Resposta da admin do EcoBlogs
No post anterior fiz críticas à Rede EcoBlogs. Nada mais justo que publicar a sua resposta:
Agradecemos o comentário e pesquisa sobre a imagem que utilizamos. Não sabíamos de todo esse questionamento por trás da obra de Rugendas, e a mudança da cor das aves pode, de fato, dar a entender que se tratam de flamingos. Pisamos na bola…
Mas gostaríamos de esclarecer nossa posição.
Criamos a Rede Ecoblogs para ser uma referência para pessoas que, embora não estejam profissionalmente ligadas à ecologia, se preocupam em diminuir seu impacto ambiental. Por isso, convidamos blogueiros de diferentes perfis, tendo como ponto comum seus posts sobre sustentabilidade e ecologia.
Assim como nossos blogueiros parceiros, a MAPFRE acredita que mudar hábitos faz diferença. Por isso substituímos toda a iluminação externa do edifício, que eles citaram no post, por LEDs, economizando 75% no consumo de energia, e disponibilizamos pela internet relatórios que antes eram impressos, economizando 30,58 toneladas de papel em um ano.
Estas são apenas algumas das ações sustentáveis iniciadas há três anos e que fazem parte do Eco MAPFRE, programa que consiste na implementação de melhorias ecoeficientes nos processos do Grupo MAPFRE.
Claro que ainda há muito o que fazer, mas ainda estamos aprendendo a ser cada dia mais verde. A conscientização é um processo contínuo.
Duas coisas:
- os flamingos continuam sendo flamingos, sejam vermelhos, azuis ou em preto-e-branco. As silhuetas são bem características e não há margem para outras interpretações. Eu até pensei que fossem guarás no início mas o Guilherme confirmou que são mesmos flamingos.
- esforços de se economizar gastos de energia e diminuição do lixo produzido são imprescendíveis para uma empresa. No caso de uma empresa que quer se vender verde, economizar 75% com iluminação de fachada não é o suficiente. Sinto muito. Estamos falando de iluminação de fachadas! Apaguem estes últimos 25%, não comprem mais LEDs para isso. A melhor maneira de se poupar o ambiente sempre é o não consumo. Como não dá para não-consumir sempre, escolhemos a alternativa mais ecológica. Se vc tem um sofá não-ecológico, fique com ele ao invés de trocá-lo por um sofá ecológico chique! Mas é claro que isso é a minha visão de ambientalismo, visão que não combina com a divulgação e a divulgação de inúmeros itens de consumo (por mais verdes que sejam). Também peco muitas vezes em relação a isso mas é o caminho que acho mais adequado.
Flamingos na Mata Atlântica: o mais antigo Photoshop Disaster
Hoje é dia da Mata Atlântica. Dois meses atrás, a Rede Ecoblogs lançou a imagem abaixo para comemorar este dia.

Sim, amigos. A imagem em comemoração à Mata Atlântica, esse importantíssimo mas pouco lembrado bioma brasileiro, contém quatro flamingos! Flamingos até existem no Chile, Peru e Argentina (além da África, partes da Europa e Caribe) mas não há, definitivamente, flamingos na Mata Atlântica, e nem é preciso ser especialista para saber disso. Tudo bem, nada espantoso de uma Rede financiada por uma empresa que acredita que iluminar TRÊS lados de seus prédios de noite com luzes pode ter algo de ecológico.
Uma das coisas que cogitei foi que os flamingos tivessem sidos colocados lá pelo designer responsável, uma vez que a imagem foi claramente photoshopada no trecho (os flamingos, e toda a região foi duplicada). Ou então que fosse ilustração de outra floresta. Mal sabia que a história é muito mais legal que um simples erro internético.
O primeiro passo foi encontrar o autor da imagem original e compará-la com a imagem acima, coisa que a Paula Signorini fez para mim:
Esta imagem está marcada como “Rugendas – Mantiqueira” no site As Minas Gerais. Notem que as misteriosas aves estão azuis, cor que também foram adicionadas posteriormente, uma vez que Rugendas publicou suas obras como litografias lá no começo do século XIX.
