Como os Estados Unidos se transformaram em um Império

O trecho a seguir é a primeira parte de um documento intitulado “A PROPOSTA DA BOLSA DE PETRÓLEO IRANIANA“, por Krassimir Petrov, PhD, Macro Economista/Estrategista de Investmentos
Comissionado por: J. Douglas Bowey and Associates, datado de 20 de janeiro de 2006

A Economia dos Impérios

Um Estado-Nação cobra impostos de seus próprios cidadãos, enquanto que um Império cobra impostos de outros Estados-Nações. A história dos impérios, dos Grego e Romano, ao Otomano e Britânico, ensina que o fundamento econômico da cada um desses impérios é a taxação de outras nações e seus cidadãos. A capacidade imperial em taxar sempre repousou em uma economia melhor ou mais forte e, como conseqüência, Forças Armadas melhores e mais fortes que impunham pacifica ou militarmente os impostos. Uma parte desses impostos ia para melhorar os padrões de vida do império e outra parte ia para reforçar o domínio militar necessário para impor estes impostos.

Historicamente, a cobrança de impostos sobre o Estado Vassalo tomou diversas formas, usualmente em ouro e prata, onde estes eram considerados dinheiro, mas também na forma de escravos, soldados, colheitas, gado, ou outros recursos agrícolas ou naturais, quaisquer valores econômicos que o império precisasse e o estado vassalo pudesse fornecer. Historicamente, a taxação sempre foi direta: o estado vassalo entregava o dinheiro (ouro/prata) ou as mercadorias diretamente ao império.

Pela primeira vez na história, no Século XX, a América foi capaz de taxar o mundo de maneira indireta — não por forçar o pagamento direto de impostos, como todos os impérios predecessores fizeram, porém por distribuir sua moeda, o dólar americano, para outras nações em troca de mercadorias e serviços, com a idéia subjacente de desvalorizar, ao longo do tempo, esses dólares e pagar de volta, mais tarde, cada dólar com menos mercadorias e serviços. A diferença entre o valor do dólar na época da compra inicial e o dólar desvalorizado na hora do pagamento, é a Taxa Imperial dos EUA. Isto aconteceu assim.

No início do século XX, a economia dos EUA começou a dominar a economia mundial. Naquela ocasião, o dólar americano (US$) era atrelado ao ouro, de forma que seu valor nem aumentava, nem diminuía, porque era sempre conversível na mesma quantidade de ouro. A Grande Depressão, com sua antecedente inflação de 1921 a 1929, aumentou significativamente a quantidade de moeda-papel em circulação, sem que houvesse um correpondente aumento na quantidade de ouro. Isso tornou o lastro do US$ em ouro impossível. Como consqüência, o Presidente Franklin Delano Roosvelt desatrelou o US$ do ouro em 1932. Até esse ponto, os EUA podiam estar no domínio da economia mundial, mas não eram, tecnicamente, um império. O valor fixo do US$ em ouro não permitia aos americanos auferir benefícios econômicos de outos países, fornecendo a estes US$ com valor lastreado em ouro.

No que diz respeito à economia, o Império Americano começou com o sistema de Bretton Woods em 1945. O US$ foi tornado apenas parcialmente conversível em ouro — a conversão para ouro ficou disponível para governos estrangeiros, mas não para instituições privadas. Nesta ocasião, o US$ foi tornado a moeda padrão para reservas internacionais. Isso foi possível porque, durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA haviam suprido seus aliados com alimentos e material bélico, aceitando pagamentos em ouro e, com isso, adquirindo uma signiicativa parcela das reservas mundiais de ouro.

Um Império econômico não teria sido possível se o US$ tivesse permanecido lastreado inteiramente em ouro, isto é, se o volume de US$ em circulação tivesse sido mantido dentro dos limites da disponibilidade de ouro, de forma que se pudesse trocar de volta os US$ em ouro, na taxa anteriormente pré-estabelecida. Entretanto, a quantidade de US$ foi, na verdade, rapidamente aumentada, bem além de seu lastro em ouro e distribuída aos estrangeiros em troca de bens econômicos. Não havia qualquer perspectiva de comprar esses US$ de volta pelo mesmo valor — a quantidade de ouro não era suficiente para resgatar esses US$, na medida em que a quantidade desses US$ aumentava continuamente, de forma que o US$ se depreciava constantemente. A constante depreciação das reservas em dólares mantidas pelos estrangeiros, através dos constantes déficits da balança comercial americana, era o equivalente a um imposto — um imposto de inflação.

Quando, em 1971, estrangeiros pediram o pagamento de seus US$ em ouro, o governo dos EUA declarou uma moratória em 15 de agosto. A explicação pública sobre essa moratória foi que “a ligação entre o US$ e o ouro foi interrompida”. A interpretação correta é que o governo dos EUA estava falido, tal como se pode decretar a falência de qualquer banco comercial.

Entretanto, ao fazer isto, os EUA se declararam um Império. Eles tinham extraído uma enorme quantidade de bens econômicos do resto do mundo, sem qualquer intenção ou capacidade de pagar por esses bens. O mundo foi, efetivamente, taxado e não havia qualquer coisa que se pudesse fazer quanto a isto: não se podia decretar a falência dos EUA e tomar posse de seu ouro e outros bens para executar a dívida, nem se podia tomar “na marra” o que era devido por meio de uma declaração de guerra (que teria que ser vencida…) Essencialmente, os EUA impuseram um “Imposto de Inflação” sobre o mundo e coletaram uma “enfiteuse”.

A partir daí, para sustentar o Império Americano e continuar a taxar o resto do mundo através da inflação, os EUA tinham que forçar o mundo a continuar a aceitar seu US$ inflacionado em troca de bens econômicos e fazer com que o mundo tivesse mais e mais desses US$ inflacionados. Eles tinham que dar ao mundo uma razão econômica para manter reservas em US$ e esta razão foi o petróleo.

Em 1971, quando se tornou claro que o governo dos EUA não seria capaz de recomprar seus US$ em ouro, ele preparou um dispositivo alternativo para manter o mundo como refém do US$ inflacionado: durante 1972-73, estabeleceu um acordo a sete chaves com a Arábia Saudita — apoiar a Casa de Saud em troca de só aceitarem US$ em pagamento pelo petróleo saudita. Ao impor o US$ sobre o país líder da OPEP, o US$ foi imposto sobre toda a OPEP. Como o mundo tinha que comprar petróleo dos países árabes produtores de petróleo, ficava com uma razão para manter suas reservas de US$. E porque o mundo precisava de cada vez mais petróleo (e este a preços sempre crescentes) a demanda mundial por US$ somente poderia aumentar. Mesmo que os US$ não pudessem mais ser trocados por ouro, agora, eles podiam ser trocados por petróleo. A essência econômica desse conchavo foi que o US$ passou a ser lastreado em petróleo (com uma diferença: o ouro se encontra em Fort Knox e o petróleo, em sua maior parte, está fora do território dos EUA).

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Só traduzi até aqui… Mas isso dá uma boa noção das reais motivações dos EUA para mover guerras no Afeganistão, Golfo Pérsico e por que eles implicam tanto com governos esquerdistas nos países latino-americanos da OPEP.

Detalhe: isso não é nenhuma “Teoria da Conspiração”, nem uma “Campanha pela preservação do meio ambiente”. É uma fria e clara análise da situação da economia americana (e, por conseqüência, mundial).

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Discussão - 1 comentário

  1. Isis disse:

    Faz todo o sentido.

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