Causos de laboratório V – cicatriz na bancada

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No meu primeiro causo, contei como fui marcado pela Ciência em minha infância. Hoje vou contar como marquei um laboratório.
Era noite e já estava trabalhando fazia tempo. Eu tinha que colocar uma membrana em água fervendo e, por isso, deixei um béquer com água na placa de aquecimento.
O procedimento anterior acabou demorando demais e, quando fui olhar, a água do béquer já havia evaporado. Não joguei água direto no vidro pois ele poderia espatifar, por isso retirei-o com cuidado e coloquei na bacada para esfriar.
Eu era novo neste laboratório e, antes, havia trabalhado em um que tinha uma bancada de pedra.
A bancada deste era de plástico duro.
Quando fui pegar o béquer, ele estava grudado na bancada. Após um pouco de esforço, ele desgrudou, trazendo consigo parte da bancada.
O pior é que o chefe do laboratório descobriu a cicatriz antes de eu contar para ele.
Se você for no laboratório dele, ainda tem um anel marcado em sua bela bancada.
Foto: roger.karlsson (FLICKR)

A progressão da gripe suína no Brasil

O número de casos de gripe suína no Brasil aumentou de forma alarmante nesta semana. O número dado pelo Ministério da Saúde é de 591 casos. Uma semana atrás, este número era de 180. O aumento do número de casos parece estar associado ao feriado de Corpus Christi (entre os dias 11 a 14 de julho), quando muitas famílias viajaram para locais como a Argentina e o Chile (1587 e 6211 casos, respectivamente). Para se ter uma ideia, cerca de 140 dos novos casos têm origem provável na Argentina, 17 do Chile e 26 dos EUA. Curiosamente, somente 6 casos vieram do México desde o começo da pandemia.
 
A principal preocupação atual é o início da infecção sustentada no país. Para adiar o que é inevitável, os procedimentos de cotenção do contágio devem ser feitos de forma coordenada, informando-se a população de risco, tomando-se decisões rápidas e evitando o pânico. O adiantamento das férias e cancelamento de festas por parte de escolas cujos alunos contraíram a doença pode ajudar. A parte preocupante é ler relatos como o levantado pela Maria Guimarães. Até agora foram pelo menos 117 casos de infecção dentro do país (26%). Semana passada eram apenas 24.

Após a fase de contenção, entramos na fase de mitigação onde a ação dos agentes de saúde e do resto do governo devem garantir que a população possua centros médicos preparados para receber os doentes e o progresso da epidemia seja retardado. Quando a gripe chegar forte no país, quantos casos poderemos esperar?

O Osame, usando um modelo exponencial, estimou 1 milhão de casos em 38 dias. Não acredito que seja tanto. Em dois meses de epidemia, os EUA e o México têm cerca de 7,1 casos por 100 mil habitantes. O Canadá, que está sendo seriamente afetado, está com 20 casos por 100 mil habitantes e, a Austrália, 13 casos por 100 mil habitantes. Isso quer dizer que seria razoável estimar um número entre 13.500 a 38.500 casos confirmados de gripe em dois meses (usando uma população de 193 milhões de habitantes). Contra estes números, tem o fator inverno. A favor deste número, tem as férias escolares. Considerando a taxa de hospitalização de 5% usada pelo Osame, precisaríamos de mil a dois mil leitos nos hospitais em dois meses.
 
O mais preocupante vai ser se a gripe não for contida em locais de demografia alta e baixo acesso a centros médicos, como em favelas. Nos locais mais afetados pela gripe, o número de casos chegou a 60 casos por 100 mil habitantes. Creio que podem acontecer desastres de saúde pública se não houver um acompanhamento especial destas áreas. Até onde eu acompanhei, dois tipos de pessoas morrem de gripe suína: as que já são vulneráveis a doenças respiratórias (seja por sistema imune debilitado ou infecções cardio-respiratórias) e as que não procuram atendimento médico a tempo (demorar mais de 5 dias depois do início da doença depois da piora dos sintomas). Portanto: se os sintomas piorarem, procure um hospital. Recomendação que funciona para qualquer tipo de gripe (e há várias circulando, eu e a Paula já pegamos umas 3 neste ano).
 
Falando em piora de sintomas, quais são os principais sintomas apresenatdos por quem tem gripe suína? De acordo com o Ministério da Saúde, temos 94% dos infectados com febre (e, se não me engano, acima de 38oC); 89% com tosse, 51% com dores musculares, 47% com coriza e 38% com dor de garganta. É importante se lembrar que gripe é uma doença comum nesta época seca e fria, portanto fique de olho nestes sintomas. Evite contaminar-se com a gripe e transmiti-la depois.