Rugendas é um pintor alemão que é famoso por aqui por ter feito inúmeras ilustrações que retratam as paisagens naturais brasileiras e um pouco de nossa população da época. Seu trabalho mais famoso é a obra Viagem Pitoresca através do Brasil em 1835, resultado de suas aventuras acompanhando a expedição Langsdorff, a qual abandonou (ou foi abandonado) antes de chegar à Amazônia.
De acordo com o ornitólogo Dr. Guilherme Renzo Rocha Brito, com a ajuda do livro Rugendas e o Brasil de Pablo Diener e Maria de Fátima Costa (editora Capivara), “Rugendas entrou com as gravuras originais a óleo e lápis e parte do texto (na verdade ninguém sabe direito quem escreveu o texto)….e o editor com a grana e uma série (acho que
de artistas de litogravura (que nunca pisaram no Brasil) que transformaram as pinturas originais em pedra!!! Obviamente muitos dos litógrafos eram artistas e tiveram certa “liberdade poética” (no caso litográfica) em alterar e colocar suas marcas nas litogravuras resultantes, inclusive muitos assinando-as depois!!”
Ou seja, as litografias do livro foram feita na Europa por artistas que se basearam nas descrições e pinturas de Rugendas. Muitos, como o francês A. Joly, autor desta litogravura em particular, nunca pisaram no Brasil, o que não os impediu de colocar muitas espécies de plantas e animais não tupiniquins (na verdade a pintura original foi perdida, então culpar o A. Joly pode ser precipitado).
Um comentário de von Martius, um naturalista que explorou muito o nosso país: “Eu vi o primeiro caderno de desenhos de Rugendas. Parece-me que há aí mais bom gosto que verdade. Assim, por exemplo, na selva aparecem pássaros africanos, e na região de montanhas há araucárias junto com palmeiras.” Ele ainda complementa: “Tenho visto várias coisas da obra do Sr. Rugendas. É recomendável em qualquer caso de concepção artística e por aquele agradável trabalho próprio de toda litografia francesa. Pelo demais, isso sim, deve notar-se que a maior parte dessas representações foi elaborada na Europa.”
Guilherme Brito ainda complementa a explicação dizendo que a obra não retrata a Serra da Mantiqueira mas sim a “Forét Viérge prés Manqueritipa / dans la province de Rio de Janeiro” (Floresta virgem de Mangaratiba na província do Rio de Janeiro).
O livro de Pablo Diener e Maria de Fátima Costa complementa:
“Não conhecemos o desenho no qual Joly se baseou para riscar na pedra essa paisagem da Mata Atlântica, que von Martius criticou pela presença de pássaros estranhos ao ambiente. À falta do desenho inicial, não podemos emitir um juízo sobre o motivo representado originalmente, porém creditamos o desvio ao gravador que, aliás, demonstra pouca soltura ao desenhar as árvores e o conjunto florístico em geral. Até onde conhecemos a obra de João Mauricio (Rugendas), é fácil imaginar que o resultado preparatório tivesse muito mais leveza, como se pode verificar em uma folha que apresenta uma composição semelhante. Por outro lado, no conjunto da sua obra são raras as vezes que o artista-viajante registrou algo que jamais tivesse visto. Uma singularidade desta prancha é o fato de ser a única sem nenhuma referência à presença humana!”
O mais interessante é saber que ilustradores que dão um jeitinho em imagens existem desde o século XIX. O que não pode é chegar no século XXI e multiplicar o erro por dois.
Agradeço ao Lama pela consultoria e pelos trechos do livro.
Imagens: Ecoblogs e As Minas Gerais
6 – Qual é a causa da discrepância entre dados suspeitos e os oficiais?
Esta é uma série de posts que refletem minhas reflexões sobre a gripe suína nos últimos dias:
1 – Como se identifica a gripe suína?
