking caterpillars: acoustic aposematism in Antheraea polyphemus and other Bombycoidea. Journal of Experimental Biology 210, 993-1005 doi: 10.1242/jeb.001990

Não gosto da Hora do Planeta

Não gosto desse negócio da Hora do Planeta.
Quando falo isso me olham como se tivesse destruído milhares de hectares de cerrado para plantar soja.
Não importa se procuramos em casa viver uma vida sem comprar quase anda, se reciclamos, fazemos compostagem, levamos sacolas pro supermecado, reduzimos o consumo de carne, economizamos água e luz de forma desesperada, compramos frutas e vegetais frescos, etc. durante o ano inteiro.
Porque as pessoas que irão apagar as luzes por uma hora hoje, em uma atitude que faz mais as pessoas se sentirem bem do que o planeta em si, vão se sentir ecologicamente superiores a mim, que ignorarei a mal-humoradamente a ação.

Resenha: Infinitas formas de grande beleza

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Há uma grandiosidade singela neste modo de enxergar a vida, com suas diversas forças de crescimento, assimilação e reprodução, tendo sido originalmente soprada sobre a matéria gerando uma ou algumas poucas formas, e enquanto este nosso planeta girava de acordo com leis fixas (…) de uma origem tão simples, pelo processo de seleção gradual de mudanças infinitesimais, infinitas formas de grande beleza evoluíram.

Assim terminava o rascunho de 1842 da Origem das espécies de Charles Darwin. O título do livro de Sean Carroll ainda pode ser encontrado nas versões finais, apesar de gostar mais deste trecho do que os que foram publicados.

Infinitas formas de grande beleza, da Jorge Zahar Editor, versa sobre um ramo relativamente novo da Biologia: o Evo-Devo. Este ramo procura entender a Biologia do Desenvolvimento sob a ótica da Evolução e a Evolução sob a ótica da Biologia do Desenvolvimento.

A Biologia do Desenvolvimento estuda os processos que permite um organismo completo surgir a partir de uma única célula. Pensar no tipo de lógica que poderia permitir um punhado de células a formar mãos, dedos, músculos e pulmões é de tirar o fôlego. Se você acha que descobrir como o nosso corpo é formado é uma tarefa ingrata, imagine tentar entender como o corpo dos outros animais se organiza e como esta organização pode ter sido selecionada pela evolução!

Tão supreendente quanto o nosso desenvolvimento é o fato de nós conseguimos entender muitos dos mecanismos gerais que o regulam. Um princípio básico é o da modularidade: os animais são feitos de blocos repetitivos que ajudam na organização de nossa forma. Dois exemplos fáceis de se notar a modularidade dos animais é uma minhoca, com seus múltiplos anéis e a centopéia, com suas incontáveis pernas. Se pensarmos bem, também temos módulos: corpo dividido em cabeça, tronco e membros; membros divididos em braço, antebarço, mão e dedos; costelas e músculos abdominais em forma de tanquinho (os meus, pelo menos), etc. Enfim, há uma lógica por trás do nosso desenvolvimento e esta lógica nos é revelada pelo livro de Sean Carroll.

Tentar sintetizar toda uma área como Evo-Devo em um livro é prticamente impossínel. No entanto, na minha opinião, Sean Carroll quase chega lá mas acho que o livro vai agradar mais aos fãs de Biologia do que os demais civis. Ler sobre a evolução dos genes Hox da explosão do Cambriano até os artrópodes atuais é emocionante porém confesso que não é para todos.

Se você é biólogo ou possui conhecimentos avançados de Biologia, este livro é uma bela oportunidade de se conhecer uma área nova e fascinante da Biologia, uma área que nos leva à origem das infinitas formas de grande beleza dos animais.

Em defesa do jornalismo científico

Após publicar dois editoriais sobre blogs de Ciência, a revista Nature da semana passada publicou uma detalhada reportagem sobre o declínio do jornalismo de Ciências e a ascensão de outras formas de se divulgar Ciência, principalmente os blogs escritos por cientistas.

Se você é um leitor frequente deste blog, você deve ter visto algumas reclamações minhas sobre jornalistas falando de Ciências. Você deve pensar, portanto, que eu, como cientista que bloga, deveria estar feliz com a morte da “velha mídia”. Não estou.

