Venha para o 2o. CiênciaCamp!
É com muita felicidade que venho anunciar que vai acontecer o II EWCLiPo – Encontro de Weblogs Científicos em Língua Portuguesa (que passarei a chamar de 2o. CiênciaCamp).
O Mauro encabeçou a organização do encontro, que teve sua primeira edição em Ribeirão Preto. Desde então a blogosfera científica brasileira cresceu e a comunidade em volta dela também. Por isso espero que todos compareçam no evento!
Ano passado tivemos algumas palestras mas, principalmente, tivemos muita discussão. Conversa amigável que deve se repetir neste ano. Neste ano ainda teremos praia!
O encontro vai ser em Arraial do Cabo (RJ) de 25 a 27 de Setembro de 2009, com financiamento do CNPq e apoio da UFRJ e do IEAPM.
Inscrevem-se!
O site do evento saiu para dar uma voltinha ams daqui a pouco volta.
Inscrições aqui.
5 microscópios que vão mudar a Ciência
O microscópio é provavelmente a melhor analogia para a Ciência que existe: é um instrumento que muda a nossa percepção da realidade e nos faz perceber coisas incríveis que acontecem à nossa volta mas que são imperceptíveis pelos nossos sentidos.
As células foram descobertas colocando-se um pedaço de cortiça debaixo de um dos primeiros microscópios. Em uma gota retirada de uma poça de chuva revelou uma variedade insana de organismos novos. Tudo isso à nossa volta, tudo isso escondido até que a combinação esperta de algumas lentes convexas aumentassem nossa percepção da realidade. Mas microscópios também têm limites, inclusive os eletrônicos, que substituem os fótons por elétrons. A pergunta que fica é: que maravilhas se escondem por trás das limitações impostas pelos microscópios atuais?
A revista Nature selecionou 5 microscópios que podem nos responder esta pergunta.
1. Microscopia SPIM

Um dos microscópios que mais contribuiu para o avanço da Biologia é o microscópio confocal. Neste microscópio, marcadores específicos brilham ao receber lasers de certos comprimentos de onda. Podemos marcar mitocôndrias, por exemplo, e ver o efeito que drogas têm sobre elas acompanhando o seu brilho. Um dos problemas do confocal é o mesmo dos microscópios de luz: as amostras têm que ser finas, o que sacrifica a tridimensionalidade do sistema. Um segundo problema é que o uso de lasers pode danificar as amostras, limitando o seu uso. A SPIM, ou microscopia por iluminação de plano único, diminui a espessura do laser que chega às amostras e ainda permite a sua visualização em três dimensões.
Esta técnica permitiu o acompanhar o movimento de cada célula durante o desenvolvimento do paulistinha, em um dos vídeos mais bonitos gerados a partir de microscopia de fluorescência que já vi, com células se multiplicando e movimentando-se em um baile:
2. Microscópio optofluídico

Já imaginou um microscópio sem lentes? O microscópio optofluídico detecta as sombras que uma amostra faz nele ou não enquanto ela flutua por cima de seus sensores. A combinação do sensor com uma camada de metal com buracos de 500 nanômetos ajuda a sua resolução ser melhor do que a de microscópios convencionais. O resultado é um microscópio que dá uma ampliação de 20x e que tem o tamanho de uma moeda de um real, usando menos processamento que um iPod. Esta pode ser a chave para microscópios baratíssimos que podem ser usados para identificar pacientes com malária na África. Veja abaixo a comparação de uma imagem gerada por um microscópio convencional (STD) e um pequeno optofluídico (OFM):

3. Microscópio UHVEM

Do menor microscópio para o maior: o microscópio eletrônico de voltagem ultra-alta de Osaka tem somente 13 metros de altura. Tudo isso para aumentar a espessura da amostra a ser bombardeada com elétrons, que são acelerados por um tubo de quase 6 metros a até 3500 kiloeletrovolts! O UHVEM permite a visualização de das delicadas estruturas nas pontas dos neurônios, que mal podem ser vistas, eram somente imaginadas, nos demais microscópios:

4. Microscopia SRS
Para leigos, a microscopia de espalhamento Raman estimulada parece pior que a convencional. Esta técnica detecta a vibração entre ligações químicas entre átomos, permitindo a localização destas moléculas na amostra desejada sem a utilização de marcadores. Muito útil se você quer saber como uma substância, como uma gordura, está se comportando dentra da célula.