2 – Por que a demora na confirmação nos casos no Brasil?
3 – Como se produz vacina contra gripe suína?
4 – A gripe suína é fraca?
5 – Podemos ficar tranquilos em relação a esta gripe?
6 – Qual é a causa da discrepância entre dados suspeitos e os oficiais?
7 – Por que é difícil prever os rumos da pandemia?
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6 – Qual é a causa da discrepância entre dados suspeitos e os oficiais?
O Brasil tem 9 casos de gripe suína confirmados e 17 suspeitos. O número de casos confirmados tem se mantido estável mas o número de suspeito está sempre variando entre 15 e 30. Isso é porque casos suspeitos são os de pessoas que voltaram de locais com gripe suína em menos de dez dias e apresentaram sintomas da gripe. Há também os que estiveram em contato com pessoas contaminadas e apresentam sintomas em menos de dez dias. Só que existe muito mais do que influenza A/Mexico City 2009/H1N1 no mundo. A H3N2,por exemplo, tem sido uma variedade muito detectada entre os que apresentam sintomas sérios de gripe. Para se ter uma ideia, já descartamos 308 casos suspeitos de gripe suína. Para o caso ser cofirmado, só com testes de laboratório.
7 – Por que é difícil prever os rumos da pandemia?
Quando começaram a surgir os casos de gripe suína, não pararam de surgir previsões de quantos seriam infectados. Nos primeiros dias, era difícil saber quais eram as taxas de infecção e a taxa de mortalidade, principalmente porque havia poucos laboratórios fazendo a confirmação dos casos e muitos casos suspeitos.
Agora, sabemos um pouco mais sobre os padrões de infecção desta nova variedade de vírus mas, aos poucos, começamos a perder o controle do número real de doentes. Isto acontece porque, uma vez constatada que esta gripe não é pior do que uma gripe normal (o que não significa que ela seja branda), muitas pessoas infectadas pararam de procurar hospitais. Além disso, pouco sabemos do número de pessoas que não desenvolvem sintomas ou que desenvolve sintomas bem leves. Por isso muitos pesquisadores dizem que o número de infectados atualmente nos EUA pode ser de 100 mil e, no Reino Unido, 50 mil! Pode parecer um exagero mas isso é só o reflexo da falta de informações epidemiológicas confiáveis atualmente. O melhor que temos é o CDC e a OMS mas sabemos que os seus dados são subestimados.
Outro elemento importante é quão eficazes os governos de cada país são de identificar a gripe suína e quão honestos eles são na hora de divulgar os dados. Para se ter uma ideia, de ontem para hoje, houve 20 novos casos confirmados no Chile, 18 no Kuwait e 20 no Peru. Antes de hoje de manhã, havia 24 acsos no Chile, nenhum no Kuwait e 5 no Peru. Na semana passada, o Japão confirmou 79 casos de uma só vez! Antes, o país tinah somente um punhado de casos confirmados e, de repente, estava em estado de alerta máximo. Tudo isso dificulta a vida dos analistas, que devem decidir quão extremas devem ser as medidas contar a gripe suína.
Por fim, ainda temos o fator humano. Assim que o número de casos de gripe aumenta em uma região, as pessoas mudam seus comportamentos, mudando assim a dinâmica de conatminação. Se uma cidade age rápido identificando a gripe suína em uma escola e imediatamente cancela as aulas nesta escola (gráfico abaixo riscadinho), a dinâmica da epidemia vai ser totalmente diferente de uma cidade que decide não fechar as escolas (gráfico abaixo roxo).

É por isso que devemos estar alertas para os rumos desta gripe. Decisões rápidas devem ser tomadas para que o número de hospitalizações não sobrecarreguem os hospitais ou que setores cruciais da economia sejam prejudicados. É preciso lembrarmos que estamos no começo do inverno – a época das gripes-, que o número de casos na América do Sul tem aumentado mais rápido que no resto do mundo (apesar de poder ser um artefato) e que recebemos muitas pessoas provenientes do México e EUA todos os dias.