Sim, eu critico o jornalismo científico preguiçoso encontrado em diversas empresas de notícias. Aquele jornalismo que apenas replica press releases sem um pingo de senso crítico. No entanto, eu morro de admiração dos jornalistas que fazem bem o seu trabalho: aqueles que cavam histórias, buscam fontes, checam dados e escrevem uma boa história. Creio que o jornalismo investigativo, um ideal longíguo nestes tempos de cut-and-paste e “feche quatro pautas para hoje”, é essencial para a divulgação da Ciência e blog nenhum vai conseguir substituí-lo.

O jornalismo investigativo que idealizo manda os repórters para acompanhar cientistas em suas expedições de onde eles podem escrever lindas peças sob a perspectivas do homem comum. Ele também pode ir atrás de matérias que exigem o levantamento de muitos dados e a entrevista de muitas pessoas. Os repórters podem conversar com suas fontes sem se preocupar se está perdendo tempo de bancada. Com isso, o bom jornalismo pode trazer notícias inusitadas, perspectivas novas, conceitos inéditos e imagens poéticas. Tudo isso dificilmente pode ser alcançado por um cientista que bloga sobre artigos científicos nas suas horas de folga! Eu não vou ficar madrugada adentro tentando entrevistar um prêmio Nobel, ou passar três semanas no Ártico para escrever sobre como estudar ursos polares, muito menos vou ficar horas e horas conversando com um especialista para entender uma nova descoberta: é necessário que alguém seja pago para isso.

Infelizmente sei que esta minha visão de jornalismo é praticamente inexistente hoje em dia. Redações ficam cada vez menores e as exigências sobre os jornalistas, cada vez desumanas. De repente, papagaiar um press relase é questão de sobrevivência. O repórter não é mais pago para investigar mas sim para produzir letras em colunas que serão publicadas na edição seguinte ou para preencher o espaço online que não foi vendido aos anunciantes.

E o que me preocupa é que enquanto nós, blogueiros, celebramos nossa “vitória” sobre as velhas mídias, não percebemos o vácuo deixado pelo grande jornalismo, aquele que traz histórias humanas que serão lidas por milhões de pessoas com diversos interesses e não alguns entusiastas leitores de blogs.

Por isso, dois dias após destilar meu desdém por um certo tipo de jornalismo, venho expressar minha admiração pelos jornalistas científicos que lutam contra seus superiores para nos trazer histórias que não estão nos press releases. Um brinde!

Navegar é preciso: o incrível caso da formiga do deserto V

Último texto sobre as Cataglyphis fortis, formigas do deserto que acham a entrada de seu ninho após andar metros e metros pelo deserto! Quando estas formigas encontram comida, após fazer curvas e mais curvas pelo deserto, elas conseguem correr em linha reta para o seu ninho. Elas sabem a distância e a direção dele pois usam informações sobre a direção e a distância que andam para cada lado.

 Isso explica como elas conseguem chegar bem próximo da entrada do ninho. No entanto, após centenas de metros, pequenos erros de cálculo podem causar grandes desvios de seu destino final. O que fazem as formigas?

 A primeira estratégia é simples: ao perceber que a entrada do ninho deveria estar próxima, as Cataglyphis fortis mudam de comportamento: se antes elas andavam em linha reta, elas começam a andar para frente e para trás em busca da entrada do ninho. Elas primeiro andam uns centímetros além do ponto calculado e depois elas voltam uns centímetros, cada vez elas andam um pouco mais para frente ou para trás. Elas fazem isso em busca de sinais que indiquem a localização do formigueiro.

 Normalmente consideramos que o deserto do Saara, habitat destas formigas, não possui pomntos de referência. Isto certamente é verdade se você for um mero humano (puny humans!) mas é errado se você for uma formiga. Alguns experimentos mostram que a Cataglyphis fortis consegue usa sim pontos de referência no deserto, um deles mostra que ela usa certas características do terreno: como um galhinho aqui, uma halófita ali, para se guiar. Uma das características do terreno usadas é a variação nos odores.