5. microscopia STED
Há um limite nos microscópios de luz que limita a sua resolução mais ou menos nos 200 a 300 nanômetros. Todos diziam impossível superá-lo. A microscopia STED, ou microscopia de depleção estimulada da emissão, consegue uma resolução menor que 20 nanômetros! Isso utilizando luz! Como? simplesmente focando-se um laser em forma circular em uma região ponto e um segundo laser que cancela a ação do primeiro em forma de rosca em volta. Desta forma, o segundo laser cancela a emissão de luz de muitos marcadores, eliminando-se assim, a interferência que acabava com a resolução do centro da rosca. É como se Miguilim consertasse seu microscópio de fluorescência:

Estas técnicas são apenas algumas das maravilhas tecnológicas geradas pela Ciência hoje em dia. Como um geek-cientista, este é um tema que me atrai muito e que espero escrever muito mais sobre o aspecto tecnológico de experimentos.
Fontes:
Todas estas fotos foram retiradas da Nature, que tem um belo slideshow sobre microscopia.
Alison Abbott (2009). Microscopic marvels: Magnifying power Nature, 459 (7247), 629-629 DOI: 10.1038/459629a
Abbott, A. (2009). Microscopic marvels: Seeing the system Nature, 459 (7247), 630-631 DOI: 10.1038/459630a
Hayden, E. (2009). Microscopic marvels: Microscope for the masses Nature, 459 (7247), 632-633 DOI: 10.1038/459632a
Cyranoski, D. (2009). Microscopic marvels: The big and the bold Nature, 459 (7247), 634-635 DOI: 10.1038/459634a
Ledford, H. (2009). Microscopic marvels: The naked microscope Nature, 459 (7247), 636-637 DOI: 10.1038/459636a
Abbott, A. (2009). Microscopic marvels: The glorious resolution Nature, 459 (7247), 638-639 DOI: 10.1038/459638a
Divulgue informações sobre a Gripe Suína
Fiz um cartaz com algumas informações sobre a gripe suína. É uma oportunidade de informar seus colegas de trabalho, escola, futebol, etc. sobre a gripe, que aos poucos se espalha pelo país.
Imprima e divulgue!
Baixe o pdf em A4 aqui.

Cantores ganham todas as pererecas?

