As joias perdidas de Troia

troia.jpgMaluco pela história e lenda de Troia como sou, fiquei maravilhado ao ler a reportagem do “Philadelphia Inquirer” sobre um trabalho de detetive envolvendo joias que podem ter vindo da cidadela cantada por Homero.
Ocorre que, nos anos 1960, a Universidade da Pensilvânia gastou 10 mil doletas para comprar 24 belos ornamentos de ouro. As joias eram, segundo o negociante de arte que as ofereceu para venda, oriundas de Troia, sabe-se lá de que jeito — afinal, o grande tesouro troiano desenterrado no século XIX pelo alemão Heinrich Schliemann estava desaparecido nessa época.
O negociante não tinha um certificado de procedência que prestasse para os artefatos, mas eles eram tão bonitos, e de estilo tão semelhante aos objetos troianos conhecidos, que o museu acabou pagando para ver. Na pior das hipóteses, tratar-se-iam de objetos da Mesopotâmia, uma vez que havia semelhanças entre as obras e joias encontradas antes no atual Iraque.
Rabudo
Agora, Ernst Pernicka, químico e especialista alemão em metalurgia, conseguiu permissão para obter amostras do ouro misterioso. E, golpe de sorte daqueles indispensáveis para quem quer fazer história no trabalho arqueológico, ele reparou que haviam pedacinhos de terra ainda grudados nas joias.
Resultado das análises químicas: a presença de outros metais amalgamados ao ouro, como prata, platina e paládio, bate com a proporção conhecida dos pedaços do tesouro de Troia que ainda estão na Alemanha (o resto foi saqueado pelos russos durante a Segunda Guerra Mundial, e ainda está na Rússia). E a composição da terra nos objetos também confere com a do solo na planície da Trôade, como é conhecida a região de Troia, hoje na Turquia.
Ou seja, parece que estamos, no mínimo, diante de joias feitas com ouro de aluvião (aquele que é peneirado em rios) que veio das vizinhanças da cidade. É claro que, teoricamente, ele poderia ter sido moldado muito longe de lá — na própria Mesopotâmia, claro –, mas isso me soa improvável.
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Discussão - 2 comentários

  1. Sibele disse:

    Além da análise química empreendida pelo especialista alemão Ernst Pernicka, uma outra evidência bem interessante para atribuir a origem dessas jóias a Tróia é a que nos é apresentada por Jonathan Gottshall, o professor de literatura do Washington & Jefferson College, dos EUA, e tão bem explanada no maravilhoso Além de Darwin, às páginas 32-38, sob o título “Helena de Darwin: as mulheres foram mesmo a causa da guerra de Tróia?”
    Explico: segundo Gottshall, “A questão é que nós buscamos ter fama, ou ter um status profissional elevado, porque isso nos garante o acesso a uma série de recursos. E esses recursos, em última instância, servem para turbinar as chances de sobrevivência e reprodução dos que os adquirem, como em qualquer outra espécie” (p.34).
    Mais adiante (p.38), sua explanação aponta que “Nada disso significa, porém, que as mulheres gregas e troianas se deixassem levar como meros joguetes do destino”.
    De fato, elas eram espertas! Daí o raciocínio é simples: já que era importante conquistar e manter as exigentes mulheres de Tróia como esposas e concubinas, para a tão almejada perpetuação do Y, nada mais lógico do que ofertar-lhes lindas e atraentes joías de ouro. A mulherada a-do-ra!!! 😀

  2. Joey Salgado disse:

    Não há nada que um químico não consiga fazer para mudar a história, rs!

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