Espero que o progresso da gripe se assemelhe muito mais com o México, EUA e Japão do que no Canadá, particularmente Manitoba e Saskatchewan. A progressão dos casos no Chile, Argentina e Austrália também não estão muito animadoras. Ainda mais para mim, que tenho um congresso na Austrália voando pela Argentina, no começo de Agosto…

UPDATE (28/06/09): de acordo com a BBC, o CDC anunciou que tem 27.717 casos confirmados nos EUA e cerca de 3 mil hospitalizações e 127 mortos. Eles estão trabalhando com um número de um milhão de infectados. Os meus números e do Osamme podem estar igualmente errados/certos. A propósitos, a Argentina tem 26 mortos em 1.587 casos. Preocupante.

Causos de laboratório IV – apocalipse azul

Vou continuar a série indicando o relato hilário da Juliana, do blog Valha-me Potássio. A Juliana documentou com detalhes o apocalipse azul que se tornou o seu experimento. Um trecho:

Pois é pessoas. Meu experimento tinha explodido. Tava tudo azul. E não tinha uma viva alma lá pra me explicar o que tinha acontecido. Eu acho que eu devo ter ficado mais branca que o gasparzinho. Num parece aquelas cenas com que você sempre faz piada, mas nunca acredita que realmente pode acontecer?

O relato ainda tem vídeo e fotos!
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A Juliana mandou outra história antes que aproveito para colocar aqui também:

Aconteceu no primeiro ano de faculdade. No laboratório, cada aluno preparava uma simulação de amostra em um béquer, que deveria ser analisada segundo uma marcha analítica para se descobrir quais os seus componentes. Amostras prontas, béqueres sobre a bancada, um aluno ao lado do outro. Iniciamos os experimentos.
Meu colega do lado resolveu fazer um extra no experimento, para me mostrar uma coisa legal. Esse extra envolvia colocar algo dentro de um tubo de ensaio, e aquecer o fundo do tubo levemene no fogo. Observem que eu disse “levemente”. Mas bichos, sabe como é. Entre uma conversa e outra, meu colega esqueceu o negócio no fogo. O troço lá dentro dilatou, e foi praticamente cuspido pra fora do tubo, caindo justamente onde? Dentro do béquer da minha amostra. ¬¬
Tive que recomeçar o experimento do zero!

E mandem suas histórias de laboratório para mim aqui!
Semana que vem coloco mais um causo meu!

Todo enxerto é um transgênico?

ResearchBlogging.orgEm um post sobre alimentos trangênicos, o Atila mencionou um artigo que achei interessantíssimos que eu gostaria de detalhar aqui.
Os pesquisadores Sandra Stegemann e Ralph Bock, do Instituto Max-Planck (Alemanha), queriam testar se há troca de material genético ao se fazer um enxerto. Em um enxerto, pega-se a raíz e um pedaço do caule de um planta (cavalo) e coloca-se um pedaçod e caule com o resto da parte aérea de outra planta (cavaleiro). Para fazer seus testes, eles fizeram um enxerto entre duas plantas de tabaco onde o cavalo era uma variedade resistente ao antibiótico spectinomicina que possui proteínas fluorescentes verdes (GFP) nos cloroplastos (em verde abaixo) e o cavaleiro era uma variedade resistente ao antibiótico karnamicina e expressa uma proteína fluorescente amarela no citoplasma (em laranja). Após o enxerto se estabelecer, eles pegaram amostras de tecido da região de contato entre as duas variedades e o colocaram para crescer em um meio de cultura que continha tanto espectinomicina quanto kanamicina.
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Quando os tecidos vinham apenas de uma planta da mesma variedade do cavalo ou de uma planta da mesma variedade do cavaleiro, os tecidos morriam por caus de um dos dois antibióticos. No entanto, nos tecidos retirados do enxerto, era possível observar que eles conseguiam sobreviver, ou seja, eles apresenatvam resistência tanto à espectinomicina quanto à kanamicina. Isso poderia significar que o tecido de uma variedade estava ajudando o tecido de outra variedade a sobreviver. Para eliminar esta hipótese, eles foram analisar que tipo de proteínas fluorescência as células da região do enxerto possuíam.
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Em cada coluna você pode ver o canal de detecção da proteína verde (GFP), da proteína amarela (YFP) e uma imagem composta dos dois canais. Na primeira linha podemos ver uma variedade de tabaco que não possui estas proteínas fluorescentes. Na segunda linha podemos ver a variedade usada como cavalo: note um monte de bolinhas verdes, que correspondem aos cloroplastos cheios de GFP. Na terceira linha, podemos ver a variedade usada como cavaleiro, com YFP formando o contorno dos cloroplastos (pois elas estão no citoplasma). O mais incrível vem agora: no tecido da região do enxerto, na quarta linha (indicado como YG-29), as células possuem tanto fluorescência verde quanto amarela! Isso indica que elas são uma mistura das duas variedades!!!!
Uma análise do DNA das células híbridas indicou que não houve aumento no número de cromossomos, indicando qeu não houve a fusão de células, uma possibilidades, mas sim a transferência de pedaços de DNA de um tecido para outro! Estes dados foram confirmados por técnicas que permitem verificar a presenca destes genes no DNA destas células.
Estes resultados indicam que, na região do enxerto, ocorreu troca de material genético o que fez meu colega de ScienceBlogs Brasil errar a mão ao afirmar que:

