Causos de laboratório II
O Luciano Zuba, cujo blog tem uma URL sugestiva, mandou a seguinte história de laboratório:
No século passado, no antigo ano de 1994 eu havia acabado de passar para o segundo semestre de engenharia mecânica. Todo orgulhoso por ter vencido a primeira etapa e muito feliz por poder me vingar nos calouros e ganhar uns trocados para comprar o liquido obtido a partir da fermentação de matéria com amido, derivado de cereais ou de outras fontes vegetais (cerveja).
A cerveja era nossa companheira diária. Eu e o Perna, grande amigo e bêbado até hoje, estávamos em uma aula de Física Experimental II, sobre dilatação linear em metais. Nessa aula, algumas barras de diferentes materiais eram imersas em vapor d’água por um tempo, quando deveríamos comparar a diferença de comprimento função da dilatação. Depois comparar com um padrão para indicar o material de cada barra.
Sob os efeitos do álcool, nos sentindo inteligentes, lindos e sabidos, queríamos acabar logo a experiência e voltar para o boteco. Deveríamos pegar as barras aquecidas como uma tenaz, medir com um paquímetro e devolver para a próxima dupla. Infelizmente, conforme comprovado cientificamente o álcool faz o mais covarde dos homens se sentir poderoso e perder a noção do perigo.
Peguei a barra com minhas mãos, sem nenhuma proteção. Passaram-se alguns segundos até a mensagem de dor chegar ao meu centro nervoso bêbado, que retornou um comando: “Solte agora!!!!”. Este comando demorou alguns décimos de segundo para ser obedecido, depois de uns poucos segundos o comando foi acompanhado por uma expressão de dor: “Ai!!!! Quente!!”. Finalizamos e experiência no nosso ritmo sem maiores percalços.
Durante a segunda parte da minha estada no bar, não senti muito as queimaduras nas mãos devido aos copos gelados de cerveja que tomava. Bem mais tarde, no meio da madrugada, fui tirado do sono por uma dor nas mãos. Acordei e fiz um retrospcto sobre os acontecimentos do dia (o Laboratório de Física!!!). Depois de alguns minutos pensando se deveria pedir ajuda e sobre uma boa desculpa eu desisti. Não tinha desculpas sobre uma queimadura no meio da madrugada, ainda mais que você não reclamou dela quando chegou em casa. Criei coragem e acordei a minha mãe com um pedido no mínimo estranho: “Mãe, tem pomada para queimadura?”.
Atualmente tenho pequenas marcas na mão, um orgulho intacto e nenhuma carreira cientifica.
Duas coisas interessantes: quando pegamos em algo queimante, o comando de largar o objeto chega antes de termos consciência da dor. Quando a nossa pele sente o dano celular causado pela queimadura, o sinal é mandado para a nossa medula espinhal e o comando para soltar o objeto já vai para a mão, sem passar pelo cérebro. Chamamos isso de arco reflexo.
Ao mesmo tempo, o sinal de “quente! quente! quente!” sobe pela medula espinhal e vai para o nosso cérebro. Diz a lenda que os neurônios responsáveis por este sinal não são lá os mais rápidos da paróquia, por isso acabamos por ter consciência da queimadura milisegundos depois de ter largado o objeto. A mesma lenda diz que estes neurônios não são tão rápidos por causa da estrutura de suas bainhas de mielina, que também explicam o porquê da sensação de temperatura é uma das primeiras a voltar após a anestesia. Alguém pode me confirmar isso?
Ah! e álcool no laboratório só se for acima de 70%! E mandem suas histórias de laboratório para mim aqui!



Discussão - 3 comentários
Gente, o Tio Zuba por aqui? Oh!
Tenho certeza que ele tem muita coisa engraçada pra contar! Ricardo e eu já presenciamos ao vivo.
=)
Ainda bem que são histórias de laboratório. Se fossem histórias de trabalhadas na cozinha, o Zuba tomaria posse do seu blog.
Q sorte q vc ainda tem suas impressoes digitais!!
Eu nunca tive nenhuma historia de laboratorio assim, infelizmente fiz poucos. O curso de engenharia civil de Sao Carlos, na minha epoca, se resumia a pouquissimas aulas!
Gostei mto do seu relato!!