Procurando emprego?

Eu sei que a situação do emprego no nosso país nem anda tão ruim assim se comparado aos nossos amigos espanhóis e italianos e em outras praças por aí.

Mas é óbvio que ainda há muitos que procuram um emprego, um emprego novo, o emprego dos seus sonhos ou ainda só um bico pra reforçar o orçamento. É esse o seu caso? Então este post pode te interessar.

emprego

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Fazendo ciência pela ciência

Coloque-se na seguinte situação: você é um pesquisador estabelecido, tem alunos, pós-docs, um laboratório, algumas linhas de pesquisa. Mas unido a tudo isso, você tem todos os problemas inerentes da carreira: administrar alunos, continuamente brigar procurar por fontes de financiamento para manter seus pós-docs e experimentos, publicar, rebater referees, ter paper rejeitados e publicados, escrever projetos, reescrvê-los, fazer milagres com o dinheiro, etc, etc.

Aí um dia Estocolmo acha legal o que você faz e te dá um Prêmio Nobel. Festa, palestras, dinheiro, palestras, reconhecimento, palestras, viagens, palestras, enfim: a curto prazo a única atividade que você vai ter que fazer é contar pros outros porque Estocolmo gostou do seu trabalho.

Mas o calor arrefece e é preciso voltar ao trabalho. No entanto, dado o seu recém-adquirido prestígio, não vão te faltar alunos, pós-docs, colaboradores, parcerias e, suponho eu, publicar trabalhos se torna mais fácil e aprovar projetos e conseguir dinheiro também.

Nesse momento, e com todos esses aspectos favoráveis em mãos, o que você faria? Continuaria à “toda velocidade”, forçando mais e mais as fronteiras daquela área de pesquisa que te consagrou, fazendo, na maior parte do tempo, “ciência incremental”, como todos fazemos na maior parte do tempo, procurando um novo “jackpot”? Ou você chutaria o pau da barraca e mudaria completamente o seu ramo de pesquisa, abandonaria a competição com outros e iria se dedicar a algo novo? Pense bem: agora você pode “fazer o que quiser”, fazer “ciência pela ciência” e atacar problemas considerados “insolúveis” ou algo assim só pela vontade de fazer porque, afinal, ninguém mais vai te julgar, porque você pode.

Eu sei a minha resposta e não tenho dúvidas que eu sairia da competição e iria escolher estudar problemas os mais complicados possível. Nada de pressão por publicar, nada de pressão por dinheiro, simplesmente fazer ciência para aprender mais e mais e eventualmente, se algo funcionar, fazer outra contribuição decisiva pra ciência.

Mas perguntando aqui e ali, vi que tem gente que pensa o contrário e gostaria de continuar fazendo física dentro do mainstream, do que é tendência, do que é competitivo, porque é aquilo que os motiva a continar fazendo ciência.

Na vida real, o que vejo é que acontecem ambos os comportamentos: alguns vencedores do Nobel simplesmente investem mais e mais e continuam líderes em suas áreas apostando em se manter relevantes na sua área original de pesquisa. Mas alguns outros largam mão e vão estudar tópicos os mais diferentes possíveis. Eu já vi, entre outros: espiritualidade, biologia, o cérebro, a física do câncer e mesmo problemas sem solução aparente, como o tamanho do elétron.

E você? O que faria?

O blog está de mudança

Antes que você pense algo errado: não! eu não estou de saída do Science Blogs! De doido, afinal, eu só tenho a cara! E a profissão. E alguns comportamentos. E… deixa pra lá. Mas eu não sou doido! “My mother had me tested!”

Na prática, quem se muda sou eu, o blog permanece onde está. Estou voltando pro Brasil nos próximos dias e, por isso, o blog vai ficar meio mambembe até eu me estabelecer minimamente.

A repatriação de cientistas ainda é, a meu ver, um dos maiores problemas que enfrentamos na ciência brasileira. Não que seja meu caso, mas é isso que vejo aqui e ali: cientistas jovens e com potencial trocando a chance de sair para uma experiência enriquecedora no exterior por um emprego seguro onde quer que ele exista, simplesmente pelo fato de não saberem se este existirá em alguns anos. Ou pesquisadores muito bons se estabelecendo permanentemente no exterior pela falta de oportunidades claras no nosso país. Adicione a tudo isso o fato de que, se você decidiu ir pro exterior, provavelmente está resolvido a seguir carreira acadêmica e o “plano B” de abandonar a Academia e seguir para fazer pesquisa na indústria é essencialmente inviável no nosso país.