Toda planta enxertada é geneticamente modificada!

Por que ele errou? Porque essas alterações só foram observadas na região do enxerto, onde as células estão em contato umas com as outras. Os pesquisadores não conseguiram verificar alterações semelhantes nas folhas ou raízes da planta enxertada. O fato dos pesquisadores terem visto plantas com fluorescência verde e amarela indica apenas que houve uma alteração genética local. Além disso, não é possível saber o quão frequente esses eventos são, uma vez que colocar as plantas para crescer em meio seletivo matou todos os milhões de casos onde o troca de material genético não aconteceu. Esse método, bom para comprovar UM evento de tarnsferência, acaba amplificando este efeito e impedindo a estimativa de sua frequência (via seleção natural, BTW). Prova disso é que eles não conseguiram encontrar nenhum outro pedaço de DNA de uma variedade na outra.
Portanto, temos um trabalho interessante que sugere um possível mecanismo de transferência horizontal de genes entre dois organismos diferentes, do núcleo e do cloroplasto, mas que dificilmente acabará gerando um organismo transgênico, como insinuado pelo Atila. A não ser que os genes transferidos dêem uma vantagem tão grande quanto a resistência de antibióticos em meio seletivo, o que não deve acontecer sempre.
Ecochatos, podem beber seu suco de laranja em paz. Por enquanto.
Fonte:
Stegemann, S., & Bock, R. (2009). Exchange of Genetic Material Between Cells in Plant Tissue Grafts Science, 324 (5927), 649-651 DOI: 10.1126/science.1170397

Como achar pinguins do espaço

ResearchBlogging.org Mudanças climáticas resultam em mudanças no padrão das geleiras no mar. Isso é um problema se você depende deste gelo para a sua reprodução, como os pinguins-imperadores. No entanto, é realmente difícil estimar se a população destes pinguins está diminuindo ou não e, desta forma, estimar o efeito das mudanças climáticas nos simpáticos nadadores.
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Em um trabalho publicado recentemente, pesquisadores da Universidade de Cambridge desenvolveram um software que usa o imagens de satélite para encontrar colônias de pinguins-imperadores. Como eles fazem isso? Procurando por manchas fecais que indicam a presença de uma colônia de pinguins. Isso mesmo: eles procuram por merda!
O princípio é bastante simples: a coloração amarronzada das manchas fecais, formadas pela ação de centenas e centenas de pinguins, se destaca no branco pristino do gelo antártico. Infelizmente não é possível estimar com precisão o tamanho das colônias.
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O melhor mesmo desta técnica é que ela funciona! Os pesquisadores conseguiram confirmar a existência de 17 colônias, corrigir a localizaçao de mais 6 e ainda encontraram 10 novas colônias de pinguim-imperador! O trabalho ainda mostrou que algumas colônias previamente descritas se extinguiram devido às mudanças no clima antártico (aumento ou diminuição de temperatura, mudanças nos ventos, etc.).
Quem diria que estudar merda de pinguins iria gerar mais do que um prêmio IgNobel?

Fretwell, P., & Trathan, P. (2009). Penguins from space: faecal stains reveal the location of emperor penguin colonies Global Ecology and Biogeography DOI: 10.1111/j.1466-8238.2009.00467.x
Foto: linpadgham (FLICKR)

Gripe suína: ainda por aí.