Como tenho dito, é difícil prever os rumos desta gripe mas ainda acho mais difícil acreditar que teremos apenas 9 casos no Brasil.
Uma revolução infravermelha
Na semana passada foi publicado um estudo que promete revolucionar as Ciências Biológicas e, possivelmente, a forma como muitas doenças são diagnosticadas. Mas, antes de entrar em detalhes, vamos dar uma volta no túnel do tempo.
Em 2004 tive a oportunidade de ver Roger Tsien falar em um curso de microscopia de fluorescência. Seguindo o jeito informal do curso, Tsien nos apresentou um pouco de suas últimas criações no mundo de marcadores fluorescentes. Foi lá que concluí que ele certamente ganharia um prêmio Nobel pelo seu trabalho, profecia que se concretizou no ano passado.

O Nobel de Tsien foi dado pelo uso e abuso da GFP, proteína fluorescente verde. Como o nome diz, a GFP brilha em verde (509 nm) ao absorver luz em um determinado comprimento de luz (488 nm). Se fizermos um tecido expressar a GFP, por exemplo, podemos monitorá-lo usando um microscópio de fluorescência, o mesmo vale para proteínas. Parte da vida acadêmica de Roger Tsien foi dedicada à alteração da GFP, e outras proteínas fluorescentes, para gerar uma paleta variada de cores, todas usadas para entender o intricado funcionamento das células.
Uma das coisas que mais me impressionou na palestra de Roger Tsien foi sua idéia de desenvolver marcadores fluorescentes na faixa do infravermelho. Explico: todos os marcadores fluorescentes funcionam na faixa do espectro visível e do ultravioleta. No entanto, estes comprimentos de onda são muito absorvidos pelos tecidos vivos, o que não acontece com ondas na faixa do infravermelho! Ou seja: um marcador fluorescente no infravermelho pode ser usado para monitorar organismos inteiros por causa da sua alta penetração, enquanto marcadores no espectro visível ou ultravioleta exigem camadas finas de células.
Cinco anos se passaram e, na Science da semana passada, vemos o fruto dos trabalhos de Roger Tsien: as IFP (proteínas fluorescentes infravermelhas). Se as GFPs e demais vieram de águas-vivas e corais fluorescentes, as IFPs foram modificadas a partir de fitocromos de bactérias. Estas proteínas precisam de uma molécula extra para se tornar fluorescentes: a biliverdina.
As IFPs são excitadas a 686 nm e emitem a 713 nm, longe das fortes absorções da hemoglobina (tudo abaixo de 650 nm) e da água (tudo acima de 900 nm). Nesta faixa de 650 nm a 900 nm, o corpo é basicamente trasnparente, o que permitiu a equipe de Roger Tsien fazer imagens de um fígado de um camundongo vivo expressando IFPs. Para fazer o fígado expressar a IFP, ele usou um vírus, que somente infecta o fígado, para entregar os genes para IFS. A biliverdina foi entregue através de injeções intravenosas.
O resultado é espantoso: no primeiro quadro abaixo, podemos ver a IFS sem a biliverdina, no segundo quadro, a IFS com biliverdina. No terceiro quadro temos a mKate, a melhor proteína até então. No último quadro, temos a GFP, que não é possível ser detectada. Tudo isso usando um camundongo intacto!

Utilizando técnicas avançadas de tratamento de imagens é possível até ter uma definição melhor do fígado expressando a IFS! E esta é a primeira geração de IFPs: utilizando-se técnicas evolutivas que criam mutações aleatórias nas IFS, é possível desenvolver IFS mais brilhantes, mais duradouras ou de outras cores (e agora, criacionistas?).

