Debate no Campus Party e Sorteio!

Daqui a pouco vai começar o painel dos blogs de Ciência na Campus Party. Vou sortear um rinovírus de pelúcia para a plateia! Para concorrer, twitte uma mensagem sobre o sorteio que manarei do meu Twitter.
DIA 5 (Sábado – 30/01/2010)
PAINEL 1 – 10:30 ~ 12:00
Blogs de ciência
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A consolidação do uso da blogosfera na divulgação científica e o
fomento de debates sobre questões como sustentabilidade, aquecimento
global e doenças epidêmicas.
MODERADOR:
Carlos Hotta
PAINELISTAS:
Isis Nóbile Diniz
Atila Iamarino
Reinaldo Lopes
Tatiana Nahas
Se vc ainda não conhece meu blog, recomendo que vc visite esta seleção de posts.
Espermatozóides: um por todos e todos por um!
A cena é clássica: espermatozóides competindo entre si para apenas um ter o privilégio de fecundar o óvulo. No entanto, o clichê cada-um-por-si encontrado nos documentários de educação sexual nem sempre é verdadeiro: em algumas espécies de animais os espermatozóides formam agregados para nadar em galera! Estes flashmobs haplóides têm a vantagem de tender a ser mais rápidos do que espermatozóides individuais, o que lhes ajuda a atravessar o inóspito ambiente do aparelho reprodutor fenimino. Uma pergunta que sempre intrigou os cientistas foi: será que estas vantagem seriam suficientes para impulsionar a seleção de tal comportamento?

Um estudo publicado na Nature desta semana, mostra que a chave para o aparecimento de um comportamento cooperativo entre os espermatozóides pode estar na competição entre espermas. A competição entre espermas acontece em espécies cujas fêmeas são promíscuas, como no caso das fêmeas dos camundongos Peromyscus maniculatus que podem ter múltiplos parceiros e poucos minutos. Nestes casos, os espermatozóides não só competem com seus meio-irmãos para chegar ao óvulo mas também com espermatozóides de outros camundongos. Quando isso acontece, um fenômeno inusitado é observado: os espermatozóides formam agrupamentos somente com espermatozóides gerados por um mesmo indivíduo.
Como os pesquisadores descobriram isso? Simples! Eles pegaram um tanto de espermatozóides e os marcam com uma substância fluorescente verde depois eles pegam outro tanto de espermatozóides e os marcam com uma substância fluorescente vermelha. Assim, ao misturar ambas populações de espermatozóides, eles podem contar quantos agrupamentos de uma só cor e quantos de múltiplas cores são formados.

A primeira coisa que eles mediram é o que acontece quando você mistura dois grupos de espermatozóides vindos do mesmo indivíduo mas marcados com cores diferentes (barras brancas na figura abaixo). Este experimento serve como controle: este é o resultado esperado se a formação de agrupamentos for aleatória. Ao misturar espermas de duas espécies diferentes: os de P. maniculatus (os da direita na figura abixo) com os de uma espécia semelhane – P. polionotus (os da esquerda) – mais de 75% dos agrupamentos era de uma só cor (barra escura indicada por Heteroespecifics, na Figura mais abaixo). O mesmo acontece se misturarmos espermas de P. maniculatus não-aparentados (unrelated P. maniculatus).

