Carta do Conselho Depto Botânica IBUSP

Em resposta à carta que mandei anteriormente. Há erros de conversão entre o PDF que me mandaram e o texto para o blog.
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llmo. Sr.
Dr. Carlos Takeshi Hotta
Sao Paulo, 4 de junho de 2010.
Prezado senhor,
Registramos a recebimento de sua carta datada de 24 de marco de 2010, manifestando protesto contra a banca escolhida para a concurso para preenchimento de cargo de Professor Doutor no Departamento de Botânica, área de Fisiologia Vegetal. Suas afirmações torarn discutidas em reunião do Conselho de Departamento e também em reunião de Congregação, haja visto o envio do documento ao Diretor do IB, sem contar a ampla divulgação em seu blog na internet. O Conselho do Departamento decidiu encaminhar a V.Sa. manifestação contendo esclarecimentos e repudiando suas colocações.
Primeiramente, as rnernbros do Conselho de Departamento selecionaram em dezembro de 2009 os 26 nomes que seriam propostos à Congregação para composição da banca examinadora do concurso, baseados no critério de experiência e competência nas áreas de bioquímica e fisiologia vegetal, atinentes ao Concurso. Deve-se esclarecer que agrande rnaioria dos Conselheiros apoiou a priorização de nomes para a lista segundo a ligacao estreita com a pesquisa em fisiologia vegetal. Em nenhum momento, foi utilizada como “desculpa” (como citado em sua carta) a inexistência de docentes sem vínculo com os candidatos inscritos. Os nomes dos Profs. Drs. Gilberto Barbante Kerbauy e Eny lochevet Floh, dentre outros do Departamento, foram sugeridos pelos Conselheiros para aquela lista com base em seu mérito incontestável para participar da referida banca e para representarem as dois Laboratórios da Área de Fisiologia Vegetal do Departamento. A propósito, Sr. Hotta, esta tem sido a praxe deste Conselho ao longo da história vitoriosa deste Departamento, seguindo padrões vigentes na Universidade de São Paulo.
Causou-nos surpresa a fato paradoxal de V. Sa. afirmar que, por um lado, não questionava “os resultados da banca” por acreditar “que foi coerente com os seus critérios”, mas, por outro, qualificar de “forma vergonhosa” a escolha dos mernbros dessa mesma Comissão Julgadora, dizendo que feria os principios éticos esperados do Instituto de Biociências. A composição da banca examinadora do concurso foi realizada na Congregação do IB, mas, uma vez que as sugestões de nomes foram compiladas pelos membros do Conselho do Departamento de Botânica, estes se consideram diretamente atingidos por sua grave acusação e repudiam-na veementemente. Nenhum dos procedimentos utilizados fere normas regimentais, estatutárias ou do Código de Ética da Universidade, na qual vigoram os mais altos princípios de ordem acadêmica e ética. Ou seja, nenhuma ilegalidade foi praticada, incluindo-se a violação dos princípios éticos que importam, que são os do Código de Ética da USP (art. 12: “Nenhum servidor docente ou não-docente deve participar de decisões que envolvam a seleção, contratação, promoção ou rescisão de contrato, pela Universidade, de membro de sua família ou de pessoa com quem tenha relações que comprometam julgamento isento”). Todos os nomes sugeridos para a banca pelo Conselho de Departamento são inatacáveis em relação à neutralidade e postura ética esperadas num concurso público, devendo ser repudiada qualquer insinuação de suposta utilização de critérios não acadêmicos e científicos por parte dos membros da Comissão Examinadora constituída. Por sinal, cabe esclarecer que nem a condição de ex-orientador de candidato, nem tampouco a de co-autor em artigo cientifico ou resumos de congresso, constituem, por si sós, circunstâncias que comprometam a isenção de julgamento de integrantes de bancas de concurso.
Sendo esses os esclarecimentos cabíveis nesta oportunidade, solicitamos a fineza de divulgar também esta manifestação em seu blog.
Atenciosamente,
Prof. José Rubens Pirani
Chefe do Deparatmento de Botânica

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Discussão - 22 comentários

  1. Paula disse:

    Hotta, achei uma total falta de respeito, principalmente com um professor de grande nome na ciência, em especial na fisiologia vegetal, o Gilberto Barbante Kerbauy. Vc não o conhece, não conhece o candidato que foi escolhido e se acha realmente o melhor? Basta verificar quem se enquadra melhor na área de fisiologia vegetal. Vc trabalha com genética, com a parte molecular, o candidato escolhido, SEMPRE, trabalhou DIRETAMENTE com fisiologia vegetal. Acho que vc realmente deveria ter prestado um concurso na sua área, pois o candidato escolhido, com essa ou qualquer outra banca seria o Freschi.
    OBS: acredito que vc não deixará meu post visível para todos, mas, pelo menos tento moatrar para vc sua total ignorância e falta de reconhecimento de quem é realmente bom. Ah, e um poucod e inveja tbm,né..não podemos esquecer isso!!!