Ainda é possível criar aparelhos que utilizam-se técnicas semelhantes à tomografia, para aumentar ainda mais a resolução das imagens, abrindo a possibilidade de se fazer ferramentas diagnósticas mais precisas no campo da saúde. Imagine só poder marcar tumores com a IFS e poder acompanhar se ele está se espalhando? Ou poder ver se as células-tronco que colocaram para reparar a sua coluna estão se desenvolvendo bem? Todas estas possibilidades se abrem com este trabalho!
5 anos atrás previ que Roger Tsien ia ganhar um prêmio Nobel. Será que ele está a caminho de um segundo?
Shu, X., Royant, A., Lin, M., Aguilera, T., Lev-Ram, V., Steinbach, P., & Tsien, R. (2009). Mammalian Expression of Infrared Fluorescent Proteins Engineered from a Bacterial Phytochrome Science, 324 (5928), 804-807 DOI: 10.1126/science.1168683
Causos de laboratório III
Tirei essa do xkcd pois representa bem as diferenças entre planejar e executar um experimento. Também mostra que uma forma de se inspirar crianças a seguir a carreira científica é mostrar cientistas em ação.

painel 1: Este aparelho vai registrar os movimentos e hábitos dos tubarões.
painel 2: Depois, ele vai se soltar e boiar até a superfície.
painel 3: Não temos dinheiro para fazer um sistema de recuperação dos aparelhos, então as cápsulas vão encher balões de hélio e boiar até a terra…
painel 4: … onde devem ser achadas e, com sorte, mandadas para nós. Alguma Questão?
último páinel: “Pai?” “Sim?” “Eu quero ser uma cientista!”
E mandem suas histórias de laboratório para mim aqui!
5 – Podemos ficar tranquilos em relação a esta gripe?
Esta é uma série de posts que refletem minhas reflexões sobre a gripe suína nos últimos dias:
1 – Como se identifica a gripe suína?
2 – Por que a demora na confirmação nos casos no Brasil?
3 – Como se produz vacina contra gripe suína?
4 – A gripe suína é fraca?
5 – Podemos ficar tranquilos em relação a esta gripe?
6 – Qual é a causa da discrepância entre dados suspeitos e os oficiais?
7 – Por que é difícil prever os rumos da pandemia?
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5 – Podemos ficar tranquilos em relação a esta gripe?
Digamos assim: temos que ficar mais tranquilos do que estávamos nos primeiros dias da gripe suína e mais preocupados do que estamos agora.
Podemos ficar tranquilos porque a mortalidade desta gripe parece ser equivalente à uma gripe comum e que o números de novos casos não está aumentando tão rapidamente agora.
Devemos ficar preocupados porque o Brasil demorou demais para confirmar os casos de gripe suína e aparentemente não tem um sistema de acompanhamento de variedades de gripe instalado no país. Isso é preocupante uma vez que 8 casos confirmados me parece ser um número baixíssimo se considerarmos o número de pessoas que vêm do México para o Brasil. Quantas pessoas infectadas com o vírus não foram detectadas e estão por aí?
O pior é que o vírus tende a se espalhar pela população de forma silenciosa, com muitos assintomáticos e pessoas com sintomas leves. Só que não temos um sistema eficiente de detecção deste vírus.
Também será interessante ver o que vai acontecer durante esta temporada de gripe no país e. mais ainda, na próxima temporada de gripe no hemisfério norte. Outras epidemias de gripe também começaram com uma onda de infecções mais baixas em março para voltar muito mais fortes em outubro.
A progressão natural desta variedade de gripe é ser incorporada às demais variedades que nos infectam a cada estação. O que acontecerá, a partir daí é pura especulação:
1- Ela pode substituir as demais variedades de influenza A/H1N1.
2- Ela pode se misturar com outras variedades de gripe que infectam humanos e gerar uma variedade diferente que pode ser mais mortal ou mais infecciosa ou não.
Muitos especialistas levantam a possibilidade da gripe suína se misturar com o H5N1, variedade da gripe aviária, e gerar um supervírus que vai ser mais grave do que a gripe espanhola. É muito difícil avaliar a probabilidade disso acontecer, só sabemos que é maior do que zero, mas também é possível que esta supergripe surja por outros meios, ou que isso nucna aconteça.