Músicos parecem sempre atrair mais indivíduos do sexo oposto do que os demais. Se isto é apenas anedótico entre humanos, é verdade entre os sapos.
Sempre que ouvimos a cantoria dos sapos no fim da tarde e durante a noite estamos presenciando uma batalha entre os sapos cantores para quem vai atrair mais fêmeas.
Cantar exige muita energia dos sapos, ainda mais que eles não possuem microfones e videokê. Isto acaba favorecendo os sapos maiores, que conseguem cantar mais alto e por mais tempo. O que fazer se você não consegue batê-lo? Se retirar tristemente da corrida darwiniana?
Uma alternativa é dar uma de amigo de músico e ficar por perto do cantor, tentando faturar fêmeas atraídas por ele. É isso que fazem os machos satélites: eles não cantam mas ficam por perto de quem o faz, conseguindo fecundar fêmeas que se aproximam procurando o popstar. Esta estratégia traz a vantagem de você não gastar energia com a cantoria, poupando-a para fins reprodutivos.
Isso quer dizer que vale a pena ser malandro e ficar só de sapo satélite? A resposta é a mais comum encontrada em Biologia: depende.
Um estudo publicado na revista Behavioral Ecology and Sociobiology, mostrou que, no caso da Hyla intermedia, encontrada em campos alagados italianos, quanto mais alto o canto do macho, mais satélites (e fêmeas) ele atrai. No entanto, a presença de satélites não diminui drasticamente o seu sucesso reprodutivo, medido pelo número de noites na qual o sapo foi bem-sucedido.
O mais interessante é que machos que cantavam mais baixo e não eram parasitados pelos satélites não conseguiam atrair muitas fêmeas e acabavam tendo um sucesso reprodutivo semelhante ao dos machos-satélites.
Esses dados explicam por que não existem apenas sapos cantores nesta espécie: ser satélite garante um sucesso reprodutivo igual ao de ser um cantor ruim (ou menos melhor). Ao mesmo tempo ser satélite não é melhor que ser um bom cantor, fazendo com que a estratégia de ser cantor seja escolhida.
Outro dado interessante do estudo: os machos satélites são bem menores que os machos que cantam mas não estão em piores condições energéticas que eles, o que levou aos pesquisadores concluírem que eles devem ser sapos mais novos, que deverão tornar-se cantores quando crescer. Neste caso também faz sentido não cantar e usar esta energia no crescimento do corpo.
Seria interessante descobrir se machos que têm menos sucesso reprodutivo como satélites, gastando menos energia quando mais novos, acabam ficando maiores – e melhores cantores – devido ao menor gasto neste estágio de desenvolvimento. Seria um trade-off interessante de se medir.
A conclusão para se levar para casa é: se você não canta bem, talvez seja melhor você ser amigo de quem cante. Nem precisa fazer um estudo aprofundado para ver paralelos na nossa sociedade.
Castellano, S., Marconi, V., Zanollo, V., & Berto, G. (2009). Alternative mating tactics in the Italian treefrog, Hyla intermedia Behavioral Ecology and Sociobiology, 63 (8), 1109-1118 DOI: 10.1007/s00265-009-0756-z
Foto: Wikipedia
Notas sobre: “Deixando a Ciência”
O número de comentários deixados no post anterior foi inédito. Nem preciso comentar da qualidade. Certamente me fizeram pensar mutio nos últimos dias. ALgumas notas:
- havia me esquecido que já me disseram que eu não servia para a Ciência e que deveria buscar uma carreira na Educação. Foi no final do meu Mestrado que, ironia, tinha a intenção de se tornar um Doutorado. Acho que sou prova de que, se Ciência é mesmo o que vc quer, não importa o que vão falar de vc.
- ao mesmo tempo, muitas pessoas têm aptidão para Ciência mas decidem não seguir carreira acadêmica. Acho que é o caso da Maria Guimarães e outros. O caso da minha amiga alemã era extremo: ela havia produzido muito pouco durante o ano por pura falta de afinidade com a Ciência.
- na minha avaliação de primeiro ano levei várias broncas do meu orientador sobre o meu inglês. Broncas duríssimas a ponto de eu questionar se conseguiria fechar uma tese. A minha banca avaliadora me estraçalhou em conhecimentos de Botânica, uma vez que não sabia muito sobre o assunto. Foram puxões de orelha essenciais para a minha fomação.
- quando é possível perceber que uma pessoa não serve para Ciência? Acho que um grande sinal é a falta de iniciativa. Outro sinal enorme é a incapacidade de integrar informações díspares. Quantos colegas meus viam Ecologia, Zoologia, Genética, bioquímica, etc. como coisas separadas? Quantos não percebiam que o músculo estudado por uma matéria era o mesmo das outras? Sinais menores: sempre seguir protocolos à risca ou nunca seguí-los. Incapacidade de concentrar-se em tarefas repetitivas. Preguiça de ler. Impossibilidade de planejar as coisas no longo prazo. Falta de pensamento estratégico. Capacidade analítica reduzida. A lista vai longe…
- não acho que a tarefa de se avaliar se alguém é apto para a Ciência deve ser de apenas uma pessoa. No caso que relatei houve a avaliação do trabalho de um ano por dois membros do Departamento, além da opinião do orientador, houve muitas reuniões para tentar auxiliar a aluna e ainda havia o serviço de aconselhamento da Universidade.
- é segregação dizer que alguém não tem aptidão para ser cientista? Me respondam: se eu quisesse ter me tornado jogador de futebol profissional (mesmo de um time de quinta divisão) eu conseguiria? E se eu treinasse 14 horas por dia? E ser cantor profissional? Se vc me conhece sabe que a resposta é NÃO!
