>Estou sumido esta semana…

>

…porque estou num lugar muito chato, numa conferência científica… Afinal, de vez em quando a gente tem que trabalhar um pouquinho… Volto semana que vem com nossa programação normal…

>Não esquecer…

>Nota pessoal: preparar um lembrete em algum lugar visível com os dizeres abaixo:

“Sugira com sabedoria os referees do seu próximo paper.”

>Refletindo – O quê nos motiva a fazer ciência?

>Olhe em volta: artigos científicos, relatórios, projetos, de iniciação científica a grandes centros de pesquisa, tudo têm alguma motivação. E aqui quero dizer no sentido literal: há sempre uma seção, um parágrafo, um slide, algo para descrever, justificar, motivar aquele trabalho, verba, viagem.

Nada contra ter objetivos grandiosos. Entender as correlações entre genomas e comportamentos sociais complexos, construir um computador quântico, desenvolver novos métodos de deposição de filmes controlados átomo por átomo, são todas razões válidas, dignas e merecedoras, em princípio, de financiamento, para serem pesquisadas, publicadas, realizadas. O que me incomoda, de verdade, é que tudo, ou quase tudo, hoje, precisa, necessariamente de alguma motivação grandiosa por trás, mesmo que seja algo a longuíssimo prazo. Pede-se uma bolsa de iniciação científica, por exemplo, para se construir uma cavidade de transferência, por exemplo, seja lá o que isso for. A motivação? Construir um super sistema de sincronização entre diversos pontos da Terra e a estação espacial. Se alguém realmente se preocupar em olhar as minúcias da cadeia que leva de um ao outro vai ver que ela é tão longa quanto um super-polímero.

Parênteses: quando eu era um jovem estudante (não que não seja mais jovem, mas não sou mais estudante…) dizia-se que para passar qualquer projeto nas agências de fomento bastava que no título/motivação do trabalho houvesse as palavras “nano”, “bio” ou “computador quântico”. Assim, o projeto “Nano computador bioquântico” seria financiado ad eternum.

É aí que está meu ponto, é realmente precisa uma motivação grandiosa para se realizar um trabalho de pesquisa ou ser financiado? É realmente necessário querer “mudar o mundo” com ciência só pra se poder fazer ciência? Eu acho que não.

Mas isso não quer dizer, de forma nenhuma, que não é preciso ter motivação. Ao contrário, quando se quer pesquisar algo, seja o que for, é preciso de objetivos, claros e bem definidos, um fim motivador. Um desconhecido que se quer tornar conhecido. Mas o motivo pode ser tão simples quanto isso. Imagine só, o palestrante começa e fala:

“Eu vou mostrar para vocês os meus últimos resultados. Eu fiz isso porque este era até então um ponto em aberto. Eu fiz isso porque é um pedaço bonito e inexplorado de conhecimento científico que precisa ser investigado.”

Lindo não?

Ou imagine um projeto de pesquisa: “Desenvolveremos essa pesquisa porque é um tema ainda inexplorado pela ciência e os resultados contribuirão para o desenvolvimento do nosso conhecimento fundamental a respeito da natureza.”


Trocando em miúdos: fazer ciência, pura e simplesmente para engrandecer o conhecimento humano é sim, na minha opnião, motivação mais do que digna para… fazer ciência. É preciso quem faça visando um objetivo maior, mais concreto, mas é absolutamente essencial, que também se faça ciência pela própria ciência. Ciência para colocar mais um peça do quebra-cabeças, encaixá-la e poder admirar a beleza do quadro que se completa.

Eu confesso minha ignorância sobre como essa questão é tratada em nosso país ou mesmo fora. Especialmente por quem financia ciência. Mas eu realmente espero que um balanço saudável  entre pesquisa básica, pesquisa básica com fins aplicados e pesquisa aplicada seja privilegiado, porque é realmente difícil dizer qual contribui mais para o desenvolvimento de um país, de uma sociedade.

>Frase Geek do dia

>É sabido que na ciência, muita gente é meio “geek”, viciado em tecnologia e também, de alguma forma, anti-Microsoft, Windows e Bill Gates. Por diversas razões é mais “descolado” nesse mundo fazer uso de Linux, Mac e afins… Pois veja o que eu vi numa camiseta aqui na Uni hoje:

“In a world without fences and walls, why we need Gates and Windows?”


(“Num mundo sem cercas nem muros, por quê precisamos de Portões e Janelas?”), numa clara brincadeira com o nome do dono/fundador da Microsoft e o seu sistema operacional.

>Perdendo as contas

>

Eu trabalho com gases no regime de degenerescência quântica. Um nome pomposo pra dizer que o gás está tão frio, mas tão frio que ele passa a se comportar de uma maneira diferente, de acordo com as leis da física quântica. Isso te lembra alguma coisa?

Pois bem, a primeira vez que um gás nesse regime foi produzido foi em 1995, mais de 15 anos atrás. O gás era unicamente composto por um elemento: Rubídio. Purinho.
Depois vieram Sódio, Lítio, Potássio, Césio, Hidrogênio, Hélio. A menos do último, todos os outros tem algo em comum: moram na coluna mais da esquerda da tabela periódica… E mesmo o Hélio, nas condições em que foi feito, a gente pode dizer que é equivalente aos outros.

Aqui onde eu trabalho foi o segundo lugar a produzir um “ousider”: Cromo. Isso em 2005, já a 6 anos. Um pouco antes, Itérbio entrou na parada. Até aí e ainda um pouco depois eu costumava seguir quais átomos entravam pra lista e riscar numa tabela periódica. Eu riscava inclusive os isótopos, 2 Potássios, 2 Rubídios e por aí vai.

Mas recentemente, a coisa ficou impossível. Incontáveis isótopos de Itérbio, de Estrôncio, Cálcio e eu comecei a me perder. Pois bem, hoje soubemos que Disprósio é o novo membro do clube. Bem vindo e… você sabe onde fica o Disprósio na tabela aí em cima pra eu poder colocar mais um xis…?

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