É por isso que semrpe defendi que o que se deve cultivar em momentos como este é o alerta e não o medo (e jamais o pânico). Medo e pânico são duas emoções que têm data para terminar: Estes sentimentos exigem alimentação constante ou eles passam. Nós também nos acostumamos com eles, o que também nos deixa vulneráveis (sabe aquela do menino que gritava Lobo?). O estado de alerta depende menos de emoções passageiras e mais de análises críticas do que está acontecendo. É isto que precisamos agora e nos próximos meses e anos.
4 – A gripe suína é fraca?
Esta é uma série de posts que refletem minhas reflexões sobre a gripe suína nos últimos dias:
1 – Como se identifica a gripe suína?
2 – Por que a demora na confirmação nos casos no Brasil?
3 – Como se produz vacina contra gripe suína?
4 – A gripe suína é fraca?
5 – Podemos ficar tranquilos em relação a esta gripe?
6 – Qual é a causa da discrepância entre dados suspeitos e os oficiais?
7 – Por que é difícil prever os rumos da pandemia?
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4 – A gripe suína é fraca?
A gripe suína, como ela se apresenta no momento, não vai ser uma nova gripe espanhola, que infectou uma quantidade enorme de pessoas com uma taxa de mortalidade bem alta em 1918. Ela também não é como a gripe aviária, que tem uma taxa de moratlidade altíssima (mais de 60%). Por estas razões, muitas vezes damos a impressão de que ela é branda, como se fosse um resfriado forte. Só que NENHUMA gripe é branda, as variedades comuns da gripe matam milhares de pessoas por ano e infecta um número bem maior. A gripe suína tem hospitalizado uma proporção grande dos infectados mas não é possível saber qual a porcentagem destes casos correspondem a casos realmenet graves ou só por precaução.
3 – Como se produz vacina contra gripe suína?
Esta é uma série de posts que refletem minhas reflexões sobre a gripe suína nos últimos dias:
1 – Como se identifica a gripe suína?
2 – Por que a demora na confirmação nos casos no Brasil?
3 – Como se produz vacina contra gripe suína?
4 – A gripe suína é fraca?
5 – Podemos ficar tranquilos em relação a esta gripe?
6 – Qual é a causa da discrepância entre dados suspeitos e os oficiais?
7 – Por que é difícil prever os rumos da pandemia?
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3 – Como se produz vacina contra gripe suína?
Uma das formas de se evitar uma pandemia apocalíptica é a vacinação da população. As vacinas são uma forma de se tornar as pessoas resistentes à gripe suína. Se parte da população for resistente à gripe, o vírus se espalhará mais lenatmente, facilitando a sua contenção. Antes de saber como fazemos vacinas contra gripe, vamos entender como elas funcionam.
Um dos sistemas de defesa do nosso corpo para combater invasões são os anticorpos. Os anticorpos são proteínas que reconhecem moléculas alienígenas ao nosso corpo. Vamos supor que um vírus entre na nossa corrente sanguínea, uma proteína deste vírus pode ser reconhecida por um anticorpo, que vai ser produzido em massa após o reconhecimento. Os anticorpos vão inativar as moléculas reconhecidas ou sinalizar um invasor para que o corpo atue na sua eliminação. Depois que a ameaça é eliminada, os níveis detes anticorpos tendem a diminuir mas há uma sistema que garante que este anticorpo vai estar sempre presente na nossa corrente sanguínea e pronto para ser produzido em grandes quantidades. É como se o corpo possuísse uma memória dos invasores que ele reconheceu.
As vacinas funcionam baseadas nesta memória. A ideia é ensinar o corpo a reconhecer invasores através da inoculação de invasores mortos, atenuados ou fragmentados. Desta forma, o corpo reconhece estes invasores rapidamente quando for desafiado. Um dos desafios de se fazer uma vacina é gerar quantidades grandes de material para ser inoculado. No caso dos vírus da gripe, produz-se proteínas virais infectando ovos de galinha fertilizados. Após alguns dias, uma pequena quantidade de vírus inoculada em um ovo de galinha fertilizado multiplica-se de forma impressionante.