Para testar se a Cataglyphis fortis se lembravam de cheiros, os pesquisadores expuseram os formigueiros a quatro odores diferentes, que não alteravam o seu comportamento após a primeira exposição.Depois, eles levavam as formigas para um outro local e testavam o seu comprotamento de procura do formigueiro. Na figura abaixo, os cientistas usaram a molécula indole no formigueira, depois colocaram as formigas em um túnel no local indicado pela seta negra. Um pouco de indole (em vermelho) ou de uma molécula inerte (em cinza)  foi colocada na região pontilhada. Quanto mais a formiga procurava pelo ninho, maior são as colunas.

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É possível ver os locais onde as formigas procuravam mais inetnsamente pelo ninho no local do cheiro a que foram expostas no formigueiro, enquanto no experimento controle, elas procuravam em vários locais diferente, inclusive no local onde foram deixadas, ignorado pelas outras formigas. Este experimento sugere que o olfato pode ser um improtante sentido para as formigas mapearem o local no qual elas vivem.

Esta série de textos explorou um pouco de como um ser simples como uma formiga, ocupado com uma tarefa tão cotidiana quanto procurar comida, pode trazer muitas novidades interessantes de como os animais funcionam. Essas pesquisas trarão tecnologias novas, salvarão cachorrinhos ou farão os mortos ressuscutar? Provavelmente não mas elas aumentam o nosso conhecimento do universo no qual vivemos, esta sim a verdadeira funçaõ da Ciência.

Kathrin Steck, Bill S Hansson and Markus Knaden. Smells like home: Desert ants, Cataglyphis fortis, use olfactory landmarks to pinpoint the nest. Frontiers in Zoology 2009, 6:5doi:10.1186/1742-9994-6-5

Cara Ruth de Aquino,

a sua coluna de 20 de março de 2009 intitulada “O besteirol na ciência é melhor que no Senado – ler sobre pesquisas científicas de universidades respeitadas é uma receita certa para dar risada” foi construída sobre idéias extremamente equivocadas sobre a Ciência. Não vou defender as pesquisas que você citou mas, por exemplo, é extremamente irônico você criticar uma delas por usar apenas 21 indivíduos para tirar conclusões quando você cita 4 ou 5 estudos, escolhidos a dedo e distorcidos ao seu bel prazer, para classificar pesquisas científicas de “besteirol”.
Obviamente, para comprovar a sua tese, a senhora teve que ignorar as dezenas de novidades científicas que surgem diariamente: só a última semana tivemos um artigo importantíssimo do brasileiro Nicolelis sobre o mal de Alzheimer, condição que afeta mais de 25 milhões de pessoas no mundo e que, por causa do envelhecimento de nossas populações, será um problema seríssimo no futuro.
Você ainda discorda de conclusões científicas porque sua experiência mostra o contrário ou desqualifica outras por acharem óbvias demais. O papel da Ciência é exatamente desafiar o nosso senso comum, que um péssimo parâmetro para se descobrir como funciona o nosso universo. Por essa razão, é necessário realmente testar o senso comum para ver se ele corresponde a realidade. Algumas vezes, como no caso do estudo das crianças e brincadeiras, as resposta é positiva, outras vezes como no caso das mulheres e os homosexuais, não. Acho que não preciso dizer que outros estudos e novos experimentos podem perfeitamente mudar ambas conclusões.
Sinceramente, não consigo entender a origem deste sentimento anti-científico. Seria culpa de nosso sistema educacional, que não valorizou a Ciência ou seria culpa de coberturas jornalísticas equivocadas que apenas escolhem pesquisas aparentemente esdrúxulas para figurar entre suas manchetes?
Por exemplo, o prêmio IgNóbel não é um prêmio dado para esculhambar pesquisas científicas. Ele existe para criticar pesquisas pseudo-científicas e para celebrar conclusões curiosas obtidas a partir de experimentos científicos. A Ciência serve como lentes que nos permitem entender melhor o nosso universo, seja para saber como o Sol queima ou para saber se pulgas de cachorro pulam mais alto do que a de gatos. No entanto, a mídia sempre acaba vendendo a imagem da esculhambação.
Pessoalmente, creio que sua visão equivocada da Ciência como besteirol é apenas o resultado do péssimo trabalho das editorias de Ciências nas salas de imprensa no país (com notáveis exceções). Tais editorias apenas replicam press releases e interpretam seu conteúdo de forma equivocada. Certamente este é um desserviço ao conhecimento científico que acaba gerando distorções de opinião como a sua matéria e alguns comentários na página.
Ruth de Aquino, se você quer saber mais de pesquisas científicas e seus resultados, passe longe dos jornais: leia blogs de Ciência!

