
Músicos parecem sempre atrair mais indivíduos do sexo oposto do que os demais. Se isto é apenas anedótico entre humanos, é verdade entre os sapos.
Sempre que ouvimos a cantoria dos sapos no fim da tarde e durante a noite estamos presenciando uma batalha entre os sapos cantores para quem vai atrair mais fêmeas.
Cantar exige muita energia dos sapos, ainda mais que eles não possuem microfones e videokê. Isto acaba favorecendo os sapos maiores, que conseguem cantar mais alto e por mais tempo. O que fazer se você não consegue batê-lo? Se retirar tristemente da corrida darwiniana?
Uma alternativa é dar uma de amigo de músico e ficar por perto do cantor, tentando faturar fêmeas atraídas por ele. É isso que fazem os machos satélites: eles não cantam mas ficam por perto de quem o faz, conseguindo fecundar fêmeas que se aproximam procurando o popstar. Esta estratégia traz a vantagem de você não gastar energia com a cantoria, poupando-a para fins reprodutivos.
Isso quer dizer que vale a pena ser malandro e ficar só de sapo satélite? A resposta é a mais comum encontrada em Biologia: depende.
Um estudo publicado na revista Behavioral Ecology and Sociobiology, mostrou que, no caso da Hyla intermedia, encontrada em campos alagados italianos, quanto mais alto o canto do macho, mais satélites (e fêmeas) ele atrai. No entanto, a presença de satélites não diminui drasticamente o seu sucesso reprodutivo, medido pelo número de noites na qual o sapo foi bem-sucedido.
O mais interessante é que machos que cantavam mais baixo e não eram parasitados pelos satélites não conseguiam atrair muitas fêmeas e acabavam tendo um sucesso reprodutivo semelhante ao dos machos-satélites.
Esses dados explicam por que não existem apenas sapos cantores nesta espécie: ser satélite garante um sucesso reprodutivo igual ao de ser um cantor ruim (ou menos melhor). Ao mesmo tempo ser satélite não é melhor que ser um bom cantor, fazendo com que a estratégia de ser cantor seja escolhida.
Outro dado interessante do estudo: os machos satélites são bem menores que os machos que cantam mas não estão em piores condições energéticas que eles, o que levou aos pesquisadores concluírem que eles devem ser sapos mais novos, que deverão tornar-se cantores quando crescer. Neste caso também faz sentido não cantar e usar esta energia no crescimento do corpo.
Seria interessante descobrir se machos que têm menos sucesso reprodutivo como satélites, gastando menos energia quando mais novos, acabam ficando maiores - e melhores cantores - devido ao menor gasto neste estágio de desenvolvimento. Seria um trade-off interessante de se medir.
A conclusão para se levar para casa é: se você não canta bem, talvez seja melhor você ser amigo de quem cante. Nem precisa fazer um estudo aprofundado para ver paralelos na nossa sociedade.
Castellano, S., Marconi, V., Zanollo, V., & Berto, G. (2009). Alternative mating tactics in the Italian treefrog, Hyla intermedia Behavioral Ecology and Sociobiology, 63 (8), 1109-1118 DOI: 10.1007/s00265-009-0756-z
Foto: Wikipedia
Quando criança, eu sonhava estudar dinossauros. Hoje em dia tenho
outros sonhos mas ainda tenho brontossauros no meu jardim. Por 

Commentários (3)
Divertido a maneira como conduziu o assunto, bem interessante. Acredito ser assim uma nova forma de apresentar conteúdos para alunos.
Parabéns pelo texto e pelo blog
abraços
Escrito por: Biosfera_MS | julho 20, 2009 12:44 AM