O mais impressionante é que o mecanismo de identificação de espermatozóies semelhantes ainda funciona se misturarmos espermas de P. maniculatus aparentados (related P. maniculatus), cuja porcentagem de agregados de uma só cor é uns 72%, não muito diferente dos exemplos anteriores. Agora vem a parte intrigante: quando espermatozóides de P. polionotus não aparentados eram misturados, uma grande porcentagem de agrupamentos multi-coloridos eram encontrados (unrelated P. polionotus). Qual a diferença entre P. maniculatos e P. polionotus? Uma interessantíssima: os P. polionotos são monogânicos, a ponto dos pesquisadores não encontrarem evidência de múltipla paternidade após procurar em 220 indivíduos. Como em espécies realmente monogânicas não há competição entre espermas, não há pressão seletiva que favoreça espermatozóides discriminativos.
A mensagem a ser levada para casa é: cooperação é um comportamento que pode surgir diante da competição. Do ponto de vista evolutivo, um espermatozóide que não entrou no óvulo tem em média 50% de seu material genético semelhante ao espermatozóide-irmão que entrou, mais do que se nenhum espermatozóide entrar ou um espermatozóide de outro indivíduo entrar no óvulo. Duas perguntas que não querem calar: 1) quando a wave chega no óvulo, como os espermatozóides decidem quem vai entar? 2) será que os pesquisadores explicam com o que trabalham para estranhos?
Fonte: Fisher, H., & Hoekstra, H. (2010). Competition drives cooperation among closely related sperm of deer mice Nature DOI: 10.1038/nature08736
Imagens: Nature e Wikipedia (camundongo 1 e 2)
Clima: transparência é preciso, cientistas não são precisos
O aquecimento global causado pela ação humana é um consenso entre cientistas. As evidências que indicam isso não são poucas, vêm de inúmeros centros de pesquisa e utilizam-se múltiplas metodologias. Mesmo assim, como visto nos casos dos e-mail roubados, cientistas são seres humanos e são tão capazes e cometer erros quanto o cidadão comum. Agora precisamos avisar o cidadão comum disso.
Uma das maiores dificuldades ao se divulgar Ciência é mostrar aos civis que um consenso científico não é igual a certeza científica. A tendência dos cientistas é dar a impressão de que sabemos tudo sobre aquecimento global. Isso acontece porque os céticos do clima usam as incertezas atuais para dar a ideia de que não se sabe bulhufas sobre o assunto. Da mesma forma, os céticos utilizam dados contraditórios para dizer que o “castelo de cartas” do aquecimento desmoronou. Obviamente é um tanto vil utilizar a má percepção da Ciência pelo público para sustentar a sua ideia, no entanto esta foi uma brecha criada por nós. A solução? Transparência.
Um bom começo é o IPCC admitir que nunca deveria ter publicado uma informação – que as geleiras do Himalaia iriam desaparecer em algumas décadas – sem ter checado suas fontes. Agora que sabemos que o dado veio de uma entrevista dada por um cientista para o magazine New Scientist e replicada em um relatório da WWF, ou seja, não passou por peer-review. Para o público parece ser um sinal que todas informações do relatório do IPCC tiveram origens em fontes não-confiáveis – o que está longe de ser verdade. Se fôssemos claros com o público que as informações no relatório mostram o que sabemos sobre o aquecimento global e suas consequências e que algumas destas informações podem ser revisadas, creio que a reação aos dados do Himalaia fossem menos exagerada. A propósito, a própria informação de que o Himalaia está perdendo gelo é verdadeira, como pode ser visto na foto abaixo.

Mostrar que o consenso científico não é completo e infalível pode trazer problemas na hora de enfrentar as certezas dos céticos do clima, no entanto a transparência nos protege de situações como os emails roubados ou erros encontrados no relatório. Custava mostrar que os dados dos anéis de árvores mostrava um decréscimo nas temperaturas da última década ao mesmo tempo que todas as demais reconstruções mostram um aquecimento? Custa divulgar a lista de mais de 300 itens de incertezas que temos sobre o clima? É pano para manga para os céticos do clima? Talvez, mas mostrar que há um consenso sobre o aquecimento global, apesar de todas as imperfeições em nosso conhecimento é mais vantajoso ao longo prazo. Não só para o caso do aquecimento global mas para a Ciência como um todo.
PS: a revista Nature da semana passada deu um grande passo na direção da transparência ao selecionar quatro grandes incertezas que temos atualmente – como a dinâmica das chuvas, a influência dos aerosóis no clima, o clima escalas territoriais pequenas e as reconstruções de temperatura baseados em dados paleoclimáticos.
PS2: a foto veio do Real Climate
Fotossíntese: uma introdução I

Seres vivos precisam de energia para permanecerem vivos. Grande parte desta energia vem primariamente do Sol, após ser transformada em ligação químicas pela via metabólica conhecida por fotossíntese. Há exceções, claro: pode-se argumentar que o transporte de água pelo xilema das plantas usa energia solar sem depender da fotossíntese e existem os fascinantes ecossistemas que dependem da energia liberada por fossas termais e até bactérias capazes de converter a energia liberada por elementos radiotivos para sobreviver. Mesmo assim, estas exceções não me impede de afirmar que a fotossíntese é certamente a via metabólica mais importante para os seres vivos presentes no planeta.
A fotossíntese acontece em plantas, algas e algumas bactérias. No caso das plantas e algas, este processo acontece nos cloroplastos, organelas descendentes de uma inesperada simbiose entre uma bactéria fotosintetizante e seu predador. De qualquer forma, é possível dividir a fotossíntese em alguns passos: a captação da energia solar, conversão desta energia em energia química na forma de ATP e agentes redutores e a utilização desta energia química para se formar moléculas mais complexas, processo que geralmente culmina na fixação de dióxido de carbono. Curiosamente, a liberação de oxigênio, essencial para a nossa sobrevivência, não é obrigatório para todo o processo.
Na figura abaixo podemos ver a distribuição da fotossíntese no planeta. A fotossíntese nos continenetes está representada de forma diferente do que nos corpos de água: em terra, podemos ver a distribuição da vegetação (quanto mais verde, amis vegetação) e, nos corpos de água, uma medida da concentração de clorofila (quanto mais quente a cor, mais clorofila). É digno de nota que a quantidade de fotossíntese que ocorre no mar, feito principalmente por algas unicelulares, é muitas vezes maior do que a quantidade de fotossíntese que ocorre em terra.