  2. Carlos Hotta disse:

    As bancas são escolhidas após as inscrições justamente para ser possível evitar conflitos de interesse grosseiros.

  3. Parabéns pela coragem, Hotta!
    Será que o meu comentário foi pro span?
    Ainda nao ficou claro: as bancas sao escolhidas antes ou apos terminadas as inscrições?

  4. Carlos,
    Que tal o tema do III Ewclipo ser Ética Acadêmica, Ética Científica e Ética da Escrita em Blogs.
    Acho que daria muita discussao e seria um tema urgente e importante.
    Vc recebeu meu email sobre o III EWCLiPo?

  5. Pois é, Hotta, todo apoio. Mas acho que realmente o código de ética da USP, em especial o artigo 12, precisaria ser melhorado, talvez tornando mais explicito o que configura relacao que comprometa o julgamento isento. Eles confundiram legal com ético, disseram que se um comportamento é legal entao é ético.
    Uma duvida: a banca é escolhida antes ou depois de se fecharem as inscricoes? Por que, se for escolhida antes, nao tem como evitar que alguns caras da banca sejam amigos de candidatos. Entao, acho que a norma deveria que a banca é escolhida depois (como na escolha de jurados em um tribunal).
    Em todo caso, vemos aqui um exemplo do poder dos blogs. Se vc nao tivesse o Brontossauros (e gerenciasse o SBB) , acho que eles nem se dariam ao trabalho de responder a sua carta…

  6. Babs disse:

    Tentando furar a bolha? hahaha
    Mas parabens pela iniciativa, alguem tem que fazer…
    Parênteses: Fim da greve 2010 na usp! aleluia hahahah

  7. Antonio Guimarães disse:

    O corporativismo é uma praga para a academia.
    Há muitos departamentos e bancas tratando a Coisa Pública como privada, quando se trata de concursos públicos. Concurso público não é um exercício de gosto pessoal dos organizadores e banca. Orientador e colaborador estar na banca é conflito de interesse. É anti-ético, independentemente do Código de Ética pever ou não esta situação. Vai contra o mandamento legal que impõe impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
    Estes senhores estão desmoralizando e desacreditando o instituto do concurso público na carreira docente. O Ministério Público deveria agir urgentemente.
    É bem possível que a cultura corporativista e de descaso com o rigor com a coisa pública impeça a própria comunidade acadêmica de corrigir seus costumes. É bem possível que seja necessária uma mudança legal na estrutura de realização de concursos, retirando a autonomia que está sendo abusada. Seria muito bom se cada concurso tivesse além da banca um auditor (alguém de fora da área e instituição do concurso) que pudesse acompanhar todas as fases do concurso.

  8. Luiz Bento +1
    “(…) cabe esclarecer que nem a condição de ex-orientador de candidato, nem tampouco a de co-autor em artigo cientifico ou resumos de congresso, constituem, por si sós, circunstâncias que comprometam a isenção de julgamento de integrantes de bancas de concurso.”
    O trecho supracitado corrobora com o que você disse no seu post/carta aberta.
    Espero que o Prof Pirani tenha vida breve como Chefe de Departamento, e que outros como ele fiquem longe de tal cargo. Preferia que ficassem longe de decisões departamentais, ou até dos departamentos, mas se lá já estão, de lá não sairam.
    Lamentável esse corporativismo dentro da academia.

  9. Felipe disse:

    O que eles pretendem com essa carta? Ao meu ver, deram um tiro no próprio pé pois a interpretação do “art12″ é extremamente subjetiva, e creio que possuir publicações em conjunto, ou PIOR ainda, ser ex orientador configure uma “relação que comprometa o julgamento isento”. Ou precisamos lembrar ao IB que a relação orientador\aluno é um bocado íntima, sendo frequente o sentimento de “cria e criador”?
    E faço coro aos que dizem, isso não acontece apenas aí no IB da USP.

  10. Leonardo disse:

    O objetivo desta carta do Conselho do Depto de Botânica era simplesmente escrachar o fato de que “sim, vamos privilegiar aqueles que queremos”???

