Serra escolhe 2o. lugar na lista tríplice
Ontem o governador José Serra escolheu o professor João Grandino Rodas, da São Francisco, para o cargo de reitor da USP. O detalhe é que Rodas foi o segundo lugar na votação feita dentro da Universidade. O que Serra fez está dentro da lei: os três primeiros lugares na votação interna formam uma lista, que é mandada para o goverandor do Estado. Artefatos da ditadura que não fazem sentido algum (tenho a mesma opinião sobre a polícia no campus ou da “imunidade” que a área dos CAs têm). Se a decisão de Serra tem o amparo da lei, isso não quer dizer que ela tenha sido correta. Não respeitar a decisão da Universidade, mesmo sendo resultado de um processo falho de votação, é um gesto autoritário e antigo, nada a ver com a imagem de bom moço moderno que o governador quer passar no Twitter.
De acordo com a Folha, de um total de 274 eleitores que compareceram na votação, 161 votaram no Glaucius Oliva enquanto 104 votaram no João Grandino Rodas, lembrando-se que cada eleitor pode votar em até três candidatos.
Até o momento, não vi nenhuma justificativa do governador para a sua escolha. A Folha já havia cantado a bola ontem (perdi o link) dizendo que o governdor provavelmente não iria indicar o primeiro nem o terceiro lugar da lista pois foram apoiados indiretamente pela atual reitora. Ao mesmo tempo, vi que o nome escolhido já foi indicado para o Conselho Estadual de Educação pelo vice-governador Alberto Goldman. É razoável concluir que a decisão foi política.
ADENDO: já que estou no modo “mau humor”, mais uma: se alguém usa uma ferramenta “muderna” como o Twitter para fazer propaganda, falar de amenidades e não responder perguntas incômodas feitas para ele, ele realmente está aproveitando a ferramenta ou está fingindo que está usando a ferramenta? Sinceramente, acho isso tão tosco quanto um blog sem área para comentários. A vantagem do Twitter é que é vc pode ignorar as mensagens incômodas sem ficar óbvio, como no caso dos blogs.




Discussão - 9 comentários
O problema, Carlos, é que quem paga a conta, geralemnte se sente no direito de escolher o jantar…
Engraçado, se um dia o PT fizer o governador de SP e algo do tipo acontecesse, ia ser uma gritaria geral e ninguem ia defender a escolha de um segundo colocado como sendo uma responsabilidade do governador perante o eleitor. Iam falar em aparelhamento do estado.
Os tucanos tem aparelhado o estado de São Paulo inteiro. Acho que isso explica a impossibilidade de renovação no comando do estado.
Dai vamos ter que engolir o Alckmin. Espero que chequem (e investiguem) a informação da relação dele com a Opus Dei como checaram a pretensa relação de Marina com o Criacionismo…
Carlos,
quem entende melhor a universidade é a sua comunidade certo? Além disso, a universidade é supostamente um local de discussões independentes, interferência política sempre diminui esta independência. Nunca nem inferi um esquema “pague a conta e não encha o saco”. Acho que vc está confundindo transparência com submissão.
Adilson, que informação especificamente vc quer? Os fatos que recolhi vieram todos da Folha.
Caro Hotta,
Qual é a sua fonte para essa informação?
Um abraço
Adilson
Quem sustenta a USP é o povo do Estado de S. Paulo, por meio de impostos. A pessoa que tem a autoridade e a responsabilidade (delegadas pelo povo, via eleição) para decidir o que vai ser feito com o dinheiro dos impostos e zelar para que o gasto seja o melhor possível é o governador, que se não fizer o trabalho direito responde por isso perante o Legislativo, o Judiciário e o eleitorado. Logo, qual o problema de o governador escolher o reitor? (não estou dizendo que a escolha seja boa ou má, mas o conceito abstrato de o governador ter essa autoridade)
Existe uma certa tendência de se confundir “autonomia universitária” com “pague a conta e não encha o saco”, mas na verdade são proposições bem diferentes, e a segunda é estritamente antidemocrática, já que transforma a universidade pública num ente inimputável que só deve satisfações a seu público interno e a mais ninguém.
Eu não acredito. Simplesmente não consigo acreditar. Não que eu goste do Glaucius: ele foi diretor do Instituto de Física de São Carlos, e presenciei bem de perto as reações tomadas por ele durante a greve de 2007. Ainda assim, ele foi o escolhido pela maioria dos representantes da USP, e Serra não se importou com isso.
A última vez que o 1º não foi o escolhido foi em 1981, quando Maluf escolheu o quarto de uma lista com seis. De tão protocolar a participação do governador, achava só barulho os CA’s gritarem que existir essa escolha era a cereja do bolo da anti-democracia.
Mas está aí. Mais um exemplo do desrespeito de Serra pelas universidades do Estado. Começou seu mandato impondo uma nova secretaria para gerir o ensino público superior, criando mecanismos para limitar a liberdade de gastos e decisão das universidades, concedendo presidência vitalícia do CRUESP ao secretário… E pensar que ele foi presidente da UNE quando ela valia bastante coisa.
Caro Carlos,
A lei que regulamenta atualmente a escolha de reitores nas universidades federais – e que estabelece a tal da lista tríplice – é a no. 9192, de 1995, quando o presidente era Fernando Henrique Cardoso (http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/l9192_95.htm). Essa lei substitui uma lei anterior sobre o assunto, de 1968, quando estávamos na “ditabranda”. Nas universidades estaduais não sei da legislação, mas deve-se seguir, provavelmente, o que acontece na esfera da união.
Um abraço!
Interessante a colocação, seria a eterna reclamação dos universitários de q a lista tríplice na Universidadeé fruto da ditadura, uma lenda urbana? Talvez a lista tríplice para reitor seja…. alguém?
Sem lhe tirar a razão do mau humor, só esclareço que esse processo de “lista tríplice” não é exatamente um “artefato da ditadura” como você supõe. Isso é mais velho do que andar para a frente: apenas substituiram “El Rey” pelo esbirro contemporâneo.