Nos próximos textos, pretendo detalhar mais como as reações da fotossíntese acontecem nas plantas, além de discutir algumas variações da fotossíntese e suas implicações ecológicas.
Fotos: Wikipedia e S John Davey (FLICKR)
Resenha: “Além de Darwin”

Um dos maiores autores de Ciência atualmente é Carl Zimmer. Não é preciso ler mais do que alguns parágrafos de um texto seu para perceber isso. Aos que defendem que cientistas devem ser os responsáveis pela divulgação científica, uma surpresa: Carl Zimmer não tem formação científica mas sim em letras e jornalismo. Seus textos são obras de arte não só de conteúdo mas também em forma. Zimmer é um artesão da linguagem e isso o diferencia dos demais escritores de Ciência.
Sei que é engraçado começar uma resenha falando de um escritor que não é o autor do livro mas “Além de Darwin” (Editora Globo), do jornalista Reinaldo J. Lopes, também nos lembra que não é só o conteúdo que importa ao se divulgar Ciências. O livro é escrito de forma belíssima, o que somente ressalta o espetáculo do conteúdo científico. Particularmente, Reinaldo é bastante hábil ao misturar referências históricas e literárias em seus textos, algo raro em textos escritos por cientistas.
Um problema que tenho em livros sobre evolução é que todos tentam explicara s teorias vigentes da mesma forma, tornando-os maçantes. “Além de Darwin” começa explicando a história da Vida na Terra em apenas algumas páginas. Depois, o livro se divide em tópicos como Parceiros, Elos, Mentes e Peças, cada um reunindo uma série de textos sobre cada tema. Gosto particularmente dos parágrafos iniciais de cada texto, que conseguem preparar o leitor para o seu conteúdo científico. Ao fim do livro, temos uma das mais habilidosas discussões sobre fé e razão que já li e de como ambas não são tão incompartíveis assim.
Carl Zimmer e Reinaldo J. Lopes são dois exemplos de como escritores por ofício são essenciais para se transmitir ao público geral as belezas escondidas de nosso universo que somente as lentes da CIência nos permite enxergar. Como disse Dra. Ellie Arroway, – em Contato, de Carl Sagan – ao testemunhar um evento cósmico: “So beautiful… They should’ve sent a poet.”
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DISCLAIMER: Reinaldo tem um blog no ScienceBlogs Brasil e tem relações de amizade com o autor desta resenha.
Você não me viu ou eu te enganei?
É relativamente comum observar animais utilizando-se de alguma forma de camuflagem para evitar ser detectado, tanto para evitar virar comida de predadores quanto para conseguir se aproximar de suas presas. Uma forma comum de se camuflar é ter a uma aparência externa que se confunda com o ambiente à sua volta, como no caso dos ursos polares que se confundem com a neve ou mesmo o lagarto abaixo:

Uma outra forma de se camuflar é ter a aparência de objetos inanimados, como folhas, galhos e titica de passarinhos. Um exemplo clássico é o do bicho-pau:

Quando um animal que imita um objeto inanimado não é reconhecido por um predador, duas coisas podem ter acontecido: animal camuflado pode ter convencido o predador que é o objeto que ele imita ou o predador pode simplesmente não ter enxergado o animal, situação semelhante ao do lagarto acima. Para distinguir entre as duas hipóteses, um grupo de pesquisadores da Universidade de Liverpool desenhou um engenhoso experimento envolvendo pintinhos, lagartas e linhas roxas.
A primeira coisa que eles fizeram foi dividir os pintinhos em três grupos: um que era exposto galhos de um arbusto (Br), um que era exposto aos mesmos galhos só que enrolados por uma linha roxa (Man) e um que era exposto a nada (No). Em seguida, cada um dos grupos era dividido mais uma vez e metade do grupo recebia uma lagarta (Brim) que imita um pedaço de galho e a outra metade recebia um pedaço de galho (Twig).
O gráfico acima indica que os pintinhos que eram expostos aos galhos do arbusto primeiro (Br) demoravam mais para dar a primeira bicada nas lagartas e nos pedaços de galhos, indicando que sua experiência prévia com os galhos os fazia ignorar as ofertas. Em contraste, tanto os pintinhos expostos a galhos enrolados quanto os que foram expostos ao nada atacavam as oferendas rapidamente.

