Sobre Desenvolvimento Sustentável

Sabem aquela história de um termo que a gente ouve tanto falar que nem pensa em saber o que quer exatamente dizer?… Para mim, “desenvolvimento sustentável” era um caso desses… E, é claro, eu corri à WikiPedia…

Lá, eu achei na página correspondente dois aspectos interessantes (o início e o fim da página, transcritos abaixo)

Desenvolvimento Sustentável, segundo a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) da Organização das Nações Unidas, é aquele que atende às necessidades presentes sem comprometer a possibilidade de que as gerações futuras satisfaçam as suas próprias necessidades.
(…)
A Declaração de Política de 2002 da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada em Joanesburgo, afirma que o Desenvolvimento Sustentável é construído sobre “três pilares interdependentes e mutuamente sustentadores” — desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental. Esse paradigma reconhece a complexidade e o interrelacionamento de questões críticas como pobreza, desperdício, degradação ambiental, decadência urbana, crescimento populacional, igualdade de gêneros, saúde, conflito e violência aos direitos humanos.
O PII (Projeto de Implementação Internacional) apresenta quatro elementos principais do Desenvolvimento Sustentável — sociedade, ambiente, economia e cultura.

Ambicioso demais, não?…

O grande problema é que todos os modelos conhecidos de “desenvolvimento econômico” sempre se pautaram pelo total desprezo a coisas tais como “proteção do meio ambiente” e, em todos os casos, o “desenvolvimento social” foi uma conseqüência do “desenvolvimento econômico”, não um de seus requisitos e sequer algo levado em consideração. Pode-se até afirmar que o “desenvolvimento econômico” dos países do primeiro mundo se deu às expensas do resto do mundo. Em suma: “desenvolvimento social” é um “luxo” que só países ricos podem se dar… E, mesmo esses, o conseguiram com enorme degradação do meio ambiente (e disso não escapam sequer os países “socialistas”).

É muito fácil para países fortemente industrializados defender a “preservação do meio ambiente” nos países do terceiro mundo (depois que degradaram seus próprios ambientes) e promover “vetos” a “produtos ecologicamente incorretos”. Para o peão que subsiste na beira da Floresta Amazônica, desmatar um pedaço e plantar soja é o meio mais eficaz e rápido de obter “desenvolvimento social”. E, quando os grandes interesses político-econômicos estão em jogo – como no caso do “salvador-da-pátria”, o “Agronegócio” – o meio ambiente que se dane!… A biodiversidade do Cerrado que desapareça, porque plantar soja é preciso, produzir cana é fundamental e bio-combustíveis são o “futuro da nação”… E a perspectiva de encher as prateleiras dos mercados do primeiro mundo com alimentos “Made in Brazil” (bem como faturar uma boa grana fornecendo para os programas assistenciais da ONU), promete um futuro sombrio para os demais ecossitemas – aí inclusos o Pantanal e a grande novidade do momento: A “Amazônia Azul” (que não tarda a se transformar em “Negra” de petróleo vazado…)

Por falar em petróleo, essa praga está por trás até do recente conflito da Ossétia do Sul, como está por trás das Guerras no Iraque e Afeganistão. E tem otário se regozijando do derretimento das Calotas de Gelo do Polo Norte, porque vai dar para prospectar mais petróleo… (Não é de hoje que eu falo no assunto).

Eu tendo a concordar com a Isis: o “desenvolvimento sustentável” é um “lema” muito bonito… Tal como “liberdade, igualdade e fraternidade” (mas vejam como o governo Sarkozy está tratando os “ilegais”… Uns são “mais iguais que os outros”…)

Em matéria de “letra de samba”, eu prefiro “Feitiço da Vila” de Noel Rosa… Deve ser porque eu sou um velho ranzinza e saudosista…

(Por favor. Comentários aqui)

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