Brontossauros e o Prêmio ABC!

Este blog ganhou o prêmio ABC na disputada categoria Ciências da Vida. O prêmio foi organizado pelo Laboratório de Divulgação Científica da USP – Ribeirão Preto. O ScienceBlogs Brasil, aliás, foi muito bem como um todo.

Aproveito a oportunidade para anunciar que um texto deste blog: A sopa de lixo do giro Pacífico Norte ganhou o 2o. Concurso Científico Tecnoclasta. Meu prêmio (escolhido por mim) foi o excelente livro Startup, de Jessica Livington. Fica meu agradecimento ao Luis Eduardo!

Neste último ano surgiram muitos blogs legais. Aproveito para indicar alguns que me agradam muito (sem ordem específica):

Café com Ciência – três astrofísicos escrevem sobre astronomia e outros assuntos correlatos.
Bala Mágica – sobre nanotecnologia e seu impacto na área médica. Fernanda escreve textos excelentes baseados em artigos científicos.
Gene Repórter – Roberto Takata é lendário nos fóruns e comentários de sites de Ciências. É um ganho nosso que ele decidiu escrever um blog!
Ciência na Mídia – um blog novo que comenta sobre a ciência na mídia.
A neurocientista e plantão – Suzana Herculano-Houzel.
Mamãe Passou Açúcar em mim – um blog interessantíssimo com muitos comentários sobre artigos científicos publicados na área médica.
Ars Physica – nascido da engajada comunidade de Física no Orkut, tem discussões sobre múltiplos assuntos sob o viés físico.
Física na Veia – O prof. ulcíio consegue misturar Física e o cotidiano como poucos.
O amigo de Wigner – que recusa o título e blog de Ciência.

Qualquer um deles poderiam estar no Scienceblogs Brasil, quem sabe conseguimos corrigir esta “falha” um dia..

Pequeno grande faxineiro

ResearchBlogging.orgUma das interações mais curiosas que vi na Grande Barreira de Coral, na costa da Austrália, foram as do peixinho Labroides dimidiatus com outros peixes maiores. O Labroides é um destes peixes limpadores que ficam fuçando as escamas de outros peixes em busca de comida. O interessante é que esses peixes não precisam ir atrás de seus clientes: vi muitas aglomerações de peixes esperando por sua vez nos locais de limpeza.
 
Toda esta procura dos peixes pelos serviços do Labroides não é surpresa: um Labroides pode retirar mais de mil parasitas de peixes em apenas um dia. Além do mais, em um experimento publicado em 1999 na Nature, peixes foram mantidos presos em gaiolas colocadas em recifes com e sem o limpador. Em apenas 24 horas, os peixes que não eram limpos apresentaram cerca de 4 vezes mais parasitas!

Se os serviços do Labroides tem um impacto tão grande na vida de apenas um indivíduo, a próxima pergunta é: será que ele impacta a comunidade inteira do recife? Um estudo de alrga escala publicado em 2003 na Current Biology sugere que a resposta é afirmativa. Neste estudo, os pesquisadores retiraram os Labroides de dois recifes por 18 meses. O resultado é surpreendente: tanto a diversidade quanto a abundância de peixes é maior nos recifes que possuem o Labroides (em preto).

No gráfico acima, a bolinha representa os resultados de um recife e o quadrado representa os resultados de um outro.  Note que a bolinha preta sempre está acima da bolinha branca e o mesmo acontece com o quadradinho. Como este efeito é mais acentuado se considerarmos apenas peixes que se movimentam bastante, podemos concluir que a presença dos limpadores atraem mais peixes e mais tipos de peixes para o coral (pode ser que os limpadores escolham locais com mais peixes mas um efeito semelhante foi observado em recifes onde limpadores foram introduzidos).
 
É curioso notar que o efeito é bem mais acentuado quando se observa os peixes com câmeras ao invés de snorkels. Quando os pesquisadores faziam scuba diving, o efeito quase não era observado (lembra daquele desenho com um sapo que só dançava e cantava se ninguém estivesse olhando?).

Por fim, um trabalho publicado na Frontiers in Zoology em 2007 sugere que peixes que são limpos pelo Lambroides ainda são menos seceptíveis ao estresse, medido pela quantidade de hormônio cortisona na corrente sanguínea. Isto sugere mais uma vantagem de ser limpo pelos peixinhos, justificando a sua importância ao estabelecer a distribuição de espécies nos corais.

Fotos: brian.gratwicke e Joachim S. Müller

Fontes:
Grutter, A. (1999). Cleaner fish really do clean Nature, 398 (6729), 672-673 DOI: 10.1038/19443

Grutter, A., Murphy, J., & Choat, J. (2003). Cleaner Fish Drives Local Fish Diversity on Coral Reefs Current Biology, 13 (1), 64-67 DOI: 10.1016/S0960-9822(02)01393-3

Bshary, R., Oliveira, R., Oliveira, T., & Canário, A. (2007). Do cleaning organisms reduce the stress response of client reef fish? Frontiers in Zoology, 4 (1) DOI: 10.1186/1742-9994-4-21

Levitação e sapos e gafanhotos

Para complementar a recente descrição da levitação de camundongos.

Uma outra técnica permite levitar objetos com som:

Humor na Ciência: NCBI ROFL

Além do magnífico site sobre Humor na Ciência, há muita coisa na Ciência que nos faz rir (e pensar depois, como no IgNobel).
Um blog fantástico que já existe há algum tempo é o blog NCBI ROFL. O NCBI é um centro que contém gigantescos bancos e dados científicos, incluino o Pubmed, que te permite pesquisar por artigos científicos diversos, principalmente na área médica. O NCBI ROFL reúne títulos de artigos inusitados que revelam o absurdo humor de alguns cientistas ou os bizarros tópicos que outros estudam.
Um dos meus prediletos é: Uma análise da força necessária para se arrastar ovelhas sobre superfícies, que até ganhou um IgNobel.