Não sei qual a melhor forma de resolver esse problema, mas, definitivamente, um “censo” permanente de quem está no exterior, fazendo o quê e onde, de forma a mapear e manter contato com esses profissionais, apresentando-lhes oportunidades e/ou mesmo atraindo-os explicitamente de volta já seria um bom começo. De fato, se tivéssemos nas Universidades brasileiras algumas vagas, mesmo que apenas quase-permanentes, que pudessem ser preenchidas sem grandes burocracias por pesquisadores de ponta, a fim de repatriá-los, já seria um ótimo passo. Um sistema parecido existe aqui na Alemanha a fim de manter/trazer pessoas que sejam de interesse dos institutos de pesquisa. Hoje, se você não tiver bons contatos antes de sair, voltar pode ser (se tornar) bem complicado.

Daqui da Alemanha, levo uma experiência maravilhosa: cientifica e culturalmente, a estada aqui valeu cada segundo. Se você é jovem, pensa em seguir carreira científica e quer sair do Brasil para um tempo no exterior, eu só posso recomendar fortemente que você o faça. Mesmo que não valha a pena cientificamente, o crescimento cultural é incomparável.

A Alemanha, em especial, foi certamente uma boa escolha para mim: um país de economia e cultura fortes, muito diferente da nossa, centro (geográfico e político) da Europa e um lugar bacana pra se viver. Como físico, foi igualmente uma experiência especial: viver e trabalhar no país que nos deu tantos grandes cientistas é inspirador. Pois veja só, são alemães, de nascimento ou culturalmente: Planck, Einstein, Schrödinger, Heisenberg, Hertz, Hänsch, Hund (o das regras), Sommerfeld, Stern e Gerlach, Beth, Born, Drude, Fahrenheit, Gauss, Röntgen, Helmholtz, …. . E ainda temos, fora da física, Kant, Goethe, Humboldt, Bach, Beethoven, Haydn, Mozart, Wagner, Strauss, Händel, Marx, Nietzsche (aquele que chorou), Kafka, Benz e Daimler (os inventores do carro), … e (ufa!) muitos e muitos outros que contribuíram decisivamente de alguma forma para o mundo moderno. É pouco ou quer mais?

À Alemanha só posso dizer “até mais, e obrigado pelos peixes!” 😉

Vejo vocês no Brasil. Até logo.

Menos é mais

Eu estava numa conferência esta semana (é, de novo). É uma conferência com um formato que me agrada: apenas algumas palestras plenárias, sem sessões paralelas e uma imensidão de posters. Assim você pode ver todas as palestras que mostram, em princípio, os tópicos mais importantes da área num passado recente e ainda têm muitas opções (e tempo) de posters, com chance de discutir “a fundo” os trabalhos, incluindo aí trabalhos de muita qualidade mas que ficaram fora das palestras plenárias.

Mas esse formato têm um efeito colateral muito ruim: os palestrantes tentam “valorizar” o tempo precioso que ganharam pra falar e espremem numa mesma palestra uma infinidade de temas e tópicos diferentes. Não é incomum palestrantes correndo, vomitando resultados, 10s por slide ou menos, 3, às vezes 4 tópicos diferentes numa mesma palestra. E isso é muito ruim. Ao contrário de se valorizar, no meu modo de entender, o palestrante se desvaloriza, porque passa uma mensagem errada ao público.

Não me entenda mal: ele passa a mensagem de que é alguém super produtivo, com 763.5 trabalhos publicados na Nature, Science, Cell e etc, no último mês e meio. Mas nenhum dos trabalhos fica retido na memória do público, simplesmente porque o palestrante não ocupa mais que alguns minutos com ele, por mais complexo que seja. A palestra que tinha tudo pra mostrar algo no topo do conhecimento não faz nenhum impacto porque ninguém (ou quase ninguém) é capaz de seguir os tópicos. E isso é muito ruim.

Ao contrário, quando o palestrante usa seu tempo para focar em um (único) assunto é como um oásis: mesmo os tópicos mais complicados são possíveis de entender, porque há tempo para uma introdução bem feita, uma conclusão decente e um tempo razoável em cada slide de resultados. Em resumo: a palestra tem um impacto, porque a audiência leva uma mensagem “pra casa”. Quem dera fosse sempre assim.

Se você se interessa pelo assunto, aqui tem uma discussão bacana na mesma linha.

Diários de Lindau, dia 5

Hoje, uma vez mais “old school” ou, pelo menos sem vídeo meu, porque hoje tem vídeo de música.

