A origem da Cobra

O conto abaixo foi inspirado pela descoberta de um fóssil de uma cobra atacando um ninho de saurópodes.
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Todo mundo sabe como a Cobra convenceu dois hominídeos a comer o fruto da ciência que lhes deu um telencéfalo desenvolvido, polegares opositores e chakras. No entanto, pouco se fala sobre como a Cobra chegou lá. A razão deste desconhecimento recai sobre a relutância dos religiosos de aceitar o fato incoveniente de que o Cientista fez mais de um Jardim. Todo experimento precisa de réplicas, Ele explicaria com um sorriso lógico.
A verdade é que o Cientista populou cada Jardim com seres diferentes: havia o Jardim Ediacara, o Jardim Burgess Shale, o Jardim Cambriano, etc. E havia seu Jardim predileto, onde ele colocou criaturas feitas à sua imagem e semelhança: os dinossauros. O parque dos dinossauros era espetacular: velociraptors mostravam suas plumas, estegossauros balançavam suas placas e tiranossauros lutavam com macacos gigantes. Sim, no Jardim predileto havia mais do que dinossauros: pterossauros cruzavam o ar, dimetrodons aqueciam suas velas e piratas dançavam com ninjas. Havia também a Cobra.
A Cobra se ressentia do Cientista. Não pela ausência de pernas, isso ela até curtia. O problema foi Ele ter criado a hérnia de disco. O ressentimento da Cobra era tanto que ele se materializava na forma de veneno, que ela usava para capturar as suas presas. A Cobra se alimentava de pequenos animais como sapos, Smurfs e camundongos mas ela queria mais. A Cobra queria vingança.
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Um dia, quando o Cientista se virou para lidar com um problema no Jardim dos unicórnios, a Cobra decidiu atacar o ninho dos seres mais iluminados do Jardim: saurópodes. E foi na hora do ataque que o Cientista voltou: sua fúria foi tão grande com tal sacrilégio que o momento ficou marcado em pedra. Como punição, o Cientista baniu a Cobra para o Jarim do Éden e a escultura infame foi escondida em um canto empoeirado do descarte do Cientista.
A sede de vingança da Cobra ainda não havia sido saciada e ela abriu um sorriso quando ficou sabendo da árvore da sabedoria…
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Discussão - 8 comentários

  1. Luis Carlos Moreschi disse:

    e qnd esqueceram uma panela no Fogo aconteceu a extinção KT O_O bye cretáceo =D

  2. Bruno Nunes disse:

    Ótimo conto. Seria bom uma continuação.
    Poderia citar o caso dos duendes que existem entre os Jardins. Eles insistem em trazer material dos demais Jardins para o Jardim Quaternário. Eles julgam aqui ser o lixão. Mas sabe como é, o lixo de uns é fóssil para outros. Eles não vêem que isto só faz confundir as cabeças das pobres criaturas que sofreram com as ações vingativas da Serpente interjardinária, assim como o pobre bebê saurópode (bendito seja). Somente os estágiarios do Cientista podem desfazer essa grande confusão e explicar o que de fato são esses fósseis: brincadeira de muito mal gosto. Duendes maus, não tem rosquinhas para vocês!

  3. Bessa disse:

    Divertidíssimo, Carlos. Muito relevante o fato do Grande Cientista ter por predileto o Jardim dos Brontossauros. Freud se divertiria horrores! Deu saudades do Guto e Dadá.

  4. maria disse:

    adorei! que venham mais ficções científicas

  5. Carlos Hotta disse:

    Luís, eu ia escrever um texto normal mas, depois de ler o seu – que ficou ótimo – resolvi inventar algo novo!
    Vamos pensar em algo sim!

  6. Moriah disse:

    Muito legal, o conto! Muito interessante o fóssil da cobra e dos baby-saurópodes!

  7. Igor Santos disse:

    Muito bom, muito bom mesmo!

  8. Muito bom, Carlos!
    Não lhe conhecia esses dotes poéticos.
    Gostei.
    Um destes dias ainda temos que tocar uma ficção a quatro mãos, ok?
    Abraço
    Luís Azevedo Rodrigues

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