No futuro, a cana-de-açúcar do futuro

Estou em um workshop na FAPESP sobre o melhoramento da cana-de-açúcar para fazer etanol. São discussões de altíssimo nível com as maiores autoridades mundiais no assunto! O que está em jogo aqui é a supercana que vamos usar em 10 anos!
O bom é que estou no meio do furacão, tendo que escrever um artigo científico reportando o que está aconetcendo para o resto da comunidade. O ruim é que com isso, mais o lançamento do ScienceBlogs Brasil, não estou com tempo de sentar e aproveitar a casa nova :(
Semana que vem, prometo!

Navigation is required*: the incredible case of the desert ant

This is the english version of a post written in portuguese, which can be found here.

The desert ant Cataglyphis fortis is able to find its nest even after walking for meters like crazy in the featureless Sahara desert. It manages that by integrating two information: the direction it is walking and the distance. Every time it walks towards a direction, it manages to recalculate where its nest is supposed to be with great accuracy.
In order to know to which direction the desert ant walked, it ant uses what we call a celestial compass (seriously), which I will detail in another post. Today we will understand how desert ants measure distances and, better, how mymercologists figured that out.
One of the hypothesis made by the scientists is that the ants can measure their energetic status. Basically, they would be able to estimate how much gas they still have in their tanks and use this information to calculate the distance they already have travelled. However, ants are able to correctly measure the travelled distance even carrying objects with different weight, which would require different amounts of energy to be transported. Another hypothesis was that desert ants use the image flow from their eyes but they also managed to accurately estimate distances in the dark.
What Cataglyphis fortis actually do is to count their steps. As their steps have a well defined distance, this is a good parameter to use as a reference. Now, the question arises: how the scientists managed to test this hypothesis?
The first step :) was to figure out a way to measure C. fortis notion of distance. To do that, they made the ants walk thought a corridor from their nests to a food source. When the ants reached the food, the scientist took them and put in a second parallel corridor. In this corridor, the ants would walk for a distance equivalent to the distance they walked to the food source before starting a searching behaviour for their nest. Believe or not, they always guessed this distance from the food source to the nest accurately.
The second step was to try to change the step-counting system of the desert ants. How would they do that? Heavy drugs? Lobotomy? That was the million dollar question! What they did was to change the length of the ants’ steps! After all, if their steps where larger, they would cover a greater length with the same number of steps. So, after the ants arrived at the food source, the scientists would get them and either cut a piece of their legs or put small pieces of plastic to extend them! The image bellow shows what was done and, if you pay close attention to the photo above, you will notice the red pieces of plastic used. Surprisingly, the ants were able to walk without problems afterwards!

The last step was to repeat the first experiment with the ants with different leg length. In the figure bellow, we can see the frequency of the search behaviour plotted against the estimated distance to the nest. The behaviour of a normal ant is in purple: they usually intensify the search behaviour exactly where the nest was supposed to be. Ants with legs cut, in green and yellow, start their search behaviour before the place the nest was supposed to be. Indeed, they walked a smaller distance with the same number of steps. The opposite happens with the ants with plastic pieces, in red. The data also coincide with the theoretical predictions.

Moreover, if the ants with stilts or stumps went to the food source from the nest in those conditions, they would estimate their distance to their nest accurately, showing that the whole treatment did not impair the ant’s ability to measure distances.

This set of experiments allowed the scientists to finally conclude that the ants measure distances by counting their steps. In this video, in German, you can see all the parts of this experiment: how ants behaviour in the field, how the experiment with the corridor works, the ants’ search behaviour and how they change their legs length. I did not understand what they are saying, to guarantee its quality but the images are certainly amazing. Enjoy!
Wittlinger, M., Wehner, R. and Wolf, H. (2007). The desert ant odometer: a stride integrator that accounts for stride length and walking speed. J. Exp. Biol. 210, 198-207.
* translator note: the title is a reference to the Portuguese poet Fernando Pessoa, whose famous verses can be understood either as “Navigation is required/ it is not required to live” or “Navigation is accurate/it is not accurate to live”.

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