Você não me viu ou eu te enganei?
É relativamente comum observar animais utilizando-se de alguma forma de camuflagem para evitar ser detectado, tanto para evitar virar comida de predadores quanto para conseguir se aproximar de suas presas. Uma forma comum de se camuflar é ter a uma aparência externa que se confunda com o ambiente à sua volta, como no caso dos ursos polares que se confundem com a neve ou mesmo o lagarto abaixo:

Uma outra forma de se camuflar é ter a aparência de objetos inanimados, como folhas, galhos e titica de passarinhos. Um exemplo clássico é o do bicho-pau:

Quando um animal que imita um objeto inanimado não é reconhecido por um predador, duas coisas podem ter acontecido: animal camuflado pode ter convencido o predador que é o objeto que ele imita ou o predador pode simplesmente não ter enxergado o animal, situação semelhante ao do lagarto acima. Para distinguir entre as duas hipóteses, um grupo de pesquisadores da Universidade de Liverpool desenhou um engenhoso experimento envolvendo pintinhos, lagartas e linhas roxas.
A primeira coisa que eles fizeram foi dividir os pintinhos em três grupos: um que era exposto galhos de um arbusto (Br), um que era exposto aos mesmos galhos só que enrolados por uma linha roxa (Man) e um que era exposto a nada (No). Em seguida, cada um dos grupos era dividido mais uma vez e metade do grupo recebia uma lagarta (Brim) que imita um pedaço de galho e a outra metade recebia um pedaço de galho (Twig).
O gráfico acima indica que os pintinhos que eram expostos aos galhos do arbusto primeiro (Br) demoravam mais para dar a primeira bicada nas lagartas e nos pedaços de galhos, indicando que sua experiência prévia com os galhos os fazia ignorar as ofertas. Em contraste, tanto os pintinhos expostos a galhos enrolados quanto os que foram expostos ao nada atacavam as oferendas rapidamente.

Este experimento indica que a estratégia de se imitar um objeto inanimado depende do predador que conseguir enxergar a presa mas errar em sua identificação. Para isso, pelo menos no caso dos pintinhos, os predadores precisam ter tido experiências prévias com os objetos imitados. Isto mostra que esta forma de camuflagem é distinta da camuflagem do lagarto lá de cima, que conta com a incapacidade do predador enxergar a presa.
É necessário notar que a lagarta e os galhos foram ofertados em um ambiente completamente distinto do ambiente natural, excluindo a possibilidade de uma camuflagem igual à do lagarto estar acontecendo também. No ambiente natural, no entanto, ambos tipos de camuflagem podem acontecer ao mesmo tempo.
Fonte: Skelhorn, J., Rowland, H., Speed, M., & Ruxton, G. (2009). Masquerade: Camouflage Without Crypsis Science, 327 (5961), 51-51 DOI: 10.1126/science.1181931
Fotos: Wikipedia (lagarto e bicho-pau), FLICKR (Mick E. Talbot),




Discussão - 2 comentários
Eu adoro ver como existem animais fantásticos e sua capacidade de se camuflar é ótimo!
muito bom vi um post parecido em http://hvbackyard.blogspot.com/2007/11/39-where-are-they-hiding.html faz tempo já =)