Dudley Herschbach, prêmio Nobel de Química, terminou sua apresentação com uma música de Cole Porter, composta em 1933, sobre experimentos e ciência. Eu fui atrás da letra completa e da música pra compartilhar com vocês! Vai aí embaixo:

 

 

 

————–

EXPERIMENT

From the London Stage Musical “Nymph Errant” (1933) (Cole Porter)

 

Before you leave these portals

To meet less fortunate mortals

There’s just one final message

I would give to you

You all have learned reliance

On the sacred teachings of science

So I hope, through life you never will decline In spite of philistine

Defiance

To do what all good scientists do

Experiment

 

Make it your motto day and night

Experiment

And it will lead you to the light

The apple on the top of the tree

Is never too high to achieve

So take an example from Eve

Experiment

Be curious

Though interfering friends may frown,

Get furious

At each attempt to hold you down

If this advice you’ll only employ

The future can offer you infinite joy

And merriment Experiment And you’ll see

———-
 E aqui a música:

———-
Hoje teve também Robert com uma palestra participativa e uma proposta interessante: imagine o que será o futuro, daqui a 200 anos, quando todas as fontes de energia fóssil, carvão e petróleo, estarão exauridas. Como vai ser a vida? Haverá vida? O que as pessoas daquele tempo pensarão de nós, do que nós (não) fizemos para melhorar o planeta. Um discussão bem interessante que acho que meu colegas ecochatos engajados com a proteção ambiental aqui do SBBr iriam gostar bastante.

Por fim, pra acabar com a parte científica: Walther Kohn, o inventor da Teoria do Funcional da Densidade, uma das maneiras mais poderosas de resolver problemas físicos complicados. Ele deu uma verdadeira lição pra quem acha que a ciência e a vida pessoal são imiscíveis. Sua palestra foi sobre “ciência e cegueira”, focada em problemas oculares relacionados à mácula. E por quê ele, numa idade avançada e consagrado, resolveu atacar um problema de Fisiologia? Porque sua esposa desenvolveu essa doença e ele se perguntou se, como físico, ele poderia contribuir pra resolver esse problema. Foi tocante.

 

 

Eu deixo vocês com uma foto do pôr-do-sol aqui em Lindau.

 

E lembrando: amanhã é o último dia, mas vai ser bem complicado postar à noite, pós-conferência. Então a última edição dos Diários de Lindau vai chegar, mas provavelmente com alguns dias de atraso! Espero vocês lá!

 

Diários de Lindau, dia 4

Um dia de Luz, de espera por Higgs e de dicas valiosas para a sua pesquisa de todo dia.

Um dia que começou cedo demais. Com café-da-manhã num barco.

Isso e algo mais, no quarto dia dos Diários de Lindau.

Diários de Lindau, dia 2 #lnlm12

Cosmologia,

Aquecimento global: realidade ou mentira?,

A relação entre política e ciência

E todos os canais por onde você pode acompanhar a conferência aí da sua casa,

Tudo isso e algo mais no vídeo de hoje! 🙂

P.S.: o dia foi cheio e o vídeo ficou longo, quase 10 minutos, mas deu pra resumir bem o que aconteceu. Se você tiver paciência, assista e me conte o que pensa aí nos comentários.

O bom filho à casa torna… ou não?

Se você andou aqui pelo blog nos últimos tempos, sabe que eu estou me preparando pra um dois concursos no lugar onde fiz o mestrado e o doutorado. É o meu segundo concurso e o segundo no mesmo lugar, de onde facilmente depreende-se que eu quero voltar pro lugar onde me formei (sim, nesse caso doutorado, e NÃO graduação, é sinônimo de formação).

Verdade. Mas apenas em parte. Eu ando me perguntado, desde há algum tempo, o que é o certo a se fazer. Voltar pra “casa”? Ou fazer morada em outro lugar? É óbvio que há uma infinidade de fatores envolvidos nessa decisão, não apenas profissionais, mas pessoais também. É óbvio que nenhuma decisão nesse caso é pétrea: pode sempre mudar. Mas o certo é que não sei bem o que fazer e muito menos (e talvez o mais importante) o que é o melhor a se fazer.

Aqui na Alemanha, por exemplo, a dinâmica do sistema é extremamente diferente: você nunca (ou quase nunca) se tornará professor no lugar onde se formou. É preciso mudar para subir na carreira. Mesmo professores estabelecidos precisam receber propostas de emprego melhores e mudar de cidade (carregando o grupo todo junto) para subir na carreira. No Brasil, eu acho que não existe essa “regra não escrita”: as universidades contratarão quem melhor se sair no concurso aberto para a vaga, independente mente (quase sempre) de o candidato ter se formado ali ou não.

Você o que acha? Já passou por isso? Como se decidiu? Quais os fatores mais importantes a serem levados em conta? Abaixo, pra motivar a discussão e por que eu também acho que deve haver “uns par” de gente na mesma situação que eu, coloco os diversos prós e contras de voltar, do ponto de vista profissional.