A Oganização Mundial de Saúde finalmente reconheceu que estamos na fase 6, configurando a gripe suína como pandemia. Demorou. Novamente lembro que isso não leva em conta severidade.
O inverno progride e os números da gripe suína na América Latina também. Tanto o número de infectados na Argentina quanto no Chile sobem de forma rápida, indicando que a gripe está se alastrando por lá. O pior é que o Chile desistiu de contabilizar os casos de gripe suína, o que é uma péssima ideia se queremos saber se as políticas públicas de saúde estão funcionando ou não. Ou mesmo modelar a progressão da doença.
A situação na Europa parece preocupante, ainda mais no Reino Unido. Há muitos relatos de que o governo está omitindo casos e que o que acontece por lá não reflete os dados oficiais. Tudo bem que as mesmas fontes sugerem um número de infectados na ordem de 100 mil nos EUA, o que, diante do vácuo de informações sobre este vírus (como o número de assintomáticos), não deixa de ser um chute qualificado.
No Brasil, ainda estamos subindo em uma taxa que não indica infecção sustentada no país. Pelo menos por enquanto.
No Egito a preocupação é outra: já são mais de 80 casos de gripe aviária.
Além de porcos, tamanduás também podem ser infectados por gripe humana. Seguindo a lógica de muitos, deveríamos matar todos os tamanduás?

10 razões para se contratar um cientista!

Frequentemente ouço colegas reclamando que seguir carreira acadêmica restringiu muito as suas opções de trabalho: “Só posso trabalhar fazendo pesquisa e dando aula!”. Sempre que ouço algo do gênero, lembro-me que, lá na Inglaterra, a maior parte dos meus colegas de doutorado não seguiram carreiras acadêmicas, ou mesmo científicas. Lá, o doutorado é considerado um período de amadurecimento intelectual que ensina muitas habilidades desejáveis antes de entrar em uma empresa ou carreira qualquer.
Como assim, um cientista tem habilidades úteis para qualquer empresa? Para começar, um bom cientista é um empreendedor, desbravando novas áreas de conhecimento, equilibrando ganhos e riscos. Outras características positivas d eum cientista:
1. Criatividade
A carreira acadêmica exige muita capacidade criativa. Deve-se criar hipóteses novas todos os dias e formas de testá-las. Temos que usar a criatividade o tempo inteiro para desenvolver novos métodos e resolver problemas experimentais. Se você quer um funcionário que saiba usar sua criatividade para algo prático: contrate um cientista.
2. Capacidade de administrar projetos longos
Um doutorado tem de 3 a 5 anos. Neste período, o doutorando parte de um projeto e precisa construir uma tese. Quantas pessoas vocês conhecem que tiveram que lidar com projetos tão longos? Para se fazer uma tese é necessário saber dividir o seu problema em etapas menores, prestar atenção a um cronogarma definido e saber admnistrar o andamento do projeto inteiro.
3. Análise de dados complexos

Sua empresa gera quantidades imensas de dados que você não sabe se são úteis ou não. Será que existem tendências sutis que podem ajudar a prever desastres futuros ou indicadores que te possibilitem prever o mercado? Como lidar com todos os números que chegam o tempo todo e ainda extrair informações úteis? Qual o gráfico que vai mostrar exatamente o que queremos ao cliente? Que tal contratar alguém com experiência nisso?
Essa habilidade também inclui a capacidade de interligar informações aparentemente desconexas, criação de modelos experimentais, a aplicação de modelos teóricos e saber que dados são úteis para quê.
4. Resolução de problemas

