Em 1986, o mundo viu horrorizado a explosão do ônibus espacial Challenger, evento que foi chamado por aqui de o "apagão da NASA". A comissão formada para investigar o desastre continha o físico Richard Feynman que, na audiência do congresso, tirou um componente do ônibus espacial, um anel de borracha, da água gelada e mostrou que ele perdia suas características no frio, o que teria desencadeado a explosão (para mais detalhes).
Semana passada, parte do país sofreu um apagão. As causas ainda não estão claras: há oscilogramas apontando três curtos-circuitos em menos de 120 mili segundos (as chances de serem três raios existem, mesmo remotas), ao mesmo tempo em que o INPE diz que os raios mais próximos caíram a 2 km da região e com intensidade fraca. Enquanto o governo não chega a uma conclusão, a oposição organizou uma comissão para investigar o ocorrido. Desta forma, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), pediu pra que a Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) fosse consultada para descobrir as causas do apagão. Segundo ele: "Dizem que foi raio, que foi tempestade. Ninguém sabe. Já que ninguém sabe, vamos chamar a Fundação Cacique Cobra Coral para dar uma opinião de vidência já que a ciência a administração pública não respondem às nossas dúvidas" (fonte, grifo meu).
A FCCC (saiba mais aqui) é uma entidade que presta serviços metereológicos para governantes de todas as esferas. De acordo com o site (grifos meus):
A Fundação Cacique Cobra Coral foi criada para intervir nos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza. Fundada por Ângelo Scritori e tendo a frente sua filha Adelaide Scritori também médium que incorpora o espírito e mentor Cacique Cobra Coral que também já teria sido de Galileu Galilei e Abraham Lincoln.O site da FCCC não deixa claro a natureza dos serviços metereológicos prestados aos governantes. No entanto, uma reportagem da revista Isto É revela que a presidente da FCCC, a Adelaide Scritori, recebe o cacique Cobra Coral e pede para que ele efetue mudanças climáticas.
O interessante é que um os eventos mais "desconcertantes" efetuados por Adelaide Scritori foi a elevação de 29 graus celsius em Londres no inverno de 1986 (o mesmo ano o desastre da Challenger), quando as temperaturas chegaram a 30 graus abaixo de zero. Segundo a revista, os feitos do Cacique teriam impressionado até a primeira ministra Margaret Thatcher.
Impressionante se não fosse um detalhe: não há registros de temperaturas abaixo de -27 graus celsius na Inglaterra inteira em dois séculos de medidas. Em Londres, 1986 foi marcado por um Fevereiro bem frio com uma média de -0.5 graus celsius e uma mínima de -9.6 graus celsius. Além disso não há menção alguma na Internet a temperaturas especialmente baixas em Londres em 1986, o que não pode se falar o mesmo de 1963, The Big Freeze. Ou seja: nenhum inglês parece se lembrar do impressionante feito da Adelaide Scritori (o The Guardian, no entanto, realmente publicou uma reportagem anunciando a chegada da Adelaide na Inglaterra em Janeiro de 1987 - temperatura mínima de -9.1 graus celsius, 1.3 graus na média).
Não vou dar a minha opinião sobre a FCCC. Acho que o leitor tem a capacidade de tirar suas próprias conclusões. Só gostaria que a oposição do nosso país fosse mais esperta e procurasse um Feynman e não uma médium para denunciar as incompetências de nosso governo.

Quando criança, eu sonhava estudar dinossauros. Hoje em dia tenho
outros sonhos mas ainda tenho brontossauros no meu jardim. Por 
Commentários (9)
Para o mundo q eu quero descer chamar a FCCC pra saber os motivos do apagão é o fim! Só reforça a ideia de q o Brasil nao deve ser mesmo um país serio...
Escrito por: Claudia Chow | novembro 18, 2009 9:28 PM