- falar para alguém que o seu sonho é inalcançável dói mas deixar a pessoa seguir sem o conselho é irresponsabilidade. Falsas esperanças é melhor do que nenhuma? No mínimo o conselho vai fazer a pessoa questionar se seu sonho é mesmo verdadeiro. Muitas vezes as pessoas seguem em frente porque estão no “automático”.
- muitas pessoas conseguem se superar mas, para isso é necessário que elas saibam onde está o seu limite.
- continuo achando que um Doutorado bem feito te treina para muitas coisas além da carreira científica. Apoio quem quer pegar o diploma e sair da Academia. Não acho que foi perda de tempo de ninguém desde que tudo esteja claro o tempo inteiro. Aliás, esse negócio de acadêmico achar que quem saiu da Academia é um LOSER não está com nada!
- muitos falam de Einstein mas, se Einstein tivesse se formado na academia, será que ele teria sido o revolucionário que foi? Ele era péssimo como aluno, talvez ter trilhado vias alternativas tenha sido o mais benéfico para ele…
Deixando a Ciência
Um artigo indicado pelo Ricardo Vêncio, e que chegou a mim por duas vias independentes, me fez lembrar algo que aconteceu quando eu estava no começo de meu terceiro ano de meu doutorado.
Quando você entra em Cambridge, você não entra como um doutorando: o seu status fica em aberto por um ano, quando sua produção é avaliada. Na época, uma alemã estava sendo avaliada pela banca, composta de dois professores do departamento, e não foi aceita como aluna de doutorado. Eles alegaram que ela não tinha as habilidades necessárias para se tornar uma cientista e sugeriram fortemente que ela ficasse mais alguns meses e saísse com um Mestrado (a alternativa era ela sair e pronto).
Lembro ter ficado muito chocado com a frieza com que tudo aconteceu: os avaliadores tomavam chá conosco todos os dias e sempre conversavam com a alemã. Como eles poderiam chegar um dia e falar que alguém não era competente o suficiente para conseguir um doutorado? Ainda mais com outros exemplos que eu havia conhecido?
O meu orientador explicou a política deles: deixá-la terminar o curso seria perda de tempo dela e do Departamento. Ela nunca iria tornar-se uma cientista pois não tinha as habilidades necessárias para isso. Ela saindo antes, a ajudaria a encontrar uma carreira mais adequada para o seu temperamento. Ele ainda falou: “Veja o caso de tal pessoa (que era ruim com um projeto pior): ela está terminando o doutorado dela e vai fazer o quê? Ninguém quer aceitá-la como pesquisadora e não sabe o qeu vai afzer da vida. Se ela tivesse saídontes, poderia ter conseguido um emprego fora da Ciência antes ao invés de empatar a vida dela aqui.”
No fim a alemã saiu com um Mestrado e entrou em um curso para tornar-se professora. Um tempo depois ela apareceu na cidade e parecia feliz: na Ciência, ela se achava inapta e precisava se esforçar demais para conseguir fazer coisas simples, o que a deixava triste e ansiosa. Como professora, ela estava mais confiante e feliz com o trabalho, que se encaixava mais com as habilidades que possuía.
Eu ainda estou no começo de minha carreira e posso dizer que muitas pessoas não servem para ser cientistas. É uma carreira difícil e nem pessoas com as habilidades certas conseguem ser bem sucedidas no final (serei bem sucedido no final? terei as habilidades necessárias). Depois do que aconteceu com a alemã sou mais favorável em ser duro com os aprendizes de Ciência no início para evitar que eles percam seu tempo no fim. Ficar passando a mão na cabeça deles “para incentivá-los” somente cria falsas expectativas.
Abro a discussão: incentivar pessoas que não servem para a Ciência a sair da área é correto?
PS: Eu tomei uma dura na minha avaliação de primeiro ano e ela me ajudou a me tornar um cientista melhor. Gostaria que fizessem isso com mais pessoas.
ScienceBlogs no Roda Viva!
Daqui a pouco eu e a @paulabio, junto com Mauricio Bonas, iremos comentar a entrevista do diretor do INPA, Adalberto Val no Roda Viva. Acompanhem via rede e Twitter a partir das 17h30.
Adalberto Val
Diretor do INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
Nos últimos anos, a expansão agrícola, os projetos de colonização e de desenvolvimento industrial aceleraram a ocupação e o desmatamento da Amazônia.
Boa parte da região ainda é desconhecida do mundo. Cientistas exploram a Amazônia e descobrem todos os anos novas espécies enquanto lutam para encontrar um meio sustentável para a exploração.
O desafio atual é permitir o desenvolvimento científico e econômico amazônico sem agredir o meio ambiente.
Adalberto Val é diretor do INPA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, órgão criado em 1952 e implementado em 1954 para realizar o estudo científico do meio físico e das condições de vida da região amazônica, além de gerar e disseminar conhecimentos e tecnologia, e capacitar recursos humanos para o desenvolvimento da Amazônia.
A esperteza da cobra de tentáculos
Quando eu era criança, eu vivia tentando pegar peixes com as mãos. Quem já tentou sabe: peixes conseguem fugir tão rápido de quem quer capturá-los que parecem até prever o que vai acontecer.
A agilidade dos peixes, na verdade, tem um segredo bem conhecido: a chamada resposta C-start. Quando o peixe sente uma vibração ou vê algo se proximando de um lado de seu corpo, ele contrai rapidamente os músculos do lado oposto do corpo, fazendo um C, e sai nadando rapidamente após endireitar-se (veja vídeo aqui). Esta resposta é extremamente rápida, demorando cerca de 5 a 6 milisegundos para começar, e ainda garante que o peixe vai fugir para longe do predador.