Esta capacidade está intimamente relacionada às características anteriores. A capacidade de reconhecer um problema, identificar as metodologias existentes para resolvê-lo e, se necessário, criar uma nova metodologia vem com a experiência. Acho que a palavra chave hoje em dia é: inovação. Sua empresa aumenatrá a sua capacidade de inovação com cientistas trabalhando nela. Além disso, estas habilidades são essenciais em momentos de crise ou fechamento de projetos. O que nos leva ao próximo ponto.
5. Capacidade de trabalhar sob pressão
Além da pressão do término de seu doutorado, há a pressão das agências financiadoras, do seu orientador, dos pais para sair de casa, dos laboratórios concorrentes, do deadline para o próximo congresso… ter que tarbalhar com tudo isso exige nervos de aço!
6. Habilidades argumentativas
Você precisa de alguém que ganha a vida tendo que convencer outras pessoas de que suas ideias são as melhores? Que seja capaz de destruir de modo cirúrgico os argumentos do concorrente? Cientistas fazem isso durante o café! É até comum civis acharem que todos os cientistas se odeiam simplesmente poruqe eles batem-boca o tempo todo!
7. Habilidades de comunicação
Saber apresentar algo de forma clara, precisa e sem rodeios. Introduzir o rpoblema, a metodologia e os resultados para um cliente sem fazê-lo dormir. Tudo isso é moleza para quem tem que apresentar resultados de três anos em 15 minutos em um congresso!
8. Capacidade trabalhar em grupo
Nenhum cientista é uma ilha. Ao contrário do que mostram os filmes, os melhroes cientistas são os que fazem mais colaborações e sabem montar uma rede de contatos para discutir seus problemas e encontrar soluções. Eles devem saber conciliar opiniões diversas e ainda ter a própria. Imagine ter que coordenar 4 ou 5 equipes de trabalho distintas em torno de um projeto em comum?
9. Autodidatismo
Não há cursos de graduação ou MBA para aprender a usar um HPLC ou um espectrofotômetro de massa. Não há quem ensine como analisar um microarray ou como consertar um IRGA. Um cientista pode não saber uma pá de coisas, ainda mais no mundo corporativo, mas ele sabe aprender e sabe aprender rápido. É o que todos queremso não? Funcionários capazes de aprender o qeu precisamos que seja feito na empresa?
10. Adicione o seu
Cientista, valorize-se!

Robôs exterminadores e pipoca

Sexta passada tive oportunidade de assistir o filme Exterminador do Futuro 4: a Salvação (Terminator Salvation) – o T4, para íntimos. Já adianto e digo que gostei muito do filme mas que isso tem a ver com o modo que encaro o cinema.

Para mim, há um motivo para cinema e pipoca combinarem tanto: ambos representam um prazer descompromissado em respectivas suas áreas. Pipoca não dá trabalho de fazer e, fora alguns exemplos desastrosos, dificilmente dá errado. No entanto, geralmente ela significa muita diversão enquanto dura, apesar de vc sempre acabar mordendo um piruá ou dois. Além disso, não há muito o que inventar com pipoca: pode colocar manteiga, provolone, pimenta, Aji-no-moto e outras firulas mas o essencial está sempre lá, para ser degustada sozinha ou em grupos. Não se enganem ao achar que isso quer dizer que pipoca é tudo igual: há a pipoca de microondas, que traz um alento ao fim de um dia de trabalho, há a pipoca da casa da vó, que dá energias extras ao dia de brincadeiras, e há a pipoca que te leva de volta à infância, como aquela com provolone que comia quando ia andar de bicicleta na USP.
Gostei do T4 porque ele é desse último tipo: me lembrou de uma época no qual combatia robôs assassinos, aliens sanguinários e piratas ensandecidos. Só isso basta para ir assistir o filme. Tem Sarah Connor, tem John Connor, tem Kyle Reese (quem?), o Arnoldão, tem Skynet e até tem Cylons (e a voz do Batman, juro)! Tudo isso misturado com muita explosão em um mundo pós-apocalíptico. Perfeito!
Isso não quer dizer que o filme não tenha seus piruás. Eu engoli um grandão no final do filme, quando uma decisão moralmente questionável é tomada sem nenhuma objeção. Quem quiser saber mais sobre isso, me pergunte via Twitter (@carloshotta). O engraçado é que esta decisão me deixou matutando por algumas horas. O filme descompromissado, no fim, ainda deixou o seu gostinho por um tempo.
Deixo uma última reminiscência: será que um dia teremos computadores que possuem consciência? Mesmo que pudéssemos fazê-lo, será que deveríamos? Sim, concordo que os programas estão cada vez mais inteligentes, mas nem sempre inteligência é igual a consciência.
Aliás, será que seríamos tão ruins assim para as máquinas sempre decidirem nos matar? Em todo caso, para estarmos salvos do Dia do Julgamento é só seguirmos o conselho do xkcd:
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Exterminador do Futuro 4: a Salvação estréia amanhã (em um cinema perto de vc).

