Mais uma resenha de “Além de Darwin”

E num lugar totalmente inesperado, o site da Secretaria de Ensino Superior do Estado de São Paulo. Pedro Ulsen curtiu o livro mas, surpreendentemente, não foi com a cara do capítulo sobre sexo. Pra você ver que nem sempre o que parece o tema mais pop é o que mais agrada. O link original da resenha segue aqui, mas você também pode lê-la abaixo. E o que está esperando? Quer receber “Além de Darwin” com desconto, autógrafo, dedicatória e frete grátis no conforto de seu lar? Pergunte-me como: [email protected]
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Jornalista da Folha de S.Paulo apresenta, em livro, teorias da evolução “além de Darwin”
“Além de Darwin” não é um livro de tema restrito e pouco avançado. A obra é resultado de uma produção semanal do autor Reinaldo José Lopes na coluna Visões da Vida do G1, o portal de notícias da Rede Globo na internet, onde ele trabalhava antes de ingressar na editoria de ciência do jornal Folha de S.Paulo. O objetivo da obra, lançada no final do ano passado pela Ed. Globo, é “proporcionar uma visão telescópica, de longo alcance, da história da vida no nosso planeta”, revela o próprio autor.
Como proposta, aliás, é bom assumir: haja visão! Antes de ser um livro sobre a evolução, e antes mesmo de ficar travado nas teorias darwinistas, “Além de Darwin” é fiel à ideia continuísta do seu título e debate do início ao fim conceitos biológicos, sociais, racionais, emocionais, sexuais e comportamentais de diferentes seres vivos. Uma escala crescente de evolução, o próprio livro. O bom desempenho, aliás, faz com que a obra seja mais indicada para estudiosos da área científica. Claro que sua leitura pode ser útil a todos os interessados pelo tema, mas conhecer a área só contribui para a compreensão dos temas discutidos.
A proposta é de fato alcançada, mas esbarra no primeiro capítulo da obra – meio enfadonho e bastante polêmico -, que se detém demais na análise “dos deleites e das agruras de se reproduzir fazendo sexo”. Todas as pesquisas têm seu valor, mas esta observação vem de forma exagerada e simplista. O autor tem que as mulheres são a causa mais comum de brigas internas e externas em determinadas sociedades que cita. “É simples assim: os chefes mais poderosos, com maior habilidade militar e maior número de guerreiros à sua disposição, são quase sempre os que possuem o maior número de esposas e concubinas”, crê.
Ainda polêmico e menos acintoso o autor retoma a discussão com narrações bem articuladas – que marcam a obra a partir daqui: “Confessemos o inconfessável: sexo é bom e todo mundo gosta, mas dá um trabalho dos infernos. Considere quanto sangue e suor, quantas lágrimas, notas de cem e faturas de cartão de crédito já foram empregados na história do cosmos para esse fim; quantas caudas de pavão e Ferraris, quantos vestidos decotados, sem falar no gasto de energia intelectual, como a invenção do soneto, os romances medievais sobre o amor cortês, o Cântico dos Cânticos. É muita dor de cabeça”, opina.
Desde então compreensões como essas são deixadas para trás. É o momento de transformação da obra, que avança com qualidade para compreender a evolução da vida. As diferentes formas de inteligência são abordadas, os componentes biológicos dos seres vivos também, além da história e origem da Humanidade. Na reta final o assunto são as maneiras e as aparências dos corpos para finalizar com um belo – e ousado – capítulo que aborda acertadamente os pontos de encontro entre fé e razão, as conexões entre sabedoria e ciência.
Escalada positiva
Se é para avaliar a evolução, tentando entender a história e o destino da vida, Lopes não se priva de estabelecer parábolas. Não surpreende ao dizer que “a diferença entre nós e o resto das formas de vida nesse quesito é menor do que gostaríamos”. Ousado nas propostas e com evolução de ideias graduada, a obra traz temas diversificados da Ciência, que vão do bipedalismo às especificidades da evolução. O texto, vale ressaltar, é muito bem escrito. Tem narração articulada, por vezes complexa pelo tema, mas sempre com desenvolvimento conceitual ascendente. Não é, como dito acima, um livro básico, e tem também um tempero literário de narrativa.
De um modo geral, a obra tem conteúdo extenso, que garante aos interessados não só uma visão sobre evolução. Este, é claro, o conceito que conduz a narrativa do livro. Mas é a partir dele que o autor entra em diferentes temas. Até a religião – tema ímpar à Ciência – é tratada na reta final da obra. “A ciência pode entender como a fé se desenvolve, mas a base e o sentido que ela dá à existência humana estão fora do alcance dos laboratórios. (…) Não há nada de desrespeitoso em tentar entender esse processo. Como o próprio Jesus disse, ´Conhecereis a verdade – e a verdade vos libertará´”, escreveu Lopes.
“Além de Darwin” condensa posteriormente sua escalada de evolução e aponta perspectivas ao futuro. Uma das conclusões é que a compreensão do processo biológico não parece um substituto completo para outras formas de exprimir a verdade sobre nós mesmos, ou sobre o Universo. A declaração é equilibrada: “Não se pode esquecer que a racionalidade e o método científico são ferramentas, não oráculos. (…) O belo e o horrendo, o certo e o errado – ainda cabe a faculdades que não a razão julgar qual é qual, por mais que o exame racional possa fornecer pistas e subsídios para o veredicto.”
E é assim, depois de construir seu próprio desenvolvimento, de entrar em detalhes sobre a história da evolução, de abandonar uma concepção isoladamente antropocêntrica, e de pensar o momento atual como parte de uma evolução mais ampla, que Reinaldo José Lopes fecha a obra de modo assertivo: “Que as nossas mãos sejam instrumentos para um florescimento cada vez mais formoso da Criação (sim, não tenho medo de usar a palavra), enquanto ela durar. Que os que vierem depois de nós tenham solo sadio para plantar – e espaços vastos onde não precisem plantar. Mais do que isso não se pode pedir de ninguém.”
Por Pedro Ulsen.
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