Após o isolamento do vírus do resto do ovo, inativa-se o vírus, quebrando-o através de processos químicos ou físicos. Pode-se também co-infectar um ovo com um vírus mais brando, o PR8, gerando vírus com proteínas de vírus da gripe mas que não causam a doença (ou uma forma atenuada). O problema surge quando se tem um vírus que pode matar os ovos, como os vírus da gripe aviária (H5N1). Outros vírus, como o da gripe suína (H1N1) podem não se multiplicar o bastante nos ovos de galinha. Uma alternativa é o uso de culturas de células para o processo de multiplicação.
O trabalho de se fazer vacinas, na verdade, começa bem antes dos ovos de galinha: há um sistema de vigilância global que monitora as variedades de gripe que rondam o planeta e tentam prever quais variedades devem ser as mais prevalentes no ano seguinte. Há muitos tipos de vírus da gripe e fazer vacinas para todos é inviável. Em 12 de fevereiro de 2009, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu que as vacinas feitas para o hemisfério Norte para 2009-2010 seriam para os vírus da influenza A/Brisbane/59/2007 (H1N1), influenza A/Brisbane/10/2007 (H3N2) e influenza B/Brisbane/60/2008.
Antes de se começar a embarcar as vacinas, também é necessário testá-las para ver se elas realmente conferem imunidade e se não há nenhum efeito tóxico de seus componentes. As vacinas são testadas primeiramente em animais, como camundongos, coelhos e ferrets antes de se iniciarem os testes clínicos em humanos. Do início da produção das vacinas até a sua distribuição aos centros de saúde podem se passar 8 a 10 meses, o que pode ser tempo o suficiente para estes vírus mutarem.
Diante do surgimento da gripe suína, a OMS pediu para que se parasse a produção das vacinas para as três variedades que devem estar mais prevalentes na estação de gripe para se iniciar a produção de vacinas para o influenza A/H1N1. O problema desta estratégia é que as vacinas só ficarão prontas após o inverno no hemisfério sul, que não deve ter vacinas nem da gripe suína nem das planejadas para a temporada. Outro problema é o número de vacinas necessárias para se atender toda a demanda. Geralmente as vacinas da gripe são inicialmente designadas a grupos de risco.
O CDC recomenda que as vacinas contra a gripe sejam dadas para as populações mais sensíveis aos sintomas da gripe: crianças de 6 meses a jovens de 19 anos, idosos de mais de 50 anos, pessoas com doenças crônicas, que trabalham com algum grupo de risco. Não devem tomar vacina: pessoas alérgicas a ovo de galinha, que já tiveram reação severa às vacinas contra gripe, que desenvolveram a sindrome Guillain-Barré, que estão febris e crianças com menos de 6 meses.
No caso da influenza A/H1N1, que ataca jovens saudáveis e que ao qual não possuímos resistência fica a pergunta: quem vacinaremos primeiro?
UPDATE: para saber mais sobre a segurança de se tomar as vacinas o H1N1, recomeno os textos abaixo:
Spam pela Vacinação!
Esclarecimentos sobre a Vacina para Gripe A H1N1
Vacinação contra a gripe H1N1, como, quem e por quê.
Luz do sol… que a folha traga e traduz…

Semana que vem o ScienceBlogs Brasil vai ter uma Blogagem coletiva sobre a luz!
O que é a luz? Como podemos usar a luz? Como a natureza usa a luz? O que não sabemos sobre a luz? Tudo isso pode ser discutido durante a semana!
E não queremos só textos nossos não! Se você quer participar, coloque o link do seu texto neste post!
(o melhor comentário sobre a Blogagem é do @cardoso: “particularmente acho que isso é onda”)