Ministério da Saúde usa a Internet contra a gripe suína

Um dos problemas que temos que enfrentar durante uma epidemia é o alastramento de informações falsas ou exageradas que podem levar a um pânico generalizado. A Internet tem um papel fundamental no alastramento de tanto informações falsas quanto informações corretas. O equilíbrio entre ambas forças pode determinar os rumos de uma epidemia como a da gripe suína.
Foi com uma certa surpresa que recebi este comentário algumas horas depois de meu primeiro post sobre a gripe suína:

O Ministério da Saúde conta com uma página exclusiva (http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/area.cfm?id_area=1534) na qual você encontrará respostas para todas as suas dúvidas a respeito da gripe suína. Além disso, você pode buscar mais informações no Disk Saúde 0800 61 1997. O Brasil está preparado para enfrentar os casos suspeitos e manterá a população bem informada! Assessoria de Comunicação. Ministério da Saúde

De início achei que fosse alguma forma de spam mas, além do comentário direcionar para um site do Ministério da Saúde, ele também foi repetido em outros blogs e sites que tratavam do mesmo assunto. A este comentário, seguiram outros em meus posts, às vezes confirmando informações, outras corrigindo pequenas imprecisões. Aos poucos ficou claro que alguém no Ministério da Saúde estava monitorando os sites brasileiros que escreviam sobre a gripe suína e estava corrigindo-os e agregando informações úteis aos textos.
Curioso com esta iniciativa do Ministério da Saúde, entrei em contato com Fernanda Scavacini, que assinava a maior parte dos comentários, para que ela explicasse um pouco sobre a ação do Ministério da Saúde. É muito bom ver que o Ministério está usando a Internet de forma inteligente, sem medo de abrir canais de informação nas diversas mídias sociais.
Segue abaixo a entrevista com Fernanda que fiz via email:
Carlos: Qual é o seu cargo e atribuições no Ministério da Saúde?
Fernanda Scavacini: Sou coordenadora de Comunicação Integrada, da Assessoria de Comunicação do Gabinete do Ministro. Minha atribuição é coordenar projetos que integrem o governo e população, utilizando a internet, como principal meio.
CTH:De quem foi a iniciativa de acompanhar os blogs?
FS: A iniciativa foi do Chefe da Assessoria de Comunicação, Marcier Trombiere.

CTH: Quais mídias vocês têm monitorado?

FS: Toda Internet.
CTH: Há quanto tempo ocorre este monitoramento?
FS: O monitoramento iniciou no dia 25 de abril, quando a Organização Mundial de Saúde deu o alerta sobre o vírus Influenza A(H1N1).

CTH: Mais especificamente, quantos blogs vocês têm monitorado?

FS: Até o momento, já postamos intervenções em mais de 100 canais de comunicação da internet.
CTH: Além de blogs, você monitoram o Twitter e outros sites de mídias sociais?
FS: Monitoramos tudo. Orkut, Twitter, blog, sites de notícias, entre outros.
CTH: Como é feito este monitoramento?
FS: O trabalho é coordenado daqui, diretamente do Ministério da Saúde.
CTH: Este monitoramento é feito somente para gripe suína ou também é feito para outras doenças?
FS: Este é um trabalho pioneiro, que surgiu da necessidade de sanar as dúvidas da população sobre uma doença nova, a Influenza A (H1N1). É um canal direto, onde a população tem a oportunidade de ter seu questionamento respondido com precisão e de forma simplificada, sem usar termos técnicos ou difíceis. Não usamos textos prontos. Conforme a utilidade apresentada por este serviço, poderemos estendê-lo a demais doenças.
CTH: Quais são os erros e imprecisões mais frequentes?
FS: Com este trabalho é possível ter uma visão real sobre a expectativa da população sobre as ações do Ministério, em relação à doença. Assim como identificar as principais dúvidas, teorias a respeito do vírus e, principalmente, boatos que podem trazer pânico à sociedade. Nem sempre fomos bem aceitos. Porém, na maioria das vezes, a recepção é positiva, pois as pessoas aproveitam para sanar suas dúvidas e dar sugestões. No Orkut, várias comunidades abriram espaço para nós e aproveitaram para nos consultar nas questões levantadas em seus fóruns.

CTH: O que foi pouco divulgado sobre a gripe suína?

FS: Desde o princípio desta doença, o Ministério da Saúde está usando de transparência em todas informações. É importante que a população saiba que não há interesse algum do Brasil de omitir fatos, como uma provável circulação do vírus em Território Nacional. O Influenza A (H1N1) é altamente contagioso e para contê-lo vamos precisar da colaboração e prevenção individual de todos. Para que isso ocorra, a população precisa estar a par de tudo.

CTH: Há interesse do Ministério da Saúde divulgar outras informações via blogs?

FS: Nossa prioridade inicial era sanar as dúvidas, para ajudar a população da melhor maneira. Em um segundo momento é possível que começamos a publicar informações nos blogs. Mais isso vai de acordo com a aceitação de seus moderadores.

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