Este experimento indica que a estratégia de se imitar um objeto inanimado depende do predador que conseguir enxergar a presa mas errar em sua identificação. Para isso, pelo menos no caso dos pintinhos, os predadores precisam ter tido experiências prévias com os objetos imitados. Isto mostra que esta forma de camuflagem é distinta da camuflagem do lagarto lá de cima, que conta com a incapacidade do predador enxergar a presa.
É necessário notar que a lagarta e os galhos foram ofertados em um ambiente completamente distinto do ambiente natural, excluindo a possibilidade de uma camuflagem igual à do lagarto estar acontecendo também. No ambiente natural, no entanto, ambos tipos de camuflagem podem acontecer ao mesmo tempo.
Fonte: Skelhorn, J., Rowland, H., Speed, M., & Ruxton, G. (2009). Masquerade: Camouflage Without Crypsis Science, 327 (5961), 51-51 DOI: 10.1126/science.1181931
Fotos: Wikipedia (lagarto e bicho-pau), FLICKR (Mick E. Talbot),

Retrospectiva 2009: #FAIL
Por fim, vez ou outra uma instituição ou veículo de mídia dá uma bela escorregada na bola e ela vem redondinha para arrematá-la. É só matar no peito e correr para o abraço:
Censura! USP tira ex-aluno do Stoa. #FAIL – onde a reitora (quase ex) mostra que não entende de mídias sociais.
Revista Veja #FAIL ao quadrado! – onde a Veja mostra sua arrogância ao lidar com erros.
Flamingos na Mata Atlântica: o mais antigo Photoshop Disaster – onde descobrimos que nem sempre as pinturas antigas são confiáveis.
IstoÉ #FAIL – onde a Ruth de Aquino revela que não entende de Ciência (veja UPDATE abaixo).
Sobre “aquele cara da Veja” – onde o Diogo Mainardi é a minha anta.
UPDATE: nada mais apropriado que eu errar o link na retrospectiva #FAIL… o texto contra a Ruth de Aquino, que é da Época, é outro. O da IstoÉ foi um texto bizarro de errado sobre a possibilidade de haver vida em Titã (ogrigado Clau).
Retrospectiva 2009: editoriais
Alguns dos textos mais comentados em 2009 foram os que eu expunha as minhas opiniões sobre alguns assuntos do momento. O que me agrada nestes textos é o conflito de ideias que alguns deles geraram. Como todo cientista, adoro uma discussão!
Por uma blogosfera mais madura
Em defesa do doutorado no exterior
Em defesa do jornalismo científico
Deixando a Ciência
Sobre plágio e outras fraudes
ClimateGate: EXTRA! EXTRA! Cientistas conversam entre si!
Retrospectiva 2009: vida maravilhosa
2009 foi um ano interessante para este blog: ao mesmo tempo que falei muito sobre este blog por aí, produzi muito menos do que gostaria. A sequência de congressos em Setembro/Outubro aliada a uma superexposição durante o #portocainarede me deixou meio cansado do blog e acabei me dedicando pouco a ele (isso e a tonelada de trabalho no Planeta Diário). Mesmo assim, revendo o ano, vi que escrevi muitos textos que me deixaram satisfeito. Dividi-os em três categorias: vida maravilhosa, editoriais e #FAIL.
A categoria Vida Maravilhosa inclui os textos sobre curiosidades científicas e como elas foram feitas. São os textos que mais me divertem e são a razão da existência deste blog.
A vida neste planeta é diversa e misteriosa. Cientistas vivem fazendo descobertas que ajudam a compreendê-la mas ela sempre tem uma novidade ou duas:
Como matar baratas?
O que provoca nuvens de gafanhotos?
Explicando o peixe de cabeça transparente
Lagartas clicantes avisam quando vão vomitar
Navegar é preciso: o incrível caso da formiga do deserto I, II, III e IV
Caramujos são pão-duros
Cauda para que te quero
Uma revolução infravermelha
A esperteza da cobra de tentáculos
O vírus da bactéria do pulgão da vespa
Morcegos contra mariposas
Folhas largas e deserto não combinam?


