Todo mundo conhece os famosos rastros de carbono de muco deixados pelos caramujos, lesmas e caracóis em suas caminhadas. Algum dia você Já se perguntou qual seria a função do muco para os gastrópodes?
Por incrível que pareça, esta pergunta é difícil de se responder. Em gastrópodes terrestres, o muco certamente ajuda aquela lesma gordona a subir pela parede da casa da vó. No entanto, gastrópodes marinhos também produzem muito muco, o que sugere que tal substância deve possuir outras funções. O muco, por exemplo, pode ajudar a tornar superfícies mais lisas e mais fáceis de se deslizar. Outra possibilidade é o uso do muco como guia para o gastrópodo conseguir navegar por locais já conhecidos, voltar para a casa ou para encontrar outros gastrópodos (e gastrópodas, quando relevante). Há ainda os que acreditam que os caramujos liberam o muco para capturar partículas flutuantes na água que podem ser ingeridas depois.
Seja qual for a função do muco, ela deve ser muito importante. Afinal, estima-se que um gastrópode pode gastar até 30% de seu orçamento energético produzindo muco! Para se ter idéia, o gasto de energia fazendo muco é cerca de 35 vezes o gasto de energia do metabolismo basal destes moluscos. Imaginando-se que as pressões seletivas punem sem dó extravagâncias energéticas (dinossauros, estou olhando para vocês!), dá para imaginar que, se gastrópodes tivessem Twitter, a tag #muco seria uma das mais utilizadas. No entanto, isso não quer dizer que os gastrópodes desperdiçam preciosa substância: um estudo publicado no Proceeding of the Royal Society em 2007 mostrou que os gastrópodes sabem economizar na hora de produzir muco.
Para descobrir isso, uma equipe de pesquisadores mediu a espessura do muco deixado por caramujos marinhos (Littorina littorea) utilizando-se uma engenhosa combinação de substâncias fluorescente e lasers (é verdade!). A espessura média da camada de muco foi de 35 micrometros (0.035 milímetros). Surpreendentemente, quando os caramujos passavam por camadas de muco já existente, a espessura das camadas não eram duplicadas! Estas camadas duplas de muco eram apenas 27% mais espessas que as camadas simples. Isso sugere que os caramujos conseguiam detectar a presença de muco no substrato e liberar uma quantidade muito menor de seu próprio muco! Isso significa que os caramujos podem economizar muita energia seguindo trilhas de muco já existentes.
Portanto, alguns caramujos seguem trilhas de muco pré-existentes para economizar muco. Esta estratégia é mais significante ainda em locais rugosos, onde os gastrópodes precisam aumentar a quantidade muco liberada a fim de deixar a superfície mais lisa.
No Twitter dos gastrópodes, os caramujos só te seguem para usar o seu muco.
Ah, e assistam o vídeo que o Atila botou no blog dele.
Fotos: BotheredByBees, lowjumpingfrog (nenhum dos dois caramujos das fotos são da espécie estudada)
Quando criança, eu sonhava estudar dinossauros. Hoje em dia tenho
outros sonhos mas ainda tenho brontossauros no meu jardim. Por 



Commentários (3)
Eu sou estudante de ciências biológicas e sou estagiário em um laboratória chamado LDIP(Laboratório de Doenças Infecciosas e parasitárias),aqui trabalhamos com uma seria de moluscos estre eles a Achatina fulica(Caramujo gigante africano),que por sua vez produz grande quantidade de muco,esse muco é um cicatrizante muito potente ainda mais quando o molusco é alimentado com plantas que possue tal efeito,pois parte dos metabolitos da planta são excretados no muco potencializando esse poder de cicatrização,percebi que os animais liberam muco para locomoção e em certas epocas simplismente não liberam esse muco na mesma quantidade(que para mim, quanto mais melhor pois ajuda em meus testes) sempre me perguntei o porque,esse tópico foi muito esclarecedor obrigado.
Escrito por: Alékos Elefthérios | março 10, 2009 4:02 PM