Ciência e Ficção Científica (segundo o Instituto Americano de Física)

Inside Science News Service

22 de outubro de 2008
OS “CARAS DA CIÊNCIA” DA SÉRIE “FRINGE” FALAM MAIS DE CIÊNCIA MESMO DO QUE DE FICÇÃO CIENTÍFICA
Por  Emilie Lorditch
Contribuidor do ISNS

COLLEGE PARK, Maryland (21 de outubro de 2008) — Algumas  vezes os fatos científicos são ainda mais estranhos do que a ficção científica… Como os “caras da ciência” da nova série de  thriller de ficção científica da FOX, “FRINGE” (literalmente: “fímbria”), Rob Chiappetta e Glen Whitman,  sabem melhor do qualquer um.

A série “FRINGE” levam os espectadores em viagens fantásticas se valendo de ciências que tradicionalmente ficam na “fímbria” da ciência tradicional, coisas como “controle da mente” e “teletransporte”.  Porém, com toda a pesquisa que anda sendo realizada nesses campos, muitas das idéias para os roteiros da série são, na verdade, arrancadas de jornais e revistas de ciência.

“Nós começamos procurando por idéias a partir dos títulos de uma revista científica ou da notícia do estabelecimento de um novo fundo de pesquisas, e pensamos: qual seria o próximo passo ou até onde podemos esticar as fronteiras?”, explicou Whitman.  “Por exemplo, no terceiro episódio, um dos personagens estava recebendo mensagens telepáticas em seu cérebro e, na segunda feira, antes do episódio ir ao ar, nós vimos um artigo no website da CNN que explicava  como o Exército dos EUA estava desenvolvendo um capacete que usava ondas cerebrais para auxiliar a comunicação entre os soldados”.

Whitman e Chiappetta são “consultores de media”, não cientistas, e, embora eles já tenham sido consultores de várias séries de TV, eles observam que suas habilidades vêm da curiosidade e da pesquisa em publicações científicas e na imprensa popular, não de uma formação formal.  Chiappetta é formado em Direito pela Universidade do Texas e Whitman é PhD em economia  pela Universidade de Nova York.

“Ambos já fomos consultores para Roberto Orci [um dos co-criadores da série “FRINGE]” em vários projetos ao longo desses anos, da série “Alias”, passando por “Transformers”, até “Star Trek” ” , disse Whitman . “Para a série “FRINGE”, como parte de nossa estratégia para conseguir o emprego na série,  nós criamos um arquivo artigos de ciência e tecnologia que pensamos que poderiam inspirar bons roteiros. Quando fomos empregados, o arquivo contava com várias centenas de artigos e nós nos tínhamos tornado familiarizados com os recentes desenvolvimentos no mundo da ciência. O papel de “caras da ciência” sobrou naturalmente para nós”.

Com uma série que muda a cada semana, os dois nunca sabem o que terão que aprender a seguir.   “Em uma semana nós estávamos debruçados sobre as publicações e procurando tudo sobre neurociência e, na próxima, estávamos aprendendo tudo sobre hormônios”, relatou Chiappetta. “Temos que aprender um bocado e bem rápido, e grande parte da informação nem é usada, mas os roteiristas realmente apreciam nossas pesquisas, o que é bacana”.

“Várias vezes nós temos uma cena onde alguma coisa tem que acontecer e nós temos que bolar como isso poderia ser cientificamente explicado”, contou Whitman.  “Então, nós aparecemos com três idéias e os roteiristas escolhem”.

Até os roteiristas da série estão entusiasmados com a pesquisa científica.  “É claro que já tínhamos um certo interesse pelos tópicos da ciência para a série, mas, agora, os roteiristas realmente abraçaram o conceito da série”, contou Whitman.  “Agora, as mesas estão cobertas de exemplares de Wired, DiscoverSeed”.

Um dos roteiristas veio contar para a equipe sobre um cientista que estava usando células de cérebro de ratos para controlar um rato-robô por controle remoto. Embora a formação de Whitman tenha sido em economia, matemática e estatística, ele encontra uma forte afinidade com a neurociência.  “Glen sabe dizer qual parte do cérebro regula qual função”, disse Chiappetta.

Por sua vez, Chiappetta diz ter crescido lendo Nature, Science e National Geographic, e focalizou seu trabalho mais sobre tecnologia e telecomunicações. “Nós encontramos exemplos, todos os dias, onde as fímbrias da ciência que aparecem na série são discutidas”, disse ele.  “Como aquele físico do CERN no programa “60 Minutes” falando do Large Hadron Collider, e, quando perguntaram a ele qual poderia ser uma aplicação prática da pesquisa do LHC, ele respondeu que, talvez daqui a dez anos — teletransporte”.

Embora as idéias na série possam ir além da pesquisa científica corrente, essas idéias ainda têm que parecer plausíveis.  “Se ainda não aconteceu, ainda tem que ser razoável”, disse Chiappetta.  “Em tanto quanto a gente dê um pouco de explicação acerca da ciência e mostre a possibilidade”. “Nós conversamos muito acerca de ‘dar base sólida a uma idéia’ ”. declarou Whitman.  “Isso quer dizer aparecer com uma explicação real para a coisa”.

Um dos temas subjacentes da série é que a ciência pode ser empregada para o bem ou para o mal e que o cientista tem uma responsabilidade para com esse poder.  “A ciência é feita por pessoas e para pessoas; os cientistas lidam com problemas reais e aparecem com soluções reais”, argumenta Whitman.  “Nossa esperança é podermos trazer esta ciência marginal para o centro das atenções, pelo menos nas mentes do público em geral e fazê-los conversar sobre o assunto na hora do cafezinho”.

Chiappetta e Whitman ambos admitem que o trabalho é sempre empolgante.  “Nós descobrimos que podemos ter idéias grandes e malucas”, disse Whitman.  “Nós adoramos isso”.

Este texto é fornecido para a media pelo Inside Science News Service, que é apoiado pelo Instituto Americano de Física (American Institute of Physics), uma editora sem fins lucrativos de periódicos de ciência. Contatos: Jim Dawson, editor de notícias, em [email protected].

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Discussão - 3 comentários

  1. Luiz Felipe disse:

    Eu gosto de Fringe, Jornada nas estrelas, big bang theory e sei que ele chega bem perto da ciência e das futuras descobertas em fisica.
    Um bom livro que discute isso é o livro do MICHIO KAKU físico de washinton que publicou um livro em 2010, discutindo a física moderna e as séries e filmes de TV e Cinema.
    Sou Geofísico e sei que é uma boa serie

  2. Miguel Mota disse:

    sou professor de física, sou a favor da educação “continuada”
    atento as pesquisas cietíficas para melhoramento do desenvolvimento tecnológico sustetável, respeitando às leis naturais do planeta em defesa do impacto ambiental.
    Nosso lema deverá ser: “ligação covalente” entre os membros da comunidade científica e professores para melhoramento de uma educação contínua e amplificada em todo sistema educacional.

  3. cardoso disse:

    Ah não, Fringe é um péssimo exemplo, é uma espécie de Arquivo X de QI baixo.
    Há séries bem mais científicas, um bom exemplo é Numb3rs, que foi aplaudida de pé pela comunidade matemática.

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