Prós:

  1. o lugar onde me formei tem uma estrutura de apoio fantástica
  2. é disparado o melhor grupo do Brasil na minha área
  3. a verba é farta
  4. o instituto como um todo é grande, muitas possibilidades de colaboração
  5. eu conheço a maioria das pessoas do grupo

Contras:

  1. eu conheço a maioria das pessoas do grupo
  2. há o risco de ficar à sombra do pesquisador líder, um físico conhecido e consagrado
  3. a estrutura do lugar está montada, dificilmente eu conseguiria deixar uma marca num sentido mais amplo
  4. o instituto como um todo é grande, muitas possibilidades de “sumir na multidão”
  5. hábitos/culturas erradas são mais difíceis de serem mudadas num grupo grande e estabelecido

É só isso? Claro que não, mas estes são alguns dos fatores que me vieram à cabeça imediatamente ao escrever esse post. Deixe aí nos comentários o seu pensamento sobre isso.

O café nosso de cada dia

Cena comum nos institutos de pesquisa (e, suponho eu, firmas, redações, etc, etc…): chega o estudante e vai direto, como um zumbi, para a máquina de café e com este em sua xícara para sua mesa de trabalho.

Cena igualmente comum e concomitante: o café espirra da xícara para o chão, tampo da mesa, teclado, roupa…

Isso é uma verdade absoluta, a menos que o nosso personagem esteja minimamente acordado (ou escolado) e ande da máquina de café à sua mesa equilibrando a xícara para o café não espirrar.

Apesar de estas serem verdades do nosso dia-a-dia, nunca antes tinham sido estudadas sistematicamente. Até agora.

 Hans Mayer e Rouslan Krechetnikov, escrevendo para o Physical Review E desta semana estudaram o café nosso de cada dia e os motivos pelos quais ele espirra para fora da xícara. Eles mostraram que o modo fundamental como o café oscila na xícara é facilmente atingido pelo caminhar normal de um ser humano. E que “equilibrar a xícara” significa andar de um forma a não excitar esse modo de oscilação ou pelo menos contra-balançar o tal modo à medida que se anda. No trabalho, eles desenvolvem um modelo matemático simples e eficiente para modelar os dados experimentais, medidos com pessoas de verdade e câmeras que observavam o café à medida que estas andam, tomando cuidado, ou não. Ah! Eles inclusive mostram que se você tropeçar, corre o risco de derrubar todo o café… e ter que voltar pra máquina pra começar tudo de novo… 😛

O trabalho pode ser lido em Phys. Rev. E 85, 046117 (2012). Infelizmente, eu não achei uma versão de acesso gratuito… 🙁

 

Várzea tedesca em verde e amarelo

O governo brasileiro instituiu recentemente esse programa “Ciência sem Fronteiras” pra dar um quinquilhão de bolsas pros brasileiros seguirem pro exterior. Ótima iniciativa, o país precisa de gente mais e mais especializada, etc e tal. Os estrangeiros, pelo menos aqui pela Alemanha ficaram loucos. Explico: aqui eles têm que incluir bolsas de estudantes nos projetos, como salário, e isso sempre dá trabalho pra acertar e manejar. Já vi gente trabalhando aqui em Stuttgart e sendo paga por um projeto de Hannover, por causa de colaborações. E assim vai. Pois o projeto brasileiro é uma chance de financiar estudantes sem precisar escrever grandes projetos e isso facilita muito a vida deles. Eles ficaram muito interessados.

Aqui eu fiquei responsável por colocar no site as ofertas do nosso grupo (um doutorado e um pós-doutor). Fiz isso em janeiro. Janeiro. Ontem, um email veio avisando que as propostas estavam online. Fui lá checar. Para minha surpresa, a descrição do projeto, ao invés da correta, relacionada a gases quânticos dipolares, veio com algo relacionado à tecnologia de solos e o outro a alguma bio-sei-lá-o-quê que se eu tiver que chutar é um projeto na área de Farmácia. Isso tudo, porque a página da oferta do projeto é basicamente uma reprodução dos campos que eu preenchi no formulário onde se faz a oferta, ou seja, nada muito complicado de se implementar automaticamente e sem erros. Mas deu no que deu e agora vamos ver quanto tempo leva pra resolver.

Você pode pensar: agora ele vai dizer que isso só acontece porque é algo brasileiro e tal. Quase isso. De fato, o meu contato aqui pra resolver o problema é o DAAD no lado alemão e pelo que eu entendi foram eles que fizeram todo o procedimento. Então, apesar de não dar pra cravar se o problema é alemão ou brasileiro, esse tipo de acontecimento só reforça, pros estrangeiros, a imagem de que somos desorganizados, atrasados e não fazemos as coisas direito. E isso é ruim. Principalmente porque nem sempre é verdade. 🙁

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