  11. Rafael Tadeu disse:

    A unica coisa que tenho a dizer e parabens pela iniciativa .
    Que todos quando estiverem ou vivenciarem situacoes semelhantes nao abaixem a cabeca e mostrem as mutretas nas nossas instituicoes publicas …parabens

  12. Henrique disse:

    O [editado] Dr. Pirani acha que essas afirmações vão justificar os argumentos bem articulados do Hotta?
    Não sei o motivo pelo qual eles ainda realizam concurso público para a escolha de professores, já que é pratica a contratação das “Pratas da Casa”. Não discutimos o mérito dos escolhidos, simplesmente a forma como eles foram escolhidos.
    Ainda vem dizer que “se consideram diretamente atingidos por sua grave acusação”, acredito que deveriam se sentir envergonhados. Mesmo em um país nem tão desenvovildo científicamente como o Brasil é possível encontrar alguns especialistas aptos a julgarem em uma banca imparcial.

  13. Marcelo Oliveira disse:

    Infelizmente essa eh uma historia que se repete em varias instituicoes publicas e privadas.
    Eh realmente vergonhoso.

  14. Beto disse:

    Sugiro a leitura do texto
    A meritocracia e a “prata da casa” na ciência, publicado no blog “Ciência Brasil”
    http://cienciabrasil.blogspot.com/2010/05/meritocracia-da-prata-da-casa-na.html
    É uma bela reflexão sobre este assunto.

  15. davi disse:

    Mr. Hotta (e o resto do BR):
    “Mas eles são casados/irmãos/cunhados/parentes/amigos de infância?”
    Resposta:
    “uhhhh! Isso não interfere no julgamento.”
    o jeito é entregar nas mãos de deus por que nem a ciência parece se respeitar… heheheh

  16. Lucas disse:

    Concordo plenamente com a sua carta inicial, Hotta, pois não importa o grau de altivez ética de quem forma a banca; conhecer o candidato de fato influenciará o resultado em maior ou menor grau, de uma forma ou de outra. Infelizmente, casos de favorecimento são muitos. Defender o contrário, apesar da questão não contrapor especificamente algum regulamento interno obscuro, é simplesmente ridículo. A presença de tal fato no nosso meio acadêmico só perpetua a desgraça e o atraso do nosso país como um todo. Esse é um dos motivos principais pelo qual procuro me afastar do meio acadêmico, pois, independente do resultado, os meios pelos quais os atingimos são muito importantes. Isso me entristece profundamente, é necessário fazer profundas mudanças no nosso país, caso contrário não seremos nada no futuro. Um abraço.
    Lucas – quinto ano medicina unifesp

  17. Érico disse:

    Achei ofensivo.

  18. Marcelo Hermes disse:

    Um ex-orientador participar de banca de um ex-aluno e ainda achar que isso está certo (em uma carta pública!) e’ realmente lamentável e chega a ser cômico.
    Bem, todos sabem minha opiniao para onde vai a pesquisa e a PG no Brasil… este fato só faz minha lista de “causos” aumentar.
    Marcelo Hermes
    Prof da UnB

  19. Faço minhas as palavras do Luiz Bento.

  20. Luiz Bento disse:

    Só rindo mesmo para não chorar. Resposta mais política impossível.
    “(…) cabe esclarecer que nem a condição de ex-orientador de candidato, nem tampouco a de co-autor em artigo cientifico ou resumos de congresso, constituem, por si sós, circunstâncias que comprometam a isenção de julgamento de integrantes de bancas de concurso.”
    Bela aula de ética da academia para o público fora da torre de marfim. Depois não podemos reclamar quando vemos parentes e “amigos” de políticos em cargos públicos.

  21. Breno Alves disse:

    É um absurdo! E o pior é que se repete em TODAS as universidade do Brasil. Eles se acham dentro de uma redoma de vidro, onde NÓS fazemos o código, NÓS avaliamos… O ministério público tinha que ter um setor só para investigar maracutaias em processos seletivos, destinação de dinheiro de projeto, assiduidade, entre outros… Se nós pós graduandos contássemos as barbaridades que sabemos… tinha muito professor exonerado!

  22. Rafael_RNAm disse:

    “pessoa com quem tenha relações que comprometam julgamento isento”
    Por esta frase entra o subjetivo e com ele todo tipo de interpretação e justificativas que a imaginação permitir. Afinal, qual o critério objetivo para avaliar o comprometimento de uma relação? Orientações e trabalhos em conjunto não entram aí? Então o que entraria neste critério? Concubinato? Conta-conjunta? Ou um documento lavrado em cartório dizendo “eu Fulano tenho relações comprometedoras com Ciclano”?
    Neste ponto me parece que o código de ética da USP não serviu pra nada.

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