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Reinaldo Lopes Arqueologia é mais do que aventura cinematográfica ou coisa de viciado em livro poeirento: é uma ferramenta ímpar para entender o que a humanidade pode fazer consigo mesma e com o planeta. Meu nome é Reinaldo José Lopes e sou jornalista de ciência da Folha de S.Paulo. Leio grego antigo e já ajudei a desenterrar uma preguiça gigante em Minas Gerais. Na foto acima, testo a viabilidade bélica de um artefato da cultura Rohirrim (Terceira Era da Terra-média). Bem-vindo!

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Cidades perdidas do Xingu

Categoria: AmazôniaAmérica do Sul
Escrito em novembro 18, 2009 10:57 PM, por Reinaldo José Lopes

xingu.jpgUma edição recente da revista "Scientific American" traz a descrição mais didática e saborosa feita até agora sobre os achados do arqueólogo Michael J. Heckenberger, da Universidade da Flórida, no Xingu. Já faz algumas décadas que os pesquisadores estão mostrando uma complexidade social e econômica insuspeita na Amazônia antes de Cabral, mas o trabalho de Heckenberger tem um sabor todo próprio porque ele mostra como essa complexidade pôde gerar uma população densa e, ao mesmo tempo, não produzir uma civilização urbana propriamente dita.

Em vez de metrópoles como a Tenochtitlán dos astecas ou a Cuzco inca, a civilização do Xingu produziu o que mais parece uma rede altamente interligada de condominíos fechados, daqueles que usam a expressão "lotes com muito verde" na propaganda.

Heckenberger e companhia descobriram que as antigas vilas do Xingu se organizavam de maneira hierárquica, com grandes centros populacionais e ceremoniais que podiam abrigar uns 2.000 habitantes, sendo dez vezes maiores do que as atuais aldeias indígenas da área, complementados por vilas menores, tudo isso conectado por uma rede de estradas cuja largura ia de dez a 40 metros.

Muralhas de madeira

Esses centros eram cercados por altas paliçadas e fossos defensivos com perímetro de alguns quilômetros. Os fossos podiam ter cerca de 2 metros de profundidade e dez metros de largura. Imagens de satélite indicam que muitas das áreas hoje cobertas por floresta na região são, na verdade, mata secundária, com composição de espécies modificada pelo uso humano intensivo. Por meio de um sistema de rotação de culturas, os xinguanos pré-século XVI parecem ter obtido boas colheitas de mandioca, pequi e sapê para a construção de malocas.

Os rios da região também parecem ter sido modificados pela ação humana, com coisas como a criação de diques para a pesca em grande escala. Ao todo, a região pode ter abrigado até 50 mil pessoas em seu auge pré-cabralino, calcula Heckenberger. É um tipo alternativo de desenvolvimento urbano, que pode ter ido para o espaço com a diminuição da população ligado às doenças trazidas pelos europeus.

Outro detalhe genial das pesquisas é a proximidade dos arqueólogos com a população da tribo cuicuro, moradora da região, cujos membros chegaram a assinar as pesquisas em revistas científicas de renome e contribuíram com o que sabiam sobre a história oral de seus ancestrais para a interpretação dos achados arqueológicos.

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Commentários (1)

1

Que texto e assunto legais! Faltou apenas referência para pelo menos um desses trabalhos.

Escrito por: Clarissa | dezembro 8, 2009 10:00 PM

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