Se eu não era nenhum pequeno ninja, a ponto de pegar um peixe saudável com as mãos (só houve um episódio trágico com um peixe moribundo), as cobras-de-tentáculos (Erpeton tentaculatum) dão um show de pescaria. Ela geralmente espera suas presas com a cabeça encurvada, formando um J, e fica imóvel nesta posição até um peixe se aproximar, quando ela o ataca rapidamente. Todo este movimento demora de 15 a 20 milisegundos para acontecer, o que seria tempo o bastante para o peixe escapar. Curiosamente, esta cobra consegue capturar uma porcentagem altíssima de peixes.

O segredo da cobra-ninja, caro gafanhoto, só pôde ser desvendado recentemente com a utiização de câmeras de muitos quadors por segundo: a cobra engana o peixe e não o ataca onde ele está, mas sim onde ele vai estar. Por exemplo, quando o peixe se encontra na parte côncava de seu J e paralelo à cabeça da cobra – como na figura abaixo – ela movimenta levemente o seu corpo (números 1 a 3), o suficiente para o peixe perceber e fugir para o lado oposto (4 e 5), que é exatamente onde está posicionada a boca da cobra (6). Ou seja: a cobra faz com que o peixe praticamente nade para o dentro de seu estômago!

Se o peixe está posicionado perpendicularmente à cobra, o processo é um pouco mais trabalhoso: a cabeça da cobra se movimenta para onde o peixe vai estar. De qualquer forma, está explicada a estratégia de ficar em forma de J: é um jeito de se aproveitar de um mecanismo automático do peixe que é altamente adaptativo e esteriotipado.

No vídeo abaixo podemos observar três casos no qual o peixe está paralela à cabeça da cobra e três casos no qual ele está perpendicular. A cobra consegue pegar o peixe 80% das tentativas. Nas 20% restantes, o mecanismo C-start não é iniciado e a cobra erra totalmente a mira (veja o vídeo aqui).
Este é um exemplo inetressantíssimo de como um comportamento esteriotipado abre brechas para ser explorado. Para sorte dos peixes, não parecem ser muitos os predadores que usam esta estratégia.
Referências
Eric D. Tytell and George V. Lauder (2002). The C-start escape response of Polypterus senegalus: bilateral muscle activity and variation during stage 1 and 2 The Journal of Experimental Biology, 205, 2591-2603
Catania, K. (2009). Tentacled snakes turn C-starts to their advantage and predict future prey behavior Proceedings of the National Academy of Sciences DOI: 10.1073/pnas.0905183106
Imagens: J Exp Biol (C-shape),Ryan Somma (foto da cobra, FLICKR) e PNAS (esquemas da cobra e peixes).