Notas da SBG #3: ser reconhecido

Não sou a pessoa mais extrovertida do mundo. Eu até consigo esconder a timidez se me preparar antes do tempo mas sempre que me pegam despreparado é um desastre.
Durante a SBG me reconheceram quando eu andava pelo corredor. Foi estranhíssimo. Na verdade foi ótimo, pois conheci a Ana Cláudia Lessinger do Via Gene. O Via Gene tem estado em diapausa mas foi um dos primeiros blogs de Ciência que segui. É um dos blogs que inspiraram o meu e prometo, Ana, que até falarei uma ou duas palavras da próxima vez que nos encontrarmos.

Notas da SBG #2 – Genética na Praça

A SBG sempre investiu muito na divulgação da Genética e na melhoria de seu ensino. Uma de suas melhores iniciativas é a programação da Genética na Praça, onde há eventos voltados para professores do Ensino Médio. Geralmente há uma mesa redonda, algumas palestras, workshops e muitas atividades lúdicas para serem aplicadas na sala de aula, ou mesmo na praça.
Uma das atividades que desenvolvi com meus colegas tentava ensinar Teoria dos jogos utilizando perucas vermelhas platinadas e uma dessas buzinas de ar comprimido. Era um barato (e os professores realmente aprendiam algo!).
A Genética na Praça sempre teve um bom público, variando de 100 a 200 participantes. No entanto, neste ano ela estava beeeeeeem vazia. O primeiro motivo de esvaziamento, de acordo com os organizadores, foi o Governo de São Paulo parar de dar o ponto para professores que iam fazer cursos de aperfeiçoamento. O professor não pode tirar um dia no ano para tentar melhorar seu ofício. Tudo bem pois os professores do Ensino brasileiro não precisam de melhorar, certo? Apesar de receberem falta, muitos professores continuavam vindo.
O golpe final foi dado neste ano: com o novo plano de carreira para professores (que me pareceu bom, o que vcs acham?), o professor com faltas têm seu progresso na carreira atrasado. Esta medida tenta lidar com os alarmantes índices de faltas dos professores no Ensino público, só que o professor ir fazer um curso uma, duas vezes ao ano NÃO pode ser considerado falta!
A Genética na Praça não vai acabar por causa do Goveno de São Paulo, ainda mais que a SBG ocorre fora do estado ano sim, ano não. No entanto, é triste perceber que, mais uma vez, o governo tem que dar um passo para trás sempre que tenta dar passos para frente.

IstoÉ #FAIL

Sou um fã do jornalismo científico bem feito (exemplos 1, 2 e 3, de muitos). Acho que os jornalistas conseguem dar uma visão interessante aos assuntos que muitas vezes não conseguimos. No entanto, de vez em quando sai alguma coisa grotesca, de nos fazer desejar arrancar os fígados do autor e de seu editor.
istoe_fail.jpg
A chamada da matéria já dá uma ideia do que vem depois. Acho que o melhor mesmo é conferir in loco.
Essa é uma boa para pedir em provas.
Fontes: @xkitamura e Ciência Brasil

Para me entender melhor…

Uma apresentação fantástica que explica muito da minha personalidade: The Shy Connector, por Sacha Chua.
Basicamente sou um tímido funcional, adoro ficar sozinho (melhor, só com a minha esposa) e odeio conversas de elevador que não levam a lugar nenhum. Interações sociais me exigem uma energia descomunal, apesar de adorar conversar com pessoas que me interessam.
Mais, e melhor, na apresentação abaixo:

Quem é você?

Estou preparando uma apresentação sobre blogs e gostaria e saber quem são os meus leitores. Por favor respondam o formulário abaixo:

Big Bang Theory cai na rede

Cabealho_thumb.pngFui chamado para fazer parte de um experimento sociológico inédito: conviver por 4 dias com 40 pessoas normais blogueiros em Porto de Galinhas. Sim, eu sei que muitos colegas cientistas estão achando que é um risco excessivo e um tanto desnecessário, porém, como iria o Raj: “No guts, no glory”. E vai ser a glória mostrar para civis que nossa vida social se extende além da internet: preparei um catálogo com a Fauna e Flora locais para podermos encontrá-los juntos, encapei minhas fichas de mestre para jogarmos RPG na praia (Vampire sob o sol vai ser fascinante), fiz infográficos mostrando o funcionamento do Banana Boat, atualizei meu livro de táticas de paintball e preparei sonetos para serem lidos no luau. Tudo para facilitar as interações sociais.

E não é só isso: as chances de haver mais de um nerd científico em Porto de Galinhas (nem sabia que galinhas sabiam nadar) são grandes uma vez que vai haver o sorteio e a premiação de 5 vagas para participar a ação. Portanto: NERD uni-vos e usai vosso intelecto para conquistar uma vaga e garantir a supremacia da Ciência no futebol e areia! (acompanhem o blog e o twitter para mais detalhes).

O convite foi feito pela ação Porto Cai na Rede, que deve ter que cumprir alguma cota estranha para me chamar. A ação tem apoio da Secretaria de Turismo de Ipojuca, a Associação de Hotéis de Porto e Galinhas, a EMPETUR e a SETUR/PE. O convite só foi aceito após saber que teremos acesso à internet (thank Cthulhu!) e que a Paula vai estar lá para segurar a minha mão no duro processo de conversar com as pessoas in flesh.

DISCLAMER: a viagem à Porto de Galinhas foi oferecida gratuitamente para este blogueiro.

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